Lá estava eu, na biblioteca, lendo um livro, então, de repente, lembrei-me dela, "Quem é ela?" questionei-me, naquele momento lembrei-me de uma garota, uma garota que eu tinha conhecido, sim, conhecido, essa deve ser a palavra correta, voltando, uma garota que eu tinha conhecido no ônibus, "ela é linda", e foi com esse pensamento que eu voltei a ler o livro.

"(...)-Então é um ladrão – concluiu d’Artagnan. – irei queixar-me por ela ser tão bela, por ela ter...", parei de ler, "Meu Deus, os meus pensamentos invadiram a minha leitura" na hora pensei, "depois continuo a história dos três mosqueteiros", fechei o livro e voltei a pensar nela, "aquela garota é linda" pensei, como eu já disse, eu encontrei-a no ônibus, ela estava sentada na cadeira ao lado da janela, e ao lado dela tinha um lugar vazio, o único lugar vazio do ônibus, então foi lá que eu sentei.

Sentei-me do lado dela e percebi que ela estava lendo um livro, "Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas", era o mesmo livro que eu estava lendo, fiquei quieto, botei minha mochila no chão e peguei um livro, o mesmo livro que o dela, quanta coincidência.

Abri na página 757 e comecei a ler, quando terminei de ler o primeiro parágrafo ela me fez uma pergunta, "Está em qual página?", "757" respondi, “E você?" perguntei, ela me disse que estava na página 633 e após isso nós começamos a conversar sobre os personagens e sobre o livro em si, confesso que não prestei muita atenção na nossa conversa por alguns instantes pois eu estava hipnotizado por sua beleza, sua pele morena, seus olhos castanhos, seus cabelos cacheados, "Você é linda".

Conversamos bastante, mas, infelizmente, ela teve que ir embora, nós nos despedimos e ela saiu do ônibus, sentei na janela e percebi o quanto eu sou burro, eu me odiei tanto naquela hora, “Como eu pude esquecer-me de perguntar o nome dela?”, no momento eu queria sair do ônibus e correr atrás dela apenas para perguntar o te nome, mas eu não tive coragem.

Agora estou aqui relendo “Os Três Mosqueteiros”, pensando em como eu poderia reencontrar-me com ela, pensei em uma maneira de me reencontrar, mas acho que seria assombroso, assustador, ‘imoral’, insano se eu pegar o mesmo ônibus todo dia no mesmo horário só para tentar ver ela, mas, por que eu estava naquele ônibus mesmos? Lembrei, eu estava indo para o dentista, é meio longe o local, ainda bem que eu só vou lá de 6 em 6 meses.

Sobre o meu plano de pegar o mesmo ônibus todo dia, então, ele é péssimo, pois, e se ela estivesse indo para algum lugar fora do habitual assim como eu? E se ela estivesse indo para casa e no mesmo dia ela estivesse indo se mudar para outro estado? E se ela estivesse indo na casa do namorado? Perguntas, perguntas, todas sem respostas, a cada segundo que se passa nasce uma nova pergunta na minha mente, infelizmente, como eu mesmo disse, elas estão todas sem respostas.

É como se eu estivesse em uma rua, uma rua com uma única saída, a saída é aceitar, aceitar que não há nenhuma maneira prática e rápida de eu descobrir o nome dela, aceitar que talvez – odeio essa palavra – eu nunca a reencontre, aceitar que há sim uma possibilidade de ela estar namorando, ou se ela não estiver, aceitar que as chances dela gostar de mim são baixas, então tenho que aceitar que na melhor das hipóteses, nós seriamos apenas bons amigos.

Acho melhor eu parar de pensar nela e voltar a ler o meu livro, aliás, os senhores d’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis me esperam.

Notas finais
OBS: d’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis são personagens do livro Os Três Mosqueteiros.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.