História De Amor

2 O Que Esta Acontecendo Comigo?


Notas iniciais
Segundo capitulo postado, logo estou postando o terceiro.
Espero que gostem e se alguém tiver alguma sugestão é só falar.
Boa leitura e obrigada.

Me entreguei aos meus devaneios o percurso todo, acredito que Ikki percebeu, mas não deu muita importância, parecia mais preocupado em chegar logo em casa, deve ser pelo pouco tempo que tinha para almoçar e voltar ao trabalho. Não demora muito e estamos em nossa nova moradia, pergunto a Ikki se não vai abrir a garagem, ele responde que não vai ficar muito e acabaria perdendo tempo guardando e tirando o veiculo. Então eu desço pegando minha mochila e abrindo o portão, enquanto meu irmão pegava sua pasta e algumas coisas dentro do porta-malas. Entro e subo em direção ao meu quarto, tirar o uniforme e colocar uma roupa mais adequada e confortável para se estar em casa.

Novamente desço para oferecer ajuda, já que ele estava com algumas sacolas e a sua maleta nas mãos. Pego as sacolas dele e levo para cozinha, escuto ele jogar suas coisas no sofá, caminhando depressa para dentro do cômodo onde me encontrava.

–Shun, arrume a mesa para mim? Vou buscar nosso almoço.

–Mas eu pensei que você iria cozinhar mano. –a comida dele é ótima, quando era menor estava sempre rodeando a nossa mãe enquanto esta preparava as refeições e com ela aprendeu muito dos seus segredos culinários.

–Não vai dar tempo. Eu não demoro, o restaurante é logo ali na esquina. –diz saindo porta a fora.

Começo a fazer o que meu irmão pedirá, coloco a toalha sobre a mesa, arrumo os talheres, copos e pratos, procuro alguns guardanapos, mas não acho, então lembro que o mais velho ficou de comprar e resolvo olhar dentro das sacolas de supermercado. Ri comigo mesmo ao ver que Ikki confundiu os guardanapos com papel toalha, decido usar os papéis mesmo, terminado de ajeitar as coisas. Ouço o barulho na porta indicando seu retorno.

–Nossa! Caprichou hein! Eu não teria feito melhor. –me elogia com uma ponta de deboche.

–Obrigado senhor Ikki, pode sentar-se. –entro na brincadeira e os dois riem.

Meu irmão retira as comidas das embalagens, sentamos e começamos a nos servir, realmente o sabor era incrível, quase tão boa quanto à de Ikki.

–Hmm que delicia não é mesmo Shun? –comenta com a boca cheia.

–É sim, muito boa mesmo.

–Então trate de comer, não acredito que aquelas porcarias que come na escola encham mesmo a barriga e você precisa se alimentar bem.

–Obrigado por se preocupar tanto comigo mano.

–Você também cuida de mim, sempre me ajuda com as tarefas de casa, tira boas notas, eu me orgulho muito de você. Mas no fim você nem falou direito como são os colegas que conheceu, além do loiro que encontrei hoje.

–Mas eu te falei sim, conheci duas meninas também, muito legais, conversaram comigo quando a aula acabou. E dois amigos do Hyoga que foram super simpáticos.

–E como elas são? Quais são mesmo os nomes delas?

–June e Saori. E Ikki sinto te informar, mas elas não são para você. –meu irmão sempre teve a fama de ser mulherengo, como ele mesmo dizia: “Consegui esse título com muito esforço.”

–Como se eu me interessasse por garotinhas da oitava série. –responde me dizendo com o olhar que eu deveria me interessar por elas. Eu sorrio e continuo:

–Que alivio, por um minuto pensei que você...

–Não vou roubar suas namoradas Shun. –me interrompe rindo.

Sinto meu rosto corar, ficando um pouco encabulado e pensativo.

–Shun? Falei algo de errado.

–Ãhn?!? Ah não, eu só estava pensando. –respondo sorrindo.

–Esse é o meu garoto. –fala ele apontando para mim, dando um largo sorriso em resposta ao meu.

–Só você mesmo Ikki, mal chegamos e você já quer me empurrar para alguém.

–A vida é para ser vivida, mas eu te entendo Shun. Sei que é bem mais sentimental e curte toda essa parada romântica. Cada um com seu jeito e com seu tempo.

–Aham, você tem razão. –respondo um pouco surpreso, nunca pensei ouvir isso dele.

–Shun eu vou acabar me atrasando se não sair agora. Você pode deixar tudo limpo? –fala meu irmão saindo da mesa, depois de ver o sinal positivo que fiz em resposta a sua pergunta. Corre até o banheiro para escovar os dentes, em seguida voltando com sua pasta na mão, beija minha testa e se despede. –Te amo e lembra que é só me ligar se precisar.

–Ta bem, também te amo. Tenha uma boa tarde Ikki. –me despeço dele ainda sentado.

No momento em que abre a porta dá de cara com uma garota que estava pronta para tocar a campainha. A menina é linda, cabelo loiro, traços delicados, olhos claros, um sorriso encantador e dona de uma meiguice sem tamanho, notavam-se logo a primeira vista pelo seu modo de falar, super educada e gentil.

–Oi. –cumprimenta o mais velho que já babava ao vê-la.

Eu escuto uma voz diferente da de meu irmão e também vou para a porta de entrada ver quem era. Encontro a menina segurando uma bandeja coberta por um pano e Ikki paralisado a encarando.

–Oi, sou Shun. –digo a ele estendendo a mão. –E esse é o meu irmão Ikki.

–Eu sou Esmeralda, desculpe não ter vindo antes dar as boas vindas, mas é que eu tenho ajudado muito meu pai no restaurante. –fala me entregando a bandeja com bolinhos feitos por ela.

–Obrigado, muito prazer em conhecer. –responde Ikki recobrando a memória e beijando a mão dela.

–De nada. Bem eu preciso voltar, se precisarem de algo podem me encontrar na casa da frente ou no restaurante ali da esquina.

–A comida do seu restaurante é muito gostosa.

–Mas que gentileza a sua. Fico até envergonhada com o elogio. –agradece sorrindo e passando a mão na minha cabeça. –Mas agora tenho mesmo que voltar, tanta coisa para fazer, me perdoem por não ficar mais.

–Tudo bem. Até mais e obrigado pelos bolinhos.

–Não precisa agradecer e até mais. –responde saindo e acenando.

Ikki acena para ela, parecia estar enfeitiçado e eu conhecendo meu irmão tinha certeza que a garota seria sua próxima vitima.

–Ikki... você não estava atrasado? –pergunto rindo.

–Ah é mesmo, até a noite.

Balanço a cabeça negativamente, me divertindo com a cena de meu irmão há poucos minutos atrás, fecho a porta e vou arrumar a cozinha, até que ela não está tão suja, só lavar a louça e guardar. Termino rapidamente e partindo para um banho, troco de roupa, pego meus cadernos para estudar um pouco, fico com eles por mais ou menos umas três horas, então decido relaxar lendo o meu livro. Abro na página marcada, leio algumas palavras e lembro da maneira que havia sido interrompida a minha leitura hoje mais cedo, fecho os olhos revivendo o momento. Nossa como eu sou idiota, “aquele momento”... foi só ele me tocando com a ponta do lápis para pedir ajuda, isso qualquer um faz, pare de pensar besteira Shun.

Mesmo não tendo ninguém ao redor, me sinto envergonhado com meus pensamentos, é estranho me sentir assim, ainda mais conhecendo tão pouco sobre ele, mas há alguma coisa nele que chamou a atenção, não é como os outros meninos que conheci, é diferente, ao mesmo tempo em que é educado parece tão distante e quando tocou na minha mão na aula de artes eu senti meu rosto pegar fogo, já comentei a maneira que eu odeio quando isso acontece, mas não consigo evitar. Gaguejar, ficar vermelho, constrangido por nada, me sentir acuado quando não tenho do que fugir ou será que agora eu tenho?

–AAAAH MAS QUE DROGA! O QUE É ISSO? –grito, afinal não tem ninguém mesmo para me escutar.

Enfio o travesseiro no minha rosto me acalmando. Agora encaro o teto em silêncio, penso ser melhor voltar para minha leitura, novamente pego o livro e passo os olhos sobre alguns parágrafos, caindo no sono logo em seguida. O tempo passa. A noite chega e eu continuo deitado, escuto um barulho na porta, abro os olhos lentamente, vendo apenas a escuridão, mudo de posição sobre a cama e volto a dormir, porém outra vez o mesmo ruído volta a me incomodar, seguido de uma voz.

–Shun? Você está ai? –era Ikki que havia chegado e batia em minha porta para saber como eu estava.

–Pode entrar. –respondo ficando sentado.

–Tudo bem? –pergunta caminhando até mim.

–Sim mano, só acho que fiquei cansado, foi um longo dia.

–Mesmo assim, to ficando preocupado com você. Amanhã vamos ao médico.

–Mas Ikki...

–Sem discussão. Você deve estar pegando um resfriado, é melhor ir antes que fique pior.

–Mas eu to bem. É sério. –não entendo o motivo de meu irmão querer me levar para uma consulta médica.

–Já faz um tempinho que não falo nada, mas tenho percebido que você tem dormido um pouco mais do que o normal Shun. E não está frio o suficiente para estar sempre com essas mangas compridas. –me responde com um ar de preocupação.

–Ta certo. –digo abaixando minha cabeça, em sinal de desapontamento e um pouco de medo também.

–Agora vai se aprontar para irmos jantar e depois você pode descansar. –fala fazendo um carinho no cabelo, saindo e completando. –Te espero lá embaixo, não demore.

Não demoro e logo estou jantando com meu irmão, conversamos um pouco, ele também parecia cansado, por isso não tivemos um diálogo muito animado. Terminamos e eu me candidato a lavar a louça, enquanto o outro seca e guarda. Enquanto fazíamos isso perguntou sobre a Esmeralda, elogiou bastante a moça e se puniu por parecer um perfeito idiota na frente dela, eu já estou ciente que ele vai tentar algo e apenas concordei com tudo que disse.

–Shun, pode subir eu guardo tudo e já subo para deitar também.

–Ta bom Ikki. Boa noite, durma bem. –falo sem me opor, amo meu irmão, mas gosto da solidão, estou tão acostumado com ela, que até acho estranho quando tem alguém por perto. E por hora só quero pensar, ter um tempo para refletir e me entender, em ocasiões assim eu prefiro mesmo ficar só.

Subo para meu quarto após ter escovado os dentes e vestido o pijama, verifico se Ikki também foi se deitar, reparo que a luz de seu quarto está apagada, então volto ao meu e tranco a porta. Pego uma das lembranças da minha mãe, conversar com ela sempre me faz sentir bem, enrolo a corrente dourada em forma de pentagrama sobre o pulso e apertou contra o peito.

–Só queria que você estivesse aqui... e eu poderia contar para você isso que eu estou sentindo... é diferente, não sei o que é... definir em uma palavra? Encantado... acho que sim. –sorrio, beijando a jóia deixando cair sobre ela algumas das minhas lágrimas. –Amo vocês para sempre, não sabem o quanto eu queria vocês dois comigo. Sou um ingrato, o Ikki faz tudo por mim e eu... –deito ainda soluçando pelo forte choro aos poucos me entregando ao sono, adormeço, mesmo me sentindo destruído, dormi tranquilo, como se os meus pais estivessem ali me abraçando e consolando.

Desperto com os primeiros raios de sol iluminando o meu quarto, esfrego um pouco os olhos, meio doloridos pela claridade. Pego a minha caixinha de coisas preciosas e guardo uma das minhas maiores relíquias dentro dela. Abro a porta e entro no banheiro com uma toalha, um banho me renovaria. Deixo a água quente cair sobre mim, fecho os olhos sentindo ela, quentinha escorrer pelo meu corpo, fico por alguns longos minutos e vou me arrumar para a escola.

–Você madrugou hein maninho. –fala Ikki passando por mim no corredor e entrando no banheiro.

Retorno ao meu quarto e organizo tudo, visto meu uniforme e desço com o mais velho já me esperando, tomamos o café e partimos, conversando até chegar à escola.

–Shun não esquece que hoje você tem consulta às 18 horas. Me espere pronto e não dorme. –avisa sorrindo e olhando para mim, sua face muda quando ele percebe que eu estava um pouco diferente, mais distante do que o normal eu acredito. –Eu não tinha reparado, mas seus olhos parecem um pouco inchados.

–Impressão sua. Estou bem. –respondo olhando para fora.

–Shun, você chorou não é? Não sou imbecil a ponto de acreditar em cisco e shampoo no olho.

Não falo nada, fico apenas em silêncio.

–Olha, eu sei que ta sendo difícil, tanto para mim quanto para você. Eu to dando meu melhor, mas eu sei que nunca vou substituir a mãe e o pai, também sinto falta deles. –escuto essas palavras saindo com uma tristeza perceptível.

–Ikki. –chamo ele virando-me em sua direção.

–Fale.

–Muito obrigado por tudo.

–Você é tudo para mim.

–E você para mim.

Ele para o carro na frente do portão, me abraçando e se despedindo.

–Agora vá, se não vai se atrasar. Passo para te buscar na hora do almoço.

–Ta bem, até depois.

–Boa aula. –deseja gritando enquanto sai com o carro e eu fico acenando.

Paro no portão de entrada e um frio me sobe a espinha, havia me esquecido completamente com toda essa história de médico que veria Hyoga hoje. Então respiro fundo sentindo uma ansiedade, uma sensação muito diferente, acho que finalmente estou vivendo na pele o que chamamos de borboletas no estômago. Dou alguns passos e logo estou no corredor, me deparando com um dos meus colegas.

–Oi. Você é o menino novo não é?

–Oi. Sou sim. –respondo sorrindo.

–Ainda não fomos apresentados, Jabu. –muito simpático aperta minha mão.

–Shun, prazer em conhecer.

–Indo para a classe?

–Sim.

–Vamos juntos, eu também to indo para lá.

O menino parecia legal pelo que conversamos, assim como todos os outros a quem havia sido apresentado, também era educado. Entramos na sala e eu vou colocar minhas coisas no lugar, meu colega meio que se despede indo ao encontro de seus amigos que se localizavam do outro lado, bem no fundo.

Fico sentado esperando alguém, um rosto conhecido e o primeiro a chegar é Shiryu, ele dá bom dia para todos dentro da classe e vem ao meu encontro, puxando a cadeira da mesa de Hyoga, sentando-se para falar comigo.

–Bom dia Shun.

–Bom dia. –digo com um sorriso.

–Tudo bem com você? –pergunta tentando desenrolar um assunto.

–Tudo sim e você?

–Tudo certo. E então gostando da nova escola?

–Aqui é muito legal. –respondo animadamente.

–Vejo que já perdeu a timidez.

Ouvindo isso meu rosto cora um pouco.

–Ou não toda. –diz sorrindo.

–É... eu acho que esse é o meu jeito.

–Entendo, todo mundo me critica pelo meu jeito mais sério e eu não ligo para isso. Você também não deve ligar.

Eu abri a boca para responder Shiryu quando escuto:

–Parece que estão se dando bem.

Aquela voz me desconcertou, me fazendo engasgar com a resposta que sai em um tom de voz nervoso:

–O-obrigado Shiryu.

O moreno se levanta da cadeira dando espaço para Hyoga sentar-se, mas este diz que não tem necessidade e senta na carteira.

–E então preparados para a aula de educação física hoje?

–Mas é claro, eu gosto de educação física. É uma pena você ter optado por vôlei Hyoga, é tão bom jogador de futebol.

–Eu decidi inovar um pouco e o vôlei é legal.

–É com o Saga não é mesmo?

–É sim, ele é um bom professor. Bastante paciente, diferente do Milo que fica gritando: “Vai lá, pega a bola, chuta! Chuta!”

–Ele ainda não mudou, continua o mesmo de sempre.

–Eu ficaria surdo se continuasse tendo aula com ele.

Ambos riem, enquanto eu fico cara de paisagem assistindo os dois conversar sobre a aula, ao perceber que eu não estava conseguindo ser introduzido no assunto, Shiryu me pergunta:

–Shun já se decidiu o que vai qual esporte vai praticar?

–Eu acho que vou escolher xadrez.

–Xadrez? Por que não escolhe algo mais ao ar livre? –questiona Hyoga.

–Porque... –abaixo o rosto para responder. –Eu não sou muito bom em esportes.

–Por isso deve escolher algo diferente. Por que não fica comigo no vôlei?

–Vôlei? –pergunto um pouco tímido dessa vez.

–É, assim você aprende a jogar e eu tenho companhia para os exercícios em dupla.

Shiryu olha para o amigo estranhando sua atitude, Hyoga geralmente era mais fechado com os outros e muitas vezes até mesmo com ele e Seiya, mas por não achar certo se meter, ficou quieto. Sua atenção é desviada por um grito de seu amigo castanho.

–E AI GALERA? Tudo beleza com todo mundo.

–Seiya como você consegue ser assim pela manhã? –fala o loiro.

–Hoje tem educação física e eu preciso ta com a corda toda.

–Você sempre esta com a corda toda. –responde o moreno.

–Ah qual é Shiryu vai bancar o chato como o Hyoga? –continua rindo. –Shun, nem tinha te visto, você é tão quietinho.

–Olá Seiya. –cumprimento, realmente o bom humor dele contagia.

O sinal toca e todos vão para seus devidos lugares. Eu abro meu estojo para pegar minha caneta, quando meu colega da classe da frente se vira para mim.

–Você ainda não me deu a resposta.

–Eu vou para o vôlei. –digo baixinho, quase com medo de ele ouvir a resposta.

–Então depois vamos pegar seu uniforme para jogar e achar o Saga para colocar seu nome na lista de presença.

Agradeço a sua gentileza e voltamos aos nossos afazeres.

–Saori o que achou do menino novo? –pergunta June para a amiga.

–Eu gostei dele.

–É bonitinho não acha?

–Sim. –responde entendendo o comentário da amiga, sorrindo de uma maneira que só elas entendem.

–Nossa o Shaka já chegou. –anuncia a garota vendo o professor adentrar na sala. –Espero que o seu namorado não torre a paciência hoje.

–Você sabe que ele não é meu namorado.

–Só porque você não quer.

–June você trouxe o livro, esqueci o meu.

–Trouxe e você não é boa em trocar de assunto. –diz a menina loira para a amiga, deixando ela em paz.

O professor de sociologia realmente é muito bom, as aulas contagiantes, bem planejadas, discussão dos assuntos a nível global, opiniões formadas e transformadas, com certeza uma das melhores aulas que já tive o prazer de assistir. Lembro do comentário de June no dia anterior sobre Seiya sempre dar sua opinião e realmente ele não ficou quieto, acredito que falou mais do que o próprio Shaka. As meninas babavam por ele, bastava prestar atenção nos cochichos, mas elas tinham razão, capaze de inspirar qualquer um, acho que esse era seu segredo para cativar tanto seus alunos, sua paciência, respeito e, sobretudo o crédito dado aos alunos.

A aula passa como um raio e vamos para o intervalo, June passa por mim sorrindo e acenando, junto com sua amiga. Fico com os meninos durante o recreio, ouvindo as besteiras de Seiya e achando graça do modo como Shiryu o repreendia, parecem dois irmãos. Hyoga já tinha me dito que os dois eram assim mesmo, muito divertidos.

Retornamos para a última aula antes da educação física, novamente com Aldebaran, ele é engraçado, explica muito bem matemática e a cena que penso ser típica em sua aula ocorre mais uma vez, Seiya se descabelando para fazer as atividades e o professor o ajudando. Com apenas um período que voa, chego à aula mais esperada daquela manhã. Vejo todo mundo saindo da sala, inclusive os dois meninos do futebol, dando tchau para mim e Hyoga.

–Shun, vamos passar na direção para pegar sua roupa. –fala colocando apenas uma alça da mochila.

–Vamos. –respondo guardando o caderno, saindo com ele para o corredor.

Convido Hyoga para entrar comigo na direção, ele se recusa sem me dizer o motivo, não persisto, afinal ele deve ter seus motivos. Bato pedindo licença e adentrando na sala, sendo bem recebido pelo diretor.

–Bom dia Shun. Lembro do seu nome, ta vendo? Mas e então o que o trás aqui? –pergunta erguendo a cabeça e deixando os óculos sobre sua mesa.

–Bom dia. –cumprimento alegre. –Me informaram que devo pegar meu uniforme de educação física com o senhor.

–Ah claro. –responde abrindo uma das suas várias gavetas. –Qual esporte?

–Vôlei.

–Hmm vejamos. Saga... está aqui. Vou deixar seu nome aqui marcado no voleibol, fale com o Saga e entregue este papel com seus dados para ele colocar na lista do caderno de chamada, a chave do seu armário e a sua roupa. –pego agradecendo sua atenção me retirando e encontrando meu colega loiro que esperava no corredor. Partimos para o vestiário.

Eu não consigo me lembrar em ter entrado num vestiário. Olhei em minha volta um pouco assustado, cheio de armários, os garotos conversavam enquanto se trocavam e para alguém como eu era como um desafio. Não me acho bonito de corpo, nem de rosto e nem de nada. Sou esquisito, não quero ninguém rindo de mim, então digo a Hyoga que esqueci algo na sala, obviamente desculpa para não me despir na frente dos meus colegas. O loiro diz que me encontra na aula e eu concordo.

Volto para o lugar apenas quando tenho a certeza de que estava vazio, começo a tirar a roupa.

–Camus me avisou sobre um aluno novo.

–Ele ta se trocando professor. –anuncia o russo.

–Então vá chamá-lo Hyoga, por favor. Não quero começar a aula sem todos reunidos.

Atendendo ao pedido de seu mestre, o garoto volta ao vestiário para pegar o amigo. Encontra Shun sem camisa de costas para ele, sem perceber sua chegada, continua vestindo-se normalmente. Hyoga acaba parando no meio do caminho, ficando atrás de um armário, observando o mais novo se trocar. Por algum motivo ele não consegue parar de olhar para seu colega. Desde que teve seu primeiro contato no dia anterior, não parou de pensar no rosto delicado de Shun, no seu perfume gostoso, nos seus olhos que expressavam doçura e tristeza, seu jeito tímido, aquela pele macia que havia tocado, o calor trocado rapidamente quando segurou sua mão, pensava o que estava acontecendo com ele, como ficar tão mexido com alguém que acabou de conhecer, parecia fascinado assistindo o modo como o outro deslizava a camiseta cinza e sem graça do uniforme pelo corpo.

O garoto fecha seus olhos azuis suspirando, esboçando um leve sorriso nos lábios.

–Hyoga? Por que ta escondido aqui? –pergunto ficando próximo a ele que parece um pouco assustado, apenas me encarando em silêncio.

Continua...

Notas finais
Obrigada pela leitura.
Beijinhos.
Boa noite.