História After You -
2 e Morte
Notas iniciais
O dia a seguir foi corrido na parte da manhã. Owen deixou a esposa de carro no escritório e depois fez o retorno ao paddock.
— Owen, o que iremos fazer em relação a Blue? Ela está sentindo falta das irmãs.
— Não podemos simplesmente criar outros e colocar junto com ela no paddock, Barry.
— Eu sei disso. Por isso pergunto o que vamos fazer.
— Vou conversar com o Wu... — O loiro não confiava de forma alguma no asiático, mas seria obrigado a ter uma breve conversa com ele.
Owen retirou o velho colete e afastou-se.
— Onde vai?
— Levar a Claire para almoçar. Não volto hoje.
— Ok.
*
Após uma longa reunião com a administração do parque, Claire retorna para sua sala. Ainda nem era meio dia é já se sentia cansada, o que era fora do normal para ela.
— Claire você está bem? — Vivian pergunta preocupada.
— Estou sim!
— Você está pálida. Já comeu hoje?
A ruiva a encara sem entender muito o interrogatório e senta em sua cadeira.
— Claro, tomei café com o Owen. — abriu o computador. — Não deixe ninguém me interromper por favor, tenho muita coisa para fazer e daqui a pouco meu marido vai estar aqui.
— Está bem. — mesmo a achando estranha, Vivian não disse mais nada e se retirou.
Assim que ela saiu, Claire ficou pensativa. Primeiro Owen disse que ela estava diferente, agora isso. Revirou os olhos e voltou a se concentrar na tela do computador.
Quando ela menos esperava, Owen aparece na sala dela, sorridente.
— Sai desse computador, ruiva....
Ela olha rapidamente em direção ao loiro e sorri, fechando rapidamente o notebook.
— Meu amor... Já está na hora? — olhou para o celular. — Aonde vamos?... Tem um restaurante mexicano novo... — levanta e vai até ele e o beija.
— Novo? Desde quando? — Pergunta em meio a vários selinhos. — Vamos lá sim, quero comer um prato de chilli como bastante pimenta.
— Desde a semana passada Senhor Grady... — pega sua bolsa. — Está bem... vamos. — O puxa pela mão. — Vivian, não voltarei mais hoje. Me liga só se for uma grande emergência.
— Pode deixar Claire, bom almoço para os dois. — sorri gentilmente.
— Obrigada.
Logo o casal já estava fora do prédio de centro de inovação e caminham de mãos dadas em direção ao restaurante. Claire observa tudo a sua volta com um grande sorriso.
— Estou tão feliz, nunca pensei que depois de tudo o que aconteceu, o parque voltaria a ser próspero. — Olha para o marido. — Estamos conseguindo.
— Sim, a gente conseguiu. Você conseguiu. Todos nós. — Owen pegou a melhor mesa do restaurante e após puxar a cadeira para ruiva se sentar, ele senta ao lado dela. — O lugar é ótimo, vamos ver se a comida também.
— Sim. É incrível... Já que não estou acostumada com esse tipo de comida, vou deixar você escolher o meu prato... — Olha o cardápio.
Owen assentiu e pediu três porções de chilli, e um pouco de tortilhas.
— Espero que não reclame se arder demais... — O loiro acaricia os cabelos vermelhos, que lembravam uma pimenta. — Quer que eu peça para tirar a pimenta do seu?
— Não precisa, meu amor. Vou experimentar... — sorri e fechou os olhos sentindo o carinho de bom grado do amado.
Não demorou muito e o loiro fez os pedidos, que rapidamente já estavam sendo servidos. Claire nunca tinha comido antes, comida mexicana. Mas pelo jeito, estava uma delícia. Ela encarou o prato por um tempo e começou a comer, estava uma delícia. Mas por não ter costume de algo tão apimentado, tomou o copo de água de uma vez.
— Nossa... é bem picante mesmo...
Owen comeu rápido e ainda colocou mais molho de pimenta no prato.
— Eu avisei. As coisas que arrumamos ontem estão no carro, só vou esperar você terminar de comer, o que vai demorar algumas horas. Acho que vou deitar aqui no banco. — Brincou.
Ela revirou os olhos. Depois de trinta minutos tentando mastigar a comida apimentada e tendo que lidar com as piadas de Owen, finalmente termina.
— Pronto... quer parar de rir da minha cara, isso é novo para mim.
Naquela altura, o loiro já estava todo vermelho. Ele levantou tentando parar de rir, inutilmente.
— Vem gatinha, vou pedir um suco de laranja para você. — Antes de pagar a conta ele comprou o suco e deu para esposa, e juntos foram ao estacionamento. Uma grande prancha de surf estava acoplada ao teto do veículo.
Claire olhou para o carro arqueando a sobrancelha, depois para o marido.
— Vai surfar amor? Quero muito ver isso... — sorriu dando mais um gole no suco. Não estava aguentando aquela queimação na boca.
— Vamos surfar sim. — Após ela entrar, Owen fechou a porta, deu meia volta e assumiu seu lugar no banco de motorista. Ele pegou o caminho pela floresta que levava até o bangalô, mas no meio da estrada de terra cortou caminho por uma estrada parcialmente escondida entre a vegetação. — Sabia que eu abri essa estrada? Usando apenas uma enxada e um machado. O Barry me ajudou em alguns trechos.
Ela o olhou surpresa e ao mesmo tempo admirada.
— Isso é sério, Owen? — olhou para a estrada era extensa. — Meu Deus meu amor... jamais imaginaria isso. — Se aproximou dele e beijou sua bochecha. — Você não existe sabia, é único.
— Vou abrir outras. Digamos que era um projeto particular que fiz antes do parque fechar, e... — Owen deteve-se quando no meio do caminho, encontrou um grande tronco caído, bloqueando o trajeto. — Inferno. — Saiu do veículo, xingando e analisando o que havia acontecido. Logo retorna convicto. — Acho que a Indominus passou por aqui. Vamos ter que continuar a pé. É perto. 300 metros.
— O que? A pé Owen? Vamos voltar e pegar outro caminho. — Não se moveu para sair do carro.
— Não tem, Claire. É uma praia escondida e de difícil acesso. O único acesso é esse que fiz. Para levar minha ruiva...
Ela o olhou e sorriu.
— Você fez para isso? E como sabia que iria com você? Que projeto era esse? — o olha curiosa.
— Lembra quando te disse sobre meu lugar favorito na ilha há muito tempo?
— Lembro sim... e fiquei muito curiosa igual agora.
— Eu costumava ir para lá sozinho. Atravessava esse mato todo, mas quando te conheci eu sabia que tinha que trazer você aqui um dia. Então com o tempo te observando, cheguei à conclusão que a madame Dearing, jamais aceitaria entrar nesse mato de botina. Aí abri a estrada. Demorou uns meses. Concluí pouco antes do acidente quando estávamos brigados... — Confessou todo envergonhado.
Claire ficou emocionada ao saber sobre aquilo, nunca imaginaria.
— Mesmo quando estávamos brigados, você continuou fazer todo esse trabalho pesado, por mim? — sorriu com os olhos marejados. Com um impulso subiu no colo do loiro, que estava sentado no banco do motorista. Posicionou uma perna de cada lado e o abraçou forte. — Eu fui tão idiota meu amor... como pude fazer isso com a gente. Foram os piores 4 meses da minha vida sem você. Me perdoa!
Owen franziu a testa com aquele pedido de desculpas. As mãos foram para a cintura dela.
— Esquece o passado, tá? Já nos perdoamos por isso há muito tempo. Vamos tirar esse salto e andar um pouco, ok? Vai valer a pena. — O marinheiro a beijou com suavidade por alguns minutos para depois sair do veículo e colocar uma grande mochila nas costas e retirar a prancha de surf do carro.
Claire não pensou duas vezes em o acompanhar. Retirou os saltos e começou a caminhar descalça mesmo. Apesar de ser novidade para ela, iria até o fim do mundo com Owen. E depois de tudo o que ficou sabendo, tinha que conhecer esse lugar tão especial para ele. Caminharam por um tempo, parecia que nunca iam chegar, ela já estava se cansando.
— Amor, falta muito?
— Não trouxe outro sapato? Vai encher o pé de espinhos, cuidado. — Owen a deixou caminhar na frente, de olho onde ela pisava. Logo mais a frente avistaram a praia. Havia um pequeno portal feito de madeira, que ele mesmo havia construído, logo à frente a praia de areia branca, rodeada de pedras negras e palmeiras imensas.
O diferencial da beleza natural era só por uma pequena mesa com algumas cadeiras também de madeira, e uma rede feita de palha próxima da beira da água cristalina.
Owen imediatamente retirou os sapatos e retirou as roupas ficando apenas com seu calção de banho e um óculos escuro.
— O que achou desse paraíso particular? Uso restrito aos Grady. — Brincou com um meio sorriso aproveitando a brisa fresca do mar que a natureza os proporcionava.
— O que eu achei? Isso tudo é perfeito... — caminhou até a areia e retirou o vestido, estava com o biquíni por baixo. Correu até ele pulando em seu colo. — MEU MARIDO É O MELHOR! — gritou e deu-lhe um rápido selinho. — Vamos para a água... — desceu do colo dele e saiu correndo. — Vem amor...
— Céus, que animação! — O loiro mal teve tempo de pensar, apenas largou as coisas e foi atrás dela. — VOU TE PEGAR!!!
Claire começou a rir e voltou correndo ao encontro dele e o abraçou o beijando intensamente. E ela foi retribuída na mesma sintonia, o loiro parecia querer engoli-la enquanto suas línguas travavam uma batalha entre elas. Os dedos grandes a apertaram contra o corpo cheio de músculos, descendo até o bumbum onde apertou sem hesitar.
Claire gemeu ao toque dele cessando o beijo. O olhou nos olhos, podia ver a chama do desejo em seus olhos igual aos dela. Sem pensar muito o puxou pela mão.
— Vem comigo... — foi até a mochila e retirou a canga, a abrindo na areia embaixo da sombra da palmeira e deitou. — Eu preciso de você... agora!
O loiro a olhou desacreditado com o que ela queria fazer.
— Que dia você vai me dar sossego, mulher? — Disse em tom de brincadeira, ao mesmo tempo sedutor. Apoiou-se na areia, ficando por cima dela, encarando-a nos olhos. Uma mão foi parar na coxa direita dela a afastando, ficando no meio das pernas dela enquanto a beijava na linha da clavícula até o pescoço.
— Nunca meu amor... — sussurrou. Segurou-lhe pelos cabelos da nuca, incentivando a continuar. Seu corpo estremeceu e sua respiração já estava ofegante, tamanho era o prazer só de estar daquela forma com ele.
Então entrelaçou as pernas na cintura do amado o apertando contra seu corpo, o que a fez gemer novamente e sentir seu membro.
Owen avançava com os beijos, tomando cuidado para não levar areia para cima dela. Ele resolve começar de outra forma, então se levanta de cima da ruiva, ficando de joelhos. As mãos alcançaram o laço do biquíni e os desfez de cada lado, retirando. Owen ofegou quando visualizou o sexo dela completamente molhada.
— Senhora Grady, já está pronta para mim é? — O poder que ele tinha sobre ela sem nem mesmo tocá-la era evidente com aquilo. Ele levou o dedo indicador no meio de suas pernas, espalhando a umidade fazendo círculos imaginários com a ponta dos dedos.
— Owen... — gemeu arqueando a coluna fechando os olhos. — Isso... — se contorcia com o prazer que ele a estava proporcionado.
Owen continuou estimulando-a com os dedos até que substituiu com a boca, a sugando em meio a lambidas de cima para baixo, enquanto apertava-lhe fortemente as coxas. Claire segurou os cabelos loiros os puxando levemente, enquanto praticamente gritava o nome dele. Alguns pássaros que estavam ali próximos, voarem assustados. Ela já estava indo a louca com carícias.
Agora ele passou a fazer o oral com mais perícia, introduzindo a língua no pequeno orifício quente que latejava por ele. Ia o quanto podia, os dedos a estimulando logo acima, esfregando. Ele traçou um caminho com a língua, introduzindo a língua e sugando fortemente no final a fazendo estremecer embaixo dele.
Claire sentiu um prazer descomunal, seu corpo pulsou e sentiu uma onda de prazer percorre-lo a fazendo gozar com aquele ato. Seu corpo amoleceu.
— Amor... — sussurrou fechando os olhos. Não tinha fôlego para dizer nada no momento.
Ela ainda pulsava em meio ao orgasmo. Aquilo foi demais para ele. Queria torná-los um só naquele mesmo momento, mas optou por ir sem pressa.
A beijou no ventre, vale entre os seios, sobe para o pescoço trilhando beijos até os lábios que ofegavam. Um beijo chupado, seguido de uma mordida no lábio inferior.
— Não sabe o quanto é deliciosa, Claire.
Ela respirou fundo e abriu os olhos olhando dentro dos dele.
— Sou?... Você também é! Fomos feitos um para o outro, sabia? — sorri o beijando novamente. Um beijo calmo, ela explorava cada canto da boca dele. — Eu quero você, Owen... — sussurrou entre seus lábios macios.
— Quer, é? — retira o calção de banho, pressionando a ereção contra ela.
— Quero... por favor... — sussurra gemendo ao mesmo tempo, era quase como uma súplica.
Owen segurou o firme o mastro, guiando-o para seu calor úmido. Escorregou com tanta facilidade que ele grunhiu em êxtase se movimentando com calma.
Claire gemeu em seu ouvido. A sensação de tê-lo dentro de si, era a melhor. Beijou seu ombro enquanto ele se movimentava, as pernas presas a cintura dele e ajudando para que ele fosse cada vez mais fundo.
— Isso... Mais rápido amor ... — as palavras saiam falhas.
Ele não atendeu o pedido da ruiva e continuou com movimentos lentos, entrando e saindo devagarinho. Ela o abraçou ainda mais forte. Fechou os olhos, podia sentir ainda mais ele entrando e saindo dela voltando a gemer mais e mais. A cada estocada, era como se ela fosse enlouquecer. A medida em que os gemidos foram se intensificando, Owen passou a estoca-la com força até seu fim.
— Isso amor... isso... isso... ah isso... — murmurou. Após algum tempo com suas virilhas se movendo com intensidade, Claire chega ao ápice.
O loiro demorou minutos a mais para chegar lá, tentou prolongar ao máximo enquanto estocava a esposa com força fazendo seus corpos se chocarem brutalmente. O ápice o atingiu em cheio e derramou todo seu amor dentro dela em fortes jatos quentes. Owen apertou firme a perna nela até o fim daquela sensação única.
Logo saiu de dentro dela, arrumou o calção no lugar e se sentou na areia tentando recuperar o fôlego.
Claire levantou arrumando seu biquíni e sentou ao lado dele, repousando a cabeça e seu ombro.
— Isso foi incrível... preciso te confessar que... — sorriu de canto. — Eu imaginava fazer amor com você na praia, desde a nossa viagem para Miami.
— Eu te digo que só não fizemos amor em Miami porque não achei oportunidade. — passou o braço ao redor do pescoço dela, beijando seus cabelos carinhosamente.
Ela sorri enquanto ficam por um tempo admirando o mar e as ondas em silêncio, apenas aproveitando aquele momento. Até que a ruiva olhou para ele com um sorriso.
— Vamos para o mar?
— Vamos. — levantou e a ergueu também. Com a prancha de surf embaixo do braço, caminharam de mãos dadas até o mar. — Vamos pegar uma onda?
Ela parou no meio do caminho.
— Não, vai você. Eu não sei surfar. Eu fico te olhando.
O loiro permitiu olhar para o mar e percebeu que estava calmo demais. Ele a convenceu em apenas sentar na prancha, ele sentou logo atrás dela, indo em direção ao mar com as mãos.
Claire estava estática em cima da prancha. Apenas respirava e observava o loiro.
— Isso não é perigoso, Owen?
— Perigoso por que, hein? — A abraçou por trás, colando as costas dela no peito dele, a fazendo se sentir protegida. — Não precisa ficar assim. Não vai virar nem nada.
— Está bem... — Após alguns minutos ali, ela estava começando a gostar. — Isso é bem legal...
— Eu disse que seria. — Owen começou a maquinar um plano maligno na mente. Assusta-la. — Acho que está na hora de voltar. — Eles já estavam longe da terra firme. O sol de fim de tarde se despedia da ilha e o loiro fingiu não conseguir voltar. — Droga. Estamos indo para o alto mar, Claire.
— OWEN! PARA COM ISSO, você foi marinheiro! VOLTA AGORA! — gritou com o desespero, logo o mar começa a ficar agitado.
O loiro segurou o riso fingindo seriedade.
— Acontece que a água está muito forte e estou sem remo...
Claire no auge do desespero e sem poder fazer nada, começou a chorar compulsivamente segurando o braço dele.
— Droga... Claire pára com isso. Talvez um navio de carga nos salve igual no filme do náufrago.
Ao perceber o tom de deboche de Owen, ela parou e o olhou de rabo de olho virando a cabeça.
— Você está brincando, é isso?
— Eu? Não. — Não se aguentou mais. O loiro começou a rir descontroladamente.
Claire apertou os dentes de raiva e sem pensar duas vezes, pulou da prancha mergulhando no mar, nadando em direção à praia, furiosa.
— Claire! Vem cá. Está longe! — Ele revirou os olhos indo atrás dela com a prancha.
Chegando na areia, foi rapidamente até suas coisas. Colocou o vestido bufando, queria sair dali o quanto antes. Owen colocou a prancha encostada em uma palmeira e começou a montar a barraca ignorando o bicão da ruiva.
— Vai ficar aqui? — falou brava.
— Corrigindo. Vamos ficar aqui.
— Não vou ficar mais aqui!
— Vai ficar sim, mimada. Vem aqui me ajudar.
— Não! — se afastou dele e foi até a mesa que tinha lá e sentou irritada. Até que começou a sentir novamente a tontura da noite anterior junto com um enjoo insuportável. Ela então abaixou a cabeça apoiando-a sobre os braços na mesa. Era uma das piores sensações.
Owen resolveu dar total atenção a montagem da barraca, fingindo ignorar a birra. De rabo de olho a observou na mesa, pensando que estava chorando. Revira os olhos e começa enchendo um colchão inflável e arrumando a cama em seguida, colocando os pertences lá dentro.
— Claire? — Apareceu atrás dela, preocupado. — Foi só uma brincadeira. Me desculpa...
Ela não respondeu, muito menos levantou a cabeça para olhá-lo. Respirou fundo algumas vezes. Ela precisava melhorar logo, não queria que ele se preocupasse com um simples mal-estar.
— Okay Owen, agora sai daqui... por favor. — permaneceu com a cabeça sobre a mesa.
— Não saio não. Você é muito birrenta, sabia? — Sentou ao lado dela. — Está chorando?
— Não, não estou. Só preciso ficar sozinha.
— O que houve?
— Nada... — respirou fundo, finalmente o olhando. — Preciso tirar essa areia...
— O que você tem, Claire? — Ele agora percebeu que ela não estava nada bem. — Amor?
— Nada... — começou a chorar, tanta secar as lágrimas. Não tinha o porque chorar, mas mesmo assim não pode evitar. — Só um mal-estar, já passou.
— Mal-estar? Deve ter sido porque almoçamos a pouco tempo e você entrou na água. Logo passa. Quer tomar banho? Daí você deita um pouquinho... hein? — Acariciou os cabelos dela.
— Sim... Eu também acho isso. Tem chuveiro aqui? — diz mais calma.
— Chuveiro, Claire? — Começou a rir igual um idiota novamente.
Ela fechou a cara o encarando.
— Qual é a graça?
— Tem um riacho ali atrás, vou lá. Se quiser ficar aí... — pegou o sabonete e uma toalha e começou a subir um pequeno degrau de pedras, logo sumindo de vista atrás delas.
A ruiva o observou e assim que sumiu, voltou a sentir a tontura. Após alguns minutos, não tinha jeito. Caminhou devagar até o riacho e logo avistou Owen nu tomando banho, ela apenas se sentou na beira da água.
Assim que a viu, o marido acenou para que ela viesse. A água estava ótima e o dia estava quase no final. Sem muito ânimo para sair dali. Ela levantou tirando o vestido seguido do biquíni indo até onde ele estava.
— Oi... — dá um sorriso fraco.
Owen percebeu a falta de cor fora do normal e a abraçou.
— O que está sentindo?
— Já passou... — mentiu. Começou a passar o sabonete pelo corpo, tirando toda a areia.
— Passou mesmo? Não acredito. — Comentou encostando em uma pedra, observando aquele monumento de mulher em sua frente.
— Não acredita então. — ao perceber os olhares dele, ficou sem jeito. — O que foi?
— Nada, só admirando minha ruiva. — Respondeu-lhe com um sorriso de canto.
Claire sorriu, sim ela era só dele de corpo e alma, finalizando o banho se aproxima dele.
— Vamos? — pegou a toalha se secando e enrolando em seu corpo. — Deixei minhas coisas lá.
Owen observou a toalha dele sendo roubada na cara dura, mas nada disse.
— Vamos, eu te carrego para não sujar os pés.
— Aaaah muito obrigada. — O marido a toma nos braços e logo já estavam na barraca. Claire coloca um shortinho e uma blusinha, deitando no colchão que ele havia enchido.
Owen aproveitou que a toalha estava liberada e se secou, mas não se vestiu.
— Claire, pode me falar agora o que está sentindo por favor? – havia preocupação em sua expressão.
— Já disse que passou e não sou médica, era só um mal-estar. — tentou desconversar. — Vai ficar assim é?
— Quer que eu fique como?
— Roupas... já ouviu falar? — brinca e estica os braços. — Vem cá...
— Não quero. — Enfiou-se entre os braços dela, deitando a cabeça em seus montes macios.
— Prefiro você assim... — beijou o topo de sua cabeça e começou a fazer carinho em seus cabelos macios. Percebeu-se sonolenta e fechou os olhos, continuando com os carinhos.
Owen também fechou os olhos, colocando uma das mãos dentro do short dela.
— Owen... — O repreendeu.
— Eu estou com frio na mão... — Choramingou fingido.
A ruiva gargalhou agarrando firme seus cabelos e voltando a solta-los.
— Ótima desculpa!
— Não vou fazer nada...
Voltou a rir e parou na mesma hora ao sentir aquele terrível enjoo. Owen estava até então de olhos fechados e não percebeu.
Ela esperou um tempinho e o empurrou para o lado. Precisava beber água, esticou o braço alcançando a garrafa de água. Bebeu quase até a metade. Owen abraçou a cintura dela parcialmente adormecido.
"Meu Deus o que é isso? Foi aquela comida apimentada, só pode."
Respirou fundo e voltou a deitar ao lado de Owen, como estava cansada, adormeceu em seus braços.
Por volta das 2 da madrugada, Owen despertou com um barulho estranho vindo da praia e levantou com certo receio. Sentou-se em completo silêncio e prestou atenção por alguns longos minutos, até que escutou o mesmo som, só que vindo da floresta atrás da barraca. Começou a se vestir com cautela para não acordar a esposa que dormia como um anjo.
Claire estava muito cansada e não percebeu o marido levantando. Até que na terceira vez o barulho foi maior o que a fez acordar assustada e agarrou o braço dele.
— Aonde você vai? Que barulho foi esse? — sussurrou.
— Foi aqui perto. Vou lá ver o que é. Volta a dormir. — Fez ela se deitar de novo e a cobriu.
— Não vai não, fica aqui. — O segurou novamente.
— Claire, pára de medo. — A beijou uma última vez indo abrir o zíper da barraca.
— Owen... e se for um dinossauro que fugiu da contenção? Eu vou com você! — levantou.
— Para de ser teimosa! Fica aí mulher.
Ela o encarou cerrando os olhos e nada respondeu, apenas soltou sua mão. Já que ele não queria que ela fosse, não insistiria mesmo com medo de ficar ali só. A ruiva deitou e virou para o outro lado emburrada.
Owen já na porta da barraca, puxou ela pelos pés a jogando nas costas e saiu carregando ela.
— Tomara que seja uma aranha silvestre gigante. Vou alimentar ela com você.
Ela o empurrou irritada e começou a caminhar.
— Que ótimo marido você é! Tomara que seja mesmo, vai te poupar de ter que me aturar. — resmungou.
— Sim! — O som pareceu estar mais afastado dessa vez e o loiro olhou em direção a floresta.
Claire encarou-o, talvez não fosse nada demais e para poupar os dois de uma discussão. Claire voltou para a barraca, afinal ele não precisaria dela. Ao chegar, ela pegou uma barra de cereal e começou a comer bufando de raiva pelas grosserias do marido.
Quando Owen teve certeza de que o som eram apenas cocos caindo da palmeira, originando o som, ele voltou para barraca com a lanterna.
— Problema resolvido.
— Parabéns! — disse apenas e deitou, fechando os olhos. Estava claramente chateada.
— O que foi agora?
— Se me quiser longe da sua vida é só avisar! — continuou de olhos fechados.
O loiro revirou os olhos.
— Meu Deus. Esse drama todo só porque disse que ia te jogar para aranha comer?
Ela abriu os olhos e sentou.
— "Só"? Para você é pouco isso? ... quer uma dica, me joga para a T-REX é mais fácil! — puxou a manta que os cobria e virou para o outro lado.
O loiro retira os sapatos e sobe por cima da ruiva, enchendo o rosto dela de beijos contra a vontade dela.
— Pára com isso.
Claire suspirou e sabia o quanto aquela discussão era idiota. Por mais que Owen as vezes exagerasse nas brincadeiras, não precisava ficar brava com ele. Virou para o loiro e o beijou carinhosamente segurando os cabelos da nuca dele.
— Me desculpa... — Sussurra entre seus lábios.
— Você é boba, Claire. — Riu contra os lábios dela, olhando-a prestando atenção se ela ia entender a referência. Mas sem sucesso.
Ela parou por um momento para olhá-lo.
— Sou é... por que? — acariciou a barba dele.
— Nada não. – sorriu e deitou ao lado dela de olhos fechados. Logo iria amanhecer.
Ela logo adormeceu, foi um dia bem agitado. Não demorou muito e já havia amanhecido, o sol clareava a barraca e o calor já era intenso. Claire acordou com o mesmo mal-estar do dia anterior e se assustou ao ver que já era de manhã.
— Amor... acorda! — o beijou no ombro. — Precisamos ir trabalhar...
O loiro resmunga e continua sem se mover do colchão. Uma pequena sombra apareceu no interior da barraca, havia algo em cima deles. Do lado de fora, uma imensa aranha escalava o tecido da barraca.
Ao ver o bicho, Claire deu o grito mais alto. Apavorada deu um tapa no braço do marido.
— ACORDA OWEN! TEM UM BICHO LÁ FORA! VAI COMER A GENTE!!!
No susto, ele deu um pulo na cama imediatamente tirando a arma calibre 38 debaixo do colchão.
— CADÊ?
— ALI... — apontou para cima da barraca.
O loiro piscou duas vezes pela claridade excessiva quando percebeu ser uma indefesa aranha. No máximo venenosa. Owen bufou e olhou para ela.
—É sério isso? Achei que fosse um dinossauro!!!!
— Tá não é um dinossauro, mas é uma aran... — parou por um instante, sentindo novamente o enjoo. Havia ficado pálida, talvez pelo susto. — Vamos logo embora daqui... — murmurou.
Owen juntou o restante de ânimo que tinha e saiu da barraca, pegando a aranha com a mão mesmo, a devolvendo para vegetação.
— Claire, de novo? — Já havia retornado e trocava de roupa a observando.
Ela já estava pronta, com o vestido do dia anterior. Precisava de um longo banho quando chegasse em casa.
— De novo o que? — o olhou sem entender.
— Você tá passando mal igual ontem, por que está escondendo de mim?
Ela o olhou sem saber o que responder, não queria preocupá-lo e prometeu para si mesma que iria no médico antes de passar no escritório.
— Não estou... — mentiu. — Por que acha isso? Estou bem.
— Do nada você fica pálida, aí parece que vai cair no chão de tão trêmula.
— É impressão sua... — desviou o olhar. — Vamos... agora só falta desmontar a barraca.
O loiro percebeu que eram 8 da manhã e não tinham comido nada. Assim que colocou as coisas para fora, Owen juntou as coisas e colocou nas costas.
— Pronta?
— Sim. — pegou a sua bolsa e segurou a mão dele.
Caminham até finalmente chegarem no carro de Owen, que estava no mesmo lugar que deixaram. Eles pegam a estrada de volta ao resort, Claire permanece calada preocupada com sua saúde, aquilo não era nada normal.
Quando chegaram em casa, Owen a fez comer alguns sanduíches que ele mesmo havia preparado, só assim a deixou em paz.
— Pode ir trabalhar. E se sentir mal, me avisa por favor.
Claire já tinha tomado banho e comeu rapidamente 2 sanduíches. Terminou de se arrumar e pegou sua bolsa.
— Pode deixar... — se aproximou o dando um selinho demorado. — Eu te amo. — deu mais um e se afastou indo embora.
*
No elevador, ela se encarou no espelho. Precisava saber o que estava havendo com ela e por um momento seus olhos marejaram, não poderia ser nada grave, ainda mais agora que estava vivendo a melhor época de sua vida ao lado de Owen. Logo a porta do elevador se abre e ela precisava encarar a realidade, seja qual fosse. Então caminha rapidamente até o pronto socorro do parque.
— Bom dia Dorothy. – Comprimenta assim que adentra o local encontrando a enfermeira que trabalhava lá, desde antes do incidente com a Indominus.
— Bom dia Claire, que bom te ver. – A cumprimentou de volta com um sorriso que logo foi retribuído.
— Qual é o médico que está de plantão hoje? Queria passar em uma consulta.
— O Dr. Joseph. Mas você está bem? – estranhou.
— Estou sim!
— Está bem, aguarda só um minutinho. Vou avisá-lo. – Claire sorri e sentou ansiosa. Logo ela já estava de volta. – Pode entrar Claire.
— Obrigada! – caminha em direção a sala no final do corredor.
— Claire... – Joseph disse um pouco surpreso. – Tudo bem? – esticou a mão a cumprimentando.
— Sim... – retribuiu o cumprimento. – Na verdade, mais o menos.
— Sente-se. – apontou-lhe a cadeira e a ruiva assim o fez. – O que te trás aqui?
— Então doutor, faz dois dias que estou sentindo tonturas e enjoos insuportáveis, nunca havia sentido nada parecido antes. – declarou aflita.
— Entendo... tem se alimentado direito?
— Com Owen toda hora me forçando a comer? Com certeza. — Brincou e os dois sorriram.
— Sabe que ele está certo, não é?
— Sim! – revirou os olhos sem que ele visse.
— Comeu algo diferente ou que não te fez bem?
— Bom... Sim, comida mexicana ontem. Mas as tonturas começaram antes.
— Entendo... – começou a fazer algumas anotações no computador deixando a ruiva ainda mais aflita. – Quando foi sua última menstruação?
Claire engasgou com a própria saliva com aquela pergunta, não estava gostando do rumo disso. Olhou o calendário na mesa o médico, havia sido uma semana antes do casamento.
— Foi no dia 8 de setembro.
— Hoje é dia 10 de outubro, Claire. – A encarou. – Sua menstruação costuma atrasar?
— Nã... Não... – Gaguejou ficando ainda mais pálida.
— Deixou de tomar alguma vez os anticoncepcionais?
Ela abaixou a cabeça tentando lembrar se já, mas tinha muito cuidado com isso.
— Não!
— Okay... – voltou a olhar para o computador e a olhou. – Tomou algum tipo de medicamento durante esse tempo?
Ela respirou fundo, quase não conseguia mais pensar devido ao medo que começará a tomar conta de seu ser.
— Só no dia do meu casamento... tomei calmantes.
— Tudo bem. Qual era o nome?
— Não lembro...
— Claire vou te encaminhar agora para fazer um exame de sangue. Em uma hora saberemos o motivo do seu mal-estar. – Joseph já imaginava o que poderia ser, mas não falaria sem ter certeza. Acompanhou Claire até a enfermeira, que rapidamente coletou seu sangue.
— Prontinho Claire, o resultado fica pronto em uma hora.
— Está bem... – responde baixinho sem ânimo. – Vou esperar lá fora.
Foi sem dúvidas a uma hora mais longa da vida de Claire. Mil coisas passavam em sua cabeça. Será que era isso mesmo? Não podia ser! Não agora, não era o momento ainda. E se fosse? O que ela faria? Como daria essa notícia para Owen? Qual seria a reação dele? Felicidade talvez? Era o que aconteceria com todo casal devidamente casado e apaixonado. Mas com eles talvez fosse diferente, e se Owen não aceitasse?
Aqueles pensamentos estavam atormentando Claire. Até que finalmente o doutor a chamou, ela logo adentrou a sala e sentou. Ele estava com o resultado do exame na mão.
— Parabéns, Claire! Como eu imaginava... Você está grávida de 3 semanas!
— O que? Grávida? – a notícia tão esperada foi um choque para ela. No mesmo momento o medo e desespero tomou conta de si, o que não a deixava raciocinar. – Como assim?
— Isso mesmo, como conversamos. Provavelmente, dependendo do tipo de calmante que tomou, cortou o efeito do anticoncepcional. – entregou a ela o exame. A ruiva encarou o papel, enquanto começava a chorar.
— Isso, não é possível.
— Calma Claire... é normal. Você e Owen, são casados agora... – ela o interrompeu.
— Preciso ir... depois nos falamos doutor.
Claire saiu depressa do local sem se despedir de ninguém, em prantos. Caminhava rapidamente até chegar na praça do resort, onde sentou em um banco e chorou com aquela notícia tão importante e que mudaria sua vida e de Owen para sempre.
*
A longa manhã no Centro Financeiro foi fatídica, o loiro teve que deixar o almoço para depois. Por mais que se esforçasse para esquecer a fome, Owen não aguentou e atravessou o parque até seu foodtruck favorito da ilha e comprou dois cachorros quentes duplos. Aquilo seria seu almoço, por hora.
O celular havia vibrado a manhã toda no bolso da calça, até então estava ignorando.
— Oi Jess. — Cumprimentou de boca cheia, dando uma grande mordida, finalizando a gorda refeição.
— Mano... — A voz da irmã parecia falha do outro lado da linha.
— Qual motivo de ligar a essa hora, hein? — Pausou, a ligação aparentemente estava péssima pela distância. Um longo guincho por trás da linha irritou-lhe os ouvidos, logo após a voz chorosa da irmã.
— Owen, o papai se foi...
Teria ouvido errado? Seria um trote? Oh sim, um trote.
Estava errado.
— Como é? — Owen perguntou de olhos arregalados. Por um breve instante teve medo da resposta. Até que veio a terrível confirmação.
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