Histories of a Maximoff
13 Count me in
Notas iniciais
Quando chegamos ao quarto do hotel, Erik vê o ferimento de Pietro e logo começa a nos questionar sobre o que aconteceu, apenas recebendo um “eu não vi o poste e dei de cara com ele” de meu irmão. Ele não parece muito convencido, mas resolve deixar para lá.
—Como vocês tomaram café correndo para irem caminhar no parque, o que acham de tomarem um café de verdade agora? – ele pergunta – Eu soube que o serviço de quarto tem panquecas...
—Tô dentro. – diz Pietro. De uns dias para cá ele parece ter se tornado um buraco negro de comida. Era como se ele estivesse comendo por dez pessoas!
—Claro que você está. – eu digo e Erik liga para o serviço de quarto.
[x]
Após comermos, Erik resolve dar um passeio pela cidade e nos deixa sozinhos no quarto. Pietro estava assistindo TV. Note o “estava”. Tempo passado. Por quê? Porque eu desliguei a TV no segundo seguinte ao que Erik fechou a porta, ignorando completamente os protestos de meu irmão.
—Finalmente estamos sozinhos. – eu digo – Precisamos conversar. – ele suspira.
—Wanda, não acho uma boa ideia ficarmos falando sobre aquele dia...
—Não é sobre isso que quero falar. – ele me manda um olhar que dizia “Sério mesmo? Eu te conheço!” — Tudo bem. Eu quero falar sobre isso, mas não agora. Agora eu quero falar sobre o seu acidente.
—Queria evitar esse assunto também. – ele murmura, mas eu escuto.
—Mas não podemos! – dessa vez sou eu quem suspira – O que aconteceu lá? Você estava do meu lado e no segundo seguinte você estava com a sua cara enfiada no poste!
—Eu não sei! – ele fecha os olhos – Eu pisquei e estava beijando o poste!
—Você acha possível que você tenha poderes também?
—Eu não sei...
—Essa é a sua única resposta? – pergunto em um tom brincalhão.
—Não! – ele responde no mesmo tom – Mas eu nunca pensei em ter poderes. Tudo bem, acho que todos os garotos da minha “gangue”, como você chama, têm poderes, assim como o pessoal do Instituto; ainda assim...
—Eu acho que você tem. Provavelmente algo relacionado à velocidade ou tele porte. Não tenho certeza. Só sei que quando você bateu a cabeça, tinha uma linha de fumaça azul entre mim e você.
—Não poderiam ser os seus poderes se manifestando sem querer?
—Duvido. Quando eu uso meus poderes a fumaça que sai é escarlate... – uma lembrança me vem à mente – Pietro, você se lembra de quando nós acordamos no hospital um mês depois do acidente com os mísseis?
—Wanda...
—Não é sobre os mísseis ou os nossos pais que eu quero falar, é sobre o hospital! Não se lembra do que aconteceu pouco antes de sairmos de lá? – ele parece se lembrar e entender do que estou falando, porque arregala os olhos.
—Nós já tínhamos poderes naquela época!
—Exato! Mas por que eles não se manifestaram todos esses anos?
—Eu não sei. – eu o olho e sorrio – Sem piadas dessa vez. Eu realmente não faço ideia.
—E se nós não formos mutantes? – ele me olha confuso – E se...o míssil que ficou na nossa frente aqueles dois dias nos passou alguma coisa? Quero dizer, Stark usa muito urânio nos próprios mísseis e... – sou cortada por meu irmão.
—Espera um pouco, como você sabe que os mísseis do Stark têm muito urânio? – abaixo a cabeça e ele se irrita – Você nunca realmente superou aquilo, não é mesmo?
—Como eu poderia? – ele fecha os olhos e respira fundo, tentando não gritar comigo.
—Os médicos da clínica disseram que você estava bem, que tinha superado.
—Aqueles caras eram fáceis de enganar. Tudo o que eu precisava era não gritar, não tocar no assunto e ficar com um sorriso no rosto o tempo inteiro. Após algumas semanas eles chegaram à conclusão de que eu tinha melhorado e ligaram para vocês.
—Wanda eles podiam realmente te ajudar! A sua obsessão pelo assunto estava te machucando!
—E eles não me machucavam? – eu perco a calma e grito – Toda vez que eles me pegavam falando sobre qualquer coisa relacionada àquele dia, eles me colocavam em uma camisa de força e me apagavam com tasers. E isso era quando eles estavam de bom humor e eu não tinha feito nada grave! – eu afundo no sofá e fecho os olhos, tentando impedir as lágrimas de saírem devido às lembranças. Segundos depois, sinto os braços dele me envolvendo.
—Desculpe. Eu não sabia que eles te machucavam desse jeito. – ele deposita um beijo no topo da minha cabeça e uma de suas mãos fazia círculos calmantes nas minhas costas. Escondo minha cabeça em seu peito e uma lágrima teimosa escapa. Ele parece não notar.
—Se eu te disser algo sobre aquele dia, promete não contar para o Erik nem me trancar naquela clínica de novo? – sinto ele se retesar, temeroso quanto ao assunto.
—Eu prometo.
—Eu fiz uma pesquisa. – tiro minha cabeça de seu “esconderijo” e pego minha bolsa na mesa de café – Os mísseis que nos atingiram eram de curto alcance. Só havia três lugares de onde eles poderiam ter saído. Um não existe mais e outro não tem qualquer registro de um míssil disparado naquele mês. Do terceiro, por outro lado, foram disparados dois mísseis na data e horário certos, mas tem um problema...– finalmente encontro os registros que eu havia roubado e entrego a documentação para ele — ...eles foram lançados na direção oposta.
—Você não quis vir aqui somente para “rever amigos”, não é?
—Eu preciso responder? – ele seca a lágrima que havia feito seu caminho por minha bochecha.
—Não, não precisa. – ele olha os documentos – Como conseguiu isso?
—Eu roubei. – ele dá uma risada fraca.
—Depois eu que sou o delinquente...
—Vamos mesmo passar por essa conversa de novo? – eu sorrio.
—Não. – ele me encara – Você não vai desistir disso, não é? – eu nego com a cabeça – Acha que se investigar mais a fundo, consegue provar que não foi um acidente?
—Acho que sim. – ele me devolve os documentos.
—Então conte comigo.
—Como é?
—Alguns meses depois que Erik te internou naquela clínica, eu encontrei uma espécie de diário nas suas coisas. Lá tinha várias informações...interessantes sobre tudo. Eu fiz uma pesquisa por conta própria e, acho que você pode estar certa. Têm coincidências demais nessa história.
—Você acredita em mim? – eu precisava ter certeza de que ouvira certo.
—Sim. E quero te ajudar. – eu sorri. Meu irmão gêmeo não me achava louca por investigar a morte dos nossos pais!
—Bem, então o que acha de darmos uma voltinha pela cidade?
—No que está pensando?
—Enquanto eu investigava o prédio, eu acabei descobrindo que algumas partes das ruínas foram mantidas em um armazém pela polícia. Eu estava pensando que poderíamos dar uma olhadinha aqui e ali.
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