Histeria - Interativa.

18 Tudo é muito rápido


Notas iniciais
Pra compensar, um capítulo mais legal!

POV Sérvia.

Cadu não nos contou o que acontecera com Clara. Ele disse que tudo tinha seu tempo, mas eu mal conseguia me segurar de curiosidade. Ela devia ter se transformado... E parece que ninguém entendia o que acontecera.

Eu estava deitada na cama de casal de um dos quartos. Ela era bem mais confortável do que a da casa de Yasmim, e eu não ouvia nenhum barulho lá fora a não ser dos animais presentes na praia. Mesmo assim, eu não conseguia pregar os olhos.

Ir embora me parecia cada vez menos atraente. Com esse papo de cura, pior ainda. Cadu disse que agora que se conformara quanto ao desaparecimento de sua irmã ele iria para Brasília procurar a cura e tentar entender o porque que Clara não se transformara, e eu me sentia muito tentada a segui-lo. Ele disse que logo que seu grupo voltasse ele iria partir. Nós tínhamos pouco tempo para nos decidir.

Desisti de tentar dormir e me sentei na cama, filetes de luz da lua entrando pela janela. Me calcei e desci sorrateiramente para a varanda, onde fiquei observando a maré de água doce ir e voltar na praia.

– Sem sono? – Ouvi a voz de Sávio, porém não me assustei.

– Minha cabeça está cheia demais. – Respondi sem olhá-lo.

– Somos dois.

Ele se sentou ao meu lado e ficamos em silêncio.

– Eu quero ir pra Brasília. – Ele confidenciou.

Eu encarei seu perfil bem definido e quase calmo. Pensei o quanto seria difícil deixá-lo.

– Eu quero ir também, mas... Hugo depende de mim, Sávio. Se não houver nada naquele lugar eu não saberei o que dizer pra ele. Sem falar que muita coisa pode acontecer no caminho. – Desabafei, cansada.

– Aquela menina foi mordida e não morreu, Sérvia. Ela é imune. Ela pode ser a salvação, e se houver alguma chance em Brasília, a gente tem que levar ela pra lá.

Eu fiquei calada, com um nó na garganta.

– Eu to morrendo de medo. – Respirei fundo. – Tenho medo daquele pessoal do supermercado, eu tenho medo de perder o grupo, tenho medo dos zumbis, eu tenho medo de tanta coisa Sávio...

– Eu também. – Sávio olhou pra mim com olhos profundos. – Eu tenho medo de perder tudo... Mas principalmente de perder você. Eu prometo que se você e seu irmão forem pra Brasília com a gente eu nunca vou deixar nada acontecer com vocês. Eu juro pela minha vida.

Eu não sabia o que falar. Agora ir embora parecia impossível. Minha cabeça estava tão confusa que começava a doer.

– Eu te amo Sérvia. – Sávio disse e meu queixo foi ao chão. – Não vou te forçar a nada... Só te peço que vá comigo. Por favor.

– Sávio, eu... – Fechei os olhos, minha cabeça ardendo de dor. – Eu preciso pensar. É tudo muito rápido.

– Tudo bem. – Ele parecia decepcionado. – Mas pensa com carinho.

Ele se levantou e beijou minha testa, e a última coisa que lembro é de ter encarado a lua cheia antes de dormir ali mesmo, na varanda.

–

Acordei cedo. Fora uma enorme irresponsabilidade ter dormido fora de casa, mas graças a Deus eu não fora devorada por algum andarilho qualquer. Me despi na praia e tomei banho no rio, lavando meus cabelos na água gelada e me sentindo finalmente limpa.

Quando entrei novamente o grupo já estava na sala. Annelise lia um livro sentada no sofá e Ruiz sentava ao seu lado, enquanto Mel, Hugo e Yasmim comiam o café e Markus afiava sua faca na companhia de Isabel. Sávio não estava à vista, nem Cadu.

– Bom dia. – Cumprimentei amarrando os cabelos. – Nada do grupo ainda?

– Nadinha. – Yasmim respondeu dando um gole no suco.

– Eu estava pensando em buscar alguns cocos na praia. – Sugeri. – Nós poderíamos, sei lá... Preparar um almoço hoje.

– Depois poderíamos cantar ao redor da fogueira, o que acha meu bem? – Markus foi sarcástico. Eu o ignorei.

– Eu acho uma boa ideia. – Mel sorriu.

– Eu iria com vocês. – Bel se manifestou. – Vamos nós três procurar comida na praia. Yasmim poderia cozinhar alguma coisa. Tudo bem por você, Yasmim?

– Claro. Seria relaxante. – Sorriu Yasmim.

Fiquei feliz. Seria bom agir normalmente de novo. Beijei a cabeça de Hugo e estávamos quase partindo quando Markus me chamou.

– Não estou com humor pra suas brincadeirinhas. – Cortei-o logo. Ele riu com sua voz rouca habitual.

– Não vou brincar com você, coração. – Ele subitamente ficou sério e pareceu meio embaraçado. – Hum... Vocês meninas vão sair sozinhas e eu achei que... Talvez vocês precisem disso.

Ele me entregou uma pistola e eu o olhei descrente.

– Você sabe como usá-la?

– Eu tenho uma ideia, mas...

– Mas nada, se você tem uma ideia você sabe. – Ele quase sorriu. Quase. – Boa sorte, boneca.

Eu o sorri em agradecimento e saí da casa.

–

– Não acredito que ele disse isso pra você. – Riu Melissa. – O Sávio é lindo!

– É o de cabelos castanhos? – Perguntou Bel. – Se for, você deu sorte.

– Meninas! – Eu ri. – É, eu sei que ele é um amor, mas esse não é o caso. Eu realmente não sei se quero ir pra Brasília.

– Um grupo maior é um grupo mais forte, Sérvia. – Bel afirmou. – Eu estou dentro. Eu e Ruiz, na verdade.

– Eu vou para onde você for. – Mel deu ombros.

Eu me agachei e peguei um coco verde caído no chão, suspirando.

– Minha preocupação é Hugo.

– E quem seria esse rapaz? – Uma voz cortante e alta fez com que eu me levantasse rapidamente.

Saindo do mato perto da praia estava um homem magro, alto, cabelos negros oleosos lhe caiam pela testa. Ele estava machucado, os ferimentos quase cicatrizando, mas ainda bem evidentes. Atrás de si vinha uma mulher com um corte Chanel, muito bonita, e ao lado dela vinha um homem louro e forte.

Ouvi Isabel perto de mim prendendo a respiração, e antes que alguém me dissesse eu já sabia quem eram aquelas pessoas.

Notas finais
hihihi