Histeria - Interativa.

5 Comida, muita comida


Notas iniciais
Oi galerinha! Eu sei, devia ter postado no sábado. Mas eu tenho boas desculpas, sério! No sábado fui assistir uma palestra (que por sinal meu pai também participou, que orgulho *-*) e ontem foi a primeira eucaristia do meu irmão (foi lindo, perfeito, maravilhoso *-*) então eu estava meio que ocupada. De qualquer maneira não vim aqui pra descrever meu fim de semana né? Portanto, aqui vai o capítulo!

O almoço ainda nem havia sido servido e já estávamos em encrenca. Meu coração retumbava dentro de mim, me fazendo ouvir o sangue correr em meus ouvidos. Eu e Sávio estávamos juntos sentados lado a lado, com as mãos amarradas nas costas dentro do depósito do supermercado. Era escuro e estava gelado, fazendo calafrios que já estavam se tornando recorrentes percorrerem minha espinha.

Em nossa frente estavam uma moça bonita, de olhos verdes e corpo esguio com os cabelos negros amarrados em uma trança finalizada com uma fita vermelha, um menino estonteante muito parecido com a tal Isabel e um negro alto e careca que parecia ter mais de trinta anos.

Atrás de nós estava Isabel e um homem mais velho que tinha características hispânicas. O som da menina comendo salgadinhos me deixava irritada.

– Ok, nós não vamos machucar vocês. – A menina com a fita na trança disse, respirando fundo.

– É difícil nos convencer quando nos amarram e nos trazem pra um lugar como esse. – Sávio foi irônico.

– Não tente debochar. – O gêmeo de Isabel ralhou.

– Só temos que saber quem são para ver se podemos confiar. – A menina prosseguiu.

– Que confiar nada! Não tem que confiar em nós. Só queremos um pouco de comida e vocês nunca mais precisarão nos ver. – Eu disse com a voz meio esganiçada.

– Quem nos garante? – A menina continuou e ficamos em silêncio. – Vocês tem acampamento?

– Sim. – Respondi depois de um longo tempo e Sávio me repreendeu com o olhar, mas não me calei. Eu só queria ir embora. – Fica a uns dois quilômetros ao leste. É distante da estrada.

Depois disso sucederam-se perguntas como “quantos são vocês” e outras consideradas relevantes. Eu respondia as perguntas do jeito que queriam, calma e verdadeiramente, pois só queria ir embora. E, no fundo, sabia que aquelas pessoas não nos fariam mal.

Quando o interrogatório acabou eles decidiram nos dar sacolas com alimentos não perecíveis e se conformaram de que não éramos hostis. Senti-me tão aliviada que quase chorei. Sávio e eu fomos liberados e seguimos nosso caminho pelo calor que já era grande do lado de fora.

Ele não estava falando comigo. Não dissera nada desde que fomos capturados, e o silêncio começava a me incomodar. Apertei o passo para seguir ao seu lado.

– Sávio, você está bem?

Sem resposta.

– Você está me ignorando por quê? – Tentei novamente, e novamente sem resposta. Bufei. – Qual é o seu...

– Problema? – Ele parou subitamente e vi que estava irritado. Ele me encarou. – Meu problema é que agora nós vamos viver numa constante tensão sabendo que há pessoas desconhecidas sabendo onde moramos. E elas têm armas, sabia?

– O que você queria, hein? Que eu ficasse calada? Tornaria tudo pior! – Elevei minha voz também.

– Sabia que mentir também era uma opção? – Foi irônico.

– Ok, desculpa Sávio. Desculpa por não saber agir numa situação dessas, afinal você é o gênio daqui não é? Porque ficou calado então? Poderia ter feito tudo do seu jeito. – Irritei-me, jogando os braços para o alto. Sávio me encarou duramente.

– Não acredito que levei uma pirralha como você a sério! Que bom que Hugo tem ao resto de nós, porque se dependesse só de você nem imagino o que aconteceria com ele.

Fiquei calada, com a boca levemente aberta e sem palavras. Não acreditei que Sávio houvesse dito algo tão horrível pra mim, afinal ele sabia o quanto eu estava me dedicando a Hugo nessas últimas semanas.

Ao perceber o que havia dito, Sávio me encarou com um olhar arrependido. Mas eu saí andando fortemente na frente, com os braços ao lado do corpo e me segurando para não chorar. Era isso que ele pensava de mim? Uma pirralha?

– Sérvia. – Ele chamou atrás de mim. – Sérvia, por favor.

Eu continuei andando e senti que uma mão agarrava meu pulso, me puxando de leve.

Mesmo sendo de leve, foi o suficiente para que eu desse de encontro com seu tórax. Sávio passou um braço por mim, me prendendo a si, enquanto eu tentava me soltar.

– Ei. – Ele apaziguou. – Me desculpa. Foi uma besteira o que eu disse. Por favor, desculpa.

Eu já estava chorando. Não só por causa de Sávio, mas por causa do peso de ter um irmão necessitado para cuidar, a falta de meus pais, tudo isso que estava acontecendo, o medo constante de morrer... Tudo estava me deixando doida. Passei meus braços ao redor da cintura de Sávio e o abracei com força, soluçando, enquanto ele fazia carinho em meus cabelos.

– Vai ficar tudo bem. – Ele sussurrou para mim. – Tudo bem.

–

Chegamos em casa e, ao entrar pela porta, apenas percebi um furacão louro vindo até mim e me sufocando em um de seus característicos abraços de urso. Mel cheirava à canela, e senti conforto no seu aperto fraternal.

– Você um dia vai nos matar de susto. Hugo está quase enfartando! – Sua voz estava esganiçada e ela possuía os olhos arregalados. – Vou matar você por sumir assim, Sérvia Amaral Emmanuel. Vou mesmo matar você.

– Tenho certeza que não. – Sorri divertida.

– O que faz você está tão certa disso? – Ela parecia estar realmente preocupada e até senti culpa por ter ido buscar comida.

– Entra Sávio! – Eu pedi, e Sávio entrou na sala com as sacolas atulhadas de comida. – Mudou de ideia Mel?

Pela sua expressão, sim, ela havia mudado.

Notas finais
Vocês devem estar se perguntando "Sério que foi só isso que aconteceu?", mas esse grupinho do supermercado vai aparecer muito ainda... Heheheh mistério no ar. Enfim, logo logo o grupo realmente hostil também vai aparecer, então preparem-se. Vai ser interessante. Beijos e até o próximo! Não demorarei muito.