Histeria - Interativa.
12 Cadu
Notas iniciais
POV Anne.
Que beleza era aquela casa de praia do tal Sávio. A casa tinha dois andares e uma bela varanda que ostentava dois pilares que ajudavam a sustentar o andar de cima, de madeira. As paredes eram beges, com o batente das janelas e das portas marrons, e parecia muito segura. O melhor de tudo era que tinha vista para o rio e era no topo de um morro. Aquela visão era magnífica.
Em certo ponto da estrada, Ruiz pôs sua mão por cima da minha, que estava em cima de minha mochila. Eu não a tirei de lá e sorri. Ele era meu porto seguro no meio de tudo aquilo e eu realmente gostava de tê-lo comigo. Ruiz era precioso para mim, e se tornara ainda mais depois de nos salvar daquela barbaridade de ontem.
– Seus pais eram políticos ou o quê? – Markus perguntou ao Sávio depois de chegarmos. Ele colocou uma mão na cintura e outra acima dos olhos para se proteger do sol. – Essa casa deve ser mais cara do que eu.
– Eles eram advogados Markus. Advogados. – Sávio respondeu rolando os olhos. — Agora entrem logo.
Ninguém tinha a chave, então Markus arrombou a porta com um grampo de Yasmim. Esse cara era realmente habilidoso, porém muito cheio de gracinhas. Não acho que nos daríamos muito bem.
A porta se abriu e logo ouvimos alguns gemidos característicos.
Uma moça de longos cabelos que antes deveriam ser louros veio cambaleante em nossa direção. Agora seus cabelos pareciam ter sido mastigados e estavam empapados de sangue oleoso. Ela vestia uma camisa encardida e jeans surradas, e possuía uma mordida cruel na bochecha esquerda.
Markus tomou a dianteira e fincou a faca no cérebro do animal, perfurando as camadas de dura máter, pia máter e aracnoide, fazendo o bicho cair no chão com um baque surdo.
Outro saiu de lá quando Markus se virou para nós, limpando a faca.
– Cuidado! – Exclamou Sérvia, se precipitando para frente.
O zumbi caiu por cima dele, tentando avidamente morder o rapaz. Eu corri até lá, sacando minha própria faca e perfurando o cérebro gosmento do bicho, fazendo com que sangue oleoso jorrasse na minha roupa.
Markus se levantou, tirando o animal de cima de si com repulsa.
– Eu não precisava da sua ajuda. – Ele vociferou, me encarando com os olhos selvagens.
– Percebi. – Fui irônica.
– O que é isso? – Perguntou uma voz desconhecida, e nos viramos todos para encarar quem era.
Um homem muito alto saia de dentro da casa. Ele era forte, com um corte de cabelo levemente militar.
– Quem são vocês? – Perguntou o homem, olhando-nos ameaçadoramente.
– Eu sou o dono dessa casa. Quem é você? – Perguntou Sávio, tomando a dianteira e me deixando surpresa. Ele não parecia do tipo corajoso.
– Cadu. – Respondeu ele, contragosto. – Meu nome é Cadu.
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