Notas iniciais
EU VOLTEI. Ok, gente me desculpem, eu estava muito sem ideias e minha rotina vem estado uma loucura, mas aqui vai um novo capítulo. Me desculpem mesmo! Prometo que a fic vai começar a ficar bem interessante depois desse cap. Até lá embaixo.

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São Paulo de noite ficava tão sombria sem todas aquelas luzes.

O grupo estava empacotando as poucas coisas que iríamos levar enquanto eu ficava encarando aquela paisagem tão dolorosa pra mim, que gostava tanto da cidade antes de tudo ter acontecido. Agora eu iria para Brasília com aquelas pessoas pra tentar a vacina, e eu tinha a sensação de que nunca mais ia pisar em São Paulo.

Mas não era isso que me incomodava. Eu precisava ir até o apartamento de Camilla. Eu não tinha ideia de onde ela fora, de onde ela estava, e com certeza algo em seu apartamento poderia me dizer. Eu tinha que ir.

– Os planos mudaram. – A voz de clara me sobressaltou e tirei meus olhos da janela para encará-la. – O grupo precisa dormir, sairemos amanhã cedo.

– Clara... Eu preciso fazer algo antes de ir embora. – Eu respirei fundo, passando as mãos pelos cabelos. – Eu preciso ir até o apartamento da Camilla. Eu sei que nós passaremos pelo Centro de Refugiados quando sairmos da cidade, mas eu sinto Clara, eu sinto que tem algo na casa dela que vai nos ajudar.

Clara não parecia feliz com a notícia e eu me sentei na cama, irritado. Eu estava com um medo gigante, eu me sentia fraco, impotente e pequeno, e ainda responsável por aquela menina. Eu não sabia o que fazer.

– Eu volto pela manhã. – Comuniquei, e antes que ela dissesse algo eu me levantei e disse: — Se eu não voltar até às oito, vocês vão sem mim.

– Cadu...

– Eu volto. Eu juro que volto. – Dei um sorriso pequeno e, tomando seu rosto nas mãos, beijei sua testa.

Saí do quarto e ninguém estava na sala. Peguei minha mochila e resolvi que Clara iria contar a eles, já que eu não poderia perder tempo algum. Colocando a mochila nas costas, olhei uma última vez para Luna que ofegava ao meu lado e saí.

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Peguei um Peugeot 207 da garagem do prédio e fiz uma ligação direta. Durante o caminho atropelei vários andarilhos e agradeci aos Céus que não tive nenhum problema maior.

O prédio de Camilla era pequeno, três andares. Possuía uma mistura de branco e azul e era meigo, com uma portaria pequena e aconchegante. Parei o carro não muito longe de lá e, cuidadosamente, fui me esgueirando até a portaria.

Matei dois zumbis até chegar à escada, me certificando que nenhum deles parecesse com a minha irmã. Cada vez que minha faca penetrava o crânio de um andarilho, eu sentia meu estômago revirar.

Subi até o último andar e tentei abrir a porta do apartamento de Cami, sem sucesso.

– Droga. – Murmurei.

Chutei a porta uma vez e o barulho ecoou por todo o andar. Ouvi grunhidos se aproximando. Na segunda vez a porta gemeu. Eu já conseguia sentir o fedor podre dos zumbis quando chutei a porta pela última vez e ela cedeu.

O local estava bagunçado e o cheiro de mofo era forte, mas continuava o mesmo de sempre. Minha mente estava confusa. Fechei a porta, já que apenas o que cedera fora a tranca, e andei cautelosamente pelo lugar.

O apartamento era bonito, cheio de fotos nossas, um sofá bege e várias estantes de livros. Sentei no sofá, cansado e respirando forte, e ao olhar para o criado mudo vi uma foto nossa. Nós éramos crianças naquela época. Eu estava sorrindo feliz ao lado de Camilla, nós dois de roupa de banho dentro de uma piscininha de plástico, e eu lembrei daquele momento.

Não aguentava mais. Jogando minha cabeça para trás, senti as lágrimas escorrerem geladas pelo meu rosto. Porque isso estava acontecendo? O que eu havia feito?

Peguei a foto de novo e vi que havia um papel dobrado debaixo do quadro.

Cadu.

Eu sei como você é, e se você estiver lendo isso, parece que eu estava certa. Se você estiver aqui, eu te peço que por favor, tome muito cuidado.

Tentei ligar pra você depois da nossa última ligação, mas não consegui falar contigo. O Centro pra onde iria está tomado, todos morreram, e eu estou com um medo do caramba agora. Eu e minha amiga Liz estamos indo para outro lugar. Ouvi dizer que o Pará não foi tomado ainda e essa é nossa única chance. Lembra do verão de 1998,daquela praia de água doce que fomos? É pra lá que eu vou.

No meu quarto tem roupas suas que você esqueceu aqui. Espero que eu te encontre de novo. Eu te amo.

Camilla.

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– No Pará? – Jonathan exclamou. – Isso é completamente fora de rota!

– Não estou pedindo pra vocês que vão comigo. Eu vou só. – Falei duramente. – Eu sei que talvez haja a cura em Brasília, mas talvez não haja. E se não houver eu vou me arrepender de não ter procurado minha irmã. Dizem que a praga ainda não afetou o estado. Vou arriscar.

– Então tá. – Jonathan me encarou irritado. – Ótimo! Quem vai com ele?

– Eu vou. – Clara afirmou e veio para meu lado, e isso me deixou aliviado.

– Então é isso. – Decidi. – Nós estamos partindo.

Quando me virei pra porta, Lucas disse algo.

– Eu vou. – Deu um passo a frente.

– Lucas! – Exclamou Karen.

– O que foi? – Virou-se para ela. – Karen, eu não quero viver assim. Se o Pará for seguro... Se for seguro, eu irei com eles.

Karen e Hector pareciam extremamente decepcionados, e Jonathan parecia querer partir para cima de mim.

– Nós vamos te esperar em Brasília. — Karen foi até Lucas e o abraçou. — Se cuida...

– Então é isso. – Clara disse. – Boa sorte.

Nós saímos do apartamento e passou-se um bom tempo até que eu os visse de novo.

Notas finais
E aiii? Reviews!