Histórias do Multiverso
10 Cola Branca (Universo 767)
Notas iniciais
Você já deve ter lido alguma história realmente ruim, bizarra e/ou sem o menor sentido em algum lugar, dentro ou fora da internet. Histórias nas quais coisas absurdas acontecem, onde você não consegue imaginar o que o autor tinha em mente enquanto escrevia aquilo e a única coisa em que você é capaz de pensar é em alguma variação de frases como: "Mas que porra foi essa que eu acabei de ler?" ou "O preço da alfabetização tornou-se caro demais".
Conceitos como lógica, física e bom senso estão limitados somente à nossa realidade e aos universos que assemelham-se ao nosso, e é importante manter em mente que estes conceitos não são constantes para o multiverso transfinito.
O Universo 767, por exemplo, era uma realidade muito estranha para os nossos padrões, e todos os eventos ocorridos neste universo, desde o início até seu colapso, podem ser narrados neste capítulo em absolutos detalhes.
Para fins de contextualização, no entanto, a história começou no Universo 766, onde um garoto comum chamado Luig, repentinamente e sem justificativa alguma, recebeu poderes divinos que beiravam à onipotência, usando estes seus novos poderes para… alterar Seu Nome para Luigod.
Após essa incrível e assustadora demonstração de Suas habilidades quase onipotentes, Ele decidiu realizar coisas mais triviais, como criar um novo universo onde Ele poderia decidir a história de toda a realidade.
Entretanto Luigod não era realmente onipotente ou onisciente, e Sua inexperiência no controle de Seus poderes acabou resultando em um universo ilógico e instável que, paradoxalmente, afetou ao próprio Luigod e foi a causa — e não o efeito — da origem inexplicável de Seus poderes, criando um loop de casualidade recursiva estranho.
— Era uma vez… Uma nobre e destemida cola branca que… — Luigod começou Sua narração, dando assim início à história do Universo 767. —… escolheu seguir o Caminho da Liberdade.
E de forma instantânea, a realidade passou a existir, seguindo as palavras que Luigod improvisava.
— Oh, eu irei escolher o Caminho da Liberdade! — Anunciou a Cola Branca, a protagonista desta história. — Irei propar meu… Irei… Irei…
Foi neste momento que a instabilidade deste universo atingiu seu estado crítico pela primeira vez, fazendo com que a embalagem de cola branca começasse a convulsionar de maneira violenta, ao ponto de bater no chão com força e quicar para o alto algumas vezes. Este evento desconcertante durou alguns segundos, mas logo a Cola Branca voltou ao normal, agindo como se nada anormal tivesse acabado de acontecer.
—… Irei encontrar meu próprio rumo e agora irei caçar… Caçar… javalis! — Decidiu.
A Cola Branca caminhou um pouco, até finalmente encontrar-se com outro indivíduo.
— Ah, você é um javali? — Questionou a embalagem de cola branca de tamanho humano enquanto debatia o próprio corpo contra o outro ser. — Você é um javali?
De repente Cola Branca caiu inerte no chão, exatamente no momento em que o outro objeto, de cor arroxeada, pareceu ter ganhado vida, respondendo:
— Não, eu não sou um javali. Eu sou uma Caixa de Som. — Revelou o ser, que então retornou ao seu estado inanimado ao mesmo tempo que Cola Branca levantou-se.
— Você não é um javali? — Nossa protagonista quis confirmar, caindo novamente.
— Não, eu sou uma Caixa de Som.
A Cola Branca imediatamente voltou a convulsionar, de maneira muito mais violenta dessa vez e até mesmo derrubando a Caixa de Som. Toda a realidade tornou-se instável, alcançando um estado crítico onde toda a matéria se desfez e tornou-se cristais arroxeados que cresciam em todas as direções, ocupando todo o espaço físico que existia, arremessando a Cola Branca para fora da realidade pouco antes do universo inteiro entrar em colapso.
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