Notas iniciais
Assim que puder posto o conteúdo bônus do capítulo. O computador está me impedindo de o fazer.

Sua voz é como a minha, porém mais grossa e distorcida.

— Por que está chorando? — pergunto.

— Me deixe em paz...

— Vamos, fale comigo. Eu posso te ajudar.

Meu outro eu levanta da cama e dá dois passos em minha direção.

Dou dois passos para trás.

— Por que acha que pode me ajudar quando tudo o que sabe fazer é fugir?

—Não estou fugindo! — respondo.

— Sim, você está. Fugindo de você mesma e de seus problemas. Pondo a culpa na escola quando na verdade você que é fraca. Se fosse forte, as palavras dos outros nem mesmo abalariam você.

Você mais que ninguém sabe que agora o papai e a mamãe devem estar felizes por terem se livrado de um peso morto em suas vidas.

Menos contas, menos problemas, menos reclamações. Seu sumiço era tudo o que precisavam para terem uma vida normal de novo.

Agora seus colegas de turma não precisam mais olhar para você. Seus professores não precisam mais perder tempo explicando coisas que você não entende.

Você não é normal. Você nunca se casará. Você não terá filhos.

Morrerá sozinha e nunca será amada por ninguém.

— Eu não estou fugindo. Estou aqui não estou? Estou atrás da cura para Cassiel, Myrddin e Gorudo.

— Quem você quer enganar? Eu sou você. E sabemos muito bem que você não se importa com o povo desse lugar. Você está os usando para alcançar seu objetivo. Sabe que se eles morrerem nunca mais voltará para casa. É por isso que você está aqui.

— Cala a boca! — grito.

Meu outro eu parece espantada.

— É verdade que quero voltar para casa. Jamais negarei isso. Mas se você realmente sou eu, sabe que eu faço também por gratidão.

Gorudo me acolheu em sua casa mesmo saber quem sou. Me salvou quando estava perdida na Floresta Negra e me deu alimento quando estava com fome.

Myrddin me deu a esperança de poder voltar para casa quando eu estava confusa e sem saber o que fazer.

E o Cassiel... Apesar de parecer não nos darmos bem, Gorudo disse que ele confia em mim. Não quero desaponta-lo. Não quero desapontar ninguém.

Quando voltar para casa, farei o possível para ser mais forte do que nunca. Não reclamarei e farei o que o papai e a mamãe me pedem.

Também farei alguns amigos.

Então não diga que estou aqui apenas por mim, isso é mentir para si mesma.

Meu outro eu sorriu. Os buracos negros desapareceram dando lugar a olhos azuis quase violetas. O sangue que escorria desapareceu. E por fim toda a casa desmanchou-se em cinzas, tornando-se uma pequena sala com paredes e uma porta de madeira.