Estamos na Floresta Negra.

Não é tão assustadora agora quanto era ontem à noite.

Olhando bem. É um lugar bastante bonito.

Tem alguns pássaros de penas cinzentas sobre os galhos das árvores.

Vez ou outra vejo um servo correndo.

Não vejo o Sol. O céu está coberto por nuvens escuras.

Gorudo caminha ao meu lado enquanto Cassiel caminha alguns passos a nossa frente.

Parece atento. Não tira a mão da empunhadura de sua espada.

Escuto o barulho de um galho seco se partindo.

Paramos.

Fico um pouco preocupada.

Cassiel empunha sua espada.

Gorudo puxa uma flecha de sua aljava e prepara o arco.

Uma pequena lebre branca passa por nós, para e nos encara.

Sinto-me aliviada. Uma viagem tranquila é tudo que desejo no exato momento.

Uma adaga se crava no corpo da pequena lebre, fazendo-a soltar um breve grito agudo.

— Comida.

Cassiel fala pela primeira vez.

Sua voz não é muito grave nem muito firme. Nem o que eu chamaria de bonita.

Gorudo baixa seu arco e devolve a flecha à aljava.

Olha para mim.

— Ele é sempre assim? — pergunto.

— Não. — responde. — Às vezes é pior.

Respiro fundo e solto o ar devagar.

— Vamos. — completa.

*