Histórias de outros universos - Terras Geladas
14 Memória DOZE
Estamos em outra caverna.
É noite.
Está ainda mais frio que antes.
A fogueira está acesa, queimando a carne de um pequeno cervo capturado há pouco tempo.
A entrada da caverna é camuflada por uma magia de Myrddin.
Gorudo está dormindo, encostado em uma grande pedra.
Cassiel cutuca a carne do cervo com um galho.
Myrddin está concentrado. Não tira os olhos de seu livro.
Eu encaro as chamas da fogueira com atenção.
Penso em minha casa. Devem estar me procurando. A polícia já deve ter sido acionada.
Quando eu voltar... Caso eu não morra aqui antes, meus pais vão me matar. Eles não vão acreditar na história que vou contar.
Na melhor das hipóteses, vão me internar em um manicômio.
Myrddin fecha seu livro e encosta-se em um canto. Não demora muito para dormir.
Não preciso me preocupar. Segundo ele, sua magia irá durar até o amanhecer. Os Elfos Negros não serão um problema.
Afasto-me da fogueira e tento dormir. Cassiel está de guarda.
Demora um pouco mas, em algum momento, durmo.
*
É um novo dia.
Está claro.
Gorudo, Cassiel e Myrddin já estão acordados.
Gorudo esfrega uma pequena pedra na ponta de suas flechas. Cassiel pratica golpes com a espada. Myrddin apenas nos espera, impaciente.
Tudo que restou da fogueira de ontem a noite foram cinzas.
— Finalmente está acordada. Apresse-se, vamos partir.
Levanto-me rapidamente. Bocejo e esfrego os olhos.
Gorudo guarda suas flechas na aljava e Cassiel põe sua espada na bainha.
Caminhamos até a saída da caverna.
A neve cai devagar.
— Temos que ir com cuidado. Não poderei usar a magia de camuflagem por um bom tempo.
Saímos.
Caminhamos na neve, atentos. Não iríamos querer encarar mais Elfos Negros.
Todos os lugares parecem iguais. A floresta é como um labirinto. Qualquer descuido pode nos deixar a mercê das vontades da floresta.
— Olá viajantes!
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