Acordo.

Não estou em casa. Encontro-me em um quarto desconhecido.

Estou deitada sobre uma desconfortável cama. Coberta por um grosso lençol feito de remendos de pele de animais.

Sinto-me assustada.

Levanto da cama e sinto uma forte dor no pé esquerdo. Ele está enfaixado.

A porta do quarto está fechada. Não tem nada aqui dentro além da cama e uma janela com o vidro embaçado.

Caminho até ela.

Estou mancando.

Passo a mão no vidro e olho através da janela.

A neve cai agressivamente.

Ainda mancando caminho até a porta.

Alguém a abre antes de mim.

Um homem. Um pouco acima do peso. Pele clara, olhos negros, cabelos longos e barba grande. Usa um manto remendado, assim como o cobertor, de peles de animais.

— Não deveria sair da cama. — diz.

Não respondo. Continuo parada frente a ele.

Ele segura um pequeno prato de madeira com um pouco de sopa quente.

O cheiro é bom. Ainda não comi. Minha barriga ronca.

— Está com fome? — pergunta.

Continuo sem responder. Encaro-o. Ele devolve o olhar.

Não parece ser alguém ruim.

Ele caminha. Saio da sua frente. Vai em direção à cama. Senta-se. Põe o prato do seu lado.

Viro-me em sua direção.

— Se não fosse por mim, poderia ter morrido lá fora.

Fico em silêncio por mais alguns segundos.

— Desculpe. — respondo.

— Então não é muda.

Sorrio. Ele parece legal.

— O que fazia sozinha na Floresta Negra?

Minha barriga ronca mais uma vez.

Ele pega o prato e me oferece a sopa.

Caminho em sua direção. Pego o prato e me sento ao seu lado.

O gosto é tão bom quanto o cheiro. Ou talvez eu só esteja realmente com fome.

— Coma. — disse. — Se quiser mais, estarei na cozinha.

Levantou-se e saiu do quarto.

Eu estava em meu quarto. Apareci em uma floresta. Agora estou no quarto de um homem gordo, simpático e barbudo.

Preciso de respostas.