Histórias de outros universos - Terras Geladas
4 Memória DOIS
Acordo.
Não estou em casa. Encontro-me em um quarto desconhecido.
Estou deitada sobre uma desconfortável cama. Coberta por um grosso lençol feito de remendos de pele de animais.
Sinto-me assustada.
Levanto da cama e sinto uma forte dor no pé esquerdo. Ele está enfaixado.
A porta do quarto está fechada. Não tem nada aqui dentro além da cama e uma janela com o vidro embaçado.
Caminho até ela.
Estou mancando.
Passo a mão no vidro e olho através da janela.
A neve cai agressivamente.
Ainda mancando caminho até a porta.
Alguém a abre antes de mim.
Um homem. Um pouco acima do peso. Pele clara, olhos negros, cabelos longos e barba grande. Usa um manto remendado, assim como o cobertor, de peles de animais.
— Não deveria sair da cama. — diz.
Não respondo. Continuo parada frente a ele.
Ele segura um pequeno prato de madeira com um pouco de sopa quente.
O cheiro é bom. Ainda não comi. Minha barriga ronca.
— Está com fome? — pergunta.
Continuo sem responder. Encaro-o. Ele devolve o olhar.
Não parece ser alguém ruim.
Ele caminha. Saio da sua frente. Vai em direção à cama. Senta-se. Põe o prato do seu lado.
Viro-me em sua direção.
— Se não fosse por mim, poderia ter morrido lá fora.
Fico em silêncio por mais alguns segundos.
— Desculpe. — respondo.
— Então não é muda.
Sorrio. Ele parece legal.
— O que fazia sozinha na Floresta Negra?
Minha barriga ronca mais uma vez.
Ele pega o prato e me oferece a sopa.
Caminho em sua direção. Pego o prato e me sento ao seu lado.
O gosto é tão bom quanto o cheiro. Ou talvez eu só esteja realmente com fome.
— Coma. — disse. — Se quiser mais, estarei na cozinha.
Levantou-se e saiu do quarto.
Eu estava em meu quarto. Apareci em uma floresta. Agora estou no quarto de um homem gordo, simpático e barbudo.
Preciso de respostas.
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