Histórias de amor

14 Surpreendentemente me torno professor de Annabeth


Notas iniciais
Olá leitores! Sem muitas delongas por aqui, boa leitura!

Pensei que era impossível Annabeth me surpreender ainda mais quando ela me veio com uma frase inesperada:

—Preciso que você me dê algumas aulas

Deveria estar com uma cara engraçada, pois eu sabia que tinha escutado alguma coisa errada. Talvez meu cérebro tivesse se derretido pelas horas abraçados, assistindo preguiçosos a programação do fim de semana no sofá. Estava esperando ela se retratar: pensei que a frase poderia ser “preciso que você me dê algumas armas” ou “preciso que você venha me beijar na água” (torcendo bastante para que fosse a segunda). Uma boa parte dos meus pensamentos estavam concentrados no fato que nossas pernas estavam entrelaçadas por baixo do cobertor.

—Não entendi — respondi quando percebi que não era um engano. Annabeth se ajeitou. Gesticulou como se não fosse nada demais.

—Vou entrar no time de basquete da escola — respondeu, quase me fazendo rir.

—Você não sabe jogar basquete

—Exato

Normalmente Annabeth era muito inteligente e eu não a acompanhava. Mas daquela vez eu sabia que aquilo não fazia sentido.

Ela se levantou, abriu sua mochila e apareceu um fichário cheio de post-its, se sentou ao meu lado, indo com o dedo indicador na ponta da língua e passando as páginas daquele arquivo infinito.

—Está vendo? — ela apontou para uma página específica. Entendi que era o quadro de alguma coisa. Apertei meus olhos, definitivamente era a programação semanal de Annabeth, e deuses, aquilo estava lotado.

Ela de fato tinha uma vida um pouco agitada demais, arquitetando prédios para o Olimpo e sendo uma estudante que, acredite, fazia todas as atividades extracurriculares possíveis. Pelo que eu sabia, Annabeth fazia parte do time de xadrez, do clube de leitura, competia nas olimpíadas de matemática e mais algumas outras coisas que eu sequer fazia ideia. Minha programação semanal era somente sobreviver de monstros imundos e passar de ano, quem sabe conseguir ir na pista de skate ou jogar videogame. Com sorte, Annabeth tinha como sair para um encontro, que era sempre algo que ocupava a minha mente.

Semicerrei os olhos, naquele emaranhado de post-its havia um pequeno, minúsculo mesmo, espaço em branco. Tentei não sorrir, era fofo como ela se comprometia com o ensino médio.

—Imagino que este seja o horário dos treinos de basquete — adivinhei, e ela sorriu do jeito que eu sabia que havia acertado.

Normalmente não saber praticar um esporte seria o suficiente para interromper uma pessoa de entrar em algum time do mesmo esporte. Para Annabeth aquilo não era empecilho.

—Eu me tornando uma atleta estarei com o currículo perfeito para qualquer universidade do país — ela falava sonhadora. E então eu pensei se deveria estar pensando em algo do tipo também, mas aí eu lembrei que até algumas semanas atrás tinha a absoluta certeza que não iria sobreviver aos meus 16 anos, então parei de me culpar por não ter feito planos para entrar na universidade.

—Eu ainda não entendi

—Você, cabeça de algas — ela fechou o fichário que fez um estalo, imagino que ele pesasse cerca de uma tonelada — Você tem que me ensinar basquete, o exame de seleção é na semana que vem… E eu não tenho um dom nato.

Ela crispou a boca, odiava admitir que era ruim em alguma coisa. Joguei os braços para trás do sofá.

—Então você precisa da minha ajuda — insinuei divertidamente. Ela me encarou como se tivesse um terceiro olho na minha testa.

—Sim? Foi exatamente como essa conversa começou.

Endireitei-me,sentia minhas bochechas queimarem.

—Certo, vou dar uma olhadinha na minha programação… — ela não entendeu a ironia, provavelmente porque ela de fato tinha uma programação. Pigarreei. — Sim, ok. Eu posso. Mas com uma condição.

Ela arqueou as sobrancelhas, em expectativa.

Certo. Aqui é onde normalmente começo a gaguejar. Uma parte no fundo da minha mente sempre ligou o pisca alerta quando eu tentava ser mais ousado em relação à Annabeth. Mas algo no jeito que ela organizou sua programação do ensino médio em centenas de cores e apertava os olhos para tentar ler mesmo com a dislexia, algo nisso a fez ficar tão adorável que eu não pude resistir.

—Se eu conseguir fazer você ficar boa o suficiente e entrar no time… e acredite, eu vou fazer — ela revirou os olhos quando falei de forma prepotente, aumentei meu sorriso, encostando um dos meus dedos no seu cotovelo — Então nós vamos jogar com as regras um pouquinho diferentes.

Annabeth não parecia convencida.

—Como serão essas regras?

—É surpresa

Ela bufou, revoltada.

—Um contrato só é válido quando as partes sabem as cláusulas — cruzou os braços, eu já falei o quão especialmente adorável ela estava?

—Então boa sorte com o basquete

Ela bufou de novo. Uma mecha do seu cabelo loiro saindo do seu rabo de cavalo e caindo nos seus olhos.

—Tudo bem, que seja... — Rapidamente sua carranca se tornou um sorriso e ela me deu um selinho — Obrigada, cabeça de algas.

Depois disso, nós realmente ficamos nos beijando e não prestamos nenhuma atenção na televisão. Fiquei tão distraído que quando ela apareceu na minha porta no outro dia para treinar, eu sequer estava preparado. Ela usava uma bermuda vermelha típica de um jogador de basquete e um top da mesma cor, seu cabelo agora preso numa trança. Segurava a bola de basquete como se fosse uma jogadora nata, pelo menos a pose ela já tinha.

-Cabeça de algas? — ela perguntou, levantando as sobrancelhas. Percebi que tinha ficado aquele tempo todo meio que babando nela. Desencostei da porta.

—Oh, o treino. Claro. Num piscar de olhos — saí atrás dos tênis e coloquei uma roupa típica para treino de basquete: apenas bermudas e um boné. Tenho que admitir que no fundo estava um pouco ansioso por passar tanto tempo com Annabeth. Namorávamos a menos de dois meses, e desde então parecia que meu coração decidia correr uma maratona sempre que a via.

—Vamos — falei, voltando até ela que me esperava no batente da porta. Por algum motivo, as orelhas dela ficaram vermelhas e ela começou a gaguejar.

—On-onde… — ela se endireitou — Onde você vai me levar?

—Não sou nenhum amador, eu conheço todos os melhores lugares para treinar na região — respondi enquanto fechava a porta do apartamento. Ela ainda parecia meio envergonhada, mas decidi não perguntar nada sobre isso.

Não vou mentir que me considero um exímio jogador de basquete. E não pegaria leve no treino de maneira alguma, a levei na melhor quadra pública que tínhamos no Upper East Side e dei instruções e corrigia todos os seus fundamentos.

E assim fizemos todos os dias da semana, treinávamos do fim da tarde até o anoitecer. Ela era uma ótima atleta, o que eu já sabia pelos seus vários anos de treino no acampamento meio sangue, então seu fôlego e animação eram melhores que o meu (o que eu decidi disfarçar apropriadamente). Também não ajudava na minha concentração o jeito que seu corpo ficava no decorrer do treino, sua pele brilhando pelo suor que percorria seus músculos.

Mesmo com estes percalços, com minha ajuda ela de fato havia melhorado muito. Também havia sido uma semana divertida e animada, e no dia que Annabeth finalmente fez o teste para entrar no time, eu me peguei olhando para o relógio sem parar, esperando que ela chegasse logo e me contasse o resultado.

—Seus calçados vão perder a sola — minha mãe me disse, eu estava andando de um lado para o outro na sala e sequer percebia. Problemas de hiperatividade.

—Estou esperando o resultado de Annabeth — respondi sentando-me no sofá, mas minha perna ainda balançava. Minha mãe abriu um sorriso brincalhão.

—É claro que está — ela deu a volta no balcão da cozinha, vindo até mim na sala — Você só fica assim quando é sobre ela.

Senti minhas bochechas queimarem. É óbvio que eu não ia falar para minha mãe porque eu estava tão ansioso, o que eu havia planejado caso ela passasse. Mas além disso, eu meio que estava torcendo por ela. Ser um treinador te deixa envolvido na causa.

Mamãe sentou-se ao meu lado, agora com uma expressão mais cuidadosa.

—Só não se esqueça de ir com calma… — ela me disse, distraidamente comia pipocas num balde amarelo. Não pude deixar de levantar as sobrancelhas.

—Como assim?

Ela deu de ombros, como se falasse do tempo.

—Qualquer garota de 16 anos merece se sentir confortável com o namorado — minha mãe me deu um olhar inquisitório, como se eu pudesse fazer alguma bobagem muito grande — Saber que pode dizer não.

Provavelmente minha boca estava aberta, porque eu não entendia muito bem o que ela queria dizer, mas minha mãe acabou sorrindo de maneira cordial.

—Você ainda vai entender… Vem, pegue um pouco aqui — ela me ofereceu a pipoca, que eu ia colocar a mão para comer quando a campainha tocou.

Dei um pulo, jogando um pouco da pipoca pro salto. Minha mãe olhava para o balde estupefata.

—Garoto… — ela balançou a cabeça e falou mais alguma coisa mas eu não prestei atenção, abri a porta do apartamento esperando boas notícias.

Annabeth tinha uma expressão impossível de ler, as duas mãos segurando a bola de basquete como se ela estivesse queimando. Troquei o peso dos pés, a linguagem corporal dela não estava das melhores.

—Oh — disse apenas — Não conseguiu?

Ela deu de ombros, sem olhar no meu rosto.

—É… eu passei! — falou, rindo.

—Annabeth! — a puxei para um abraço, animado. Ela deu uma risada no meu ouvido, o que foi de longe uma das melhores coisas que eu já tinha escutado na vida.

Nos separamos, animados. Ela pegou a bola de basquete no corredor que tinha caído quando a abracei. Abri mais a porta, dando-lhe passagem.

—Olá Sally — cumprimentou Annabeth, acenando. Minha mãe nos olhava divertida como se fôssemos uma série de comédia.

—Olá querida, parabéns por entrar no time — Annabeth abriu um sorriso maior em resposta — Percy falou disso o dia inteiro hoje, até eu fiquei ansiosa

—Mãe! — exasperei, coçando meus cabelos. Annabeth apenas deu uma risada, o que definitivamente não ajudou em deixar minhas bochechas menos vermelhas. Tirei minha mão da maçaneta, agora me lembrando animado da condição que havia proposto para ela — Ei, mãe, eu e Annabeth vamos jogar um pouco para comemorarmos, ok?

Ela acenou como se não estivesse escutando mais, o que eu agradeci porque não queria explicar exatamente onde iria levá-la. Fui rápido até meu quarto para trocar de roupa, e quando voltei as duas conversavam animadas sobre algo no sofá da sala.

—Vamos? — perguntei, Annabeth me deu um olhar bastante decepcionado, o que eu honestamente não entendi.

Ela assentiu e nos despedimos da minha mãe. Quando fechei a porta do apartamento atrás de mim, Annabeth ainda me olhava estranho.

—O que foi?

—Você está usando uma blusa — ela constatou, e logo depois suas bochechas ficaram vermelhas — Quer dizer, não que… É porque.. Você não estava a semana inteira, e…

Tentei não sorrir, ela estava encabulada e aquilo era raro e honestamente, adorável.

—Uhum — respondi, despreocupado (mesmo estando internamente um pouco em júbilo com a possibilidade dela estar atraída por mim) — Eu não poderia fazer isso, levando em conta as regras do nosso jogo de hoje.

Descíamos juntos as escadas do meu prédio, Annabeth me olhava desconfiada.

—O que você está planejando?

—Ah, nada demais.

—Sei…

Peguei na sua mão quando chegamos no saguão, e andamos até um lugar muito conhecido para mim. Talvez não tanto para ela… A lua começava a nascer e o dia estava agradável e quente, o que era ideal.

Depois de algumas quadras, chegamos no meu ginásio favorito.

—Você me trouxe num lugar abandonado? — ela perguntou, olhando ao redor. Respondi com um grande sorriso.

—Meio que isso, vem — a puxei mais, passei com ela num buraco embaixo da cerca de arame. Annabeth me olhava extremamente desconfiada.

Entrei com ela no ginásio depois de empurrar um pouco o portão de um jeito específico, e tudo estava escuro.

—Percy…

—Espere aqui — fui até o interruptor cerca de cinco passos à esquerda, quando os apontei para cima um grande barulho de gerador iniciou, as luzes dos holofotes acendendo num estalo.

—O… o quê? — ela olhou ao redor, estupefata. Dei um sorriso satisfeito pois não era fácil deixá-la surpresa.

O ginásio, mesmo que por fora parecendo aos pedaços e abandonado, era perfeito por dentro. Tinha pisos novos de taco de madeira e as bandejas do basquete eram novas, até tinha um placar eletrônico no centro. Annabeth foi até o centro da quadra, ainda rindo surpresa, deu um giro de 180 graus olhando para mim. Eu ainda estava a observando perto dos interruptores.

—Como? — ela perguntou abrindo os braços. Dei de ombros.

—Estavam reformando mas pararam no meio… Você sabe como são as coisas em Nova York — fui andando até ela — Conheci um dos caras que trabalhava aqui na reforma, porque eu vinha sempre jogar antes… E ele me mostrou como abrir o portão quando a obra parou.

Ela assentiu, ainda meio estupefata. Nós nos entreolhamos por um segundo, e ela acabou pigarreando.

—E então, quais são as regras?

—O quê?

—Sua condição, certo? — ela riu — Eu passei, vamos jogar do seu jeito.

Ela jogou a bola na minha direção, que eu peguei sem problemas. Antes que eu desistisse, tomei coragem e disse:

—Bom, é o seguinte — quiquei despreocupadamente a bola — Um contra o outro, meia quadra, mas a cada cesta de um…

Ela arqueou uma sobrancelha, eu esperava honestamente que minhas orelhas não estivessem queimando.

—Uma peça de roupa a menos — tentei permanecer o tom mais casual possível, devolvendo a bola na sua direção.

Ela abriu a boca, e logo em seguida fechou. Dava para sentir as engrenagens do seu cérebro pensando.

—Por isso você colocou a blusa — ela jogou a bola de novo para mim, com força, mas sua expressão era risonha. Dei de ombros, ela felizmente acabou gargalhando, o que foi algo que me aliviou — Bom, ok. Espero que você não se incomode de ficar nu em público no centro de Nova York.

Rodei a bola de basquete numa mão, rindo.

—Agora você está intimidando — ela disse, e eu não pude deixar de gargalhar. Quando menos percebi, ela roubou a bola das minhas mãos, correndo até o centro da quadra. Corri atrás dela, e começamos.

Na verdade, ela começou. Quando menos percebi ela me driblou e fez uma cesta de dois pontos.

-Sério? — protestei, colocando a mão na cintura. Ela deu uma risada, me observando desafiante. Tirei meus tênis e as meias.

Continuamos, não lembrava de qual tinha sido a última vez que vi Annabeth gargalhar tanto, o que era algo legal. Na verdade, percebi que meus sentimentos estavam se escalando muito rapidamente, conseguia me imaginar com ela num futuro a longa data.

Ela surpreendentemente conseguiu fazer uma cesta de três pontos, o que eu honestamente não estava esperando. Olhei para a bola caindo na rede tragicamente.

—Próxima peça — ela estava se divertindo, percebi. Mostrei uma língua para ela, tirando a minha blusa em seguida.

Ela balançou a cabeça em aprovação. Tentei não ficar vermelho, eu estava em clara desvantagem ali.

Decidi jogar para valer, o que fez com que depois de alguns poucos segundos eu conseguisse fazer uma cesta, e observei divertidamente Annabeth tirar seus sapatos.

—Satisfeito? — ela perguntou voltando da arquibancada, agora descalça.

—Ainda não

Ela me empurrou pelo peito, e eu gargalhei em resposta. Continuamos. Dei minhas costas para ela protegendo a bola, e ela me abraçou pelo quadril, suas mãos foram sem querer até meu ponto mortal, o que fez cada pelo do meu corpo se arrepiar.

Quando menos percebi ela tinha dado um tapa na bola, saindo correndo até fazer uma cesta no garrafão. Respirei fundo, um pouco derrotado.

—Acho que te treinei bem demais — respondi, tentando permanecer brincalhão. Ela deu de ombros.

—Eu tenho o costume de superar meus mestres — respondeu irônica, abriu a boca para falar mais alguma coisa mas eu já tinha desabotoado minha bermuda, fazendo-a cair no chão.

Ela arqueou as sobrancelhas, era a primeira vez que ela me via somente de cueca, então eu sabia que estava com as bochechas vermelhas. Seu olhar desceu e subiu para o meu rosto, ela tentou disfarçar dizendo:

—Duvido que você esperava que este fosse o resultado

—Ainda há tempo de mudar o jogo

Daquela vez, quando me aproximei dela para tentar pegar a bola suas costas retesaram, e ela praticamente não fez esforço para proteger a bola, eu facilmente fiz uma cesta de dois pontos.

Olhei para ela confuso.

—Um pequeno lapso — ela disse, tirando a blusa, o que a fez ficar só de top e bermudas. Tentei não encarar seus seios, agora meio desnudos e volumosos, mesmo sentindo um incômodo que eu decidi ignorar.

Nós dois nos encaramos por mais tempo do que o normal, seus olhos cinza crepitavam divertidos. Eu acabei sorrindo também, e na próxima jogada quando eu passei meus braços pelo seu corpo tentando tirar a bola das suas mãos, percebi que seus braços se arrepiaram.

—Tudo bem? — sussurrei no seu ouvido, ainda encarando seus braços. Sua pele era quente e macia, foi a única coisa que consegui pensar. Ela balançou a cabeça.

—Se concentre, cabeça de algas — ela se desvencilhou do meu corpo, tentando me driblar ainda sem sucesso. Roubei a bola das suas mãos instintivamente, fazendo a cesta numa enterrada.

Ela assobiou, cumprimentando.

—Você é bom — colocou as mãos na cintura, respirando fundo. Nós dois estávamos já cansados e ofegantes.

Eu estava esperando ela acabar com o jogo, quando ela simplesmente tirou a bermuda. Meu coração perdeu uma batida e eu deveria estar com uma cara absurdamente boba. Sua calcinha era rosa com um coração no centro, o que foi algo surpreendente. Não que eu tenha algum tipo de pensamento prévio de qual tipo de calcinha ela usa, mas bem… Ah, vocês entenderam.

Ela arqueou uma sobrancelha na minha direção.

—Agora o jogo ficou dramático — ela disse brincalhona. Tentei desfazer minha cara de bobo, mesmo que agora eu conseguisse ver tipo, toda a sua bunda.

—A hora H — respondi, e percebi que não tinha sido a melhor escolha de palavras. Ela definitivamente ficou envergonhada, o que era engraçado considerando que estava seminua na minha frente.

Dessa vez, não foi nada fácil jogamos um contra o outro. Tocar no seu corpo significava praticamente encostar num corpo nu, o que era tenso, mas também divertido.

Ela abria os braços ao redor das minhas costas, tentando não me fazer andar com a bola.

—Vamos, Percy — ela disse, ofegante. Nos encaramos, e eu senti uma carga extra de intensidade quando nossos olhares se encontraram, o sorriso dela se apagando aos poucos. Eu pensei em beijá-la naquele momento, mas ei, ela tinha abaixado a guarda.

Driblei ela facilmente e fiz a cesta de dois pontos, o que me fez rir em vitória. Quando me virei para ela, percebi que suas bochechas estavam vermelhas e sua expressão estava mortificada.

Claro, ela estava apenas de top e calcinha, então não era lá das melhores escolhas a se fazer… Mas além disso, tinha algo no rosto dela. Me lembrei do que minha mãe havia me dito e a odiei por ser tão sábia.

—Ai! — gritei quando tentei pegar a bola de volta, forcei meu tornozelo pro lado. Annabeth veio correndo na minha direção.

—Tudo bem? — sentei na quadra, colocando uma das mãos no meu tornozelo direito. Annabeth se sentou ao meu lado.

—Acho que ficou de mal jeito, não sei — sério, eu estava usando todas as minhas técnicas de atuação — É… acho que está bom de jogo por hoje.

Encostei meus cotovelos no chão, respirando fundo. Observei o rosto aliviado de Annabeth, e fiquei satisfeito de ter feito aquele teatro.

—Foi legal — ela disse, encostou uma das mãos carinhosamente no meu rosto. Eu não pude deixar de sorrir.

—Que bom que se divertiu — respondi, seu rosto estava a tipo, cinco centímetros do meu. Dessa vez, eu pensei em beijá-la e realmente fiz, encostando nossos lábios num beijo carinhoso. Sua língua massageava delicadamente a minha, e eu me sentia no paraíso.

Quando nos separamos, não pude deixar de dizer, encostando minha testa na sua:

—Sua calcinha é das meninas superpoderosas? — Annabeth deu um tapa no meu braço, as bochechas vermelhas como tomate. Dei uma gargalhada.

—Eu não sabia que minha calcinha seria exposta hoje! — ela falou, exasperada. Eu ainda gargalhava.

—Está tudo bem, eu curti — disse, tirando uma lágrima do rosto de tanto rir. Ela me olhou de lado, os olhos semicerrados, mas sorria.

—Você foi um bom professor essa semana, obrigada — dei de ombros

—Às ordens

Annabeth se deitou na quadra, e eu me deitei ao seu lado. Nós dois esperando nossas energias se restabelecerem. Naquele dia, naquele momento, encarando as ferragens do teto do ginásio em silêncio, eu nunca me senti tão em paz.

Olhei para seu rosto, os cinza intimidantes que a cada dia pareciam mais amigáveis e convidativos. Ainda não estávamos preparados para os próximos passos, mas eu sabia que teríamos tempo para chegar até lá.

Notas finais
E aí pessoal, espero que tenham gostado! Não esqueçam de deixar seus comentários e nos vemos no próximo!