Histórias de amor
19 Semideuses jogam verdade ou consequência ao extremo
Notas iniciais
Depois de uma caça à bandeira especialmente violenta, todos os campistas participaram das festividades do final de verão com muita euforia.
A noite se alongou em boa festa grega com cantorias na fogueira, e nós, os campistas mais velhos, ficamos de cabelos em pé para tentar fazer com que filhos de Ares não arrumassem brigas demais, os de Hermes serem menos baderneiros e as filhas de Afrodite não causarem o remorso geral quebrando corações do resto dos campistas.
Assim, quando a noite já estava em seu auge e os campistas iam para dentro dos seus chalés, Quíron deu permissão para que os conselheiros chefes e mais antigos campistas continuassem a festa para comemorarmos uma noite sem mortes ou graves feridos.
Por isso, Connor Stoll surrupiou alguns vinhos da loja de conveniências, e estávamos rindo no anfiteatro quando Léo teve uma ideia horrível.
—Vamos fazer uma brincadeira! — ele levantou uma garrafa de vinho, cambaleando enquanto ríamos de sua encenação horrível sobre como convenceu Quíron a nos deixar ficar ali — Ei, rainha da beleza, venha já aqui. Peça pra todos fazerem silêncio, vou falar as regras.
Piper bufou, protestando mas ainda sim indo até ele.
—Eu sei que você terá uma péssima ideia
—Relaxa, Pipes... Isso é uma brincadeira clássica! Eu não vou inventar a roda — ele semicerrou os olhos, e deu aquele sorriso típico dos filhos de Hefesto — Quer dizer, acabei de pensar numa roda especialmente tunada com o melhor nitro...
—Leo!
—Oh, certo. Desculpa... As regras...
Cheguei um pouco mais perto de Annabeth, que ria junto com seu irmão Malcolm de um comentário bastante estúpido do filho de Ares, Sherman, o novo conselheiro do chalé de Ares desde que Clarisse foi para a faculdade.
—Você está prestando alguma atenção ali? — murmurrei no seu ouvido, observando Leo cambalear com uma garrafa nas mãos. Annabeth sorriu com os lábios manchados de vinho, e respondeu:
—Leo certamente vai ter uma terrível ressaca amanhã
Eu e ela rimos, mas Piper disse:
—Ei, galera. Vamos fazer silêncio para que Leo fale seu maldito jogo
Todos fizeram, a voz de Piper era bastante difícil de não se obedecer. Leo olhou para ela por alguns segundos, claramente perdido.
—Oh, uau, isso foi uma boa propaganda da minha ideia — então ele jogou a garrafa de uma mão para outra e a colocou no chão — Todos se juntem aqui numa roda, vai ser um clássico verdade ou desafio.
Protesto geral, todos odeiam verdade ou desafio. Mesmo assim, protestamos enquanto nos juntamos ao redor da garrafa e sentamos em roda. Nico Di Ângelo, que parecia ainda mais fantasmagórico que o normal no meio da noite, disse:
—Ah, bem, isso é minha deixa para ir embora
—Oh, fala sério — Will pegou em seu braço. Ele estava risonho — Isso vai ser especialmente divertido. Vamos, Léo, conte-nos mais
Algo sobre Will imediatamente estar animado fez Nico mudar de ideia, que se sentou entre eu e ele.
Leo deu uma palma animada.
—A brincadeira é a seguinte: o clássico verdade ou desafio. Gira gira na garrafa, este lado pergunta, o outro responde. Quem responde escolhe se quer uma consequência terrível ou contar uma verdade das mais maliciosas, espero. Nada de qual o nome do décimo quinto presidente dos Estados Unidos, chato. Essa indireta vai especialmente para você, Annabeth.
—É James Buchanan, e se educar é sempre divertido — ela argumentou, fazendo com que eu desse uma risada sem querer e recebesse um tapa dela no meu braço em resposta. Valeu a pena.
—Certo, vamos começar
Olhei para Will, que felizmente parecia compartilhar da mesma ideia que eu de que aquilo tomaria proporções especialmente perigosas.
Leo girou a garrafa, e na verdade eu sentia que acompanhá-la estava me deixando mais tonto que o vinho, felizmente a garrafa caiu 90 graus distante de mim.
Butch, o conselheiro chefe do chalé de Íris (um cara enorme com músculos de jogador de futebol americano e um arco íris tatuado no bíceps) sorriu para Miranda Gardiner, que olhou para ele com a mesma expressão de sua mãe, Deméter: extremamente ranzinza.
—Verdade ou consequência? — ela deu um sorrisinho irônico para ele.
—Verdade, não tenho nada a esconder
Então ela olhou para Valentina Diaz, a irmã de Piper, que não parecia ter entendido muito bem o que estava acontecendo, e olhou para Piper numa completa expressão perplexa. Piper riu para ela em resposta.
Cara, eu teria mudado de ideia imediatamente depois de olhar o sorriso malicioso de Butch. Mas Miranda continuou com sua expressão ranzinza.
—É verdade... — um estranho silêncio — Que você trocou Connor por Sherman?
Leo bateu palmas, ansioso. Annabeth abraçou as pernas, a cabeça apoiada entre elas para não ver a resposta. Miranda parecia estar virando um balão: inchou a ponto de explodir e ficou vermelha. Connor, pela primeira vez, não estava com seu sorriso sorrateiro.
Oh, aquilo era um problema.
Entenda, Miranda e Sherman de fato estavam vivendo... Alguma coisa juntos. Boatos fortes corriam o acampamento. Mas, ao mesmo tempo, isso significava que um outro estava sendo deixado de lado: A relação amor e ódio entre ela e Connor era algo que fazia todo mundo desconfiar que, bem...
— Isso não aconteceu — sua expressão estava impagável — Nós nunca namoramos... E Connor está com Valentina, não é verdade?
Abri a boca, chocado. As orelhas pontudas de Connor estavam vermelhas. Todos ofegaram, e Leo riu com as duas mãos nas bochechas. Valentina não parecia nenhum pouco satisfeita, mas nada disse.
Sherman não estava nada feliz com Butch, e se eu fosse ele ficaria esperto na próxima caça a bandeira. Mas o filho de Íris parecia satisfeito com a resposta, e quando ele girou a garrafa de novo, todo mundo parecia um pouquinho mais tenso com a possibilidade da garrafa cair em seus pés.
Bom, eu não estava nenhum pouco nervoso. Minha vida é um livro aberto, eu sempre compartilhei minhas histórias para todos os meio-sangues que...
A garrafa caiu em mim, era a minha vez de responder algo.
Do outro lado, quem perguntava era Valentina Diaz, filha de Afrodite.
Gelei, aquilo era um problema. As filhas de Afrodite sabiam absolutamente tudo sobre a vida amorosa de todos os campistas, ou seja...
—Consequência
Todos protestaram. Leo gritou "o quê?" e Will murmurrou "covarde". Eu abri a boca para protestar de volta, mas honestamente ninguém me escutou.
—O que você tem a esconder, Aquaboy? — Leo me provocou, rindo. Senti minhas bochechas ficarem quentes, e quando olhei para Annabeth, ela desviou o olhar, talvez envergonhada, talvez com medo de eu realmente ter algo a esconder? Mas eu não tinha! Só entrei em pânico instintivamente. Respirei fundo.
—Deuses... Tá bom, verdade!
Agora houve mais euforia, fiz questão de memorizar aquele grupinho de 15 pessoas e anotá-los no meu livrinho de vingança pessoal. Valentina sorriu para mim, ela era uma filha de Afrodite cobiçada, tinha cabelos num tom mel que caía nas suas costas, mas seu sorriso não estava nenhum pouco charmoso... Na verdade, ele parecia pessoalmente maléfico.
—É verdade... — Deuses, eu não mereço isso — Que você namorou Calypso, antes de Leo?
Nico abriu a boca, fazendo um longo "oooooh", Will ao seu lado estava rindo de maneira irônica, os dois segurando o braço um do outro como se dissessem "não acredito no que acabou de acontecer", não me dei ao trabalho de olhar para Annabeth, pois sabia que sua cara não deveria estar nada boa.
Leo, agora, não parecia muito entusiasmado em ter começado todo esse rebuliço. Felizmente sua namorada não estava no acampamento.
—Isso não é verdade — falei apenas, Will protestou.
—Como assim? Você tem que falar o porquê! — olhei para ele mortalmente, mas em resposta ele apenas me deu um sorriso que dizia "ops"
—Nós apenas tivemos um... caso
Todos ofegaram e riram. Valentina parecia surpresa quando disse:
—Nossa, então você teve um caso e caiu fora da ilha e só por causa disso ela está com você? — ela apontou para Leo, que dessa vez não parecia com cara de muitos amigos.
Eu não sabia o que dizer, aquilo não era uma boa brincadeira.
—Vamos continuar — Leo disse apenas, girando a garrafa. Aquilo foi definitivamente um corta clima, pois quando a garrafa caiu entre Sherman e Will, os dois decididamente fizeram um desafio.
Sherman, o conselheiro especialmente violento do chalé de Ares, disse:
—Te desafio a pular no lago da canoagem...
Todos riram com a já maldade de Sherman. Então ele foi especialmente mal quando continuou:
—Totalmente nu
Um ofego coletivo, aquela era a hora que Will deveria desistir da brincadeira e dar o gostinho para Sherman. Entretanto, ele fez algo pior, cresceu nele um sorriso estranhamente parecido com o de seu pai, Apolo, e eu entendi que ele não iria desistir.
—Will — falei, rindo — As naiades do lago fofocam bastante
Ele se levantou sem me ouvir.
—Hoje vocês vão ter uma visão muito melhor do que um dia sonharam ter
Fechei a boca, chocado. Mas quando olhei para Nico, ele parecia ainda pior. Eu e Annabeth desconfiávamos que eles tinham algum tipo de lance. Mas até aquele dia nada havia se confirmado. De qualquer maneira, ele parecia pálido igual um papel, e quando Will tirou sua blusa e sua calça, eu achei que na verdade era Nico que ia explodir de tanto ficar vermelho.
Então ele saiu correndo, e nós seguimos. De repente, se você estivesse entre a área dos chalés e o lago entre onze e meia à meia noite, Will Solace estaria correndo de cuecas brancas com os braços abertos como um raio. Quando ele estava na ponta do deque, percebi que ele ia tirar a cueca e desviei o olhar para Nico, que pela sua expressão definitivamente Will tinha proporcionado a... visão completa, digamos assim.
Sherman riu, totalmente satisfeito. E Leo também parecia feliz. Will levantou os dois dedões em joias, rindo e nadando na lagoa. Aquele garoto era louco.
Aquilo foi especialmente engraçado, e todos nós estávamos rindo de doer a barriga.
Entretanto quando vi Annabeth, um pouco mais ao longe rindo com Malcolm de tudo aquilo, nossos olhares se encontraram e a risada dela logo murchou. Imaginei que ela não estava nada feliz com o fato que Calipso havia virado um tópico na noite. Coloquei uma mão no ombro de Nico.
—Boa sorte cara — falei, vendo-o ainda encabulado com Will. Ele abriu a boca e fez uma expressão surpresa, mas eu saí correndo na direção de Annabeth. Ela falou alguma coisa com Malcolm, e então ele me fez um olhar mortífero e saiu correndo de volta para o anfiteatro.
Quando cheguei até ela, ela se virou.
—Ei, você não pode estar brava por causa daquilo — falei, um pouco ofegante.
—Aquilo o quê? — ela cruzou os braços enquanto andava, respirei fundo a seguindo.
—Annabeth, eu achei que você... Eu honestamente achei que você sabia
—Sabia o quê? Tudo que me lembro era que você estava morto e foi levado para ilha dela praticamente morto. A parte do caso é novidade.
—Eu não tinha nem 15 anos, não foi...
—Foi ela que me jogou a maldição, não é? No tártaro, as arai — ela fez aquela expressão teimosa de que não aceitaria qualquer resposta. Olhei para seus olhos sem saber o que dizer, não queria deixar Calypso em maus lençóis.
—Annabeth...
—Você pelo menos pensou em mim quando estava lá? — seu tom era chateado, já falei que odeio verdade e consequência?
Eu queria dizer algo mas não sabia o quê. Parecia estúpido discutir sobre uma pessoa que eu honestamente não pensava há anos, e Annabeth sempre pareceu estar em outro plano que Calipso, algo mais real.
—Eu saí de lá…. E-eu — estava nervoso pelo que diria em seguida, mas falei mesmo assim — Eu escolhi você, só isso que importa, não?
Ela me encarou por alguns segundos, seus olhos enormes e intimidantes que eu nunca soube decifrar completamente. Por fim, percebi que havia acertado na resposta. Ela deu de ombros.
—Eu só acho chato alguém jogar uma maldição sem nem me conhecer — dei uma risada surpresa por seu tom mais leve — E normalmente levo maldições de Deuses, as de titãs são especialmente dolorosas.
Abracei seus ombros, agora estávamos a poucos passos de volta do anfiteatro. Senti aliviado como nunca antes, Annabeth era a última pessoa que eu queria chatear.
—Ah, duvido que tenha algo pior que pisar na caca de Hera
—Nem me lembre daquilo! — nós dois rimos, sentando de volta na roda.
Estávamos bem e conversando de novo, mas minha paz raramente dura muito. Então quando menos percebi, a garrafa havia parado ao meu lado direito, exatamente onde estava minha namorada.
Todos pareciam um pouco receosos, Annabeth tinha uma fama monstra no acampamento, era a mais antiga veterana, e a maioria das pessoas a achavam meio assustadora. Mesmo assim, do outro lado da garrafa estava Miranda, que também era uma antiga veterana e fez uma expressão quase que antipática.
—Annabeth Chase — o tom dela era malicioso, e eu sentia que talvez ela queria realizar algum tipo de vingança pela pergunta que lhe foi recebida — Correm boatos... Tão antigos quanto o seu tempo no acampamento, que a senhorita foi vista trocando alguns beijos com Noah, antigo veterano, filho de Hefesto, no arsenal de armas. Isso é verdade?
Foquei num ponto perto do chão, esse antigo filho de Hefesto... Óbvio que eu me lembrava dele. Havia se formado junto com Beckendorf, os dois eram absurdamente próximos. Ele saiu do acampamento antes da batalha contra Cronos.
Tentei não explodir, Deuses... Eu odiava o fato que Annabeth poderia ter ficado com outro campista, e agora olhando para as expressões maliciosas dos meus amigos, talvez ele não fosse o único.
Eu tinha a ilusão que... Bem, eu imaginei que era o único cara do acampamento que havia conseguido a proeza de ficar com ela. Agora eu estava percebendo que havia sido totalmente inocente. Annabeth estava com as bochechas salpicadas de vermelho, fechei meu punho.
—Ah, droga... Isso é verdade — ela deu de ombros, e todos praticamente uivaram com a resposta. Deveria ser um boato antigo do acampamento, que obviamente não estava no meu conhecimento porque ninguém teve a coragem de me falar. Miranda Gardiner com sua especial cara de fuinha parecia satisfeita. Eu me levantei instintivamente, não sabendo exatamente porquê. Annabeth olhou para mim com as sobrancelhas arqueadas, quando olhei ao redor todo mundo estava me encarando.
Minhas mãos estavam suadas, eu não sabia o que dizer. Não queria ser o cara que apelava pela brincadeira, de qualquer maneira, não estava pensando direito.
—Percy! Você claramente quer mais vinho — disse Leo, chegando até mim. Ele deu uma risada maléfica enquanto batia em meus ombros — Vou te servir... Continuem, vocês!
Quando nos afastamos até onde estavam os vinhos, Leo murmurrou:
—Cara, se recomponha
Olhei para ele.
—O quê?
—Você está parecendo que acabou de levar um tapa na testa — ele encheu meu copo — Você realmente não sabia daquilo?
Olhei de volta para Annabeth, que me encarava. Virei-me para Leo, balançando negativamente a cabeça. Ele suspirou.
—Pesado, pesado. Mas ei, vocês dois são super bonitões e são um bom casal. É o que importa.
Encarei ele de novo, agora pensando na situação chata que passamos.
—Sobre Calypso... — Leo levantou as mãos, rindo.
—Cara, relaxa — e então ele me encarou — Seria idiota pensar que você gosta de outra pessoa senão Annabeth. Tipo, você parecia um trem descarrilhado ali. E estaria em maus lençóis se eu não fosse um cara totalmente safo, um conselheiro amoroso de primeira, um grande...
—Ok, entendi — falei, engolindo forçadamente um grande gole de vinho. Ele colocou uma mão em meu ombro novamente.
—Além do mais, hoje eu percebi que a pessoa que mais poderia se chatear com isso não é eu ou você — ele balançou a cabeça para Annabeth — Ela é louca com você cara
Assenti com a cabeça, entendendo, eu não conseguia pensar em outra pessoa mais leal que Annabeth. Quem se importava com o que aconteceu antes de ficarmos juntos? Eu não ligava para nenhum garoto, ou até mesmo Luke, mais ninguém… A única coisa era que importava era que claramente éramos totalmente apaixonados um pelo outro.
Leo me observou um pouco, meio que se certificando de que eu tinha entendido o recado. Depois ele piscou, abrindo um sorriso enorme.
—Essa brincadeira é demais
Com um braço em meus ombros amigavelmente, me puxou de volta para o grupo, de repente tudo parecia estar meio tenso. Olhei para a garrafa que apontava para Will… Deuses, ele estava com azar. Ainda estava com os cabelos molhados do lago. Do outro lado, oh, aquilo era triste. Piper McLean sorria para ele, vocês sabem como são as filhas de Afrodite. Cheguei ao lado de Annabeth, e sussurrei ao seu ouvido:
—O que está acontecendo?
Ela parecia feliz de eu ter puxado assunto.
—Piper vai perguntar agora, Will escolheu verdade. Acho que ele está com medo de pegar uma hipotermia se tiver que pular no lago novamente — dei uma risada. Piper estava no meio da pergunta quando eu prestei atenção nela:
—... você e o filho de Hebe, é verdade?
Eu e Annabeth nos entreolhamos preocupados. Então olhei para Nico, que imediatamente abraçou as pernas, seu olhar focado num canto. Pobre Nico. Eu e Annabeth estávamos esperando que ele e Will se resolvessem. Pensei em falar alguma coisa para consolar, mas sabia que não iria ser bom em dar conselhos amorosos.
—É verdade — respondeu Will, vermelho igual as vacas do seu pai. Ele deu uma olhadela para Nico ao seu lado e rapidamente continuou — Mas eu gosto de outra pessoa
Todo mundo ofegou, dando risadinhas. Olhei para Annabeth de novo, que agora estava com a boca aberta.
—Só pode ser ele — sussurrei para ela, Annabeth assentiu.
—Se não for ele eu mato o Will
—Ele salvou sua vida
—Eu o mato agradecendo pelos seus serviços
Dei uma risadinha, e quando olhei de novo para Nico, ele parecia outra pessoa, se você prestasse muita atenção, ele parecia quase feliz. Percebi que Will havia se sentado mais próximo dele depois que a garrafa girou novamente, e eu não pude deixar de sorrir. Aquele casal tinha que rolar.
Depois disso, a brincadeira felizmente ficou muito mais meio-sangue, o que quer dizer que ela se tornou absurdamente violenta.
As outras pessoas que saíram não tinham lá muitas fofocas percorrendo suas vidas, então Sherman teve que roubar uma meia do chalé de Hermes, Butch se tremeu pois teve que mandar uma carta de amor para a garota mais bonita e jogar embaixo da porta do chalé de Afrodite... Sem destinatário. Imaginem vocês a briga que isso deu no dia seguinte.
Depois de rirmos bastante, eu Piper e Annabeth estávamos voltando para os nosso chalés com Will e Nico quando Piper sabiamente decidiu deixá-los tomar um pouco mais a frente.
—Vai rolar — ela disse, apontando para eles com a cabeça. Eu e Annabeth concordamos — Tudo bem com vocês?
Ela fez aquele tom de que não podíamos mentir para ela nem que se quiséssemos. Eu e Annabeth nos entreolhamos, e mesmo ela sendo enigmática, aquele olhar eu já sabia o que significava: “Eu te amo”. Observei um sorriso se arquitetar no rosto dela.
—É, estamos bem — chegamos no chalé 10, Piper deu uma última olhadela para nós e se despediu, entrando.
Quando chegamos em frente ao chalé 6, peguei na mão de Annabeth.
—Vem para o chalé 3 comigo — Annabeth riu
—Enlouqueceu?
—Quíron botou as harpias para correr hoje, tudo certo — dei uma piscadela, ela balançou a cabeça negando.
Fiz meu melhor olhar de súplica, e Annabeth suspirou olhando para os lados. Em passos rápidos, abri a porta do meu chalé e ela entrou em seguida. Puxei ela pela cintura, tinha sido uma noite tumultuada, mas estava feliz por acabar com ela em meus braços.
—Já falei que te amo hoje? — perguntei, ela abraçou meu pescoço.
—Sim, mas é sempre bom relembrar.
—Eu te amo, Sabidinha — ela me beijou, um bom e apropriado beijo que me fez lembrar de algo não tão apropriado assim. Afastei-me um pouco, encarando seus olhos — Mais alguém neste acampamento que eu conheça te beijou antes de mim?
Seu olhar foi dos meus lábios até meus olhos.
—Uau... são tantos que tenho até que me lembrar!
—Ah, ótimo
Ela riu, dando um tapa no meu braço.
—Você é um bobo... E fica muito bonitinho quando faz esse bico — ela me deu um selinho e se afastou. Decidi que ia mudar o assunto por um bem maior.
—Venha me dar uns beijos aqui — chamei, indo até minha beliche. Annabeth trocou o peso dos pés, uma risadinha um pouco sem graça.
—Você sabe que eu tenho que voltar, não é?
—Você sabe que não quer ir embora sem me dar uns beijos antes — ela estava com a expressão severa, mas se aproximou; a puxei pela cintura, e rolamos na beliche aos beijos. Passei a mão por baixo da sua blusa, tocando sua barriga que se retesou ao meu toque. Ela tinha a pele quente e macia. Em troca, ela beijava meu pescoço e minha clavícula, fazendo todos os pêlos da minha nuca se eriçarem. Ela tirou blusa e massageou minhas costas. E mesmo sabendo que tínhamos combinado de não irmos além dentro do acampamento, só aquilo já estava sendo, definitivamente, a melhor parte da noite. Continuamos assim, com risadinhas e vou ter que confessar, alguns sussurros inapropriados. Nossos quadris se encostando, as pedras entrelaçadas e os beijos deixando nossas bocas inchadas.
Então eu ouvi um grito alto fora do chalé.
—Alguém viu a conselheira chefe de Atena?
Abri os olhos, percebi que tinha caído no sono. Os raios solares bateram em meu rosto, me fazendo praguejar num murmurro.
Limpei minha baba ainda meio perdido, odiando a ressaca; olhei para o meu lado na beliche, e para meu choque a cabeleira loira de Annabeth estava esparramada em meu travesseiro, sua boca levemente aberta formando quase um bico. Meu coração deu uma pequena volta olímpica, ela estava linda e vê-la dormindo na mesma cama que eu me fez ter diversos pensamentos, o mais forte deles que não seria nada mal acordar todos os dias daquele jeito.
Decidi que iria acordá-la, minha mão esquerda receosamente indo até seus cabelos, ela iria me matar. Ouvi um fuzuê incomum do lado de fora. É, estávamos ferrados. Ainda bem que assim que eu tivesse coragem de acordá-la, Annabeth iria bolar um plano para nos salvar dessa.
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