Histórias de amor
20 Minha namorada se torna minha arqui-inimiga
Notas iniciais
Em meio ao meu ano de formatura, dei uma pequena pausa nas fórmulas matemáticas para jogar uma captura à bandeira especialmente cruel.
Como havia acontecido recorrentemente desde a batalha de Gaia, o acampamento meio-sangue vinha recebendo visitas amigáveis do acampamento júpiter, para estabelecer relações cordiais e finalmente ultrapassarmos a barreira dos xingamentos tipo "gregos são uma horda" "romanos são chatos pra dedéu" trocados historicamente entre os dois grupos.
Então, já em clima natalino, eu me vi no meio da misteriosa floresta do acampamento meio-sangue para uma partida especial de gregos contra romanos. Eu e meu amigo, Jason, decidimos de bom grado trocarmos de equipe, para reafirmar que os sentimentos eram totalmente amigáveis.
Entretanto, enquanto via romanos com capacetes roxos esfregarem à cabeça dos filhos de Ares na lama alguns metros à minha esquerda, sentia que o sentimento de cooperação havia se sublimado por alguns momentos.
Bom, minha posição era fácil, eu devia guardar o flanco pelo lado do rio, por motivos óbvios minha maior qualidade era perto da água, e os romanos decidiram me utilizar de carta coringa onde estivesse desguardado. Basicamente, eu estava ali para ser usado de distração.
Sim, os romanos são sensíveis assim.
Até agora, a fama de guerra dos romanos estava fazendo jus; além dos filhos de Ares com as cabeças esfregadas na lama, havíamos capturado alguns sorrateiros filhos de Hermes, e alguns filhos de Apolo que olhavam chateados para seus arcos quebrados no meio.
De fato, os romanos levavam a captura para outro nível. E eu também sentia que devia elevar o meu nível, até porque ainda tinha as insígnias deles em meu braço. Então, um pouco mais à frente da minha posição, avistei dois filhos de Hefesto que tentavam colocar armadilhas de ferro nas árvores perto da beira do riacho, e fiz com que uma enxurrada de água capturasse seus pés e os arrastassem pro rio, enquanto eles tentavam inutilmente se agarrar na terra.
Depois de alguns segundos num (pequeno) afogamento, fiz com que o rio os cuspisse de volta, minha espada apontada para suas gargantas, não pude deixar de dar um sorriso satisfeito principalmente por voltar em ação.
Enquanto escoltava os novos prisioneiros, pensava se Jason não estaria em algum lugar por perto, secretamente nutria a expectativa de podermos ter uma batalha naquele dia. Não que eu quisesse ser fritado por raios, mas os romanos haviam me injetado uma extra dose de confiança, e eu sentia que aquela poderia ser uma noite apropriada para feitos loucos.
Por estar afastado do flanco, ouvi novos barulhos potencialmente sanguinários mais à frente. Imaginei que se Jason estivesse em algum lugar, seria na direção daqueles sons. Então, depois de terminar de escoltar os filhos de Hefesto, decidi voltar pelo mesmo caminho atrás da batalha.
Segui pelo caminho do riacho quando meu instinto fez eu sentir que algo estava absurdamente errado. Minha nuca se arrepiou, eu olhei para trás mas não tinha nada.
Então, dei um passo à frente, e de repente
BUM.
Foi repentino, mas me vi sendo jogado para dentro do riacho, pequenas labaredas de fogo grego crepitando na beira.
Malditos filhos de Hefesto.
As armadilhas nas árvores eram uma distração, eles haviam plantado pequenos explosivos e enterrado perto do riacho. Provavelmente porque sabiam que eu estava deixando aquela zona segura para os romanos. Enquanto submergi na água, imaginei quantos dos nossos poderiam ter sido perdidos por causa desses pequenos explosivos, e de repente, percebi que somente uma pessoa poderia ter tido uma ideia tão boa, imaginado que eu estaria deixando a beira do riacho segura para passagem de romanos. De repente, eu quis matar minha namorada.
Annabeth estava provavelmente em algum lugar seguro, rindo dos prisioneiros que eu deixei ser pegos na minha zona.
Saí irado de uma maneira totalmente nova, apertando contracorrente na minha mão esquerda. Eu era um campista veterano demais para ser o ponto fraco da equipe. Fechei meus olhos e me concentrei, sentindo os canais de água do riacho que se misturavam com o fundo da terra, respirei fundo e coloquei toda minha força de vontade num sentido só: explodir os canais de água.
De repente, pareciam que pequenos gêiseres explodiram por toda a beira do riacho, os pequenos explosivos sendo ativados pelos jatos de água.
Um barulho praticamente ensurdecedor pela explosão simultânea fez os pássaros saírem das árvores e voarem, e dois campistas gregos que estavam por perto corriam de susto.
Os persegui, saindo inclusive da minha posição, não que isso importasse, considerando que eu não consegui proteger os rios. Chutei as costas do primeiro, que saiu rolando e o outro apontou a espada para mim com as mãos um pouco trêmulas. Reconheci como sendo um dos campistas do chalé de Atena, então o puxei pela gola.
—Diga para sua irmã que o plano dela acabou de explodir — os olhos cinza dele estavam arregalados — E que se ela queria ganhar, me colocar como ponto fraco foi uma péssima ideia.
Joguei ele para longe, que caiu e saiu correndo com seu irmão logo em seguida. Pensei em voltar para minha posição, perto do flanco, mas os barulhos absurdamente altos se tornaram ainda mais próximos, e decidi avançar.
Praticamente na zona neutra dos territórios, tudo parecia ter virado de cabeça pra baixo.
Estava uma batalha generalizada, parecia que estávamos num ataque de várias frentes.
Corri até Frank, que atacava um dos filhos de Ares com seu braço direito de urso.
—O que? — antes de se virar para me responder, ele atacou outros dois filhos de Ares com sua lança, então alguns da sexta coorte vieram ao seu suporte, e ele finalmente se virou.
—Fomos todos surpreendidos pelo flanco esquerdo, de repente todos vieram de uma só vez, e...
Ele atacou alguém por cima da minha cabeça com as garras de urso, e então disse:
—Tivemos que recuar, mas...
—Se todos estão aqui, vamos perder! — Frank me deu um sorriso tão maldoso, que foi uma das raras vezes que ele parecia absurdamente parecido com Ares.
—Você está vendo Hazel e a quinta coorte por aqui?
Olhei ao redor, então ela era a que estava atacando furtivamente os gregos. Um assovio percorreu meus ouvidos, Jason sobrevoou e pousou na batalha a alguns metros de distância. Eu e Frank nos entreolhamos, num óbvio entendimento que devíamos atacá-lo em conjunto. Entretanto, algo me ocorreu.
—Frank, se todos os romanos estão aqui, e o outro grupo está atacando, quem está cuidando do flanco?
—Você — ele me disse, e então arregalou os olhos em seguida.
—Droga! — gritei, totalmente enraivecido — Isso é uma distração! Annabeth! Ela... Me fez subir o riacho para chegar até aqui, ela...! Argh!
Olhei para Jason que se aproximava com certa melancolia, não seria aquele o dia. Agora, eu tinha que acabar com os planos da minha namorada.
Corri em recuo o mais rápido que consegui, tentando ser furtivo e ir pelas árvores. Quando já conseguia ver a bandeira romana, decidi subir uma árvore em prontidão. Ninguém se aproximava, tudo estava em perfeita harmonia.
Mas, como eu desconfiava de quem estava conduzindo o ataque grego, sabia que eu não conseguiria enxergar quem se aproximaria. Então, optei por fazer algo louco.
Estiquei meu braço e concentrei, uma grande onda saindo do rio foi como uma enchente em toda a área do flanco. Ouvi uma voz reconhecida gritando "o quê?" e o boné encharcado dos yankees sendo pego pela corrente.
Annabeth tropeçou, encharcada e tossindo, a poucos metros da bandeira, enquanto eu fazia toda a água voltar para o riacho.
Pulei da árvore, andando até a sua direção, mas não sem antes ir até a beira do rio e pegar seu boné.
—Procurando por isso? — perguntei, rodando-o na minha mão esquerda. Annabeth se levantou, encharcada, os cabelos pingando, e me olhou como se quisesse me matar. Sua espada de osso de dragão aos seus pés.
—Isso foi totalmente desnecessário!
Dei uma risada, não só porque ela parecia um pato falando depois de tossir tanto, mas porque eu estava num misto de raiva e certo magnetismo por ter finalmente a encontrado na batalha.
—Você deveria estar ajudando seus amigos no flanco esquerdo, seu maior defeito não é a lealdade? — ela cruzou os braços, e eu sabia que ela estava tentando me enrolar.
Normalmente, se você deve entrar numa batalha frente a frente com alguém, a última pessoa que você quer ter como inimiga é Annabeth. Mas, ela não era mais a semideusa-letal para mim, namorávamos a um ano e meio, ela era a garota que via romances de época em looping, que secretamente dormia com um ursinho de pelúcia e odiava uma pinta que tinha na lombar direita, ela agora era principalmente minha namorada-de-um-jeito-normal-Annabeth, então eu estava umas duas vezes menos assustado pelo seu olhar congelante do que fiquei em capturas à bandeira anteriores.
—Você sabe que eu não vou cair na sua lábia, melhor você se render longo e rezar para que alguém venha no seu socorro — ela deu um sorriso malicioso, o que me deixou em alerta, e então disse:
—Porque eu deveria me render?
Foi minha vez de sorrir.
—Porque eu estou apontando contracorrente na sua direção — estiquei a espada, tentando parecer altivo. Mas se ela estava receosa, não demonstrava. Agora eu sentia o que era estar em batalha contra ela, não deveria ser fácil lutar com alguém que parecia ter a confiança inabalável.
—Eu até poderia me render, se estivesse desarmada — juntei as sobrancelhas, ela estava desarmada! Olhei para a espada do osso de dragão, sim estava alguns passos de distância dos seus pés, e isso foi o suficiente para eu olhar de volta na sua direção e conseguir me desviar da adaga que ela jogou, percebi que provavelmente tinha uma arma surpresa numa bainha em suas costas. Foi o tempo de eu desviar o que senti um chute na minha direção, mas ao invés dela tentar me desarmar, ela chutou na mão que estava seu boné.
Tudo isso aconteceu em questão de segundos, e de repente ela não estava mais lá.
Tentei controlar minha raiva, ela não podia ganhar de mim, não me fazendo de bobo.
—Você perdeu! — gritei, mais de ódio do que qualquer outra coisa — Numa hora dessas, Hazel já está voltando com nossa bandeira. Você tinha que ser rápida, lembra? Acho que seu plano deu errado, Sabidinha.
Eu sabia que ela não ia se deixar levar pela minha provocação, mas aquilo foi o suficiente para que ela parasse. Foi o seu erro, pois mesmo que ela estivesse invisível, a água do riacho estava longe disso, as cores de algas que desaguavam do mar a deixavam levemente esverdeada.
Dei um sorriso, vendo os pingos caírem no ar de maneira antinatural, a poucos centímetros do flanco.
—O seu problema foi me usar como ponto fraco — falei, agora com mais raiva do que tudo. Não gostava da ideia de ter sido usado como o bode expiatório do seu plano — Porque eu sou a única pessoa que sabe o quanto você odeia quando seus planos dão errado.
Desferi contracorrente no ar, cortando-o num arco grande e quase cortando a bandeira.
Ouvi os pés de Annabeth se mexendo para se desviar, e voltei a atacar praticamente no vazio, o que me fez me sentir estranhamente louco.
Fiz com que ela se recuasse para o lado esquerdo, onde a floresta se fechava em árvores mais embaralhadas, estávamos no sul da floresta, num local em que eu desconfiava ninguém ousaria entrar.
De repente, num dos meus desvairados golpes pro ar algo foi pego, e fios de cabelos loiros caíram no chão.
Arregalei os olhos, e então chutei o vazio, que felizmente não era o vazio, e sim minha namorada. Ouvi um baque, ela havia caído, quase que imediatamente avancei e coloquei meu cotovelo em seu pescoço, tirei o boné de sua cabeça, seus olhos cinza agora realmente enraivecidos me olhando quase que faiscando.
—Me solta, você ganhou! — ela gritou, brava. Tentei não me deixar levar pelo fato que ela ainda estava encharcada, seus cabelos colados na testa assim como suas roupas.
—Ah, eu realmente ganhei. Mas isso não quer dizer que eu tenha que te soltar — ela expirou fundo, brava. Dei meu melhor sorriso malicioso, ainda com o cotovelo em seu pescoço — Seu erro foi achar que eu me distrairia com aquela batalha na zona neutra, que eu não perderia a ação por nada.
—Você normalmente não foge de uma batalha
—Mas você se esqueceu que eu sempre me lembraria de você antes — disse, mais para poder me vangloriar, mas assim que falei percebi que soou estranhamente com uma declaração. A expressão brava de Annabeth se suavizou, e nossos olhares se encontraram.
—Me solta — ela repetiu, agora colocando as mãos em meu antebraço. Algo me ocorreu.
—Você não sabia se eu tinha ou não saído da posição, você veio sem saber — ela revirou os olhos, sua típica expressão de quando me achava um lerdo.
—Eu sabia que você ia seguir os filhos de Hefesto.
—Mas você não sabia — reiterei, agora entendendo que deveria parecer um bobo — Não com 100% de certeza, mas você não se importava de eu te encontrar, não é?
Ela me encarou de um jeito que eu entendi que finalmente tinha descoberto tudo. Annabeth era uma pessoa que você nunca sabia ao certo o que ela estava pensando, mas daquela vez sabia que tinha acertado.
—Você está me esmagando, sai de cima de mim e me leva agora para onde estão os outros prisioneiros!
—Tudo bem — falei, agora nossos lábios a poucos centímetros de distância, me levantei, e por alguns segundos, percebi que num lapso ela parecia decepcionada.
Talvez por isso, quando ela se levantou, sem pensar eu a empurrei contra a árvore, e a puxei para um beijo que eu não sabia ter guardado em mim.
Ela ofegou, surpresa, mas nem por isso deixou de corresponder. E só ali, senti que estava mais próximo da adrenalina naquele momento do que qualquer outro da batalha.
Suas mãos percorriam loucamente meus braços e por baixo da minha camisa, indo até meus cabelos e puxando enquanto eu chupava seu lábio inferior.
Não fazia ideia do que estava rolando comigo, sequer entendia porque eu tinha a jogado contra a árvore. A única coisa que eu sabia, enquanto beijava seu pescoço e a ouvia suspirar, era que eu queria continuar.
Ela tirou minha blusa, arranhando minhas costas com mais força que o habitual, encarei seus olhos enquanto desabotoava seu short, e eu sabia que ela também estava rendida.
Foi por isso que eu me ajoelhei, abaixando sua calcinha até os tornozelos e colocando uma das suas pernas nos meus ombros. Ela puxou meus cabelos enquanto eu a chupava. Ouvi, muito ao longe, o barulho da batalha, mas de repente aquilo era o de menos.
O único som que eu consegui me concentrar seus gemidos, que ficavam mais altos enquanto ela movimentava o quadril cada vez mais freneticamente contra o meu rosto.
Senti seus dedos longos puxar meus cabelos e me fazerem a olhar para ela.
—Agora
Aquilo havia sido uma ordem, e eu estava agitado demais para fazer outra coisa senão acatá-la. Ela abaixou de uma só vez minha bermuda e cueca, e eu passei tão abrupto quanto ela sua blusa do acampamento meio sangue para cima do seu pescoço, retirando-a.
Beijei seus lábios com tanta força que eu quase me arrependi, seus cabelos molhados pingando na minha mão enquanto eu os puxava tão forte quanto meus beijos. Juntei nossos corpos, pegando-a pelo colo enquanto ela enrolava suas pernas na minha cintura, foi assim que a pressionei contra a árvore, penetrando-a com força.
Ela estrangulou um gemido, suas pernas enroladas no meu quadril, meus lábios na altura do seu pescoço, que eu chupei enquanto sentia todo seu corpo molhado contra o meu. Daquela vez, eu decidi me deixar molhar.
Seus seios, talvez pelo seu corpo molhado, talvez pelo sexo, estavam duros, e todo seu corpo se arrepiou.
Seu quadril se chocava com o meu, nós dois no meio da floresta, escondidos apenas pela pouca distância do flanco. A chance de sermos pegos era cada vez mais flagrante, o que deixava tudo meio selvagem. Suas mãos ainda estavam nos meus cabelos, que só saíam dali para percorrer minhas costas.
—Mais -murmurrou, e eu entendi que ela não se importava de sermos ainda mais selvagens.
Seu corpo se movimentava pela força dos nossos quadris contra a árvore, e eu sentia que estava perdendo cada vez mais a parte racional da minha mente, enquanto eu a estocava com mais força, e ela dizia que queria exatamente assim.
Mesmo estando do lado romano, daquela vez, eu me sentia absurdamente como a minha parte divina grega: rebelde, irresponsável, que decidiu saciar seu prazer a qualquer custo.
Sentia todos os meus músculos cobrirem de suor, nossos quadris se chocando com tanta força que eram o único barulho naquela floresta.
Annabeth puxou meus cabelos me fazendo olhar nos seus olhos, a boca semi aberta e as mãos trêmulas, ela me olhava como se eu fosse a coisa mais pecaminosa que ela já viu.
—Ainda somos rivais, você não ganhou — ela murmurrou com raiva, enquanto seu corpo se movimentava na frequência das minhas estocadas. Ela não estava na posição de me provocar, não enquanto eu me movimentava dentro dela, mas ainda sim fazia, e eu confesso que gostava da provocação.
Por isso coloquei minhas duas mãos na sua cintura, apertando com força quando decidi que aquilo, portanto, era um sexo de inimigos.
Ela gemeu mais alto pela surpresa, e sorriu pra mim em seguida. Ela puxou meu cabelo, juntando nossos corpos.
—Rivais o suficiente? — sussurrei no seu ouvido, tentando ignorar o fato que estava me desfalecendo com seu corpo me apertando cada vez mais, suas pernas tremendo, e eu sentindo que ela e eu poderíamos vir a qualquer momento. Daquela vez, ela não conseguiu ficar com os olhos abertos, e tentou falar alguma coisa, mas suas falas saíram entrecortadas.
Então ela cravou suas unhas nos meus ombros, e seu longo gemido foi a única coisa que se ouviu por uma boa distância naquela floresta. Quase que em seguida, enquanto ela pulsava forte contra mim, não consegui me segurar, e afundei meu rosto no seu pescoço, mumurrando coisas que eu honestamente não sabia sequer o que eram.
Eu tremia, e sentia cada músculo do meu corpo se contorcer em êxtase, aquilo havia sido, de longe, o clímax mais forte da minha vida, e eu sentia que havíamos chegado num patamar totalmente novo.
Respirei fundo no seu pescoço enquanto a ouvia me xingar, de diversos palavrões gregos, sem parar. Eu não pude deixar de rir, gargalhar, enquanto ela ainda me xingava de todos os nomes. Afastei para olhar no seu rosto, encarando-a um pouco.
—Eu também te amo — falei, sorrindo, enquanto ela ofegava. Seus olhos ainda crepitavam como se estivesse em batalha, mas estavam límpidos como azul. Ela nunca esteve tão bonita.
—Eu te odeio, te odeio — disse, mas quando me afastei dela, seus olhos se fecharam e abriu levemente a boca, soltando um gemido estrangulado. Eu mesmo estava ainda me tremendo pelas sensações recentes.
Colocamos nossas roupas como dois potenciais fugitivos, com medo de sermos pegos.
Quando saímos da parte mais fechada da floresta e voltamos para a área do flanco, a bandeira romana ainda hasteava com certa pompa.
—O jogo provavelmente já acabou — disse, mais para provocar do que qualquer outra coisa. Ela me olhou como se fosse me matar, mas ao invés disso, sorriu.
—Bom, eu fiz minha parte.
Juntei os braços, agora semicerrando os olhos.
—Espera, você planejou tudo isso?
Senti minha raiva voltando, mas ela me olhou como se eu fosse bobo.
—Ah sim, eu planejei que você iria me atacar, não só no sentido da batalha, como no sentido sexual também
—Ãhm, com certeza?! — abri os braços revoltado, e ela sorriu de um jeito tão malicioso que eu pensei, honestamente, em fazer uma round 2...E eu não estava falando da batalha.
—Minha única função era te distrair — respondeu ainda sorrindo, depois olhou ao redor um pouco decepcionada — Mas pelo jeito só eu consegui cumprir com meu objetivo.
Abri a boca para falar que ela não conseguiu cumprir com seu objetivo coisíssima nenhuma, mas de repente dois campistas do lado grego se aproximaram da direção leste.
—Aonde vocês estavam? — perguntaram eles, um cruzando os braços — O jogo já acabou.
Gelei, minha expressão provavelmente dizia "Socorro". Annabeth, felizmente, interveio.
—Cumprindo com a minha parte do plano, vim atacar. Onde Hades estava o meu reforço?
—Seus irmãos chegaram correndo no forte, falando que ele tinha mandado um recado. Achamos que o plano tinha mudado — aquilo foi como uma bofetada em Annabeth, ela provavelmente não esperava que algo realmente desse errado no seu plano.
E tinha dado errado porque invés de eu capturar os seus irmãos, fiz algo realmente estúpido que nem ela esperava. Minha especialidade.
Andamos de volta para onde os outros campistas estavam, e no caminho eu não pude deixar de me aproximar um pouco no seu ouvido e dizer:
—Então eu ganhei — sua carranca ficou evidente, mas percebi que os pelos do seu braço se arrepiaram.
—Já ouviu falar em revanche?
Ela arqueou uma sobrancelha, o sorriso malicioso. Eu sabia que ela não estava falando da captura à bandeira.
Quando chegamos aonde todos os campistas estavam, os romanos me cumprimentaram em êxtase, e eu fiquei feliz também. E os gregos, ao contrário, estavam desanimados e cabisbaixos, e murmuravam que era uma afronta perder para convidados.
De qualquer forma, aquilo não importava mais. Eu já estava pensando na revanche.
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