Histórias de amor
18 Annabeth se torna uma rebelde em seu baile de formatura
Notas iniciais
Eu estava tão ansioso com a ideia de ver um pouco mais da vida normal da minha namorada, que quase não me importei com o fato de usar uma gravata.
Era quase seis da tarde e eu me sentia como aqueles adolescentes em filmes clichês de colegial. Eu não pude deixar de falar como estava me sentindo com minha mãe, quando ela colocou a flor na minha lapela.
—Isso é meio brega — falei, mas ela me deu aquele olhar de "você não tem ideia do que está dizendo, garoto".
—Percy, toda garota quer ter todos os rituais de formatura em seu baile de formatura — mamãe ainda ajeitava minha gravata, respirei fundo.
—Annabeth não é qualquer garota, duvido que se importe com isso — ela me respondeu com um sorriso tão pressagioso que parecia que já sabia que algo estava a acontecer.
—Até mesmo a garota mais cética não resiste a um bom cavalheirismo — garantiu, dando-me a pulseira com a flor que combinava com aquela que estava em minha lapela.
Decidi não argumentar, não só porque parecia ser um presente especial da minha mãe à Annabeth, mas também porque eu estava ligeiramente inclinado a gostar da ideia de eu e ela termos algo em comum que pudesse nos fazer ser automaticamente reconhecidos como um casal.
Annabeth, ao contrário de mim , estudava numa escola relativamente de elite, ir numa festa com os ricaços da ilha de Manhattan não estava na minha lista de 10 coisas para fazer antes de morrer, mas considerando que eles conheciam Annabeth, algo em mim que ainda não compreendia bem queria deixar claro a todos eles que estávamos juntos.
Quando saí do meu quarto apressado, pois sabia que Annabeth odiava atrasos, ouvi um assovio e Paul gargalhando.
—Alguém está ajeitado — ele disse, Estelle ao seu lado riu como se falasse "yey! meu irmão penteou o cabelo!". Paul, agora com Estelle no colo veio até mim e disse:
—Só entre nós — sussurrou, como se estivesse me contando um segredo — Deixei uma grana a mais para você no Prius caso precise alongar a noite... Eu sei como funciona bailes de formatura.
Tentei não ficar sem graça, mesmo não entendendo muito bem o que significava suas palavras.
—Ahn, ok... Obrigada, eu acho — ele sorriu como se eu estivesse a caminho de uma grande aventura divertida; e eu imaginei o que ele poderia ter feito na sua noite de formatura.
Depois, olhou para o lado como se fosse um traficante ou algo assim, e sussurrou ainda mais baixo:
—Estão perto das camisinhas no porta luvas
—Cara! — agora eu definitivamente estava vermelho, Estelle levantou os braços rindo como se falasse "isso mesmo, meu irmão é um danado!". Ele deu leves batidinhas em meu ombro com sua mão livre
—Nunca se esqueça: Diversão com proteção — aquelas vacas sagradas de Apolo? Não eram tão vermelhas como eu estava agora. Minha mãe apareceu no corredor, fazendo Paul (ainda bem) se afastar — Isso me fez lembrar minha adolescência...
Seu tom era nostálgico enquanto ele ia até a cozinha, dando papinha inocentemente para minha irmã como se não estivesse acabado de insinuar coisas bem maliciosas. Quando minha mãe começou a me obrigar a tirar fotos para ela, percebi que era minha deixa para ir embora.
Estacionei em frente ao prédio de Annabeth, estranhando quando percebi que meu estômago doía e era de ansiedade; o que era estranho porque namoravámos a quase dois anos agora. Mesmo assim, desconfio que a sensação de frio na barriga quando estava com ela nunca passaria.
Respirei fundo quando toquei a campainha em frente ao seu apartamento, tentei desesperadamente ajeitar meu cabelo, meu hálito e meu terno num período de poucos segundos, então estava meio ofegante quando a porta se abriu.
Felizmente ou infelizmente, não era Annabeth que me pegou numa cena meio embaraçosa.
Frederick Chase continuava o mesmo de sempre, o que não me fez perder a expressão surpresa.
—Perseu! — ele não me chamava pelo apelido desde que havia descoberto que meu nome era do grego antigo. Eu sabia que ele e Atena compartilhavam este amor por tudo que era de batalhas da antiguidade; então dei um sorriso educado tentando não esconder meu certo desapontamento em saber que Annabeth não estava sozinha no apartamento.
—Sr. Chase, boa noite — tentei ajeitar minha postura, mas era definitivamente mais estranho conversar com ele a sós agora que ele era meu sogro. Ele deu uma risada, passando um braço pelos meus ombros enquanto me jogava para dentro do apartamento.
—Ele me chama de senhor! — exclamou, rindo. O que reconheci como a madrasta de Annabeth apareceu no campo de visão, sentada no sofá com os dois irmãos mais novos de Annabeth brincando aos seus pés.
Ela me deu um sorriso simpático quando se levantou e veio até mim com os braços abertos.
—Ele é bem educado, Frederick — ela me abraçou, o que foi algo engraçado e súbito. Ela tinha pequenas rugas ao redor dos olhos que a faziam ficar bastante simpática — Chame-o apenas de Frederick, você já faz parte da família.
Frederick balançou as mãos, como se quisesse mudar de assunto. A mesa da cozinha no fundo da sala estava cheia de papéis com rascunhos, e eu me perguntava se eram de Annabeth ou de seu pai.
—Annabeth está quase pronta, aceita água ou café? — neguei, tentando não parecer pouco educado. Minhas mãos estavam começando a soar e eu as mexia com mais nervosismo do que queria transparecer, o olhar da madrasta de Annabeth caiu até elas.
—Você trouxe um corsage! — ela exclamou, emocionada. Olhei para o acessório, pronto para ser colocado no pulso de Annabeth. Dei um sorriso sem graça em resposta — Ah, isso me faz lembrar do meu baile de formaturas...
Deuses, vocês também odeiam quando pessoas velhas ficam nostálgicas?
Estava tentado a aceitar aquele copo de água quando ouvi passos no corredor atrás de mim, e Annabeth apareceu com as mãos no vestido, um pouco estabanada como se estivesse atrasada.
Aqui, definitivamente é a hora que o clichê romântico deveria acontecer. Eu diria que ela era a mulher mais bonita que eu já visto (o que era verdade), que eu estava completamente arrebatado pela sua presença (uma vergonhosa realidade), que ela parecia algo entre a mais bonita princesa da disney e a mais sensual guerreira romana (o que definitivamente não era só algo da minha cabeça), mas o fato dela imediatamente escorregar e quase cair, fez com que esse impacto inicial tivesse uma pequena pausa.
—Deuses, Matthew! — ela disse, se apoiando no sofá para não cair. Seu irmão mais novo tinha derramado suco de laranja pelo chão, o que todos nós só havíamos percebido agora. Ele olhou para ela como se dissesse "ops, foi mal aí" mas distraído demais com seu boneco para falar alguma coisa.
Tudo isso aconteceu bem rápido, então eu havia ido na sua direção tentando ajudá-la, em vão. Porém, quando ela se virou, ficou um pouco embasbacada por eu estar tão próximo.
Entreolhamo-nos rapidamente, e o sorriso que cresceu nos lábios dela fez com que eu ficasse ainda mais arrebatado, o que achei que ser impossível. Ela tinha os olhos maquiados e um belo batom vermelho nos lábios, o que os deixavam ainda maiores. Seu vestido era um vermelho chamativo, com mangas que caíam nos ombros e completamente esvoaçantes. Seu cabelo estava preso num coque desarrumado, deixando vários fios de seus cachos a solta.
Eu pensei estar impossibilitado de falar, então fiquei feliz dela ter começado:
—Ah, oi — disse apenas. Eu sorri em resposta, meu coração parecendo meio estranho, como se estivesse se esquecido de como é bater no ritmo.
—Vocês precisam tirar uma foto — disse a madrasta de Annabeth, e Frederick logo correu até o quarto para pegar uma câmera mesmo com Annabeth revirando os olhos e protestando.
Respirei fundo, pois não podia ficar em silêncio o tempo inteiro.
—Aqui — disse, pegando-a pelo pulso. Annabeth olhou para a corsage e sua expressão ficou imediatamente surpresa: suas duas sobrancelhas se arquearam e ela emitiu um "oh" — Gostaria que fossem flores vermelhas para combinar, mas...
—Percy, não... — ela ainda parecia meio surpresa — Eu não sabia que... Obrigada, elas são lindas.
Sorri para ela, seus olhos se encontraram nos meus, o cinza límpido quase azul parecendo bem mais impactantes pela maquiagem. De fato, eu estava sem chão na sua frente. Esperava estar minimamente ajeitado, porque ela estava de tirar o fôlego.
O que nos interrompeu foi Frederick, um tanto desengonçado com uma máquina analógica, Annabeth respirou fundo e fechou os olhos enquanto seus pais discutiam qual era o melhor fundo para a foto. Tentei não rir e entrar no mesmo modo que o dela; pois na verdade era claro que eles estavam totalmente orgulhosos dela ser uma formanda com honras, e em êxtase por ela escolher ir para uma Universidade em São Francisco.
A verdade é que eu mesmo estava como eles, totalmente orgulhoso e apaixonado pelo fato de minha namorada ser a pessoa mais impressionante que eu conhecia.
Finalmente quando eles escolheram que o melhor lugar era em frente a janela, Annabeth me deu um olhar de "desculpa por isso" e a madrasta dela me fez colocar as duas mãos em sua cintura, numa clássica pose de formatura.
Eu queria rir, principalmente do fato que Annabeth estava totalmente afobada e nervosa, mas eu estava ali para ser o namorado perfeito, queria parecer isso. Até porque, não saberia se de fato em algum momento no futuro eu oficialmente poderia me tornar parte daquela família...
Opa
Talvez eu estivesse indo um pouco longe demais, foi o que eu pensei quando eles gritaram "Digam X" e eu e Annabeth sentimos o flash pesado em nossos olhos.
Depois disso, tudo aconteceu muito rápido. Annabeth me puxou pelo pulso e pegou sua bolsa no que pareceu frações de segundos.
—Ótimo, agora temos que ir — ela quase não deixou seus pais responderem, então ouvi eles gritarem "Boa festa" "Tomem cuidado!" enquanto já estava saindo pela porta.
Annabeth bateu a palma da mão no botão do elevador, expirando fundo em seguida.
—Desculpe por isso — ela disse, as bochechas salpicadas de vermelho. Sorri um pouco, sem deixar de dar de ombros.
—Eles estão animados por você
—Até demais — queixou-se, puxando-me para o elevador assim que as portas se abriram.
Quando se fecharam e ela entendeu que seus pais não poderiam mais estar te perseguindo, sua expressão e seus ombros se aliviaram. Neste tempo todo, eu estava olhando para ela meio admirado.
—Você está linda — disse, mesmo no elevador. Ela saiu dos seus devaneios e me encarou, com os saltos ela tinha voltado a estar da mesma altura que eu, algo que tínhamos superado no verão anterior.
—Obrigada, você também, e... — a porta do elevador se abriu no saguão, saímos rapidamente para deixar outros passarem e eu peguei em sua mão, ela olhou para o pulso, o corsage, e sorriu para mim de um jeito que me fez agradecer mentalmente minha mãe por não me dar ouvidos.
Quando entramos no Prius, ela parecia bem mais tranquila, então virei-me para ela, ainda um pouco apreensivo.
—Espero que você não se importe com isso — disse, avançando para beijá-la em seguida. Num primeiro momento, ela parecia um pouco confusa, talvez pelo fato de eu ter ido muito de imediato, mas depois senti seus ombros relaxarem. Eu não queria estragar sua bela maquiagem, mas parecia ser algo urgente a se fazer desde que eu coloquei os olhos nela.
Ela se separou ofegante, dando um pequeno sorriso.
—Porque eu me importaria?
Dei de ombros.
—Bom, sua maquiagem — apontei para seu rosto, ela negou com a cabeça
—Eu não perderia esse beijo por nada
Então me deu um selinho no pescoço, o contorno dos seus lábios agora marcados na minha pele. Eu sorri e acelerei o carro.
Aquela estava sendo a melhor noite até então, aceleramos pelas ruas de Nova York que piscavam pelas luzes frenéticas da noite. No carro, tocava uma boa música do David Bowie, e Annabeth, com um de seus braços do lado de fora balançando de acordo com o ritmo da música, parecia mais que nunca a mulher da minha vida.
Aquilo estava perfeito, eu poderia dirigir ao seu lado por horas a fio. Por isso, quando observei uma pequena multidão de adolescentes em roupas de gala no estacionamento em frente, eu quase quis passar reto.
A escola de Annabeth parecia tão intimidadora quanto um internato feminino deva ser. No ginásio ao lado do prédio, luzes roxas azuis e vermelhas (a cor da escola de Annabeth) eram jogadas por todos os lados pelos holofotes.
Annabeth respirou fundo e olhou para mim com um sorriso confiante.
—Preparado?
Nunca estou.
—Com certeza — seu sorriso se abriu, e quando de mãos dadas ela deu dois convites a uma professora em frente ao ginásio, fomos imediatamente puxados para dentro de uma realidade paralela.
Era como se estivéssemos dentro do filtro "Jovens", música tocava alto e todos dançavam e cantavam juntos, garotas usavam maquiagens coloridas e chamativas, e os caras estavam praticamente fora da ideia de "gala", as gravatas desajeitadas, nenhum terno. Mesas com ponches e uma decoração exagerada cobria todo o lugar.
Annabeth me puxou e acenou com a mão, e de repente eu estava dentro de um grupo de 10 adolescentes totalmente desconhecidos. Um cara alto, afroamericano, com pompa de atleta, bateu em meu ombro amigavelmente.
—Prazer cara, muito estranho a gente nunca ter se conhecido — juntei as sobrancelhas, Annabeth estava conversando e rindo com duas amigas.
—Sério, porquê? — ele riu, como se tivesse contado uma piada.
—Annabeth e Mia foram colegas de quarto por quase dois anos, eu tive que segurar o lenço quando se despediram semana passada — ele riu — Mia é minha namorada há quase três anos agora.
"Ah" falei, mesmo não conhecendo a garota, entendi que era aquela com que Annabeth agora conversava entusiasmada. Ele chegou um pouco mais perto.
—Aqui, batizamos o ponche da primeira mesa do lado da professora de matemática — ele balançou com a cabeça até uma mulher que usava pequenos óculos, tinha um cabelo num corte ultrapassado, e batia o pé no chão com os braços cruzados, como se aquele fosse o último lugar que ela quisesse estar. Parecia um tanto carrasca.
Ele me ofereceu um dos copos em sua mão que eu aceitei de gratidão; ser tão amigável foi uma surpresa, e o fato de eu não conhecer ninguém me fez ficar chateado, principalmente porque a razão de eu estar ausente no ano interior não foi minha escola. Limpei minha mão na calça e a ofereci, que ele cumprimentou de bom gosto.
—Prazer, Percy Jackson — ele sorriu.
—Andrew, e estes são Matt e Jonas — eles me cumprimentaram, e eu percebi que eram os acompanhantes das amigas de Annabeth.
Aquilo, de fato, estava se saindo melhor do que imaginei. Todos eles eram divertidos e engraçados, e Annabeth parecia, para minha grande surpresa, uma garota relativamente popular.
Muitos a cumprimentavam e vinham se despedir. Não tinha se passado pela minha cabeça que existia uma possibilidade de um meio-sangue se dar bem no ambiente escolar; mas claramente Annabeth era um exemplo vitorioso.
As amigas dela me rodearam pouco tempo depois dos caras sumirem da minha visão, enquanto Annabeth estava um pouco afastada conversando com outro grupo de pessoas.
—Prazer em finalmente te conhecer, Percy — disse, o que eu já sabia, ser a namorada do Andrew. Dei meu sorriso mais amigável, mesmo me sentindo um pouco culpado no fundo de não a conhecer.
—O prazer é meu — falei, e ela e as duas outras garotas deram risadinhas, mas não de um jeito maldoso. Eram quase... maliciosas? Decidi ignorar.
—E como é estudar com Annabeth? — perguntei mais para puxar papo, mas elas responderam de maneira eufórica.
—Ah! Nós nos divertimos muito — Mia disse, ela tinha cabelos cacheados que emolduravam seu rosto, percebi que ela já tinha bebido muito — Os bons professores gostavam dela, os ruins...
Todas riram, e eu sorri pela curiosidade.
—O que ela fez? — Mia riu.
—Annabeth sempre tinha um plano impagável para os professores carrascos. Uma vez, o Sr. Twell, nosso professor de história que desconta todas as suas frustrações em nós, decidiu dar um trabalho impossível sobre a Grécia Antiga pois ele dizia saber tudo sobre, e Annabeth arranjou um jeito de deixar todas as maquetes do trabalho em grego antigo, e… — ela riu enquanto se lembrava — Como ele fingia saber grego, todo o tempo ele ficou falando que os trabalhos estavam razoáveis, mas todas as frases eram o xingando de idiota.
Ela riu, enquanto as outras riam também. Olhei para Annabeth, a alguns metros de distância, com um sentimento de respeito renovado por ela.
Mia bateu em meu ombro.
—Mas você vai saber, vocês vão juntos para São Francisco, não é? — assenti, um pouco feliz
—Eu mal posso esperar — confessei, pois Mia era uma garota legal. A garota ao seu lado, que estava bem mais bêbada que ela, disse:
—Droga, eu odeio a Annabeth — ela chegou um pouco mais perto — Seus olhos são verdes assim mesmo?
Enverguei minha coluna, tentando não me incomodar com sua repentina aproximação fitando meu rosto como se eu fosse uma aberração.
—Desde que nasci — ela bufou
—Eu já falei que odeio a Annabeth? — Mia riu, agora chegando mais perto também.
—Você está ansioso para hoje? — ela me perguntou, olhei para ela um pouco confuso.
—Como assim?
Seu rosto perdeu o sorriso, ela olhou para amiga que também parecia ter murchado.
—Oh, Annabeth... — ela levantou os braços em rendição — Deixa para lá, não quero estragar a surpresa
Eu abri a boca para protestar, mas Annabeth se aproximou e pegou no meu braço.
—O que vocês estão conversando? — perguntou risonha. As outras desconversaram e voltaram a zoar o Sr. Twell. Alguns copos e risadas depois, eu já sentia meu corpo mais leve, Annabeth me puxou pela mão para a pista de dança.
—Você está sempre me devendo uma dança — ela disse, seu sorriso enorme. A observei da cabeça aos pés, o vestido vermelho que delineava sua cintura e fazia seu quadril ficar cada vez mais convidativo, o decote em evidência e os lábios, totalmente vermelhos. É, eu não iria recusar aquela dança.
Quando ela encostou o corpo no meu, eu não pude deixar de sussurrar no seu ouvido:
—Você está maravilhosa
Não sabia se ela estava sorrindo, mas ela encostou sua cabeça no meu ombro, e ficamos assim, balançando no ritmo da música, minhas mãos perfeitamente repousadas em sua cintura. Minha mente estava lenta e feliz, então foi como sair de um transe quando no palco avisaram que estava na hora de avisar quem era o rei e a rainha do baile (ugh, eu sei. Essa tradição ainda existe). Annabeth se afastou e me olhou de um jeito, que eu já sabia que...
—-Você tem algum plano, não é? — seu sorriso malicioso a entregava.
Não encontrei com Andrew, Mia ou nenhum dos rostos conhecidos quando ela me puxou para fora da pista, no movimento contrário de todos que se aproximavam do palco. Do nada, ela me fez entrar para debaixo da arquibancada, e ali tinha uma porta que nos fez sair pelo corredor.
—Sabidinha — chamei, parando-a por um minuto — O que você está fazendo?
Ela olhou para mim como se eu estivesse falando uma língua desconhecida.
—Você realmente não achou que nós íamos ficar o tempo todo naquele ginásio, achou?
—Achei que você queria me apresentar para os seus amigos — dei de ombros, olhando para o lado para disfarçar uma certa decepção — Sabe, a noite seria uma tarefa clássica de um namorado.
Quando olhei para ela, imaginei que tinha algo engraçado na minha testa, porque ela me olhava com os olhos brilhando e um sorrisinho.
—O que foi?
Ela riu de verdade, me fazendo bufar. Colocou as duas mãos no pescoço.
—Percy, você é o namorado perfeito — ela afirmou como se falasse do tempo, o que me deixou envergonhado; me deu um selinho e logo se afastou — Não podemos ficar aqui, algum professor pode nos ver. Vem.
Ela me pegou pelo pulso, puxando pelos corredores. Fomos virando tanto que eu me senti de novo no labirinto de Dédalo, por fim subimos uma longa escada e ela abriu uma pequena porta de madeira.
Não vou mentir que fiquei estupefato. Annabeth me olhava risonha.
Como eu não percebi que tantas pessoas haviam saído da festa?
Com nós, tinha 15 pessoas no terraço do prédio, luzes douradas eram a única coisa que decorava o local. Mia e Andrew estavam sentados num banco, uma música como um rock indie tocava no fundo. Todos saudaram Annabeth animadamente, que acenou para todos.
Agora cervejas de verdade estavam num barril, toalhas de piquenique espalhadas pelo chão, onde a maioria se sentou e deitou.
Aquilo era muito legal; mas eu percebi que eles bebiam, compartilhavam cigarros e muitos não tinham pudor ao se tocarem pelos cantos. Quando Annabeth me puxou para um canto do telhado, nos fazendo ficar na beira com a bela visão dos bosques ao redor de sua escola, eu olhei para ela desconfiado.
—Annabeth Chase — murmurei, ainda olhando para seus colegas — Você, por acaso, é uma rebelde?
Ela gargalhou, encostando no muro ao meu lado. O copo vermelho agora cheio de cerveja.
—Uma garota que decide acompanhar Percy Jackson nas suas aventuras poderia ser diferente? — ela abriu um sorriso malicioso, e assenti lentamente, me sentindo pego. Ela tinha feito um bom ponto.
—Em minha defesa, eu quase nunca escolho estar nas minhas missões — dei uma risadinha — Mas você... Hoje foi uma surpresa
Ela parecia satisfeita, e daquela vez me beijou de verdade. Senti sua língua gelada pela cerveja massagear a minha, suas unhas arranharem minha nuca e puxar meus fios, me sentei na beira do telhado, aproximando a sua cintura para mais perto e sentindo seu corpo no meu. Seu beijo era sempre muito bom, minha mente se enevoou e prestava atenção apenas em seu toque, eu nunca me cansaria daquilo.
Annabeth se afastou um pouco, respirando fundo.
—Eu te amo — ela disse, e sinceramente, só aquilo me faria enfrentar todas as festas insuportáveis e todos os seus parentes com o maior prazer.
—Eu também, mas vou te amar ainda mais se você me falar qual a surpresa — ela se afastou um pouco, juntando as sobrancelhas.
—Como assim?
—Vamos, Mia me contou que tem — ela ficou relativamente pasma, e olhou para trás. Mia e ela trocaram olhares e a garota levantou o copo e mexeu os lábios dizendo "Sorry" — E então?
—Droga — respondeu, respirando fundo — Porque eu nunca consigo te fazer uma surpresa?
Estava curioso, mas por fim ela deu um sorriso malicioso e sussurrou em meu ouvido:
—Me pergunte de novo mais tarde
Assenti, então nos sentamos em um dos tapetes no terraço, ela se aconchegou no meu peito enquanto bebíamos uma boa cerveja gelada. Na roda, passaram o cigarro de maconha para mim, que prontamente recusei. Annabeth, entretanto, aceitou.
Eu olhei para ela totalmente pasmo, quem era aquela garota e o que ela fez com o senso de responsabilidade que normalmente me guiava nas missões?
Quando ela passou de novo para outro colega, eu me afastei um pouco para olhar em seu rosto.
—O que foi? — ela perguntou, sorrindo.
—É estranho te ver assim — olhei para o redor — Totalmente relaxada. E eu apostaria que você era um pouco mais careta.
Ela bateu no meu braço, fingindo estar ofendida.
—Eu não ajo como se estivesse em missão sempre... Não sei se aguentaria estar em estado de alerta o tempo inteiro... Além disso, você está aqui, eu me sinto segura o suficiente.
—Deuses, e agora eu estou indo para sua cidade. Você vai me levar para o mau caminho, Sabidinha?
—Você sabe que nós vamos andar na linha — entretanto, ela sorriu maliciosa.
Cheguei um pouco mais perto, sentindo seu hálito quente me fazendo querer beijá-la.
—Vai ser divertido — assegurei, seus lábios agora a poucos centímetros do meu. Ela olhava diretamente para minha boca. Quando me aproximei um pouco mais, seus amigos nos chamaram para um jogo que eu não conhecia.
Annabeth animadamente decidiu participar, e para compreensão optei por ficar de fora.
Por fim, eu não consegui compreender praticamente nada.
Tudo começou com ela9, senti seus dedos percorrerem minhas costas, onde um dia havia sido meu ponto mortal. Respirei fundo, tentando prestar atenção na conversa ao meu redor. Então, ela passou os seus dedos das minhas costas para minha virilha, massageando com um pouco mais de intensidade.
Ela continuava com a cabeça apoiada em meus ombros, prestando perfeita atenção em todos. E eu, pobre coitado, estava a ponto de emitir um grunhido quando seus dedos chegaram perto demais.
A noite agradável estava começando a ficar muito quente.
Mesmo em meu ombro, chequei de soslaio seu rosto e percebi que ela estava sorrindo. Como ela conseguia formar frases complexas e me massagear por baixo da toalha nem eu sabia; mas provavelmente seus amigos me acharam um estranho, pois eu me sentia a ponto de ser pego e mal consegui formar uma frase para além de "aham"'.
Seu salto passou pela minha panturrilha, levantando um pouco minha calça e passando de volta. Ela virou um pouco a cabeça, respirando no meu pescoço, e quando ela mordiscou minha orelha, meu peito subiu e desceu mais forte que o normal.
Seu pé estava no meio da minha panturrilha, uma de suas mãos massageavam minha nuca e quando com a outra ela apertou meu membro, segurei sua mão com força, me afastando quase num pulo.
Encarei ela com ódio.
—Você não quer me provocar — disse, ela sorriu maliciosa
—Tem certeza?
—Annabeth, sua vez — um dos seus colegas falou. Que raios era aquele jogo? Eu estava muito distraído para poder explicar para vocês.
Ela pegou um dos copos vermelhos e jogou na mesa. Algo de mira?
Enfim, eu ainda estava me recuperando de uma situação inesperada em minhas calças. Mas algo em mim não queria parar por ali também, enquanto Annabeth conversava, passei uma das minhas mãos na sua nuca, a apertando levemente. Ela fechou os olhos por uns segundos, mas rapidamente se recompôs e refez a postura.
Seu vestido tinha uma bela fenda nas pernas, e foi ali que a toquei, massageando atrás do seu joelho.
Ela se remexeu, desconfortável, seu olhar ficou um pouco mais sério. Annabeth me encarou como se falasse, "ok, eu entendi". Mas ei, eu não queria mesmo acabar com aquilo. Fui um pouco mais para cima por dentro do seu vestido, massageei seu clítoris por cima da sua calcinha, e quando meus dedos estavam para tocá-la diretamente, ela me interrompeu com as duas mãos no meu braço.
—Vamos embora? -perguntou, me dando um olhar duro.
Sorri maliciosamente, a noite agora estava caindo e seus amigos estavam ou muito bêbados ou drogados demais para se darem conta de nós.
—Eu sou apenas o convidado — falei um pouco mais baixo para ela, sorrindo em seguida. Ela me encarou por alguns segundos, e depois respondeu:
—Vamos embora
Annabeth se levantou num pulo, fez uma despedida rápida e fui praticamente arrastado para fora, mal conseguindo me despedir. Estávamos no estacionamento, que era cercado por árvores e ainda estava lotado de carros.
—Calma — falei rindo enquanto ela corria na direção do Prius. Quando estava abrindo a porta do motorista, ela me fez virar para ela, beijando-me com força. Eu fiquei sem reação, não imaginava que ela poderia me beijar daquele jeito em público — Annabeth...
Ela abriu a porta de trás do carro, e olhei para ela e para o carro alternativamente.
Quando menos percebi, estava sentado no banco de trás do meu carro, Annabeth em meu colo com suas pernas ao redor do meu quadril, se movimentando contra minha calça de um jeito safado demais para meu próprio discernimento.
Beijei seu pescoço, ouvindo-a suspirar com força. Ela se afastou um pouco, desfazendo-se um pouco afobada do meu blazer, desabotoando minha blusa com agilidade e a deixando aberta enquanto arranhava meu peitoral, beijando minha boca de novo.
Ofeguei quando ela sentou em mim, agora com mais intensidade do que antes. Segurei seu quadril, o atrito iria acabar comigo, e não me fazia bem o fato que poderíamos ser pegos a qualquer momento. Ouvíamos as pessoas rindo de longe.
Fiz algo que queria já há algum tempo, e abaixei o zíper que começava nas suas costas e iam até a sua bunda. Quando seu vestido se abaixou no chão do carro, entrei no misto de choque e excitação.
—Annabeth — foi quase um ofego, passei meus olhos por todo seu corpo.
Pela primeira vez, eu a via como uma lingerie. E que lingerie. Era de uma renda vermelha que combinava com seu vestido, seu corpo parecia mil vezes mais convidativo delineado por ele, a calcinha era minúscula, honestamente. E eu queria agradecer pessoalmente a pessoa que tenha a feito. Suas bochechas também combinaram com a cor do vestido, ela estava vermelha até as orelhas.
—Eu imaginei que você apreciaria num quarto adequado... -assenti levemente, meus olhos ainda percorrendo seus seios apertados por aquele sutiã e sua cintura marcada pela renda apertada — Percy?
Minhas mãos apertavam sua bunda quase instintivamente.
—...Sim? — ela deu uma risadinha, pegou sua pequena bolsa de festa do lado (o que me deu uma visão ainda melhor da sua bunda) e respirou fundo quando a abriu.
—Essa era a minha surpresa — em uma das suas mãos estava um pequeno pote, e na outra, algemas. Minha boca foi para o queixo.
Encarei ela pasmo.
—Deuses, porque sua amiga foi me contar!? -sim, eu estava revoltado. Ela mordeu o lábio. Enquanto ainda negava com a cabeça, a puxei para mais perto do meu corpo, sua bunda perto da minha linha de visão, que de maneira irresistível me fez dar um tapa mais forte.
Ela deu um gritinho e depois riu, o que era sempre como música pros meus ouvidos. De repente, lembrei das camisinhas no porta luvas, e quase me explodi de vergonha ao pensar que já poderia ter sido premeditado por Paul toda aquela situação. Mesmo assim, decidi afastar esse pensamento estranho e beijei seus braços, seus seios, apertando sua bunda ainda com mais força.
Em troca ela rebolou contra minha calça seu cabelo soltando do penteado e caindo pelos seus ombros. A visão fez com que minha calça se tornasse uma peça que me irritava profundamente, uma das minhas mãos foram para sua calcinha, que já estava mais encharcada que eu imaginei. Ela ofegou enquanto eu fazia movimentos circulares, e suas mãos trêmulas desabotoaram meu cinto e abriu meu zíper.
Sua mão foi para dentro da minha cueca, e por pouco eu parei de movimentar meus dedos, pois ela me masturbou num ritmo mais acelerado que o de costume. Perdi um pouco o fôlego, arrastando meus dedos para dentro da sua calcinha.
Ela encostou sua testa na minha, nossas bocas semi abertas enquanto eu olhava diretamente nos seus olhos. Nós dois movimentamos nossos corpos junto com nossos dedos.
Então ouvimos batidas na janela, eu e ela paramos de súbito.
Pequenos óculos, uma expressão de misto entre choque e raiva. A professora de matemática nos olhava como se fôssemos marginais.
Droga?
Annabeth arregalou os olhos e caiu no meu colo, tentando pegar seu vestido e tampar seu próprio corpo.
Ela abriu a janela ao mesmo tempo enquanto tentava tampar seus seios, eu bem mais calmo ajeitei minha calça e blusa, já que estava numa situação mais favorável em relação a nudez. Ao contrário de Annabeth, que estava desesperada por ter sido pega, eu fiz o meu melhor: uma boa expressão de paisagem.
—Srta. Chase — o tom dela era severo — Eu imaginei que você teria um pouco mais de juízo, é terminantemente proibido relações sexuais no ambiente escolar.
Annabeth assentiu, completamente vermelha.
—Professora, mil perdões eu não...
—Vista-se logo, volte já para o baile ou vá embora! — Annabeth assentiu, agora pegando em seu vestido como se pegasse fogo. Ela ainda nos encarava durante o percurso de peças sendo colocadas de volta no lugar, eu a encarei.
—Nós já estamos indo — falei, tentando não parecer tão debochado. Ela crispou a boca, como se tivesse nojo de mim ou algo assim.
—Srta. Chase, você poderia rever suas companhias... A má influência não está te fazendo bem
Abri a boca, pasmo. Eu? Má influência? Ela que tinha fugido do baile, fumado maconha, me puxado para o carro... Deuses, porque eu sempre fico como o rebelde?
Finalmente, quando fui para o banco de motorista e Annabeth fez um sorriso de garota recatada, o que era no mínimo engraçado considerando seus olhos vermelhos, a professora se foi, e Annabeth balançou a cabeça.
—Deuses, imagine se ela falar sobre isso com alguém!
Tentei não rir.
—Dane-se, você já está formada. Ela não vai mudar em nada sua vida — Annabeth, ainda sim, estava perturbada.
—Minha professora de matemática viu minha bunda todinha!
Gargalhei, observando que os vidros estavam embaçados e que na verdade seus gemidos devem ter sido a coisa mais vergonhosa que sua professora de matemática descobriu sobre ela. Peguei a chave do carro, vendo-a com os cachos soltos e desgrenhados, o vestido completamente desajeitado que ela segurava com as mãos sob os seios.
Depois olhei para o céu, onde o nascer do sol fazia a noite se tornar um pouco mais clara. É, eu estava bem feliz.
Coloquei a chave na ignição, e Annabeth disfarçadamente tentou colocar o pote e as algemas de volta na bolsa.
—Ei, ei, ei, ei, ei — falei, interrompendo seu processo e pegando o que eu li agora como um lubrificante — Isso ainda vai rolar, não é? Tipo, algum dia da história?
Ela me olhou como se pedisse para eu não tripudiar, mas não pude deixar de dar meu melhor sorriso charmoso. Ela bufou.
—Quando voltar a ser uma surpresa... Agora perdemos o clima
Definitivamente, a professora de matemática não havia ajudado em nada. Mesmo completamente frustrado, no sentido sexual da coisa, eu consegui sorrir enquanto acelerava para fora do estacionamento. Não tinha como não estar feliz, pois eu pensava que estávamos para fazer 18 anos, iríamos ser universitários juntos na Califórnia e Annabeth havia se tornado uma mulher surpreendente e encantadora, que usava essas lingeries maravilhosas e fazia surpresas sexuais... Estávamos nos tornando adultos; e era muito melhor do que eu tinha imaginado.
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