Notas iniciais
Boa Leitura!

Depois de alguns dias, a doente já estava com suas maçãs do rosto mais coradas e os lábios avermelhados como sempre foram. Estava sentada na cadeira de rodas, afinal foram anos sem se movimentar, então sentia dificuldade para se locomover.

A garota observava o vento mover as poucas folhas das árvores. Algumas caiam povoando o chão e deixando uma marca verde sobre a terra, outras ficam dançando de um lado ao outro. O vento continua soprando a sua mais nova melodia em um fim de tarde nublado e silencioso. Então lembrava-se dos momentos em que passara perdida no passado, vivendo no futuro e deixando esquecido o presente.

Flashback

Depois que a ampulheta se quebrou, só me lembro de acordar em um lugar estranho com pessoas estranhas. Mas por incrível que pareça ninguém me via, podiam estar bem próximos de mim, mas agiam naturalmente como se eu não existisse.

Nada de Harry ou Lewis, onde eles estavam? Pensei. Já fazia dois dias que estava perambulando pelas ruelas daquele lugar, via pessoas maltrapilha pela sarjeta, alguns casebres, por fim, parei em frente a um grande portão, fiquei um bom tempo parada olhando para ele, até o momento que um ranger surgiu e o portão se mexeu. Aos poucos foi abrindo e pude ver uns dez homens de cada lado empurrando uma alavanca para que aquela muralha de madeira fosse aberta. Cerca de uns vinte cavalariços saíram a galope, foi o momento em que entrei. Era de fato um castelo, enorme com pessoas apressadas andando para todos os lados.

Ao entrar no castelo, vi que tudo era elegante e fino. Adentrando mais um pouco pode ouvir gritos vindos da cozinha, por detrás de uma das colunas uma senhora elegante gritava com uma criada. Mas não dando importância segui em frente, caminhei praticamente todo o castelo, até subir em uma das escadas e chegar a uma das torres mais altas do castelo, haviam muitas coisas ali, olhei ao redor por um tempo, até que me deparei com um objeto conhecido.

— Não pode ser. – refleti em voz alta.

— Exatamente, é ela mesma. – uma voz soa atrás de mim.

Ao me virar vejo um velho com um chapéu pontiagudo, ele tinha uma barba branca e grande, era magro e baixinho, meio corcunda.

— Quem é você? – indaguei.

— Sou o mago. – sorriu. – Lembra?

Pensei por algum tempo até que me lembrei, o mago do livro...

— Mas, como isso é possível? – questionei apavorada.

— Muito simples. – começou. – Seu coração estava dividido entre o dever e o sentimento... – pausou. – A ampulheta funciona ao ser tocada e ao mesmo tempo em seu coração tem que estar um sentimento necessário. – andou até uma mesinha. – No seu caso havia dois, então ela apenas fez o seu trabalho.

Olhei para a ampulheta e corri até ela, tentei pegá-la, mas foi em vão, eu parecia ser transparente, pois as minhas mãos passavam pelo objeto.

— Você está aqui somente com o dever, o resto ficou em seu tempo junto com aquele que não quisestes deixar... – me olhou fixamente.

— E agora o que farei? – perguntei.

— Precisa ter o grimônio em mãos, para poder ajudá-la... – respondeu .

— Mas como poderei trazê-lo se não consigo pegar as coisas?

— Te darei uma de minhas poções, mas ela funcionará por apenas 25 horas, se não conseguir ficará perdida no tempo para sempre. – deu uma pausa me estudando. – Só que a partir do momento em que tomar a poção a cada 5 horas que passar aqui, passará 1 ano no seu tempo.

As palavras do mago entoaram em minha mente a cada 5 horas que eu ficar neste lugar é um ano que se passará, então se eu ficar as 25 horas se passarão 5 anos...

Depois de beber a poção do velho mago, pude pegar a ampulheta. Assim que a peguei ouvi o mago dizer:

— Não se esqueça que o tempo voa. Olhe para a ampulheta. – quando olhei para ela pude ver que a areia escorria depressa. – Quando ela parar de cair, seu tempo acabará para sempre. – concluiu o mago.

Ao chegar na casa de Lewis o encontrei sentado em uma cadeira, com os dedos cortados e lágrimas nos olhos, o mesmo estava tentando montar a ampulheta.

— Lewis. – o chamei.

— Oh! Charlotte, – me abraçou. – onde está o garoto? – olhava para os lados. – Cadê o Harry?

Expliquei tudo a Lewis o que tinha acontecido, enquanto ele escutava atentamente.

— Depois que vocês sumiram, meu único pensamento era tentar trazê-los de volta. – disse. – Acho que deve estar em algum lugar essa... Essa, como é mesmo o nome?

— Mochila. – respondi.

A mochila estava próximo ao local onde havíamos dormido, então a peguei e a abri, ali estavam o diário e o tal grimório, peguei a mochila e me despedi de Lewis, voltando ao castelo.