– Mão? – A Tatiana, minha irmã de cinco anos, perguntou descendo as escadas com uma boneca na mão.

– Oi princesa. – Sorri e chamei-a para sentar no meu colo.

– Queria ir à praia. – Tati disse fazendo bico.

– Não. Já tá tarde, quem mandou você acordar agora? – Perguntei fazendo bico também. – Sobe, penteia essa juba, toma um banho que eu te levo para comer no Mc Donald’s, tá bom?

– Ok mão. – Ela sorriu animada e subiu as escadas.

– Eu vou também cara, to precisando me acalmar. – Luciano disse, passando a mão no rosto.

– Lu. – Chamei e ele me olhou. – O que você... O que você quer com a Gabi? – Perguntei franzindo o cenho.

– Eu quero namorar, Bruno. Não é pegação, você sabe...

– Ela tem quatorze anos, tá entendendo? Assim que ela fizer quinze, eu deixo você sair com ela, mas... Nem ouse tocar um dedo nela antes, nem mesmo desrespeitar a minha irmã e se eu sonhar que você tá com outra, mesmo que vocês não namorem...

– Eu deixo você me matar. – Ele deu uma risada e veio me abraçar. – Vou me arrumar, leva a Gabi contigo. – Pediu e saiu de casa.

– QUE PARTE DE SÓ COM QUINZE VOCÊ NÃO ENTENDEU? – Gritei correndo para fora de casa. Ele riu alto e continuo caminhando para casa dele.

Entrei e fui ligar para a Gabi, ela disse que estava na praia, mas quando falei em comida voltou rapidamente. Deixei que ela tomasse banho antes de mim para arrumar a Tati. E só quando elas acabaram que eu fui.


[...]


Chegamos ao shopping e fomos ao cinema. Quando eu tinha algum dinheiro sempre gastava para levá-las ao cinema, shopping, teatro, essas coisas. Apesar de ter trabalhado bastante e ter ajuda da minha mãe, a nossa vida nunca foi simples, mas sempre foi boa e feliz. Comprei pipoca e entramos na sala de cinema. Assistimos em meio a risadas e a Tati era a que mais ria, apesar de nem conseguir falar o nome do filme. Depois passamos na praça de alimentação e de lá fomos para casa. O relógio marcava 20h00 e eu tinha uma festa para ir.


PVO Lana


O caminho foi bem tenso. O Diego vivia aumentando a velocidade do nada e eu sentia como se fosse morrer. As meninas me olhavam apreensivas, esperando que eu tivesse uma resposta, como eu normalmente tinha para cada confusão que rolava com o Di, só que hoje, eu estava com outro.

– Di... – Chamei baixinho acariciando a perna dele. Diego me olhou de lado e sorriu fraco. Retribui o sorriso. – Se acalma. – Pedi no ouvido dele.

– Tá tudo certo, meu amor. Vou me acalmar só me olha de novo, porque só teus olhos me deixam calmos. – Ele pediu e eu me afastei, encarando-o. Ele olhou para os meus olhos até o sinal abrir e novamente ele dar partida no carro.

A partir disso tudo correu melhor.

Di parou o carro em frente a minha casa e eu saí do mesmo, dei um beijo nele e entrei seguido da Sarah, depois de me despedir de todos.

Entrei sabendo que minha mãe trabalhava, apesar de ser domingo. A casa estava uma bagunça e antes que eu pudesse ir para o banheiro, a Sarah ocupou, com a desculpa que ia trabalhar amanhã e ainda tinha prova na faculdade. Arrumei a casa tentando não espalhar areia pelo caminho. Estava com calor então liguei todos os ventiladores. Lavei a louça, limpei o fogão, arrumei a capa do sofá, tirei pó dos móveis, ajeitei as camas, guardei umas roupas que estavam na área de trabalho e coloquei dentro da cômoda e algumas outras no guarda roupa. Depois arrumei os cremes e acessórios que estavam fora do lugar e sentei à cama. Esvaziei minha bolsa e a Sarah saiu do banheiro. Entrei ao mesmo e fui direto tomar banho.
Banhei-me por uns quarenta minutos, um banho bem gelado. Lavei o cabelo e saí secando o mesmo com uma toalha. Voltei ao quarto e a Sarah não estava lá. Passei um creme para aliviar a ardência na pele, coloquei um short jeans larguinho e uma regata branca, penteei os cabelos e passei rímel. Calcei um chinelo e fui estender a toalha no varal, quando ouvi a voz do Di chamando à porta.

– Já vou! – Avisei gritando de volta e terminei de colocar as roupas para lavar. Depois de terminar fui até a porta, onde ele me esperava. Como sempre, se recusa a entrar na minha casa.

– Vamos até a piscina. – Di me arrastou até a piscina da casa dele. Para quem não entendeu nada, bem, esse assunto é bem delicado para mim. Os pais do Diego são os patrões da minha mãe. Ela trabalha como empregada da casa deles e nós temos uma casa simples nos fundos, tudo bancado por eles, até mesmo as contas de casa. Dizem que é um favor, mas sempre que tem a chance falam algo para incomodar, apesar dos pais do Di serem extremamente bons comigo, me deram um iPhone até. Tudo que eu penso em querer, eu tenho. As vezes acho que é mimo demais, e isso me incomoda um pouco.

– O que você quer amor? – Perguntei dando um selinho no mesmo.

– Quero me vingar. – Ele respondeu fazendo uma careta de raiva. – Aquele tal de Luciano... – Di bufou. – É melhor ele ficar esperto, vou fazer da vida daquele merdinha um inferno, escreve!

– O que pretende fazer? – Indaguei interessada, dando um beijo no mesmo.

– Vou tombar o ônibus daquele Luciano. Dele e de todos os outros surfistas. – Ele respondeu com um sorriso maldoso.

– O que? VOCÊ TÁ DOIDO? – Gritei assustada, fazendo impulso para sair de perto dele, que segurava meus braços delicadamente, mas passou a apertar quando percebeu que eu iria sair. – Me larga, Diego! E se você mata alguém? – Disse alterada.

– Fala baixo, Lana! – Ele ordenou apertando meus braços. – Quero que você me prometa. Prometa-me que vai ficar bem calada.

– Não pode... Você não pode Diego! Você vai matar pessoas, eu não vou compactuar com isso... Com certeza não. – Disse atordoada.

– Quem falou em matar? – Diego deu uma risada irônica. – Ninguém vai morrer não, Lana. Mesmo que seja merecido. Eu prometo meu amor. – Ele soltou meus braços e me puxou pelo pescoço, de forma bruta, me dando um selinho. – Eu te amo, vai dar tudo certo.

– Pensa no que você tá fazendo, Di. – Murmurei preocupada. – Teu pai vai se candidatar a prefeito e se descobrem que você fez algo... Não quero nem pensar. Vai estar se prejudicando.

– Qual foi Lana? Você nunca se opôs a nenhuma das minhas vinganças. – Ele murmurou já alterado.

– Nunca foi tão perigoso. – Disse olhando para os lados com o coração apertado, meus olhos transbordaram. – Eu amo você, Diego. E não quero correr o perigo de te ver atrás das grades, isso é perigoso. Eu to pedindo pro seu bem. Arma qualquer outra coisa, mas isso não. É perigoso.

– Vou descobrir qual teu vínculo com aqueles merdinhas e tu que vai se foder. – Di gritou e saiu da piscina, entrando em sua casa.

Suspirei e caminhei até a minha, sem saber exatamente o que fazer. Então apenas me joguei na cama e liguei o notebook.

Logo vi uma foto do Bruno no feed do Facebook. Ele estava com uma garota de uns quinze anos e uma menina de uns oito, além do tal Luciano. Eles estavam abraçados e a legenda era “Família acima de tudo”. Havia um comentário do Luciano que me fez rir demais, era “Me deixa pegar tua irmã, brother”. Ele não merecia aquilo, merecia? Mesmo se ele tivesse pegado “a onda do Diego”, será que ele merecia?

Fechei o notebook e fui para a cozinha. Empanturrei-me de chocolate pra não ter que pensar e fiquei assim até a Vit me ligar.

– Bora sair, Lana? – Ela indagou animada, antes mesmo de eu falar “Oi”.

– Não to a fim. – Resmunguei enfiando um quadrado de chocolate na boca.

– O que houve? – Vitória já estava séria. Quebrei outro pedaço da barra e enfiei na boca.

– O Di vai aprontar e vai dar merda. Só não quero que aconteça nada de ruim com ele, e comigo. – Desabafei mastigando freneticamente.

– Apesar de não ter conseguido entender direito... – Ela deu risada. – Que tipo de merda?

– Ele vai mandar tombarem o ônibus, porque o Luciano de São Vicente pegou a onda dele! Isso soa tão ridiculamente fútil. – Resmunguei irritadíssima.

– Bem, ele sempre foi fútil... – Vit disse soltando um suspiro. – Vai dar merda. – Ela confirmou. – E eu garanto que o Lucas vai estar e se ele estiver... Se o Di também...

– Vão nos envolver. – Choraminguei. – Eu não quero ser presa! E se alguém morrer? Eu nunca vou me perdoar por deixar isso acontecer.

– Será que Bruno vai vir nesse ônibus? – Ela perguntou. Parecia uma pergunta inofensiva, mas eu entendi o que ela quis dizer.

– Você acha... Que ele sabe? – Minha voz soou trêmula.

– É possível... Afinal, foi só uma onda? Para que tanta raiva? – Vick indagou.

– Não isso, Vitória! De eu ter ficado com o Bruno. – Resmunguei irritada. – Mas ele me trai também e outra, nem temos certeza se ele vai estar lá... Não acho que seja por isso.

– Eu to indo aí. – Vitória avisou e desligou.

Levantei-me, coloquei outro quadradinho de chocolate na boca e fui dar uma ajeitada na casa para ela.
Meia hora depois a Vick chegou. Ficamos na sala, porque a chata da Sarah nos proibiu de ir ao quarto.

– Não sei o que fazer. – Quando ia pôr a unha na boca, a Vick me deu um tapa.

– NÃO RÓI A UNHA! – Ela bronqueou me encarando. Dei os ombros e coloquei a almofada no rosto, gritando em seguida. Quando acabei, ela girou os olhos. – Agora que o drama encerrou, vamos conversar com o Di. Se ele não desistir dessa ideia, você vai falar pro Bruno e pro Luciano o que ele pretende fazer.

– O que...? Vick... Eu não posso! – Sussurrei surpresa.

– Claro que pode Lana. Você é uma mulher ou uma anta? Não precisa ficar aceitando tudo o que ele fala não, principalmente porque depois quem se dá mal somos nós, porque os pais deles são cheios da grana e os nossos não.

– Você tá certa. – Suspirei e meu celular tocou. Levantei e fui pegá-lo. – É o Di.

– Atende no viva voz. – Vitória mandou, se acomodando no sofá. Sentei também e apertei o botão de atender.

Notas finais
Me digam se estão gostando, ok? uhauhauha Vou fazer grade de horários depois para dizer quando vou poder estar aqui, fiquem de olho!!! Bjo bjo ♥♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.