História de Verão
2 2. Desavenças
– Te adoro. A d o r o. – Ela soletrou me dando um beijo estalado na bochecha. – Me deixa pensar como vamos fazer... – Vi pôs a mão no queixo e ficou pensando. Meu celular vibrou, pensei ser a mensagem do Di, mas não era. Era algo no facebook. Abri o mesmo e era o Bruno me chamando no chat.
“Gostosa” Ele mandou.
“Safado e abusado” Respondi.
– Ele parece ter pegada. – Vitória observou na cara dura. O Henri notou e sorriu para ela, acenando. Vick girou os olhos e voltou a ficar de frente para o mar.
– Você não ia pegar ele? – Ergui as sobrancelhas.
– Eu vou, mas não sou garota fácil. – Ela explicou. – Ele só merece que eu traia meu namorado de dois anos se insistir e provar que me quer de verdade. – Piscou.
– Eu já sou ao contrário. – Franzi o cenho rindo.
“Cadê o namorado?” Assustei-me com a mensagem do Bruno.
“No quiosque, aliás, to indo pra lá agora.” Mandei e dei um abraço de lado na Vit.
Fui até o Di, passando pelo Bruno que alisou meu braço, olhei para ele e dei um sorriso torto, sem ninguém perceber e sentei perto do Diego.
– Esses garotos tão a fim de você. – Ele comentou resmungando.
– Não viaja Diego. – Girei os olhos. – To morta de fome, vai apressar esses idiotas.
– Fica quieta na sua. – Ele disse emburrado. Fiz careta e meu celular vibrou. Olhei timidamente.
“Sou do primeiro grupo, assim que teu boyzinho for surfar você é minha.” Li e dei um pequeno sorriso.
“Será?“ Mandei. Guardei o celular.
– Esse teu amigo, Henrique, tá conversando demais com a Vitória, devo falar com o Lucas?
– Isso você pergunta a ela. – Disse sem dar muita importância. A batata chegou e eu comi rapidamente, o Di pediu duas porções só para ele e atacou rapidamente. Dei um beijo rápido no mesmo, peguei minha coca e desci para a areia. Sentei ao lado da Sarah e a abracei.
– O que foi? – Ela perguntou impaciente.
– Nossa. Só queria falar com a minha irmã, não posso? – Fingi estar ofendida.
– O que você quer Lana? – Sarah indagou me encarando.
– Sah, você distrai o Lucas pra mim? – Pedi fazendo bico.
– Vai ficar com outro? – Assenti. – O.K. Se for pra pôr chifre no idiota do teu namorado.
– De onde sai tanto ódio? – Girei os olhos e levantei, batendo no short. – A competição vai começar, se quiser ficar no carro, eu arrumo a chave pra você. – Ofereci.
– Eu quero. – Ela fez bico.
– Então vem. – Chamei estendendo a mão. Sah segurou e levantou. Peguei a chave com o Di, que resmungou um pouco e fomos para o carro. Liguei o ar para ela e sai de lá.
Voltei para a areia e vi a campainha tocando, o pessoal do primeiro grupo todo entrou inclusive o Lucas e o Bruno. O Diego fez questão de sentar num banco e eu sentar no colo dele.
– Boa sorte. – Desejei docemente quando a segunda campainha tocou que era de aviso para que os que iam competir depois se preparassem.
– Obrigado, Loira. – Ele sorriu me deu um beijo e foi para a água. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para a Sarah vir para a areia, ela logo apareceu.
– O que eu tenho que fazer? – Sarah perguntou rindo.
– É simples. Você vai fingir que perdeu a chave do carro, assim que ele vier para cá, você dá a louca e pede ajuda. Enrola o máximo que puder e só volta quando a Lana te mandar a mensagem. – Vick contou.
– Mas e se a mensagem for pra enrolar? Como eu vou saber? – Sah indagou rolando os olhos.
– Se for pra enrolar eu não mando nada. – Avisei e a terceira campainha tocou. O pessoal saiu do mar e o Bruno passou para trás do quiosque sorrindo para mim. Sorri fraco para ele e o Lucas estava chegando. – Espera o Di entrar. – Disse baixo para a Sarah.
A quarta campainha tocou assim que o Lucas chegou.
– Acho que vou voltar para o carro. – Sarah disse pensativa e apalpou o short. – Espera...
– Que foi garota? – Perguntei irritada.
– A chave estava no meu bolso. – Ela respondeu apalpando os bolsos da frente do short. Minha irmã é uma ótima atriz.
– Sarah, eu gosto muito de você, mas não acredito que você perdeu as chaves. – Vitória disse fingindo desespero.
– Como é? – O Lu perguntou desesperado, largando a toalha na areia. – Como isso?
– Não sei, deve ter sido no caminho. – E do nada a doida começou a chorar. – Lucas, por favor, vamos comigo procurar, lá perto do carro, por favor. – Sarah pediu chorando demais, se eu não soubesse da mentira, teria me desesperado também.
– Vai lá com ela, Lu. – Implorei. Ele olhou para a água, procurando o Di e depois assentiu. Puxou a Sarah pelo braço e os dois sumiram para onde estava o carro.
Vick e eu andamos rapidamente até o quiosque, onde o Henrique esperava a Vitória e o Bruno a mim.
– Oi mal educado. – Disse sorrindo fraco. Ele abriu a boca para responder, mas no último segundo transformou as quase palavras em um sorriso torto, puxou minha cintura bruscamente de encontro ao corpo dele e encostou nossos lábios.
Foi um momento e tanto, segurei a nuca dele uns cinco segundos depois, quando finalmente caí na real. Bruno agarrou bem forte a minha cintura, juntando ainda mais nossos corpos. O beijo dele tinha uma pegada incrível, ele parava a todo instante para puxar meu lábio inferior. Passei a puxar o cabelo dele fraquinho, sorrindo vez ou outra entre o beijo, enquanto ele descia timidamente cada vez mais a mão. Parei o beijo por falta de ar.
– Nossa! – Foi só o que pude dizer antes que ele me beijasse novamente. Uns cinco minutos depois ele já tinha me empurrado contra um carro e estava me beijando um pouco mais calmo. Novamente, fui obrigada a interromper o beijo, mas dessa vez por um motivo de forças maiores. – Minha irmã vai se meter em confusão se eu não for agora. – Sorri e lhe dei um selinho. – Pede meu número ao Henrique. – Disse e sai de perto dele. Cutuquei a Vitória e ela parou de beijar o Henrique.
– Droga! Perdi a noção. – Ela disse irritada batendo na própria testa. – Tchau Rick. – Vit deu mais um selinho nele e me puxou de volta para o lugar de onde estávamos, mandei a mensagem para a Sah e uns dois minutos depois ela voltou com o Lucas do lado.
– Tua irmã é pirada! A chave estava dentro do sutiã dela e ela não sentiu. – Lucas disse irritado e foi para a areia mais próxima à praia, olhar a competição.
– Obrigada! – Disse animada para a Sarah e a abracei. – Nossa, a pegada dele! Meu Deus, sem comentários!
– Foguenta! – Sarah riu. – De nada irmã. Agora vou voltar para o carro, pode ser?
– Pode. – Vit disse sorrindo e a abraçou também. Sarah voltou para o carro e a Vitória olhou para mim fazendo bico. – Queria mais.
– E eu. – Suspirei olhando para o Bruno, que me encarava. Molhei os lábios em sinal de provocação e ele mandou beijo. Sorri de volta e ele mandou outro beijo. Fiz bico e disse “queria ir ai” sem som.
“Queria que você viesse” Bru respondeu por mensagem. Sorri torto.
“Você é ótimo” Enviei.
“E você também, loira. Nada mal” Dei uma risada e guardei o celular.
A campainha tocou e o Diego chegou quase correndo até mim, segurou forte meu braço e o Lucas segurou forte o da Vitória. Pensei “Fudeu”.
– Vai dar merda, vamos embora agora. – Diego mandou e me puxou em direção ao carro. Ele tinha o rosto muito vermelho.
Diego abriu a porta do carro e entrou no banco do motorista, batendo a mesma com força. A Sarah se assustou e pulou para o banco de trás. Entrei para o carona e a Vit e o Lu entraram atrás também.
– Dá pra dizer o que aconteceu? – Perguntei nervosa.
– FILHO DA PUTA! – Diego gritou e deu um soco enorme no volante, fazendo a buzina disparar. – Filho da puta! Ele tá fudido Lucas, muito fudido. Eu vou acabar com esse merda.
– Apoio. – Lucas disse sem maiores explicações. Troquei olhares com a Vitória.
– O que houve Diego? – Indaguei novamente.
– Um filho da puta que pegou a minha onda! – Ele respondeu no maior estilo criança e eu suspirei de alivio. – Eu vou mata-lo. Ainda queria tirar satisfações comigo! Veio pra me bater.
– E você correu? – Ergui as sobrancelhas.
– Eu não fugi! – Ele disse entre dentes. – Eu só fui embora porque não quero ser desclassificado. Entendeu Lana?
– Tanto faz Diego. – Resmunguei e peguei o celular, vendo se tinha mensagem do Bruno, mas não tinha nada.
PVO — Bruno
Luciano chegou perto da gente revoltado. Olhamos assustado e ele deu um soco enorme na barra de alumínio de um quiosque abandonado, perto de onde estávamos.
– O que houve cara? – Perguntei preocupado puxando-o para perto do nosso pessoal.
– Esse Diego não sabe com quem se meteu. – Ele disse apenas isso, pegou sua prancha e foi embora, ignorando os gritos de todo mundo.
– Vai lá você Bruno. – Henrique pediu. Assenti e fui atrás dele.
– Irmão! Fala aí, o que houve? – Pedi parando ao lado dele.
– O idiota entrou na minha frente! Era a minha onda e ele entrou, na outra ele bateu com a prancha dele em mim! Filho da puta trapaceiro, mentiroso e sem talento! Porra! – Ele gritou mais irritado ainda, socando a porta da minha casa.
– Epa! A minha porta não tem culpa. – Repreendi abrindo a mesma. – Talvez tenha algo que possa melhorar teu humor.
– O que? – Luciano olhou para mim com cara de poucos amigos.
– O Diego é corno até em São Vicente. – Disse rindo e o Luciano acabou rindo também.
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