História de Adônis e Hansuki (Bl)

22 Capítulo 22 – O Eco Antes do Fim




O retorno foi silencioso.


Quando os pés da família tocaram a margem do lago novamente, não houve clarões, nem trovões. Apenas o som suave do vento e da água, como se o mundo tivesse dado um suspiro profundo.


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De volta à cidade, tudo parecia igual. Mas eles sabiam que não era. Aika dormia mais do que o normal, seus olhos brilhando vez ou outra com um tom dourado. Sora e Ren alternavam entre momentos de risos e sonhos estranhos. Adônis e Hansuki, apesar de tentarem manter a rotina de casa, trabalho e escola das crianças… sentiam que a realidade os observava.


— Está tudo indo bem — dizia Hansuki, com um sorriso no rosto, enquanto lavava louça com Adônis.


— Mas parece… como se algo estivesse se preparando para acontecer — completava Adônis, encarando a chave dourada guardada dentro de uma caixinha de madeira, sobre a estante da sala.


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Nos dias seguintes, coisas pequenas começaram a acontecer.


Relógios paravam às 3h33 e voltavam a funcionar sozinhos.

Espelhos mostravam reflexos atrasados por alguns segundos.

Pessoas na rua paravam, olhando para o céu, e murmuravam frases sem sentido.

E Aika… Aika começou a falar palavras em uma língua que ninguém entendia.


— Ithar… Lúmen… Teikra… — ela dizia, com voz suave, enquanto desenhava círculos com o dedo no ar.


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Mesmo assim, a família tentava viver normalmente. Sora e Ren começaram a ter sonhos recorrentes com a mesma mulher de olhos dourados e mãos de cristal. Em um dos sonhos, ela dizia:


— Tudo terminará onde tudo começou.


Adônis começou a perceber que algumas de suas reuniões de negócios pareciam não ter acontecido. Clientes juravam nunca tê-lo conhecido. Hansuki viu outdoors com sua própria imagem desaparecerem do nada.


O mundo estava esquecendo… ou sendo rescrito.


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Um dia, enquanto todos dormiam, Aika se levantou do berço e foi até a sala. A chave dourada flutuava sobre a caixinha. Ela estendeu a mão e sussurrou:


— Hora de lembrar.


Luz dourada explodiu silenciosamente, e uma rachadura se abriu no teto da realidade. Pequena, quase invisível. Mas o suficiente.


No dia seguinte, Sora viu uma criatura caminhando entre as pessoas, como se ninguém a notasse. Ela parecia feita de sombras líquidas, e tinha olhos… vazios. Ren a viu também. Eles se entreolharam. Sabiam que era hora.


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Adônis e Hansuki reuniram os três filhos na sala. Estavam juntos no sofá. Ninguém precisou dizer nada. A chave flutuava no centro do quarto. Aika estendeu os braços.


— Atravessar… — ela sussurrou.


Hansuki segurou a mão de Adônis.


— Não sei o que vem a seguir. Mas juntos… sempre juntos.


Adônis assentiu.


— Até o fim.


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Luz dourada envolveu os cinco.


A realidade se dobrou ao redor deles.


E, assim, desapareceram do mundo comum… deixando para trás apenas silêncio e uma última palavra escrita no espelho da sala, em uma caligrafia delicada e brilhante:


“Recomeço.”



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