Notas iniciais
Esse capítulo é meio confuso. Pessoa brotando do nada no hospital oxi. kkkkkk Boa Leitura.

Cheguei ao hospital e fui direto na moça da recepção.

– Licença, gostaria de saber em que quarto meu irmão está.

– Como é o nome dele? — A enfermeira me perguntou educadamente.

– Jhony Jhonson.

– Ele está no quarto 321 ala 12.

– Ok. Obrigada.

Eu fui olhando com cuidado. Os números pareciam que ao invés de ir aumentando eles voltavam para trás. Os corredores pareciam maiores que o normal. Médicos passando de um lado para o outro. Pacientes gritando e gemendo de dor. Isso me fazia ter medo. Afinal, o que aconteceu com o Jhon? Eu falei pra ele ter cuidado. Eu sempre avisava ele, mas porque agora?!

No fim do corredor eu vim uma mulher meio ruiva, não tão alta e nem tão baixa. Finalmente. Era tia Jhenny. Ela estava com uma aparência preocupada. Eu apressei meus passos para chegar logo. Tudo que eu queria era ver meu irmão.

– Tia Jhenny?

– Oi querida. – ela me abraçou.

Tinha algo errado. Eu senti. Ela não me abraçaria a menos que algo de muito ruim estivesse acontecendo com meu irmão.

– Onde está ele? – perguntei meio aflita.

– Ele está lá dentro.

– Eu vou lá vê-lo.

– Querida, ele está muito machucado. Não se assuste. Eu sei que é muito difícil para você, mas evita chorar na frente dele. Ele não iria querer ver você chorar na frente dele. – tia Jhenny falou com a voz meio falha.

Eu apenas entrei na sala. Respirei fundo. E lá estava ele. Deitado naquela cama, o rosto muito machucado, o braço enfaixado, todo ralado. Eu lutei para que não caísse uma lagrima de meu rosto, mas a tentativa foi em vão. Quando me dei conta, estava chorando. Mais uma vez respirei fundo, engoli o choro, limpei meu rosto. Eu apenas fiquei ali, sentada ao lado dele segurando sua mão.

Meu irmão é um crianção. Sempre ali tentando fazer as pessoas sorrirem. Ele é o tipo de cara que não liga para a opinião dos outros, se tem vontade vai lá e faz sem se preocupar com o que os outros irão falar ou comentar sobre ele. Outra coisa que meu irmão é: um garanhão. Ele sempre conseguiu conquistar as garotas mais bonitas da escola ou da faculdade em que ele frequenta atualmente. Não é puxando saco não mas meu irmão é muito lindo. Ele é alto, musculoso, cabelos castanhos escuros (que só andam despenteados porque ele tem preguiça de arrumar), olhos verdes mais bem claros, o sorriso do meu irmão conquistam qualquer pessoa. Qualidades ele tem muitas mas a que eu mais admiro é que mesmo ele conquistando as garotas mais bonitas, ele prefere ficar com as que ninguém dão nada por elas. Isso é ser um homem de verdade. Meu irmão e eu sempre fomos muito unidos. Sempre nos demos bem. Sempre foi um protegendo o outro.

Eu não sei por quanto tempo eu fiquei ali sentada segurando a mão do meu irmão. Eu acabei adormecendo. Despertei quando senti meu celular vibrar. Olhei na tela e era Mell. Me levantei e fui para o canto do quarto para atender.

– Oi. – eu falei com a voz meio sonolenta.

– Oi Nat – ela demorou um pouco e continuou – o que aconteceu?

– Jhon sofreu um acidente.

– Ah caramba! – ela deu um pequeno gritinho – Como ele está? Aliás, como você está?

– Calma Mell, eu estou bem. Jhon ainda está dormindo por causa dos efeitos do remédio.

– Você quer que eu vá aí fazer companhia pra você?

– Não precisa, tia Jhenny já está aqui. Eu devo voltar para o campus mais tarde.

– Se você quiser eu posso ir aí buscar você.

– Você nem tem carro ou moto Mell.

– Eu tenho meus contatos baby. – ela falou em um tom de brincadeira.

– Tudo bem.

– Chego aí em uma hora. Beijos.

– Ok.

Desliguei o telefone e fui procurar tia Jhenny. Olhei para o corredor e nada dela. Decidi ir na recepção ver se ela estava lá. Fui andando de corredor em corredor. De repente esbarrei em um cara. Quando eu olhei para ele, eu reconhecia aquele rosto. Era Mathew.

– Mathew? O que está fazendo aqui? – perguntei meio confusa.

– Oi Nat, eu vim fazer visita para uma pessoa.

– Pessoa?

– Quer conhecer? – ele me perguntou meio que sem jeito.

– Quero sim.

– Vem comigo então. – ele me puxou pela mão.

A gente pegou o elevador. O caminho do elevador foi silencioso. A gente seguiu um corredor extenso até chegar em um quarto. Ele abriu a porta, e me deixou passar primeiro. Na cama havia uma mulher dormindo. Ela não parecia ter uns cinquenta anos. Ela tinha a pele branca, os cabelos pretos grisalhos, parecia um pouco cansada, mas tinha uma beleza rara.

– Quem é ela? – eu perguntei ele quase que cochichando.

– É minha mãe. – ele me respondeu sentando ao lado dela.

Eu fiquei ali apenas olhando ele fazer carinho nela. Ela abriu os olhos e sorriu para ele.

– Como você está querido? – ela perguntou com a voz meio cansada.

– Eu estou bem mãe. E a senhora, como está se sentindo hoje?

– Estou um pouco cansada, mas me sentindo melhor.

– Temos visita hoje.

Ele fez um gesto com a cabeça sugerindo que eu fosse pra perto dele. E eu fui.

– Mãe quero que conheça a Nathalie. Nat, essa é minha mãe Catherine.

– Olá querida. Vem cá, deixa eu te ver melhor. – ela deu um tapinha pra eu me sentar na cama junto com ela.

– Oi, a senhora é tão linda! – eu falei meio que por impulso.

– Obrigada querida, mas eu sou só uma velha.

– Mãe para com isso. – Mathew falou com a voz falhada.

– Ele não gosta que eu fale assim, ele acha que eu vou ser eterna.

– Eu entendo ele. Ele só não quer te perder.

– Ele não quer me perder porque eu sou a única que fala as verdades que ele precisa ouvir e porque eu sou a única que coloca ele na linha.

– Olha, pode até ser isso, mas eu acho que ele não quer perder a senhora porque ele ama a senhora.

– Eu sei querida. – ela deu uma pausa e continuou – E você querida, o que faz no hospital?

– Eu vim ver meu irmão. Hoje na hora do intervalo da aula, ele sofreu um acidente de moto.

– Mas ele está bem? – ela perguntou meio curiosa com a resposta.

– Não muito. Ele se machucou muito mas logo, logo ele ficará bem.

– Vai sim querida.

– Eu gostaria de ficar conversando mais com a senhora, mas minha amiga veio me buscar. Ela já deve estar louca atrás de mim.

– Tudo bem querida. Vai lá.

– Foi um prazer conhecer a senhora. Espero poder te ver novamente.

Eu dei um beijo na testa dela e levantei da cama.

– Mathew, foi um prazer conhecer sua mãe mas eu realmente preciso voltar para o quarto do meu irmão.

– Mãe, vou acompanhar ela até lá. A senhora fica bem sozinha?

– Claro querido. Foi um prazer Nathalie. – disse ela sorrindo.

Mathew abriu novamente a porta do quarto e me deixou passar primeiro. Ele passou e fechou a porta com muito cuidado para não bater.

– Ela gostou de te conhecer.

– Eu também amei conhecer ela. Ela é um amor de pessoa.

– Ela é sim.

– Mas o que ela tem?

– Ela está com anemia, então o médico pediu para que ela passasse essa semana aqui para se tratar melhor.

– Compreendo.

O caminho de volta para o quarto de Jhon foi silencioso. Ninguém se arriscava a falar nada. O clima estava meio pesado. O corredor mais uma vez parecia enorme. Parecia não ter fim.

– Nat, onde você estava garota? – Mell me perguntou assim que topou comigo no corredor – Eu fiquei atrás de você igual uma louca!

– Calma Mell, eu estava com o Mathew.

– Mathew! O que você faz aqui? – Perguntou ela curiosa.

– É uma longa história. – ele falou sem querer explicar muita coisa.

– Podemos ir agora Nat? – Mell perguntou impaciente.

– Mathew foi um prazer hoje. Espero ver Catherine outra vez.

– Ah mas você vai. Ela gostou de você e não vai parar de falar em você. – ele disse com um sorriso malandro.

– Aposto que sim.

– Os dois pombinhos podem parar de conversar?! Toby deve estar uma fera comigo. Ele não para de mandar mensagem para mim ir pro carro logo.

– Tchal Mathew até amanhã.

Nos abraçamos e ele sumiu corredor afora. Me despedi de tia e fui para o carro com Mell.

O caminho todo Mell e Toby foram discutindo. Mas eu não ligava. Eu pensava no quanto foi bom conhecer a mãe de Mathew. Aquilo de certa forma mexeu comigo. O jeito que ele foi legal, e de certa forma atencioso comigo. Ele me passava uma tranquilidade. Eu estava me sentindo estranha.