História Game Of Thrones - O Retorno Do Dragão
7 Capítulo VI
Notas iniciais

“Mas às vezes, você tem que sacrificar alguns para salvar muitos.” — The100
Ponta da Tempestade
Jon estava se sentindo extremamente agitado com a notícia que o próximo barco para Essos só partiria no dia seguinte, cada dia perdido era mais um dia longe dela, longe de seu filho, ele pensa, enquanto Tormund e ele descansam no chão da ponte de madeira que leva aos barcos, era perigoso procurar um lugar para passarem a noite na cidade, além de que, se ficassem ali por perto, o risco de perderem o navio também era menor.
Duncan Jorah Targaryen, foi o nome que Daenerys nomeou o filho deles, o nome do meio não poderia ser mais apropriado, uma homenagem ao homem que deu a vida protegendo a dela, na guerra contra o rei da Noite, o velho amigo da rainha morreu sem imaginar que naquela noite, ele não salvou apenas sua rainha, como também a vida que crescia secretamente em seu ventre.
— Que ela lhe sirva bem e seu filho depois de você. Essas foram às palavras do filho de Jeor Mormont, durante sua missão além do muro, quando Jon tentou devolver a espada a ele.
A lembrança faz com que Jon toque o pomo de lobo que decora a sua espada, sua velha companheira pertenceria a Duncan um dia, isso fez com que um pequeno sorriso cruzasse seu rosto, provavelmente seu filho trocaria o lobo por um dragão negro, como Drogon, como o grande Balerion, ele mal podia esperar para conhecê-lo.
Por mais de um terço da sua vida, o homem esteve convencido que nunca tomaria uma esposa, muito menos seguraria uma criança nascida de sua própria carne, seu sangue em seus braços, isso era algo que um bastardo como ele não ousaria desejar.
Apesar disso, tudo mudou quando ele se apaixonou por Daenerys, sua rainha, por muito tempo ele não se achou digno do seu afeto, como ele, Jon Snow, um bastardo do Norte, poderia merecer o amor de uma Rainha, mãe de Dragões, Khaleesi dos Dothraki, quebradora de correntes? Por algum motivo que ele não entendia, Daenerys se interessou por ele, e mesmo depois de perder um filho por causa dele, a mulher ainda o desejava. Quando ela aceitou navegar com ele, Jon sabia que estava perdido, ele não conseguiria resistir a rainha, a verdade era que ele não queria resistir, não quando tudo que ele desejava era se perder em cada parte de Daenerys Targaryen, ser consumido por ela, por seu fogo, então, na primeira noite no barco, na noite em que ele finalmente teve coragem de bater em sua porta, depois de seus corpos se perderem um no outro várias e várias vezes, quando sua rainha finalmente caiu no sono, ele lembra de seus dedos escorregarem através do estômago plano da mulher, desejando que sua semente criasse raiz em seu ventre, que ele pudesse ser o homem a realizar o desejo mais íntimo de sua rainha, um filho deles, uma criança para mostrar a ela que a velha bruxa havia mentido. Quando se deu conta da intensidade daqueles pensamentos, o homem se assustou, eles estavam navegando em direção a grande guerra, ele nem sabia se eles iriam sobreviver, se haveria um futuro para qualquer um deles, e mesmo assim, ele estava ali desejando uma criança com ela, sonhando com um futuro, ele não lutaria a grande guerra apenas pela sobrevivência da humanidade, ele lutaria por ele, por Daenerys e pela possibilidade de um futuro ao lado da mulher que ele amava.
As lembranças de sua temporada no barco com a platinada faz com que o homem soltasse um grunhido frustrado, tudo desmoronou porque ele entrou no jogo de Bran, as coisas estavam claras em sua mente agora, Sam contando a verdade a ele uma noite antes da chegada dos mortos, o corvo, aquele que um dia fora seu irmão, sabia o que aquela revelação faria com seu relacionamento, porque ele o conhecia, conhecia sua honra Stark, embora os ancestrais da família de sua mãe já tivessem se casado entre parentes, isso fora algo que há muito tempo fora banido da tradição Stark, os deuses antigos condenavam o incesto, então havia a grande guerra batendo em sua porta, a descoberta que sua vida inteira foi uma mentira, ele nunca foi um bastardo, ele era fruto de um amor proibido, um amor que fez os sete reinos sangrarem, que levou a morte de seus irmãos e de tantos mais.
Jon considerava aquilo tudo demais para processar, ele precisava de tempo, Bran também sabia que ele não conseguiria esconder a verdade dela ou de sua família, ele precisava deles separados, para conseguir o que tanto almejava, precisar isolar Daenerys, Jon estava tão imerso em seus próprios problemas que não conseguiu ver a verdade, depois de tanto tempo, finalmente se sente livre das vendas que cobriam seus olhos, quando ele contou a verdade a Daenerys, ele se sentiu atordoado quando a primeira coisa que ela questionou foi o seu direito ao trono de ferro, não a sua relação, mas porque ela deveria? Eles eram Targaryens, em toda a história da sua família, as relações incestuosas foram consideradas naturais.
Os Targaryens não respondem a deuses ou a homens.
Jon ainda podia ouvir sua voz doce quando ela disse a ele essas palavras, sua herança Stark o impediu de enxergar isso no passado, ele não deixaria que isso acontecesse novamente, ele e Daenerys haviam feitos para ser, se seu pai não tivesse perdido a batalha no tridente, ele e Dany teriam crescido juntos, sua idade próxima e sua aparência Stark provavelmente teria levado seu pai a casa-los, se ele não pensasse nisso, Jon sabe que ele mesmo teria implorado pela mão de sua tia em casamento, porque o homem acredita que não existiria um mundo onde ele não teria se apaixonado por sua garota beijada pela neve, forjada pelo fogo, o mesmo fogo que queimava dentro dele agora.
Ele sente como se tivesse sido ressuscitado pela segunda vez, ganhando uma segunda chance, para ter ela novamente em seus braços, uma chance de ser um pai para o filho deles, ele deseja ter descoberto a verdade antes, assim eles não teriam perdido tanto tempo, mas Arya disse na carta que não era seguro, então Jon escolheria passar novamente todos esses anos imerso em pura dor, do que ariscar colocar sua família em perigo mais uma vez. E quando finalmente se reencontrarem, ele vai dizer a ela o quanto ele sente muito por tudo, o quanto ainda a ama, dizer que tudo que deseja é poder consertar as coisas entre eles, fazê-la entender que não importa o que aconteça, Jon não vai desistir dela uma outra vez. Um dragão toma o que é seu. Com esse pensamento, o homem finalmente se deixa levar pelo sono.
Jon acorda atordoado, sentindo água cobrindo o seu rosto, ele pode ouvir a voz do Tormund praguejando ao seu lado, então quando ele abre os olhos, sua mão cai para sua espada, Sor Davos está na sua frente, o encarando com uma expressão séria no rosto, uma onda de desespero toma conta de Jon, eles o pegaram, ele não vai conseguir chegar a ela, então ele vira seus olhos, procurando os guardas que ele tem certeza que estão ali à espreita, no entanto, não há nada, apenas alguns barqueiros, homens e mulheres comuns andando por ali.
— Ele não me enviou, se é isso o que o preocupa, embora, eu deva alertar você que ele provavelmente sabe de sua presença aqui, quer dizer, de vocês três. – Davos diz ao mesmo tempo em que oferece sua mão a ele, o ajudando a se levantar.
— Não, ele não sabe. – Jon afirma dando um olhar rápido onde a pulseira de vidro de dragão permanece firmemente presa a seu pulso, a certeza em seu tom de voz faz com o que o homem o olhe com um misto de desconfiança e curiosidade.
— Acredite Jon, ele vê tudo. – Sor Davos alerta, depois de tudo que ele viu, o homem sabe que provavelmente os guardas do Rei já podem estar a caminho.
— Aposto que ele acredita que sim. Bran não é a única coisa mágica que existe nesse mundo Sor Davos, você melhor que ninguém deveria saber, agora como você nos achou aqui é o que está me deixando curioso no momento. – Jon questiona. Ele quer saber exatamente o que o seu velho amigo está fazendo ali, apesar da relação que eles tiveram no passado, Jon não iria permitir que ninguém fosse um obstáculo em seu caminho agora, não quando ele estava a um passo de recuperar sua família.
— Eu vim para o funeral de Gendry, o Rei o assassinou na minha frente durante o jantar, ele e outros senhores, parece que eu não tenho muito sucesso em escolher reis para servir, houve apenas um de quem não me arrependi, infelizmente, seu reinado foi curto. Alguns meninos estavam comentando no mercado sobre um homem ruivo que parecia um gigante, um lobo branco e um homem de cabelos negros com cara de poucos amigos, não foi muito difícil de entender de quem se tratava. – Sor Davos explicou, com uma pitada de humor na última frase.
— Eu lamento por Gendry, sei como ele era importante para você, infelizmente, nós já estamos de partida. — Jon mente, o capitão do barco que irá para Essos nem havia chegado ao porto ainda.
— Onde vocês estão indo? Pela sua reação em me ver, estou certo que esteja fugindo de seu irmão, da última vez que eu o vi, ele disse que te executaria se você não retornasse a muralha, matar parece ter se tornado uma tarefa divertida para ele nos últimos tempos. — Sor Davos diz com desprezo, apesar da sua clara repulsa pelo Rei Corvo, Jon não tem certeza se pode confiar nele.
— Estamos indo para a terra do sol, encontrar a rainha Dragão. – Tormund responde pelo amigo, Jon lhe dá um olhar furioso, enquanto o cavaleiro das cebolas tem uma expressão estarrecida em seu rosto, só existiu uma pessoa a quem o selvagem se referia assim.
— Você disse que a matou. – Sor Davos acusa, encarando o moreno na sua frente, a única explicação que vem a sua mente é que Jon tenha forjado a morte da mulher para protegê-la, como se lesse seus pensamentos, o homem dá um passo à frente, seus olhos negros o encarando com fúria.
— Porque foi exatamente o que eu fiz, eu empurrei uma maldita adaga em seu coração. – Jon responde cada palavra deixando um gosto amargo em sua boca.
— Então como? — Questiona para os dois homens presentes.
— Do mesmo modo que eu estou aqui, ela foi trazida de volta por sacerdotisas vermelhas, eu descobri só agora. – Jon explica.
— Você está indo tentar novamente então? – Sor Davos pergunta, alguns segundos se passam até que finalmente Jon compreende o significado por trás daquelas palavras.
— NÃO, aquilo foi um erro, eu não seria capaz de fazer algo assim de novo, eu preferiria morrer primeiro. – Jon responde exaltado. Sor Davos franze o rosto ao ver a reação do ex Rei do Norte.
— Você ainda a ama depois de tudo que ela fez? – O homem pergunta cauteloso, ele ainda lembra dos corpos espalhados por Porto Real, mulheres, homens, crianças.
— Ela não sabia o que estava fazendo, aquilo foi Bran, de alguma forma ele entrou na cabeça dela, o rei não pode saber sobre ela ou para onde eu estou indo, você tem que jurar que vai manter isso em segredo ou senão eu não vou poder deixar você ir. – A ameaça deixa os lábios de Jon de forma sutil, ele não deseja ferir seu velho amigo, porém, ele fará se for necessário.
Sor Davos ainda está digerindo a revelação que acabou de ouvir, quando Daenerys começou a queimar Porto Real homem ficou extremamente surpreso, depois de todas as histórias que ele aprendeu sobre ela, o que ela fez do outro lado do mar, o que ela fez em Winterfell, por Gendry, ele nunca imaginou que ela seria capaz de algo tão cruel, no entanto, se o rei realmente tivesse esse poder, Sor Davos não duvidava que ele teria sido capaz de algo assim, olhando dentro dos olhos escuros de Jon, ele se dá conta de como o homem parece cansado, a verdade deve ter sido devastadora para ele, o velho homem conclui.
— Eu juro, eu não cobrarei nada, no entanto, eu só vejo uma forma de garantir que o que eu digo é verdade. – Sor Davos diz quando uma ideia cruza a sua mente.
— O que você propõe então? – Jon questiona. Então o velho homem lhe dá um pequeno sorriso antes de responder:
— Me deixe ir com você, não há lugar para mim nesse lugar, por mais que eu gostaria de ajudar a viúva de Gendry a criar seu filho e administrar essas terras, seu irmão não permitiria, não depois que eu abandonei o conselho real, na verdade, provavelmente ele já colocou alguém atrás de mim, esse continente não é mais seguro para mim, não enquanto seu irmão viver, e como afirmei anteriormente, você foi o único rei que eu não me arrependi de seguir. – As palavras sinceras do ex contrabandista foram suficientes para convencer Jon, além de que, ter alguém com a experiência de Sor Davos poderia ser bastante útil quando eles finalmente chegassem em Essos.
— Tudo bem, não falta muito mais para sairmos, vá pegar suas coisas, nós vamos espera-lo aqui, antes coloque isso, vai manter você fora da visão de Bran. – Jon diz enquanto entrega o cordão que recebeu de Sam em Winterfell, o homem o coloca sem mais perguntas.
Mais tarde enquanto se acomodavam no porão do navio, o único lugar que o dono do barco permitiu que eles viajassem devido a inquietação de Ghost, Sor Davos fez uma pergunta para o dono do lobo.
— Você acha que ele tinha tudo planejado? Que ele fez o que fez a Daenerys e as pessoas de Porto Real apenas para se tornar rei?
— Ele queria a coroa sim, no entanto, ele também fez o que fez porque ela é a única que pode destrui-lo. Melisandre estava errada, eu não sou o príncipe prometido, nunca nem sequer houve um príncipe, sempre foi uma princesa. – Jon explica.
— Bem, ela sempre me pareceu uma mulher especial. – Sor Davos afirma, os lábios de Jon tremem em um pequeno sorriso, sim sua rainha era única.
Solar
— Vamos Duncan, você vai se atrasar para suas lições. – Lucius murmura balançando a cabeça negativamente, enquanto observa o menino comendo seu pão extremamente devagar essa manhã, o homem pode reconhecer um truque a distância.
— Estou ainda comendo Kepus, na verdade, eu acho que me sinto um pouco doente. – O garotinho responde colocando a palma de sua mão contra sua testa, o homem se esforça para conter a vontade de sorrir da tentativa do menino, ele tinha que levá-lo logo, a última vez que Lucius permitiu que ele faltasse, Daenerys quase teve sua cabeça para o jantar.
— Não é muito esperto você tentar usar os truques que eu te ensinei contra mim. – Ele diz pegando a pequena bolsa de couro que tem os materiais do menino, depois o puxa colocando deitado em seu ombro, fazendo o menino soltar um chiado.
— Porque eu tenho que ir? A maioria das lições do mestre Perse são chatas, eu quero ser um cavaleiro, eu não deveria ter apenas lições de espadas? Ou arco e fecha? – O menino questiona quando Lucius fecha a porta e começa a andar em direção a residência de mestre Perse, com certeza eles vão se atrasar novamente, ele tem certeza disso, atrasado é melhor do que faltar, conclui em seus pensamentos antes de responder o menino.
— Se você quiser ser um cavaleiro burro, sim. – Lucius responde, então escuta o menino soltar um bufo perto de seu ouvido, o fazendo sorrir, teimoso como a mãe dele.
— Você não teve que ir para lições quando tinha meu tamanho, e é a segunda pessoa mais inteligente que eu conheço. – O menino bajula, o fazendo rir.
— E quem é a primeira? – Lucius pergunta entrando no jogo do menino.
— Munē, é claro. – O menino diz, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Exatamente por isso ela é a pessoa mais inteligente que você conhece, ela foi as lições e eu não, você não quer ser inteligente como sua Munē? – Lucius pergunta e o garotinho fica em silêncio por alguns instantes, Lucius sorri convencido que finalmente o pegou.
— Não, já sou inteligente o suficiente, Munē sempre diz que sou um garotinho muito esperto. – Duncan responde, essa resposta é suficiente para Lucius soltar uma gargalhada, então coloca o menino no chão, dobra um joelho para que ele – Primeiro, esperto não é o mesmo que inteligente, segundo, embora as lições sejam chatas elas são importantes, você vai ver perceber isso no futuro. E terceiro, vamos fazer um trato, se você for para todas as lições sem reclamar por pelo menos três voltas da lua, eu ensino finalmente como eu faço o truque da moeda para você. – Ele oferece. Os olhos do menino se iluminam, quando Lucius tira uma moeda de trás de sua orelha e lhe entrega.
— Feito. – O garoto responde de forma imediata, levantando o mindinho em sua direção.
— Feito. – Ele responde agarrando o dedinho de Duncan, se levanta jogando o menino de novo sobre os ombros enquanto começa a correr em direção a casa do mestre, o menino apenas ri, enquanto Lucius se pergunta se Daenerys vai assar seu fígado no jantar, caso eles não consigam chegar a tempo.
Porto Real
— Tyrion você escutou alguma coisa que eu falei? – A pergunta do rei o tirou de seus pensamentos, suas mãos estavam tremendo levemente pela falta da bebida. Depois do que aconteceu com aquela doce garota, o anão estava evitando beber, sempre que fechava os olhos, o rosto dela assombrava seus sonhos, o homem temia estar se perdendo dentro de sua própria mente, confundido fantasia com realidade. Pelos deuses, ele não queria terminar seus dias louco.
— Peço perdão pela minha falta, o que o senhor dizia? – O anão pergunta encarando o rosto do rei, numa tentativa de manter o foco.
— Eu estava dizendo que fiquei satisfeito de ver que está se esforçando para parar com a bebida, o álcool faz coisas terríveis a um homem, nenhum de nós deseja que outra situação como aquela se repita novamente, eu não poderei o proteger novamente, aquela pobre garota, ela se prostituía para alimentar sua irmã mais nova, você sabia ? Os pais dela morreram na explosão do Septo, por obra de sua irmã, aparentemente os Lannisters só trouxeram desgraça para sua casa. – O rei fala com uma expressão estoica em seu rosto, Tyrion se pergunta se ele é capaz de ler a tortura em seu rosto.
— Talvez eu possa empregar a jovem garota, garantir que ela tenha um futuro. – Tyrion sugere, então observa a sombra de um sorriso tocar os lábios do rei.
— Obviamente isso não vai apagar o que você fez, no entanto, pode ajudar. – O rei responde. Antes que o anão possa responder alguma coisa, os olhos negros do rei se tornam totalmente brancos, uma visão.
— Samuel Tarly está aqui. – Afirma quando volta a si, sua voz é fria como gelo.
— Finalmente poderemos esclarecer a morte de sua irmã e talvez o desaparecimento de Jon. – Tyrion afirma, os homens da patrulha da noite que foram procurar o primo do rei ao extremo Norte não obteram sucesso, duas mulheres informaram que o homem havia partido, e essa era a única informação concreta que eles tinham, Tyrion sabia o que aconteceria ao homem quando o rei finalmente o encontrasse, o anão tinha a sensação que todos aqueles que ele conhecia estavam morrendo, ele torcia para que Jon Snow não se juntasse a lista.
— Ordene que seus homens o prendam e o levem para o calabouço, eu tratarei com ele lá. – O rei ordena a Humphrey Stone, seu guarda de confiança.
— Como Vossa graça deseja. – O homem responde com um sorriso sádico em seus lábios, antes de deixar a sala.
— Calabouço? Eu temo que você esteja se precipitando vossa graça, Sam tem sido um homem bastante fiel ao senhor nos últimos anos, deveríamos escutar primeiro o que ele tem a dizer antes de tomarmos uma decisão mais radical. – Tyrion tenta intervir, Sam Tarly era um homem simples, ele não será corajoso o suficiente para trair o rei, não depois dos últimos acontecimentos, o anão tem certeza disso.
— Você melhor do que ninguém deveria saber que a traição as vezes vem de quem menos esperamos, Sam Tarly está escondendo algo, me diga senhor mão, porque o homem enviaria sua família em uma viagem para fora deste continente se não estivesse tramando algo? – O rei questiona. Tyrion parece surpreso, ele não estava esperando por algo assim, talvez o rei estivesse certo, ainda assim, não tinha certeza que esse era o melhor caminho.
— Isso é de fato suspeito, sua graça. – Tyrion afirma, antes que ele possa continuar falando, Bran o corta.
— Vamos, nós temos trabalho a fazer, eu disse a você que eu iria descobrir o que estava acontecendo de errado aqui, e esse momento chegou. – O Rei afirma fazendo sinal para um de seus guardas, o soldado imediatamente move sua cadeira de rodas em direção a porta, Tyrion não tem outra opção a não ser segui-lo.
Quando eles chegam finalmente ao calabouço, Sam se encontra sentado em uma cadeira, os braços amarrados para trás, o executor do rei ao lado do homem, com diversas ferramentas a sua frente, Tyrion tem certeza que não deseja saber quais as serventias delas.
— Sam, nos conte o que aconteceu no Norte, para o seu bem, não esconda nada. – A mão do rei apela. Se o homem for sincero, ele ao menos poderá implorar por sua misericórdia.
— Eu não sei, quando fui visitar Lady Sansa em seu escritório encontrei seus guardas mortos, então eu entrei e ela já estava morta, a sala estava escura, alguém me acertou, eu juro. Porque eu estou sendo detido, vocês acham que eu a matei? Que motivos eu teria para algo assim? – Sam pergunta tentando parecer confiante, então escuta Sor Stone rir ao seu lado.
— Ninguém aqui acha que você seria capaz de matar alguém gordo estúpido, obviamente você está protegendo alguém. – Ele declara e Sam balança a cabeça negando.
— Foi exatamente isso que aconteceu, eu juro. – Sam responde, então o rei acena para seu guarda aproximar sua cadeira de rodas do homem amarrado.
— Porque você não usa suas visões para descobrir o que aconteceu, Vossa graça. – Sam blefa, seu lábio tremendo levemente.
— Quebre o braço dele. – O rei ordena ao seu general. Os olhos de Sam se arregalam imediatamente.
— Não por favor, eu estou dizendo a verdade, AHHHHH. – Seu grito enche as paredes do castelo, quando o comandante da companhia dourada quebra seu braço direito em poucos segundos.
— Ninguém nunca lhe disse como você é um péssimo mentiroso? Eu quero a verdade Sam, porque você não começa falando sobre o fato de que eu te perdi de vista no momento em que você cruzou a muralha, desde esse dia, eu também não consigo enxergar Jon em nenhum lugar, por mais que eu o procure, e que após a morte de Sansa, voltei a enxergar você perfeitamente. – O rei o questiona, o braço quebrado de Sam doía, o homem sente o nervosismo o atingindo como uma avalanche, gotas de suor descendo, caindo por todo o seu rosto.
— Responda quando o rei falar com você. – Sor Stone diz, enfiando um pedaço de ferro em seu joelho, a dor é excruciante, eles vão matá-lo, Sam tem certeza disso, ele não imaginava que o rei já o receberia com um interrogatório, ele achou que teria mais algum tempo, ele tinha que ser forte agora, Bran não poderia saber a verdade.
— Eu não sei de nada, eu juro, eu mal troquei palavras com Jon, ele não quis me ouvir. – Bran lhe deu um pequeno sorriso, então Sor Stone pegou outro ferro. – Sam fechou os olhos esperando a dor, mas ela não veio, então ele abriu os olhos novamente, o rei estava bem na sua frente.
— Eu lamento Sam, mas foi você que pediu por isso. – Bran disse, então ele sentiu suas mãos cobrindo o seu rosto, Sam sentiu como se sua cabeça estivesse sendo esmagada.
Os olhos de Sam estavam girando, o branco cobrindo a pupila. Tyrion observava a cena horrorizado, o rei nunca tinha feito isso antes.
Bran procurou nas lembranças de Sam o que ele queria saber, o que aconteceu, no entanto não havia nada, apenas flashes negros, mas ele achou uma coisa, uma carta trazida por uma águia contendo o selo Stark. Arya, o corvo conclui, ele pode sentir seu corpo humano começar a ficar enfraquecido, ele precisa de tempo para descobrir o que estava acontecendo ali, então apelou para uma última coisa.
— Sam, me ajude. – A voz de Gilly o despertou.
Ele estava exatamente no mesmo lugar que antes, no entanto, Gilly e as crianças estavam aqui, Sor Stone a segurando com força enquanto as crianças estavam abraçadas no chão de pedra, apavoradas.
— Por favor, não os machuque, eles são apenas crianças. – Sam implora, lágrimas caindo pelo seu rosto, ele não suportaria isso, ver seus filhos ou sua esposa sendo feridos.
— Quem matou Sansa? – Bran perguntou, Sam apertou os olhos com força, o desespero enchendo seu coração.
— Diga ou vou fazer, você terá que escolher qual deles vai morrer primeiro. – A ameaça de Bran é implacável.
— Meu rei por favor, são crianças. – Tyrion implora, no entanto, Bran balança a cabeça negativamente.
— Se elas morrerem, será por culpa de seu pai, não minha, porque ele optou por proteger um assassino sobre eles. – O rei afirma sem piscar.
Me desculpe Jon, por favor eu lamento
— Foi Jon, ele a matou. – Sam responde olhando diretamente para sua família.
— Porque? – O rei pergunta
— Ele sabe de tudo que ela fez a ele e a Daenerys. – Ele responde.
— Onde ele está agora? – Pergunta, o encarando com seus olhos castanhos.
— A caminho de Essos eu espero, a milhas de distância de você. – Sam cuspe as palavras, totalmente arrependido de um dia ter dado ouvidos a criatura na sua frente.
— Porque eu não consigo ver Jon ou o que aconteceu em Winterfell? — Bran lança a pergunta fazendo o homem na cadeira soltar um suspiro derrotado, se ele não contasse, seus filhos iriam morrer, no entanto, ele poderia confiar no corvo? Que garantia ele tinha que o rei os deixariam ir, então ele olha novamente para Gilly e para as crianças, pronto para dizer que lamenta, pedir perdão, então sua filha se mexe e olha nos seus olhos, Sam percebe que a pinta que ela tem no lado esquerdo do rosto não está lá, a pinta está do lado direito, isso só poderia significar uma coisa.
— Não é real, isso aqui não é real, você está jogando com a minha cabeça. – Sam afirma aliviado, sua família está segura, Bran não os têm, se os tivesse, não haveria razão para essa ilusão.
— Talvez quando Sor Stone cortar a garganta da sua mulher, você perceba o quão real isso é. – Bran ameaça apontando para o homem que segura Gilly. Sam então força a perna onde o ferro se encontra preso, ele espera a dor, mas ela nunca chega, então ele sorri.
— Ela não é a minha mulher, eles não são meus filhos, eu não vou cair nos seus truques, eu sei o que você é corvo, ou seria melhor chama-lo de rei da noite. – As palavras de Sam pegam Bran de surpresa.
Ele sabe
Então finalmente solta o rosto do homem, retornando ao seu corpo exausto com todo esforço.
— Escute Sam, você não precisa morrer hoje, me conte o que você sabe e eu lhe concederei o perdão real, pense em seus filhos, sua mãe, eles precisam de você. – Bran apela, sua cabeça está a mil, e sua única chance de ter respostas imediatas está sentado à sua frente.
— Eles precisam é viver em um mundo livre de monstros como você, eu não direi mais nada, faça o que quiser comigo. – Sam Tarly afirma, sua voz sai firme, quase imponente, não se tratava apenas sobre Jon, ou consertar seus erros, era sobre o futuro, um futuro de liberdade para seus filhos, para o povo.
— Nós os vivos, já derrotamos você uma vez e faremos isso de novo. – Sam diz, então Bran percebe que o homem não vai dizer mais nada de útil, o homem na sua frente sabe que sua vida não vale seja lá o que ele está escondendo, então ele faz o sinal para Sor Stone, o homem estrangeiro puxa sua espada.
Chegou a hora, Sam conclui. Então fecha os olhos refletindo sobre sua vida, ele viveu tanta coisa, ele conheceu Jon, Edd, todos seus outros amigos, ele foi o primeiro homem a matar um caminhante branco, ele ajudou Gilly, pequeno Sam, salvou um homem de uma doença mortal, se apaixonou, se tornou pai, cometeu erros, tentou consertar esses erros, e agora ele estava ali, pronto para sair de cena, para seu sacrifício final, não havia dor ou tristeza, ele estava em paz com a certeza que recebeu mais do que merecia, algo que ele nunca imaginou que teria quando seu pai o enviou para parede, ele encontrou o amor e a felicidade, acima de tudo, encontrou uma força em si mesmo que nunca imaginou ter, então no dia de hoje, o homem abraçaria seu destino de bom grado.
— Últimas palavras. – O executor do rei oferece, então ele abre os olhos, olhando diretamente para Bran ele diz.
— Sou a espada na escuridão. Sou o vigilante nas muralhas. Sou o fogo que arde contra o frio, a luz que traz consigo a alvorada, a trombeta que acorda os que dormem, o escudo que defende os reinos dos homens. Dou a minha vida e a minha honra à Patrulha da Noite, por esta noite e por todas as noites que estão para vir. – Bran não diz nada, apenas dá um aceno, instantes depois a cabeça de Samuel Tarly enfeita o chão de pedra do calabouço de Porto Real.
Tyrion está em choque com as coisas que aconteceram nesse cômodo, Sor Davos tinha razão, eles cometeram um erro, ele não tem ideia do que seja a criatura na sua frente, não tem ideia da extensão de sua força ou poderes, pela primeira vez na vida dele, não haviam planos inteligentes, ou soluções de última hora, o anão não tinha ideia do que fazer, justamente porque não sabe mais no que acreditar, pelos deuses, Jon Snow havia matado Sansa Stark.
— Eu preciso descansar um pouco, depois iremos nos reunir com o conselho, quer dizer, com o que restou dele, informaremos a todos a morte de Sansa. – O rei disse ao anão, que apenas engoliu em seco, observando os respingos do sangue de Sam em seu rosto.
— Tyrion, você está me ouvindo? – O rei questiona e o homem assente.
— Bom, tente ficar fora de problemas enquanto eu me recupero. – O Rei pede antes de deixar o local, Tyrion permanece na sala, olhando a cabeça do homem no chão, quantos mais morreriam até ele ser o próximo?
O corvo ordena que os guardas o deixe só em seu quarto, então quando eles saem, ele puxa um livro na estante de madeira, que se abre revelando uma passagem. Entrar na mente de Sam, não o deixou destruído como no dia em que ele entrou dentro da mente de Daenerys Targaryen, ainda assim, ele se sentia cansado, ele precisava se alimentar, então ele escorrega para fora de sua cadeira, se arrastando até sua sala secreta, quando seu corpo é puxado pelos galhos do represeiro que se encontra ali, quando eles se tornam um, ele sabe que logo ficará bem novamente.
Solar
Daenerys sente as ondas do mar contra ela, por mais que ela tente nadar, mais elas a derrubam, então ela para sem forças para lutar, quando outra onda atinge, ela afunda, no entanto, diferente do que imaginou, ela não se afoga, ela apenas afunda pelas profundezas do oceano, ela sente algo clamando por ela desesperadamente, ela olha ao redor, mas não enxerga nada além de água e escuridão.
— Quando o sopro frio da escuridão cair sobre o mundo, a luminífera deve recuperar. Apenas ela tem o poder para o mundo libertar. – Uma voz canta repetidamente, Daenerys tenta nadar de volta a superfície, no entanto, ela vê uma espada afundando na água, ela ergue seus braços e a segura pelo cabo, chamas tomam conta da lâmina, mesmo embaixo da água o fogo continua a queimar, as chamas nos olhos da mulher também, a platinada sente o poder, é como se seu corpo estivesse queimando juntamente com a lâmina da espada, no entanto, não há dor, há apenas poder, uma força sobrenatural que a Targaryen nunca sentiu antes. Então ela nota as palavras que adornam o centro da espada, é Valiriano arcaico, mas ainda assim ela consegue entender: Matadora de deuses, destruidora de sombras. De repente, uma voz sussurra. A encontre, o inverno está chegando. Com essa última frase, ela desperta.
Próximo capítulo.
Dany conta seu sonho a Lucius e Arya.
Meera coloca seu plano em ação.
Brienne reage a morte de Sansa.
Jon finalmente chega em Volantis
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