Notas iniciais
Olá pessoal!
Espero que gostem deste capítulo.
Obrigada pela atenção e boa leitura...
=D

Não tive uma resposta imediata e acabei por encará-lo também, contemplando aqueles dois belos olhos, olhando nos meus, meu coração bate forte e eu dou um passo para trás, não sei o que estou fazendo, mas estou nervoso, sinto minhas pernas tremendo, volto minha cabeça para o chão, agora queria manter certa distância, não compreendo o que está se passando aqui. Esse silêncio parece dizer alguma coisa, mas eu nunca fui bom com entrelinhas, então antes de ficar ruborizado, corto a quietude do ambiente com mais uma pergunta.

–Não tinha te visto. Há quanto tempo ta aqui? –pensei que ficaria sem resposta, pela minha mente já se passam mil ideias: “Será que o ofendi sem querer? Disse algo errado?”

–Eu acabei de chegar. Vamos? O professor deve estar nos esperando. –responde sem nem olhar para mim, virando-se e seguindo na minha frente.

Aquele clima de poucos minutos atrás some por completo quando chegamos até a quadra do ginásio, o loiro agora olha para trás me dizendo:

–Shun, vai passar calor com essa jaqueta. Por que não tira ela?

–É... que... bom, eu sabe... to meio gripado. –digo abrindo o zíper, mas sem tirar a peça por completo.

Me aproximo do grupo falante a minha frente, o professor encontra-se bem no centro da pequena multidão de alunos, conversando e rindo com eles, realmente parecia um pouco mais sério, em relação aos outros que tive aula antes. Abro caminho pedindo licença para meus colegas e chego até ele me apresentando.

–Bom dia professor, sou o aluno novo.

–Bom dia garoto. –me cumprimenta com um aperto de mão, firme e forte.

Entrego o papel com meus dados e ele anota em seu caderno.

–Muito bem pessoal, temos um aluno novo. Vamos ser legais e deixar o time que ele ficar vencer. Estão entendendo? –mal termina de falar e já escuta as respostas gritadas, ele sorri e diz no tom de voz normal. –Seja bem vindo.

Agradeço e ele começa a gritar, porém o aglomerado não dá importância para o pedido por atenção, tendo como resultado o som estrondoso do apito do mesmo.

–Vamos aquecer então e dar umas voltinhas na quadra.

Começamos o aquecimento, algo que me agrada muito, fácil e relaxante, contudo não dura por muito tempo, dando espaço para uma corrida em volta da quadra, eu estou tão desacostumado com exercícios físicos que dou duas voltas e já estou morrendo.

–Shun, você está bem? –pergunta Hyoga correndo mais devagar para acompanhar o meu ritmo.

–To sim, só destreinado. –respondo ofegante.

–Não se preocupe, não tem pressa, vamos mais lento. Eu te acompanho.

Sorrio e continuo correndo, sinto um alívio quando Saga diz que podemos parar e nos permite tomar água e descansar um pouco antes de começar as atividades em dupla. Eu sedentário de carteirinha não consigo nem me levantar depois que sentar ali na quadra mesmo. Procuro o garoto russo, mas não encontro ele, olho de todos os lados e para minha surpresa ele estava logo ali, voltando com uma garrafa na mão.

–Toma! –fala me entregando seu squeeze.

Eu aceito, pois estou morrendo de sede.

Hyoga observa os leves movimentos de Shun ao pegar sua garrafa e levar até os lábios, tomando o líquido incolor, fechando os olhos enquanto sugava a água do recipiente. Os lábios rosados parecem tão macios e tocáveis. Mas o que realmente faz o coração dele disparar é o descuido de Shun que ao parar de beber, deixa escorrer um pouco pelos cantos da boca, indo em direção ao queixo, este se prontifica em limpar, passando os dedos suavemente, enxugando.

–Obrigado Hyoga. –agradeço sorrindo, lhe entregando o objeto. –Hyoga? –percebo sua distração e passo a mão na frente do seu rosto, fazendo ele “despertar” e voltar para a Terra.

–Me perdoe, estava com a cabeça no mundo da lua. –diz muito sem jeito.

Somos interrompidos pelas orientações de nosso professor, explicando a maneira que deveria ser realizado os exercícios. Como dito ainda mais cedo, eu fiz dupla com o Hyoga e ficamos trocando passes, toques, manchetes. Até que em uma dessas a bola bate forte, machucando meu punho.

–Shun, machucou? –pergunta ele se aproximando de mim, para ver o local onde fui acertado.

–Não machucou não. Pega. –respondo jogando a bola para ele, demonstrando que estava tudo bem e realmente estava, foi só uma batida de nada.

Depois dessa atividade fomos para o jogo, fiquei no outro time, sendo adversário do russo, ele joga muito bem, enquanto eu pareço mais uma barata tonta. Pouco me mexi, às vezes acertava uma que outra, acredito que por pura sorte. Não tenho experiência com esse esporte, já começando a me arrepender de não ter escolhido xadrez. Eu já estava exausto quando o apito toca anunciando o término da partida. Nos reunimos para realizar o relaxamento e somos liberados.

–Cansado? –pergunta o loiro sorrindo.

–Bastante. Não estou acostumado. –digo passando as costas da mão na testa, tirando o cabelo do rosto.

–Logo acostuma.

–É. Mas mesmo assim ainda vou continuar jogando mal. –falo desapontando, fico frustrado quando não faço as coisas certas.

–Então é só questão de prática Shun. E se você não tiver para esse final de semana...

–Hãn? –é tudo que consigo dizer quando escuto ele falar e de repente ficar calado.

–Quer dizer... você pode me ajudar em matemática? –pede encabulado e eu o acompanho, ficando vermelho e respondendo.

–Cl-Claro.

–E depois, podemos jogar vôlei. O que você acha? Sabe... nos ajudar. –continua com um sorriso, se atrapalhando para falar.

–Por mim tudo bem. Só preciso falar com o Ikki.

–Eu espero que ele deixe.

Agora sou eu quem fica mudo, apenas sorrindo para ele. Quando me dou por conta já estamos de volta no vestiário. Eu sinto meu rosto ficar em chamas, parando na porta, congelando completamente.

–Você não vem?

Com um movimento de cabeça afirmo positivamente e entro muito tímido. Havia uma espécie de corredor, bem pequeno para chegar até onde ficam os armários, bancos e chuveiros do local, Hyoga percebe o jeito que fico incomodado por estar em um lugar tão cheio. Então resolve me convidar para ir encher a garrafa com ele, acredito ter feito isso para me tranaquilizar, contudo eu sabia que um dia teria de me acostumar, pois seria assim até o final do ano, mas por hora ainda travava.

Durante o caminho, encontramos os mais diversos tipos de distração, como: cartazes, partes da escola que eu ainda desconhecia, encher a garrafa no bebedouro mais distante, enfim apenas matando tempo. Retornamos encontrando apenas dois meninos ainda se arrumando, me sentindo mais a vontade decido lavar meu rosto. Seco ele e penso ser melhor tomar banho em casa, Ikki pelo horário estava quase chegando, não seria legal deixá-lo esperando, tendo em mente o seu curto tempo disponível para almoçar. Pego minha mochila vendo Hyoga me acompanhar com o olhar.

–Já vai?

–Já sim. Meu irmão logo vem me buscar e se eu ficar para tomar banho vou acabar atrasando ele.

–Não se esquece de falar com ele.

–Prometo não esquecer. Até amanhã.

–Até Shun.

Me despeço dele e vou em direção ao portão da frente, vendo o carro de Ikki estacionar. Entro contente no veículo e meu irmão pergunta a razão para tamanho bom humor. Respondo e ele fica pensativo após perguntar se poderia ir na casa de Hyoga.

–Hyoga é o nome do loiro sem graça?

–É.

–Você sabe que não vou com a cara dele... mas você pode ir, não vejo mal nenhum.

Agradeço Ikki, muito animado com a resposta positiva do mais velho. Chegamos em casa, almoçamos como sempre fizemos, conversamos pouco, pois meu irmão tinha de sair mais cedo ainda, para cobrir o horário e conseguir me levar ao médico. Pega sua pasta, repetindo a cena do dia passado, me dá um beijo na testa e ao abrir a porta dá de cara com Esmeralda pronta para tocar a campainha.

–Oi. –diz ela sorrindo para meu irmão. –Incomodo?

–De maneira alguma. Mas e então o que traz você aqui? –pergunta meu com um sorriso bobo no rosto.

–Eu vim saber se não precisam de nada. –a menina é muito atenciosa.

–Eu acho que não. Não é mesmo Shun? –fala Ikki me chamando até a porta da frente, onde ambos se encontravam.

–Oi Esmeralda. Como você está linda, não quer entrar? –elogio, convidando-a para entrar, ela responde que sim e todos sentamos no sofá, ofereço de tudo, mas ela simplesmente aceita um chá.

–Hmm o chá está ótimo. Obrigada Shun. –agradece tomando um gole.

–Nem é nada, é só chá normal. Bons mesmo estavam seus bolinhos.

–Eu te passo a receita. Aprendi a cozinhar muito nova, acho que esse é o meu talento.

–O Ikki também gosta de cozinhar, sabia?

–É verdade? –fala sorrindo para o mais velho.

–É sim, mas não é tão boa quanto a sua. –resmunga.

–Quem sabe então uma hora dessas não trocamos nossos segredos culinários.

–Claro, como posso recusar um convite desses? –responde muito alegre. –Bem, eu estou ficando atrasado e se não for agora, não vou conseguir levar o Shun ao médico depois, então com licença.

–O que você tem? –se volta para mim como se estivesse falando com um bebê.

–Nada, o Ikki que invento isso. –digo um pouco chateado.

–Você sabe que é melhor ir, mesmo que não tenha nada. –me repreende.

–Eu posso ir com ele se você permitir. Assim você não se atrasa. –a garota se oferece, assistindo Ikki levantar.

–Sério? Você não se importa? –pergunta meu irmão um pouco surpreso.

–Não, eu adoraria ir com ele. Além do mais, eu acabei de tirar a carteira e estou doida para cair na estrada.

–Por mim tudo bem. –até me sinto mais confortável de ir com ela, do que com o Ikki em cima de mim.

–Por mim também, poxa muito obrigado mesmo Esmeralda. –agradece sentando mais um pouco e em seguida saindo. Esmeralda o acompanha dizendo que às cinco horas passa ali para me acompanhar na consulta.

Fecho a porta acenando para eles, dizendo até logo. Estou preocupado com insistência de meu irmão em me mandar para essa visita médica e aqueles pensamentos parecem querer voltar, preciso me distrair, então vou arrumar a cozinha, pego meu celular para escutar música, mas não tem nenhuma com ritmo animado, volto a ajeitar tudo bem lentamente para que passasse mais tempo. Termino depois uns trinta minutos, subo até o banheiro, escovo os dentes e tomo banho. Ao sair do chuveiro começo a passar a toalha sobre o meu corpo para me secar, é inevitável não olhar para “elas”, balanço a cabeça em sinal negativo, fechando meus olhos fortemente, contendo o choro.

Vou direto para meu quarto, quase correndo, como se estivesse fugindo de algo, e realmente estou. Isso tem me perseguido há meses e eu não sei como lidar, mas enfim, é só não pensar, melhor escolher minha roupa. Vamos ver... uma calça jeans, um tênis e aquelas mangas compridas. Suspiro tristemente ao ter elas em minhas mãos. Visto a parte de debaixo e com vergonha de mim mesmo, coloco a camiseta sobre a cômoda.

Deito na cama, com os braços abertos, virando meu rosto para elas. Sim, elas que tem me atormentado tanto, o motivo de esconder meus braços, as cicatrizes de minha insanidade, algumas completamente curadas apenas marcando a angústia do dia em que eu as fiz. Outras tão recentes que ainda esboçam a cor vibrante do sangue ressecado e coagulado. Eu sei que isso não ajuda em nada, mas ainda assim eu faço. É como se toda a tristeza focalizasse a dor que sinto no peito em apenas uma região do meu corpo e dessa maneira eu posso suportar. Eu não minto quando digo que me sinto sozinho e eu já disse que sou um ingrato porque o Ikki faz tudo por mim, enquanto eu estou me despedaçando, posso até dizer que literalmente.

Não quero demonstrar toda essa tristeza que carrego, não quero ele preocupado comigo todos os dias. Me sinto um lixo, tão inútil, eu não estou fazendo do jeito certo, eu devo ser motivo de orgulho, mas tomando essas atitudes tudo que eu vou conseguir é apenas partir o coração dos que me amam.

Eu digo que não vou mais fazer, mas do nada aquela sensação de vazio e medo de ficar sozinho tomam conta do meu corpo, as lágrimas se misturam com o desespero e quando volto a mim, já sinto o sangue escorrendo pelos meus pulsos, aliviando momentaneamente os meus temores. É errado, eu sei que é errado e que não vai me levar a nada, mas é como um desabafo, parece bom na hora, mas depois vem a vergonha e o medo de alguém ver e me taxar de maluco, embora eu tenha medo disso, eu me sinto um louco, sou um infeliz que se destrói a cada minuto, preso em um buraco sem conseguir ver a luz, tentando com muito esforço fugir. Mas como fugir quando o seu pior inimigo é você mesmo? Eu me castigo, eu estou derrotado, nunca pensei encontrar na lâmina conforto. Mas em muitas situações, a considerei minha melhor amiga.

Lembro da primeira vez que fiz, foi um mês depois da morte dos meus pais, eu sai da escola tão perturbado após uma longa conversa com o conselheiro. As pessoas conhecidas me olhavam com pena, esqueceram que eu era o Shun, me tornei apenas o menino que perdeu seus pais, a tragédia me perseguia onde quer que eu fosse, pois todos me lembravam mesmo que inconscientes do mal que isso fazia a mim.

Era tarde e Ikki ainda não havia chegado, estava muito ocupado tratando dos negócios da família. Eu caminhei até o banheiro na tentativa de encontrar um remédio para dormir, mexi em tudo e não achava, até que sem querer derrubei uma caixa e quando me ajoelhei para juntar os objetos espalhados pelo chão, vi ela ali, uma lâmina jogada e a ideia me pareceu tão convidativa. Levei-a para meu quarto, a principio não faria, tinha medo, deixando ela esquecida em cima do criado-mudo. Vaguei pela casa, adentrando no quarto vazio e sem vida, coberto de memórias lindas, beijei um porta-retrato que continha a foto de toda a família, comecei a chorar desesperado, volto aos meus aposentos e sem pensar duas vezes faço o primeiro corte. Sinto dor, um corte médio, então faço mais e agora chorava pela dor das feridas, desde então isso se tornou hábito. Toda vez que desabava, um novo corte surgia, deixando apenas a dor física. Onde para mim as feridas dolorosas da alma davam lugar às feridas do corpo.

Os ferimentos coçam e ardem quando estão perto de cicatrizar, eu coço e eles abrem. Eu preciso terminar com esse ciclo doentio, preciso de ajuda, mas é difícil para falar sobre isso. Espero o médico não reparar nelas, pois tenho medo dele contar para o Ikki e eu não sei como proceder se acontecer.

“Esta na hora de crescer Shun, ficar forte, agora é hora de uma vida nova, deixe a tristeza de lado.”

Suspiro depois de encerrar minha linha de pensamentos. Visto a camiseta e pego meus cadernos para estudar um pouco antes de sair com Esmeralda, o tempo passa bastante rápido e logo estou atendendo a porta com a moça a me esperar.

–Oi Shun. Preparado? –pergunta sorridente.

–Oi Esmeralda. Estou sim, já volto, só vou pegar meu telefone.

Não demoro e logo estamos partindo rumo ao hospital. Esmeralda é um amor, aposto que tem muitas qualidades, mas eu não consigo acreditar que ela tirou a carta de motorista dirigindo desse jeito. Colocou o rádio no último volume, cantando junto com a música e eu apavorado, pois Ikki é bem mais calmo, fiquei muito sem graça, mas dei corda, cantei também, afinal não gosto de parecer mal agradecido, ainda mais depois da gentileza dela conosco.

Os outros motoristas gritavam: “Louca, maluca, demente!” e ela respondia: “Ah deixa de ser mal educado.”

–Às vezes temos que ser radicais. –diz ela olhando para mim e continua. –Olha chegamos mocinho.

Descemos do carro e fomos em direção a recepção, lá nos informaram que a minha consulta seria no segundo andar, pegamos o elevador e nos direcionamos para o local. Novamente a menina loira me acalma, garantindo que vai ficar tudo bem. Mal sentamos para aguardar e já sou chamado, peço para ir sozinho, assim me sentirei mais a vontade, ela entende e diz se precisar é só chamá-la.

–Boa tarde Shun. –cumprimenta o médico ao entrar na sala dele.

–Boa tarde. –respondo um pouco tímido.

–Pode se sentar. –fala apontado para a cadeira. –Aqui diz que só precisamos fazer uns exames de rotina. –continua olhando para mim e se levantando, me pedindo para deitar na maca, eu o faço. –Muito bem, vamos ver. –eu não entendo muito sobre isso, mas ele pediu para eu tirar a camisa, fico nervoso e ele me tranquiliza dizendo que não preciso me preocupar, fiquei muito mais calmo ao ver que ele não percebeu meus braços que deixei virados para mim, tentando esconde-los.

Engano o meu, ele percebeu sim e depois de tudo me passa uma receita de pomada para cicatrizar e não deixar infeccionar os machucados.

–Tome Shun, passe ela três vezes ao dia.

–Obrigado doutor.

–Escute. Tem algum responsável com você?

–Sim. –embora minha vontade fosse dizer não.

–Quero falar com ele, pode chamá-lo? E você está dispensado meu jovem. –fala se despedindo de mim, de um modo muito simpático, eu saio pedindo para Esmeralda entrar.

Espero sentado o seu retorno, estou inquieto, mexendo com as mãos e batendo com o pé. Ergo a cabeça em direção a sala e vejo-a saindo, caminhando até mim, ajoelhando-se na minha frente e sem dizer uma palavra, apenas me abraça, me sinto desconcertado, não esperava essa reação da menina, então retribuo o carinho.

–Shun. –fala ainda mantendo o afago. –Eu... não sei o que dizer, mas eu quero que você saiba.. que não está sozinho, eu não vou falar para o Ikki, só vou entregar o papel, acho que vocês dois tem direito a uma longa conversa. E... não sei o que se passa com você, mas eu não vou te deixar sozinho. Nem eu e nem o Ikki. –paraliso com tamanha bondade de Esmeralda, pensei que ela me acharia uma aberração, mas foi carinhosa, quase como uma irmã, eu agradeço com lágrimas nos olhos e ela diz que vai fazer os bolinhos que eu tanto gostei e depois do jantar vai passar na minha casa para assistir um filme a três, sorrio e concordo com a ideia.

Durante todo o caminho de volta, não me pronuncio em momento algum, não tinha vontade de fazer nada e nem mesmo o que dizer. Minha companheira tentou puxar assunto, mas foi respondida com respostas curtas, estou atônito e no fundo só queria chegar logo.

Entramos em nossa rua e a garota loira desce comigo, estacionando na frente da minha residência, vendo as luzes da sala e cozinha acesas, indicando que meu irmão já havia chegado. Pego minhas chaves e nos deparamos com Ikki abrindo a porta para nos receber, tinha flores na mão, as entregou para Esmeralda em agradecimento. Eu me despeço da menina e subo para meu quarto.

–Obrigada Ikki são lindas, mas não precisava. –fala fechando os olhos e passando as flores cuidadosamente sobre o rosto.

–É o mínimo que posso fazer para retribuir sua atenção. Cuidando do Shun.

–Mas fiz porque gosto dele... e... de você também. –termina ficando encabulada pelo que disse.

–Eu também gosto de você. –responde Ikki passando o dedo no rosto dela, como forma de carinho.

–Ikki, quanto ao Shun. –agora diz preocupadamente.

–O que tem ele? Eu percebi que ele está estranho, mas acho que deve estar chateado por ter ido no médico a força, já que não queria.

–Não é por isso...

–Então é pelo que? Está me assustando, foi algo que o médico disse? O Shun está bem?

A loira entrega o papel que o doutor havia dado a ela, Ikki lê atento e espantado olha para a menina.

–Como assim?

–Fala com ele. Vai com calma, eu vou ir para vocês conversarem, depois eu volto. E mais uma vez obrigada pelas flores. –se despede beijando o rosto do mais velho.

–Até mais. –é tudo que consegue dizer depois do que acabou de saber.

Confuso, sobe as escadas, ainda descrente com a notícia. Bate na porta do quarto, entrando no cômodo escuro, iluminado somente com a luz que vinha de fora. Ouvindo meu choro. Ikki apressa os passos em minha direção, me confortando com um abraço, também chorando.

–Shun, vamos conversar...

Continua...

Notas finais
Obrigada pela leitura.
Beijinhos e tenha uma boa noite.