História De Amor

12 Primeiro Encontros, Primeiros Amores e Pequenas Confusões


Notas iniciais
Bem pessoal, mais um capítulo postado. Este é dividido em 3 partes, com cenas do encontro entre Shun e Hyoga sendo narrado por nosso querido Shunzinho, o encontro entre Esmeralda e Ikki, narrado na terceira pessoa e no final uma surpresinha também narrado em terceira pessoa. Espero que gostem e se ficar chatinho para entender, me digam que eu edito e procuro colocar de uma melhor forma. Então boa leitura e beijinhos

Shun e Hyoga

Não conhecia esse lado de Hyoga, nunca o tinha visto assim, completamente diferente. O beijo tímido que demos no quarto da primeira vez, envergonhado e até mesmo sem jeito, foi substituído por um beijo especialmente quente e doce, apaixonado e voraz, delicado e ao mesmo tempo faminto. O melhor de todos até agora, se bem que não posso dizer que sou um perito em beijos, já que até agora beijei apenas o loirinho e sinceramente, não sei se quero provar o de outra pessoa.

–Desculpa. É que eu não resisti. –me diz da maneira mais graciosa possível, passando a mão no meu cabelo, e a com a outra segurando a minha.

–Tudo bem. –é só o que consigo responder, pois já sentia meu rosto queimar, provavelmente ficando vermelho.

–Você é muito tímido não é mesmo? –pergunta levantando o meu queixo com o dedo.

–É... sabe, só um pouco. Quer dizer. –começo a tropeçar nas palavras, fico extremamente sem jeito quando isso acontece.

–Shhh. Não precisa dizer nada, eu sei que é. Além do mais, eu começo a perceber que você não fala apenas com os lábios, mas também com os olhos. – aproxima mais o seu rosto do meu, me encarando, eu acabo por fazer o mesmo, olhando profundamente aqueles dois pequenos mares em minha frente. –Você também pode sentir isso? –apenas afirmo com um movimento de cabeça. –E então o que acha de um cinema? –me pergunta animado.

–Bem, a Esmeralda fez uma cesta de piquenique para nós, além do mais, a noite esta linda. Não acha? –digo contemplando o brilho das estrelas e da lua que banhava a noite com sua luz.

–Então encontramos um lugar por aqui mesmo. Esse parque é bastante tranquilo e bonito também. Sobre tudo hoje, com esse céu estrelado. –admira colocando a mão no peito como se segurasse alguma coisa, fiquei curioso, mas pensei ser melhor não perguntar o que era.

O russo pega em minha mão e saímos a procura de um local. Ele conhecia bem aquela região, então não demoramos a encontrar, sentamos perto de uma árvore que já estava florida, e quando o vento soprava éramos cobertos por uma chuva feita de pétalas rosa. Estendo a toalha que Esmeralda separou, de cor xadrez, vermelho com branco, segundo ela, não tem nada mais romântico do que um piquenique a luz do luar. E lembrando dela, como será que está seu encontro com Ikki?

–Shun, o que foi? Do que está rindo? –questiona Hyoga ao se virar e me ver rindo.

–É que hoje o Ikki também tem um encontro, com a Esmeralda. –explico rindo mais ainda.

–Esmeralda é a menina loira que estava por lá da primeira vez que te visitei? –fala sentando ao meu lado.

–Sim, essa mesmo. –continuo rindo.

Vejo a expressão que se forma em seu rosto, quase dizendo: “Coitada dessa garota! Com aquele bruta montes.”

–Hyoga? Hyoga? –chamo por ele, passando a mão em sua frente pedindo atenção.

–Ãhn?!? Ah me desculpe é que também fiquei imaginando a cena. –diz sorrindo e balançando a cabeça. –Como será que estão?

–Acho que não melhor do que nós. –falo encostando a cabeça em seu ombro, sentindo seus braços se enlaçarem em volta da minha cintura.

Ikki e Esmeralda

–Esmeralda aonde você vai assim toda perfumada? –pergunta o velho pai da moça, recostado no sofá, lendo uma revista de culinária.

–Eu vou ir visitar o Ikki. Tudo bem? –pedi a permissão do pai.

–Como negar algo para esse rostinho meigo. Só não volte tarde! –exclama o homem que voltava para sua leitura.

–Ta bem, te amo. –se despede dando um beijo em seu rosto.

–Eu também querida. –diz enquanto vê sua menininha sair pela porta.

Enquanto isso Ikki colocava a pipoca no micro-ondas, parecia nervoso, ficou horas planejando tudo para ter essa noite agradável ao lado da menina. Comprou salgadinhos, diversos tipos de refrigerante, pois sabia que ela não bebe nada com álcool, procurou um filme bacana para assistirem juntos, uma comédia romântica. Seria a noite perfeita. A campainha toca e o rapaz liga eletrodoméstico rápido e vai recebê-la, ajeitando a gola e passando a mão no cabelo.

–Nossa! Não sabia que você podia ficar mais linda do que já é? –fala ao ver como a garota estava linda.

Esmeralda usava short jeans, uma blusa branca sem estampa nenhuma e um all star vermelho, um look bastante simples, mas que combinava perfeitamente, já que ela ficava bem com qualquer roupa, além de ser algo diferente dos seus vestidos e saias de costume.

–Obrigada, mas não estou tão galante quanto você. –responde sorrindo para ele e entrando na casa. –Mas e então qual filme vamos assistir?

–E Se Fosse Verdade... Conhece? –indaga o garoto, indo em direção a cozinha pegar uma bandeja com as delicias.

–Já ouvi falar. –nega a menina, dando a entender que havia visto apenas o trailer, para não chatear o mais velho.

–Então vamos ver juntos, porque eu também não assisti ainda. –anuncia colocando a bandeja em cima da mesa, em seguida ligando a TV e o DVD.

Pega um copo para ele e entrega outro a loira, dizendo que era apenas refrigerante, que poderia beber a vontade. Sorrindo agradece e Ikki com o controle dá inicio ao filme.

Shun e Hyoga

–Hyoga você não tem medo de alguém conhecido nos encontrar? –pergunto deitado em seu peito.

–Eu não preciso ter medo. Preciso? Não estou fazendo nada errado. A não ser que seja errado eu estar deitado na grama em cima de uma toalha, com meu namorado olhando para o céu. O que você me diz? –responde colocando a cabeça sobre meus cabelos, beijando minha cabeça.

–Mas e se alguém da escola...

–Eu já disse antes, não tem problema, mas se para você tiver. Eu irei respeitar sua opinião. Sabe disso. –me interrompe sorrindo.

–E se eles implicarem conosco? –demonstro certa preocupação.

–Se eles implicarem com você eu acabo com eles. –fala seriamente, não estava brincando.

Minha reação foi rir, pois parecia muito com Ikki quando ainda estava na escola. Digo sobre a semelhança nesse quesito, ele me chama de bobo e estreita mais o abraço. Ficando em silêncio por vários minutos, e por incrível que pareça me senti totalmente à vontade naquela quietude do russo.

–Shun, eu acho que vou pegar um sorvete para nós. –diz já se desvencilhando do abraço.

–Tudo bem, mas ainda não comemos nada do que a Esmeralda preparou. –penso ter alguma coisa errada.

–Mas eu quero sorvete. Qual o sabor que você gosta? –pergunta abaixando-se na minha frente.

–Morango.

–Eu trago para você. –antes de sair em busca do sorvete, me dá um sorriso acompanhado de um selinho.

Não entendi se falei algo de errado, mas vá que ele só queira mesmo um sorvete, então me escoro na árvore e fico pensando, até mesmo fecho os meus olhos. Passa alguns minutos e escuto uma voz me chamando, mas não era Hyoga.

–Oi Shun, que bom te ver por aqui. –era Jabu que havia me encontrado e já sentava perto de mim.

–Oi Jabu. Tudo bem com você? –cumprimento, é um garoto que parece ser legal, embora tenha falado pouco com ele.

–Tudo e com você? –responde sorrindo.

–Tudo também. O que faz por aqui? –puxo assunto.

–Ah eu ajudo meu pai na loja, sabe aquela de calçados virando a esquina? –me explica apontando com as mãos a direção do lugar.

–Sei sim. –afirmo.

–Ali é uma das nossas sedes. –termina de dizer.

–Acho legal você ajudar seu pai em um sábado à noite. –interessante mesmo, pensei que ele fosse do tipo festeiro que apreciava ser popular com as meninas.

–Valeu! –agradece. — E você o que ta fazendo?

–Esperando uma pessoa. –acredito não ser apropriado ficar falando que era Hyoga, até porque ele poderia desconfiar e depois nos tornar motivo de chacota no colégio.

–Hmm. Captei a mensagem. –retruca sorrindo e levantando. -Sendo assim eu vou saindo fora. Nos vemos na escola. –se despede apertando a minha mão. — Legal te encontrar por aqui. –fala enquanto vejo se afastar.

–Até mais. –digo acenando.

–Até. –grita de longe.

Novamente sozinho. Volto a me escorar e pensar, mas dessa vez não mais em Hyoga e sim em Esmeralda e meu irmão.

Ikki e Esmeralda

O filme mal começará e Ikki já dava jeito de ficar cada vez mais próximo da moça, mesmo tendo o beijado pela manhã, ainda mantinha um tom reservado no seu jeito de ser. Aos poucos ele foi se chegando e quando tomou proximidade suficiente para abraçar a menina. Ela reclama, virando seu rosto para ele:

–Ikki, não está sentindo um cheiro de queimado?

–AS PIPOCAS. CARAMBA! –sai correndo desesperado para a cozinha, vendo sair fumaça de dentro do micro-ondas com o saco de pipocas pegando fogo lá dentro.

–Ai meu Deus. –grita Esmeralda ao se deparar com o ocorrido.

Na correria ela vê Ikki se afastar e como já havia lidado com acidentes parecidos, ela enrola um pano de prato na mão e puxa o aparelho da tomada.

–Pronto agora é só... AAAAH POR QUE VOCÊ FEZ ISSO? –diz toda encharcada pela jarra de água que Ikki havia buscado para jogar no aparelho quase em chamas.

–Esmeralda me perdoa. –se desculpa largando o recipiente agora vazio em cima da pia. –Eu queria apagar o fogo e acabei... Sinto muito, não fica brava. –continua até se enrolar com as palavras, secando o rosto dela com um outro pano que achou por ali.

–Ikki. –se pronuncia enquanto está sendo tocada pelo tecido que o garoto arrumou para lhe enxugar.

–Fala.

–Esse não é o pano que o Shun estava usando pra secar o chão? –avisa com uma expressão de desespero, pois o primeiro encontro entre eles só estava indo de mal a pior.

–AH MAS QUE PORCARIA! Esmeralda eu não fiz por querer. –diz Ikki jogando o pano para longe, quase implorando o perdão dela.

–Tudo bem. Eu sei que não, mas é melhor eu ir para casa, antes que pegue um resfriado. –responde indo em direção a sala.

–Eu te acompanho. –fala envergonhado pelo acidente.

–Não. Acho melhor você ficar e limpar essa bagunça. –se expressa de maneira calma, porém desapontada.

–Não fique brava.

–Eu não estou. Só estou molhada, quero ir para casa tomar um banho. –abre a porta, antes se despedindo do pretendente com um beijo no rosto. –Ah e a propósito, adorei o encontro, foi bem diferente.

Ainda sem jeito Ikki não sabe o que dizer e apenas sorri a vendo ir embora. Fecha a porta e vai até a cozinha, ao chegar caminha até o micro-ondas e começa a bater com a cabeça nele.

–Idiota! Idiota! Idiota! Tem sorte dela ser legal. Além de passar vergonha, agora ainda vou ter que limpar essa bagunça. Só espero que o Shun não tenha a mesma sorte que eu. –resmungava enquanto tirava o saco da pipoca que mais parecia um carvão de dentro do eletrodoméstico.

Shun e Hyoga

–Shun, tudo bem com você? –era Hyoga que voltará com o sorvete, me fazendo despertar da minha linha de pensamentos.

–Sim, só estava te esperando. Você demorou. –falo em tom de preocupação.

–É que eu fui à sorveteria do outro lado do parque. Espero que goste dele meio derretido. –diz me entregando um pote com meu sorvete favorito, coberto com calda de morango e balinhas de chocolate em forma de coração.

–Obrigado. –agradeço vendo ele se acomodar ao meu lado. –Hyoga, eu falei algo errado?

–Não. Pareci meio doido dizendo que queria sorvete do nada não é mesmo? –diz enquanto levava a boca uma colherada de seu sorvete.

–Só um pouquinho.

–Desculpe, é que realmente me bateu uma vontade doida de tomar sorvete.

Terminamos o sorvete e Hyoga foi colocar os potes no lixo, enquanto ele voltava, mãos taparam os meus olhos e com elas uma pergunta:

–Adivinha quem é? –a voz era muito familiar.

–Ju-June? –respondo assustado.

–Isso mesmo. –diz ela sentando ao meu lado, com um enorme sorriso nos lábios.

–June, que surpresa te encontrar por aqui. –realmente estou surpreso, como ela me encontrou? Esse lugar não é tão visível assim.

–Pois é, eu to esperando a Saori, vou mandar sms para ela me encontrar aqui. Assim podemos nos divertir um pouco. –fala enquanto digita a mensagem.

–É que sabe... –começo a tentar explicar a situação, mas sou interrompido.

–Ah você não se importa né. A propósito você ta acompanhado?

–Bem, sim... –novamente sou interrompido.

–Nossa que toalha bonita. –elogia passando a mão. -E uma cesta. Teremos um piquenique? –pergunta curiosa.

–June eu quero dizer que... –e outra vez não me deixam falar, mas dessa foi Hyoga quem me interrompeu.

–June? –diz surpreso.

–Hyoga? –revida ela mais surpresa ainda. -O que você ta fazendo aqui? –questiona parecendo incomodada com a sua presença.

–O que VOCÊ está fazendo aqui? –responde de um modo um pouco grosseiro.

Última Parte

Shun, esse era o nome desenhado na areia que a maré apagou e novamente foi escrito e apagado, e assim por várias vezes. Com seus pés descalços, molhados pela água do mar, levava nas mãos seus tênis, em sua mente uma certa indecisão e uma pequena angústia no peito. Algo estava mudando, mas não se sabia se era para melhor ou pior, apenas sabia que estava mudando.

–Jabu esqueça esses pensamentos. –falou para si mesmo, enquanto vagava pela praia deserta, procurando quem sabe na água salina do imenso mar ou na luz brilhante da lua acompanhada das estrelas, uma forma de contentamento para seu jovem e confuso coração.

Notas finais
Obrigada pela Leitura. Beijinhos