História De Amor
14 Entre Risos, Surpresas e Decepções
Notas iniciais
Continuou a assistir a cena. Parado ali, em pé, apenas observando o beijo. Depois do beijo, um sorriso, tão meigo e sincero quanto o próprio afago trocado anteriormente. A delicadeza e suavidade dos gestos feitos pelo garoto recém chegado, simplesmente o deixavam fascinado, completamente extasiado. Logo os vê partindo de mãos dadas sorrindo e conversando. Um suspiro de puro descontentamento é lançado, ele permanece quieto como se ainda pudesse ver ambos os meninos em sua frente, como se a ficha ainda não tivesse caído.
Lentamente retorna para sua cama, que já não parecia mais tão confortável quanto antes, sentia-se muito perturbado, tanto que não tinha coragem voltar e fechar a janela que esqueceu aberta novamente. As lágrimas encharcavam o travesseiro, o coração pesava, as mãos tremiam. Por alguma razão uma atração pelo colega novo vinha crescendo, mas se havia uma mínima esperança para os dois, agora já sabia que ela acabara. Como competir com o que ele viu? Algo que jamais provou, nunca foi beijado com tamanho carinho, tocado com tanta delicadeza ou agraciado com um sorriso apaixonado acompanhado de um olhar tão brilhante e inocente.
Agora, relações complicadas, com brigas, dor e sofrimento eram sua especialidade. Como o seu primeiro amor, que apenas tirou sua virgindade e desapareceu sem dar nenhuma noticia, depois de duas semanas foi visto de mãos dadas com uma das meninas mais bonitas da escola. Ou um dos jovens sócios de seu pai que se aproveitou da situação para consolá-lo e desviar dinheiro com a proximidade que ganhou e por último um namoro virtual que não resultou em nada mais do que apenas solidão. Aos poucos o sono começa a bater e entre soluços e lágrimas, causados pelo forte choro, volta a adormecer.
Parque:
–June eu não sei porquê você me fez vir até aqui, sendo que tínhamos combinado de nos encontrar perto de casa. -dizia Saori parecendo zangada no momento em que chega ao local e vê a loira estirada na toalha sobre a grama.
–Ah relaxa Saori, foi só um errinho que cometi, agora senta aqui. To precisando de um ombro amigo. -fala fazendo sinal para a menina de cabelos compridos acomodar-se ao seu lado.
–Aconteceu alguma coisa? Parece um pouco triste e despontada. -pergunta enquanto a amiga escora a cabeça em seu ombro.
–Sim. Saori, o Shun. -respondia com uma voz de choro.
–O que tem ele? -questiona já preocupada.
–Eu vi ele aqui mais cedo, dai eu pensei que ele tava sozinho, mas ele não tava, era um encontro e eu fiquei aqui de metida, porque eu tava muito a fim dele, já que os garotos da escola são todos uns idiotas, mas ele não, ele parecia ser o menino dos sonhos de todas as garotas, mas dai quando eu vi apareceu o Hyoga e dai nós começamos a discutir e...
–June! June, vai devagar. Tudo bem, então você veio porque viu o Shun, e ficou por aqui, depois apareceu o Hyoga. E? -pede para a amiga continuar a contar.
–E dai eu disse: O que você ta fazendo aqui? E ele: O que você ta fazendo aqui? E começamos a brigar e o Shun ficou irritado e gritou com nós dois e depois foi embora e eu fiquei com o Hyoga e percebi que era um encontro e que eu tinha estragado tudo. E que eles são um casal, o Shun nunca vai me querer, porque ele já tem namorado. -continua falando rapidamente, mostrando sua afobação e decepção.
–Espera eu assimilar as informações. -faz uma expressão pensativa e em seguida dizendo. -Bem, que o Shun poderia ser gay eu já tinha notado, mas o Hyoga para mim é novidade. -anuncia surpresa.
–E eu não sei. Perdi duas vezes, dois gatos. -fala June parecendo desesperada.
Saori começa a dar risada da atitude e do jeito da amiga de lhe contar, June é muito divertida, levando tudo na brincadeira, muito namoradeira, sempre procurando alguém para se apaixonar.
–Do que você ta rindo? -indaga impressionada com a reação da outra.
–De você. -responde ainda rindo.
–Por que? -pergunta sem entender.
–Você não muda June. Lembra como nos conhecemos?
–É claro que eu lembro. -afirma abraçando a menina, começando a rir também.
FLASHBACK
–Saori nós perdemos por sua culpa. Será que você não dá uma dentro? -berrava Shina, furiosa por ter perdido a partida e estar fora da competição de vôlei que ocorria na escola.
–Eu sinto muito, eu tentei pegar, mas ela veio muito forte. -se desculpava quase chorando.
–Lamentar não adianta, fomos eliminados logo nas preliminares. Você só entrou no time para preencher ele, mas vejo que se não tivéssemos competido seria o mesmo.
–Ah cala a boca Shina. -falava a garota que entrou a poucos dias na turma de Saori e Shina.
–Mas o que? -diz impressionada ao ver a menina se aproximar e ainda defender Saori.
–Você fica culpando a Saori por ter perdido, sendo que toda as vezes que você nos chamou para treinar só ficou falando sobre como o Seiya é chato e patético e ridículo.
–Ninguém esta falando com você June.
–Mas eu estou falando com você. Além do mais, eu sou novata por aqui, mas eu vejo que você queria que o Seiya gostasse de você como ele gosta da Saori, acho que é por isso que você está tão brava.
–Como ousa June. A culpa é dela. -grita Shina, enfrentando a loira.
–A culpa é do time, a Marin estava bem ali perto poderia ter defendido aquela, e você não está gritando com ela, na verdade você só veio aqui para colocar a Saori para baixo e se sentir melhor pelos seus motivos pessoais. Não tem nada haver com jogo. -relatava de forma bastante debochada suas observações.
–Vai ter volta. Para vocês duas. Me aguardem. -ameaçou enquanto ia embora, ainda mais furiosa que antes, praguejando as duas.
–Uiii to tremendo de medo. Horrorosa. -zombava enquanto via a outra se afastar. -Vem eu te ajudo. -virou-se estendendo a mão, deixando Saori se apoiar nela para levantar. — Não precisa chorar, eu to acostumada a lidar com meninas até mesmo mais malvadas do que a Shina. -explica sorrindo e consolando a colega.
–Obrigada. Mas agora ela vai pegar no seu pé, assim como ela pega no meu. -agradece preocupada.
–Ela não vai pegar no meu pé. E nem vai mais pegar no seu, porque eu vou ficar com você. -corrigiu, enganchando seu braço no de Saori.
–Obrigada.
–Não precisa agradecer, apenas me mostre os meninos bonitos da escola. -disse caminhando de volta para as quadras, onde aconteceria os jogos entre os times masculinos.
FIM DO FLASHBACK
As duas riam muito lembrando dessa situação, mas especialmente das coisas ditas para Shina, já que ambas não gostavam da garota.
–Escute, o que acha da gente aproveitar que eu estraguei o encontro dos meninos e acabar com a cesta de piquenique que eles deixaram.
–June. -resmunga Saori.
–O que eles não vão comer mesmo e amanhã vamos lá devolver na casa do Hyoga essa cesta. -falava já puxando a cesta.
–Você tem razão. -concorda ajudando a amiga.
As meninas começam a tirar as guloseimas para fora da cesta, cupcakes, balinhas de chocolate, empadinhas e tudo de melhor que Esmeralda sabe fazer. Se deliciam, conversando e rindo, aproveitando a noite agitada que estavam tendo. Assim que terminaram arrumaram a cesta e a toalha e foram para casa de Saori, que pediu para o motorista de seu avó ir buscá-las.
Casa de Shun
Já se passava da meia noite e Ikki depois de ter tido que limpar toda a cozinha, resolveu que tomaria um banho e assistiria um pouco de televisão enquanto esperava Shun, contudo o tempo foi passando e o mais velho cansado decidiu dar esse voto de confiança para seu caçula e ir dormir.
–Prontinho Shun. Esta entregue. -dizia deixando o menino na porta de casa.
–Obrigado por me acompanhar Hyoga. -agradece dando um selinho nele.
–Eu quem devo agradecer. Adoro sua companhia. -continuava abraçando o companheiro.
–Só não acho uma boa ideia você voltar nessa escuridão. Por que não fica e dorme aqui? -pergunta Shun, demonstrando preocupação. -Ligue para os seus pais e veja o que pensam a respeito. Se eles discordarem eu peço para o Ikki te levar. -sugere para o loiro.
–Não quero incomodar Shun, além do mais a cidade é tranquila, não tem com o que se preocupar. -explicava para o menino.
–Pare de besteira. Se é assim eu vou acordar o Ikki. -anuncia se desvencilhando do abraço e pegando sua chave.
–Não Shun. Já disse que não tem necessidade, eu sei me cuidar. -reclama Hyoga o pegando pelo braço, não deixando ele abrir a porta.
–Ele não vai brigar por ter que te levar. É mais seguro. -dizia mostrando o quanto se importava com o bem estar do loiro.
–Tudo bem você venceu. Eu fico. Mas não trouxe pijama, escova de dente e nem nada. -fala para o outro.
–Meus pijamas cabem em você e escova de dente tem sobrando.-sorria ao dizer isso, abrindo a porta de casa.
–Então vamos entrar? Você parece estar com frio.
–Só um pouco, mas você parece tão natural. Não está sentindo também? -questiona ao adentrarem na sala.
–Na verdade não, até porque o que realmente me incomoda é o calor. Na Rússia é muito mais frio do que aqui, estou acostumado com as baixas temperaturas.
–Você nunca me contou o motivo de ter vindo para cá.
–Um dia você saberá. -diz ele ficando com um olhar triste e pensativo.
–Desculpa. Não quis te deixar chateado.
–Não deixou, só não gosto muito do assunto.
–E você mora com quem aqui? -indaga indo para a cozinha.
–Meu irmão mais velho e o meu pai. -responde o acompanhando pela casa.
–Hmm, é bem parecido comigo. Com fome? Afinal não comemos nada além do sorvete.
–Fome não, só sede.
–Também estou com sede. -fala servindo suco para eles, entregando um dos copos para Hyoga.
–Obrigado. -agradece tomando um gole.
–Cansado? -pergunta terminando de tomar o seu suco.
–Sim e você?
–Também. Vamos subir? Te empresto o pijama e se quiser pode ir se arrumar para deitar. -propõe colocando os copos na pia e em seguida subindo para o quarto.
–Shun e onde eu vou dormir? -questiona ao ver que só tinha uma cama.
–Co-co-comigo. Algum problema?-pergunta virando o rosto para baixo, completamente vermelho.
–Não, nenhum. -responde naturalmente. -Vou ir me trocar, onde fica o banheiro?
–No final do corredor. -aponta Shun para a direção onde ficava o toalete.
Indo para o banheiro o loiro começa a ficar nervoso, sabia que teria de se controlar ao máximo para não passar dos limites com o menino. Da última vez que ficaram juntos na cama ele gostaria de ter seguido em frente, mas não o fez, tinha consciência de que era cedo demais e que o seu parceiro poderia não estar preparado como ele. Mas agora os sentimentos estavam ficando mais intensos, ganhando força e o russo já pensava no corpo de Shun, até mesmo se masturbou pensando no garoto, depois do ato se sentiu um pouco incomodado, mas compreendia que o que havia feito era natural, sobre tudo por estar envolvido emocionalmente com o outro e também pela atração física que se entrelaçava nesse meio.
Ao chegar ao banheiro disse para si mesmo:
–Calma Hyoga! Você não é nenhum tarado, apenas controle-se.
Termina de se vestir, escova os dentes, pega a sua roupa e sai em direção ao quarto vendo Shun sentado o aguardando. O menino levanta e caminha para fora do cômodo em direção ao banheiro, na intenção de se ajeitar para deitar. Ao retornar encontra o loiro sentado na cadeira, o observando caminhar pelo quarto.
–Você não vem? -pergunta bastante envergonhado, enquanto se acomoda na cama.
Hyoga faz um sinal positivo com a cabeça e deita ao seu lado. Meio sem jeito tenta manter uma pequena distância do companheiro, de forma que quase caia da cama.
–Hyoga tudo bem? -indaga virando-se para olhar o russo.
–Claro. -responde sorrindo, tentando não ficar nervoso.
–Pode chegar mais perto. Se não vai acabar de esborrachando no chão. -diz o puxando mais para perto.
–Certo. -fala sentindo o corpo de Shun colar no seu.
–Tem certeza que esta bem? Parece um pouco tenso. -volta a questionar o bem estar do loiro.
–Já disse que to bem.
–Hyoga, eu gosto de estar assim com você.
–Eu também.
Shun chegou ainda mais perto, o suficiente para o loiro sentir o gostoso perfume da sua pele macia, a respiração bem perto da sua. Sem mais delongas os beijos começaram, os toques se tornaram mais atrevidos, embora Shun apenas passasse de leve as mãos nas costas do companheiro por dentro da pijama. Enquanto o outro mais voraz acaba fazendo Shun ficar em cima dele, ainda aos beijos, puxando sua camiseta, jogando ela para o chão.
Ikki havia acordado com os barulhos e foi verificar como estava seu irmão, abre apenas um pouquinho a porta sem chamar a atenção dos meninos, se deparando a cena dos dois sem camisa e aos beijos na cama.
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