História De Amor

11 A Única Excessão


Notas iniciais
Capítulo narrado por Hyoga, mostrando sua relação familiar e seus pensamentos sobre seu inicio de relacionamento com Shun. Espero que gostem, qualquer sugestão é só dizer que eu aplico. Obrigada e boa leitura, beijinhos ;D

Bem, nada melhor do que começar o dia brigando com meu futuro cunhado. É até mesmo engraçado, porque se eu estivesse no lugar dele faria exatamente o mesmo, não gostaria de ver meu irmãozinho andando com um cara problemático como eu por aí. Enfim, o que esta feito não importa mais, sabemos que não gostamos um do outro e isso já o suficiente por hoje. Além do mais, tudo o que eu mais quero é chegar em casa e me trancar no quarto como costumo fazer, pois apenas naquele pequeno espaço ao qual me pertence me sinto seguro e a vontade dentro do local onde eu moro, algo que não posso chamar de lar.

Caminho um pouco e logo estou lá, parado na frente daquele enorme portão azul, procurando minha chave quando escuto uma voz a me chamar.

–Hyoga, esqueceu a chave? Ou perdeu ela de novo? –era Isaak que falava, o meu irmão mais velho, ele é o único que consigo manter uma relação saudável por aqui.

–Ela esta por aqui em algum lugar dos meus bolsos. –digo ainda procurando por dentro deles.

–Vamos entre, se elas estão por ai você vai achar. –fala enquanto abre o portão para entrarmos.

–Olá meninos, já voltaram! –dizia meu pai enquanto regava as plantas.

–É sim, comprei o que você pediu. –disse meu irmão para ele, mostrando uma sacola que carregava.

–E você Hyoga, por onde andava? Saiu cedo e sem me avisar onde iria. –diz em um tom de voz bastante animado, algo que me deixava extremamente irritado.

–Estou de volta não é mesmo? –respondo friamente, já entrando dentro da casa.

–Por favor meu filho, não vamos brigar. –pede olhando atento para mim.

–Kamus, sinceramente é patético sob o meu ponto de vista, você bancar o pai amoroso, agora se me dão licença, eu vou para o meu quarto. –falo já me direcionando para meu lugar, antes de precisar ouvir uma resposta.

Se ele soubesse que isso machuca a mim tanto quanto machuca a ele, mas eu não consigo perdoar, ele precisa sentir parte da dor que eu sinto. Ele precisa sofrer como eu sofro, esse é o castigo dele. Ás vezes tudo que eu mais quero é deitar no seu colo e chorar até adormecer, mas não faço, não sei se sou orgulhoso demais para isso e a verdade é que eu simplesmente tenho nutrido um sentimento que repele o meu pai, desde aquela noite.

Era mais uma das brigas entre minha mãe e meu pai, nunca soube ao certo o motivo da que fez a tragédia acontecer, eu era muito pequeno, mas lembro da minha mãe dizendo que se ela saísse, ela não voltaria mais. Ele falou que não se importava e ela cumpriu a promessa, morávamos na Rússia, faz muito frio lá e no calor do momento minha mãe saiu desprotegida e caminhou até um bosque que havia não muito longe dali, sentou perto de uma árvore e pela manhã foi encontrada morta, congelada.

Desde então soube que o amor não é para mim, que ele não é como nos filmes... pensei assim até encontrar aqueles olhos verdes. Ah que droga, eu sinto as borboletas dançaram no meu estomago só de pensar, ao mesmo tempo que eu quero, eu não quero. Eu gosto muito do Shun, por alguma razão ele é o único que me desperta esse sentimento, mas eu sei que futuramente vamos nos machucar, porque o amor nunca dura, mesmo ele sendo verdadeiro, vai se desgastar com o tempo e o que sobra nem sempre é o suficiente.

Acredito que meu pai é o maior culpado pelo que aconteceu, se ele tivesse saído atrás dela, pedido desculpas por seus erros e a feito voltar, com certeza seríamos felizes agora e se não fossemos, ao menos a teria comigo, já que passei tão pouco tempo com ela. Guardo a Cruz do Norte, que recebi dela como forma de proteção e tendo esse objeto comigo consigo senti-la perto quando mais preciso.

Deito na cama encarando o teto, escorando a cabeça com meus braços. Fecho os olhos e quase consigo sentir o toque de Shun, a pele suave, o perfume doce, o calor do seu corpo. Meu coração dispara e involuntariamente solto um suspiro.

–Será que vale a pena? –me pergunto, pois ainda não é tarde demais para uma conversa e colocar tudo em apenas amizade.

Esse sentimento que ainda não consigo definir, será que é amor? Todo essa vontade ficar ao lado dele, de passar horas conversando e não enjoar do assunto, sentir saudade, criar imagens futuras em minha mente. Eu poderia sair correndo e dizer tudo isso para ele, mas tudo tem um porém um preço a ser pago, o que eu chamo de riscos. Estou me arriscando demais? Porque ao mesmo tempo em que eu quero, eu não quero.

Me viro na cama, pois o único jeito que encontrar uma solução é pensar.

–Hyoga? Hyoga? –escuto batidas na porta, a voz era de Isaak, ao abrir os olhos vejo que já está quase escurecendo, então quer dizer que eu acabei pegando no sono, nem percebi, simplesmente adormeci.

–O que foi Isaak? –pergunto abrindo a porta.

–Você esta bem? Ta trancado nesse quarto desde a hora que chegou, me deixou preocupado. –fala entrando no quarto, enquanto volto a sentar na cama.

–Tudo bem, só peguei no sono. –digo ainda meio sonolento.

–Nossa, então você estava cansado mesmo né? Já são quase 19 horas. –anuncia ele olhando para seu relógio.

–Isaak, que horas você disse que são? –pergunto assustado.

–São dezoito e cinqüenta e três. Por quê? –questiona curioso.

–Droga! Tenho compromisso. –respondo pegando minha toalha e saindo as pressas do quarto.

–Com o que? Você tem andado meio esquisito. –fala me acompanhando pelo corredor.

–Conheci uma pessoa, mas depois eu te falo preciso me arrumar muito rápido. –termino de falar e fecho a porta do banheiro, para tomar o banho mais do que depressa.

–Certo então. –diz ele depois de ter a porta fechada em sua cara, voltando para a cozinha a fim de ajudar Camus no jantar.

Nunca me arrumei tão depressa quanto agora, preciso passar desodorante, ajeitar o cabelo, ver uma roupa bacana, perfume, loção, não vai dar tempo, ele já deve estar me esperando. Passo pela cozinha correndo dizendo onde iria e que não tinha hora para voltar.

–Onde ele vai tão apressado Isaak? –pergunta Camus ao filho mais velho.

–Pelo que fiquei sabendo, ele conheceu uma menina. –responde rindo.

–Por essa eu não esperava. Então esse é o motivo de tanta mudança e rebeldia mais do que o normal. –fala sorrindo, feliz por seu menino ter encontrado alguém especial.

Saio correndo pela ruas, espero que ele ainda esteja lá, na correria esqueci de pegar meu celular, nem pensei em mandar um sms, na verdade nem olhei para ele. Espero que ele ainda esteja lá.

–Bem, já são quase oito, ele não vem. –diz Shun para si mesmo, levantando do gramado, parecendo bastante triste.

Caminhou alguns metros até ouvir uma voz.

–SHUN! SHUN! –era Hyoga que corria como um louco em sua direção.

Ainda bem que o encontrei, acho que ele já estava indo embora, não me perdoaria se fizesse isso com ele. E por mais que eu tente negar, eu estou sim apaixonado por ele, por seus olhos, pelo seu jeito e principalmente pelo seu coração. Conheço ele há pouco dias, mas não importa, terei um longo tempo para aprender tudo sobre ele. E os riscos? Dane-se, ele me faz bem e isso que importa. E sobre o amor machucar? Eu quero me arriscar, eu sei que por ele vale e a pena, e farei de o possível para não perdê-lo, já chega de perdas em minha vida.

–Eu pensei que você não viria mais. –diz ele andando em minha direção, sorrindo.

Eu nem ao menos respondo, com o fôlego que me sobrou eu só queria beijá-lo, sentir os seus lábios macios nos meus e assim ter a certeza de que estou mais certo do que nunca.

–Desculpe por te fazer esperar. –digo olhando para seus lindos olhos verdes.

–Tudo bem. –responde com todo seu jeito meigo.

Não resisto e volto a beijá-lo. Sinto minha mãe muito perto de mim, me dizendo que estou no caminho certo. Então eu vou trilhar esse novo caminho de mãos dadas com Shun, e para começar vamos dar inicio ao nosso primeiro encontro.

Notas finais
Obrigada pela leitura. Beijinhos