História After You -

23 - A Nova Atração


Notas iniciais
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— A culpa foi toda minha... — Disse Claire aos prantos. Assim que Owen entrou ela olhou para ele. — Você disse para não pegar peso, e eu peguei Owen... Eu peguei... Não... Não... Por favor filha, me perdoa, me perdoa...

Ao ver o quão sério o caso estava, Owen pisou no acelerador e ignorou todos as pedras, barrancos e lama, no parque os sinais vermelhos e as preferenciais fazendo Claire ficar com mais medo ainda.

Quando chegaram ao hospital, Claire foi colocada em uma cadeira de rodas e levada para a ala obstétrica onde o médico estava de plantão.

— Então senhora Grady, o que aconteceu? — Perguntou levantando o vestido para examinar a barriga. Owen explicou tudo o que aconteceu, desde a noite anterior intensa até o ocorrido no banheiro de manhã. O doutor levanta e a olha um pouco sério.

— Explicado! — Exclamou o médico.

— Eu falei para ela não pegar peso, mas você acha que essa teimosa obedeceu? — Owen agora estava ao lado de Claire, segurando-a pela mão, a acusando.

— Tenho o telefone da doutora Jones, vou ligar pra ela e encaminhar vocês no helicóptero de emergência.

Claire começou a chorar, não conseguia dizer uma palavra. Nem mesmo olhar para Owen, ele tinha razão. Era culpa dela. E se algo acontecesse com a filha, não sabia o que faria da sua vida. Não demorou muito e o helicóptero já havia chegado, e o casal já estava a caminho da Costa Rica.

*

Após todos exames necessários e perguntas, a doutora Jones sentou-se em sua mesa.

— Mas vai ficar tudo bem com a bebê doutora? — Perguntou Owen quase à beira de um infarto fulminante.

— Vai sim, a Claire só teve um deslocamento do saco gestacional que é bem comum na idade de gestação em que ela está quando pratica exercícios físicos exagerados, quando se pega peso... Eu vou te passar uma medicação e você vai fazer repouso absoluto, nada de trabalho, subir escadas, pegar peso, sexo por enquanto, agachar e levantar... Te quero só deitada até ele voltar ao lugar!

— Por quanto tempo isso Doutora? — tudo aquilo era muito para ela. Mas estava aliviada de certa forma, por ser "normal".

— Só agora que eu peço uma folga, mas daqui um mês ou três semanas vocês já podem voltar à vida sexual de vocês...

— Graças. — Owen murmurou para si mesmo, mas então lembrou-se de que tinha assuntos mais importantes para pensar.

— 3 semanas? — arqueou as sobrancelhas. Era demais para ela, principalmente pela parte sexual. — Em quanto tempo posso voltar a trabalhar? Daqui a 5 dias? Não posso ficar muito tempo afastada.

— Já assumi seu cargo amor, não precisa se preocupar quanto a isso...

— Como eu disse Claire, 3 semanas.

— E-eu não posso ficar tanto tempo sem trabalhar, temos um evento importante daqui a menos de um mês, tem que ser perfeito. Eu prometo ficar 1 semana de repouso absoluto.

— Claire, eu entendo. Mas creio que o Owen irá dar conta do recado e tenho certeza de que a Clarisse é o que importa mais. Não é mesmo?

— Sim. — disse apenas. E olhou rapidamente para Owen.

Alguns minutos depois conversando, orientando do que deveriam fazer nas próximas semanas, a Dra. Jones liberou o casal. Claire pegou o celular para chamar um táxi, estava extremamente irritada com toda aquela situação, que ela mesma causou. Tudo fugiu do controle.

De volta pra casa, Owen optou por ficarem no apartamento deles, ao invés do bangalô. Deixou a esposa deitada enquanto aquecia a comida no micro-ondas, sem trocar uma palavra.

Claire estava pensativa, mais uma vez. Estragou tudo. Sem sexo por quase um mês, sem trabalhar e ainda pôs a vida da sua vida em risco. Talvez o que ela sempre pensou antes, fosse a verdade. Ela seria uma péssima mãe. Essas emoções fluíram a fazendo chorar, acariciou a barriga. Estava com medo, Clarisse não mexera o dia todo.

— Meu amor... Perdoa a mamãe... Você e seu pai são tudo para mim. Por favor filha, mexe...

Minutos mais tarde, o marido adentrou o quarto com a bandeja de comida. Estava sério. Muito sério.

— Come com calma, e toma cuidado pra não cair nada na cama. Se quiser levantar me chame.

— Owen... Espera... — segurou a mão dele. — Vamos conversar?

— Conversar sobre sua falta de responsabilidade?

— Eu sei que o que fiz foi errado... Por favor, não fale assim...

— Quantas vezes tenho que por na sua cabeça que todas minhas recomendações é pensando justamente em vocês duas, Claire? Porque me ignora? E aquela cena no consultório... por um ínfimo instante você se esqueceu da filha que carrega e quis argumentar com a doutora sobre ir trabalhar!

Ela arregalou os olhos o ouvindo em completo silêncio. Procurou palavras para justificar-se, mas não as encontrou.

— E-eu... — respirou fundo. — Sou toda errada, me desculpe. Você está certo Owen. — pegou a bandeja e ficou encarando o prato de comida.

— Ah, eu espero não ter que brigar com você de novo. Experimenta não sair dessa cama por favor. Quer que eu implore de joelhos?

— Se eu tiver que sair da porcaria dessa cama, eu vou sair. — disse rispidamente. — Me deixa sozinha, Owen!

— É repouso absoluto!

— Eu já me fodi o suficiente por hoje, OKAY! — gritou. — Eu quase matei a minha filha, e não preciso ouvir mais coisas de você. Essa culpa já é o suficiente para mim. Por que se realmente tivesse acontecido alguma coisa com ela, eu não suportaria mais viver... — algumas lágrimas escorreram pelo seu rosto. — Eu não preciso ouvir mais nada.

— Está bem. Estarei no escritório aqui do lado. Me grita quando precisar. — Saiu logo em seguida.

Ela o olhou se afastar e começou a chorar, chorou o quanto conseguiu. Após comer, colocou a bandeja de lado. Estava exausta, acabou adormecendo. Por horas, mais que o normal. Já era a noite, e ela parecia desmaiada.

Do outro lado do apartamento, o serviço era demasiadamente extenso, mas Owen deu uma pausa para levá-la para tomar banho. Juntou a bandeja e deixou na cozinha, logo retorna e tenta acordá-la.

— Claire?

— Oi... — sussurrou sonolenta, ainda de olhos fechados.

— Vamos tomar banho. Como se sente?

— Mal... Me deixa dormir... — mesmo com os olhos fechados, uma lágrima escorreu pelo seu rosto. — Serei uma péssima mãe, assim como sou uma péssima esposa...

Ignorando aqueles comentários sem fundamento, Owen a pegou no colo levando para o banheiro.

— Não precisa disso, eu posso tomar banho sozinha. — Ela começou a tirar sua roupa, devagar ainda estava sonolenta.

— Não pode não. Estou te vigiando aqui na porta.

Ela ficou um bom tempo ali. Terminou e se secou colocando a camisola limpa que já estava lá pendurada.

— Pronto... — se aproximou um pouco dele.

Owen a carregou de volta pra cama e levou alguns sanduíches depois.

A ruiva os comeu rapidamente e bebeu o suco. Devolveu a bandeja para ele em seguida.

— Obrigada. — deitou virando para o outro lado.

Após limpar toda a bagunça, o loiro retornou ao escritório.

Claire dormiu rapidamente. Era um dos seus piores dias e nem ao menos tinha Owen ao seu lado. Até que algo inesperado a acordou, a deixando imensamente feliz.

— OWEN!!! — gritou. — OWEN!

O marido surgiu na frente dela como um fantasma, pálido e assustado.

— Santo Deus, o que há agora?

Ela sorriu e segurou a mão dele, a levando até sua barriga.

— Ela está mexendo, sente... — a pequena estava bem agitada. Para a tranquilidade da mãe. E do pai. Owen suspirou de alívio, sentando ao lado dela.

— Que susto você deu na gente, filha...

O sorriu de Claire sumiu, se não tivesse feito aquilo mais cedo, nada daquilo teria acontecido.

— A culpa foi minha princesa... Me desculpa... — murmurou. Colocou a mão sobre a de Owen e o encarou, como se pedisse desculpas com o olhar.

— Já passou Claire. Sei que aprendeu a lição. A culpa também foi minha. — Sorriu a encorajando a sorrir também. — Vamos ler juntos? Não terminamos a leitura daquele livro.

Ela sorriu para ele assentindo com a cabeça e antes de ele se afastar, o puxou para beijá-lo.

— Eu amo muito vocês dois.

— Ah, é? Então pára com essa carinha... o pior já passou.

Owen beijou o topo da cabeça dela, em seguida pegou um dos livros, começando a ler na parte em que pararam.

Claire estava aconchegada nos braços fortes e protetores dele. Aquele livro era muito bom, esclarecia muitas dúvidas sobre toda a gestação. Se fosse outra pessoa provavelmente ao invés de ler um livro, procuraria o assunto na Internet. Mas não aquele casal, Claire amava ler livros e sempre que podia, pedia para Owen ler junto com ela. Fariam a mesma coisa com a filha. Após um tempo debatendo o assunto, eles acabaram adormecendo.

*

Com duas semanas e meia, Owen começou a considerar as recentes e intensas chuvas em Nublar um problema para o avanço da construção da nova atração que contava com várias espécies da era cenozóica. Um grande avanço para o parque. Logo o mundo objetificou seus holofotes no maior parque temático do mundo, e Owen não pode deixar de ficar feliz. Claire por outro lado, ainda permanecia de repouso absoluto em casa, acompanhava tudo pelos noticiários e e-mails que recebia. A noitinha, o marido lhe mostrava as fotos da planta da construção, os materiais a serem comprados e etc.

Para Claire não estava sendo nada fácil observar tudo de fora. Ela amava aquele trabalho e queria estar junto de todos os preparativos do novo projeto. Aqueles dias pareciam uma eternidade para passar. Mas depois do susto que teve, prometeu que a colocaria em primeiro lugar. Mas quando Owen chegava em casa, era bombardeado de perguntas sobre o parque, além de sempre manter contato com Vivian.

Certa noite, após se certificarem que não choveria nos próximos dias, Owen e toda a equipe do parque se reuniram ás 10 da noite para discutir sobre o avanço nas obras que ocorreria no dia seguinte pela manhã, inclusive a apresentação dos novos animais recém chocados, contando com um novo híbrido que prometia ser o centro das atenções.

Quando retornou em casa, encontrou a esposa largada no sofá com um balde de sorvete.

— Boa noite minha ruiva... — Abraça-a com carinho sobre o peito, em seguida beijando-lhe a boca suja de sorvete. — Está comendo porcaria... para variar.

— Comer porcaria é o que me resta. — apoiou a cabeça em seu ombro. — como foi hoje?

Owen contou todos os detalhes e mostrou os projetos com a planta.

— Nossa fundação e paredes já estão erguidas. Amanhã irei com o pessoal da segurança avaliar tudo.

— Eu vou também... — disse devorando outra colherada de sorvete.

— O que disse?

— Eu vou. Olha Owen, antes de começar um sermão. Não tem nada demais, eu só vou ir ver...

— NADA disso. É perigoso, iremos entrar com equipamentos de segurança. Tem degraus, corredores longos e muita poeira prejudicial.

Claire pensou em debater, mas não faria isso. Seria mais uma discussão cansativa para ambos. Ela então pegou a colher cheia de sorvete e enfiou na boca dele.

— Shiuuu... — desceu a mão acariciando a coxa do marido se aproximando da virilha. — Sinto tanto sua falta... Não vejo a hora de passar esses dias faltantes do repouso.... — o encarou intensamente. — E você, como se sente?

— Sei que é um sacrifício, eu também estou louco Claire... — Aquele gesto dela com certeza não ajudou em nada seus pensamentos perversos. — O que eu sinto nesse momento na verdade é tesão.

Ela sorriu com aquela revelação dele, ficou feliz em saber que ele sentia o mesmo.

— O sacrifício deve ser só meu, não seu amor... Eu posso cuidar de você. — se aproximou ainda mais e começou a beijar o seu pescoço. — Eu posso te fazer relaxar... — lentamente enfiou a mão por dentro da calça de Owen e começou a massagear seu membro.

— Claire, o que pensa que está fazendo? — Olhou pra ela desacreditado, logo o pênis já estava duro como uma pedra nas mãos dela.

— Calma amor... Eu não posso ter relações. Não é justo você também ficar dias sem... — sorriu maliciosamente. Com cuidado, ela desceu do sofá fixando de joelhos na frente dele. Colocou o pote de sorvete ao seu lado, abriu as pernas do marido e começou a tirar o cinto. — O que me diz senhor Grady? Não é nada arriscado para mim... — sua voz era sexy e cheia de luxúria.

— Hm... Eu deixo se deixar eu fazer o mesmo depois...

Owen notava ela minuciosamente aquele instante. Aa bochechas coradas em contraste com os lábios avermelhados a deixando malditamente sexy. Sentindo o membro tão sedento pela boquinha da esposa.

— Eu não sei se eu posso... — sorriu ficando levemente corada. Claire sentia suas bochechas arderem, sempre que Owen a olhava daquela forma.

Com cuidado, mas ao mesmo tempo louca de desejo, abriu o zíper da calça de Owen, a abaixou um pouco junto com a boxer e sorriu ao ver o que tanto desejava. O pênis rígido dele. Aquilo a fez sentir sua intimidade latejar de desejo. Ela o segurou firme e começou a massageá-lo. Claire riu com a ideia que teve, mas o fez. Antes de chupa-lo com intensidade, comeu mais uma colher de sorvete. O melhor era a expressão do marido, então sem perder tempo, levou o que tanto desejava até a boca. Sem pressa o chupou por toda parte, enquanto suas mãos ajudavam a excita-lo.

— Céus, Claire... isso... — Os dedos grandes agarraram-lhe os cabelos vermelhos a incentivando a engolir cada vez mais. A sensação era única. Ela quente, macia, o acolhia tão bem. Owen estava tão necessitado aqueles últimos dias que acabou gozando antes do esperado em jatos quentes na garganta dela.

— Uhmmm... — a ruiva sorriu satisfeita e acariciou seu membro mais uma vez. Voltou a sentar no sofá ao seu lado. — Mais relaxado amor?

— Onde aprendeu a fazer isso, hein? — Perguntou procurando o fôlego.

— Com você... Vou praticar mais se quiser. — piscou para ele. — Que horas é a avaliação do paddock amanhã?

— Oito e meia de manhã... — Os dedos habilidosos alcançaram a parte interna da coxa dela em uma leve carícia.

— Então precisamos ir dormir, não é? — ao sentir a mão dele arqueou um pouco a coluna, deixando escapar um gemido. — O que está fazendo danadinho?

— Estou fazendo um carinho na minha esposa. Não posso? — Atreveu a afastar o tecido da calcinha dela tocando-a diretamente.

— Céus amor... — arfou. — Eu preciso tanto disso, mas... Acho que não posso... — mordeu o lábio inferior.

— Só vou te tocar, nada mais além disso. Ok... só relaxe... — Owen afastou as dobras dela e com o indicador a estimulou fazendo círculos imaginários até a umidade da vagina fosse o suficiente para penetra-la com o dedo médio.

Claire agarrou o braço dele e fechou os olhos, estava tão necessitada de ter relações com o marido, que aquele simples toque a estava levando a loucura.

— Isso amor... Mais rápido. — puxou seu rosto o beijando, sua língua estava faminta por a dele.

Enquanto as línguas se acariciavam, Owen arrancou brutalmente a calcinha deixando-a em pedaços no chão. Com o livre acesso, introduz três dedos no interior quente dela.

— Assim? Fala que está gostando de ser fodida desse jeito... pode falar, ruiva.

— Estou... Claro que estou... — disse ofegante. Após movimentos mais intensos de Owen com os dedos, ela acabou gozando. Estava sensível demais. — Owen... — gemeu seu nome o puxando para mais um beijo, enquanto sente seu corpo pulsar.

Owen a tomou nos braços a levando para cama.

— Vou sair bem cedo amanhã, vou deixar seu café pronto, está bem?

— Está ótimo amor, obrigada... — se aconchegou em baixo do edredom. — Vai lá tomar seu banho, para dormirmos...

A verdade era que Claire não queria perder essa avaliação amanhã, mas sabia se comentasse algo com Owen, ele a proibiria e a encheria de sermões. Ela preferia os poupar daquilo. Esperaria ele sair e iria logo em seguida.

Owen não demorou muito no banho, logo retornou nu como veio ao mundo e enfiou-se nos cobertores, enchendo a barriga dela de beijos.

— Oi bebê.

— Eu deveria te bater por ficar assim tão perfeito perto de mim... — o repreendeu brincando. Sorriu com o gesto dele. — Ela já mexeu muito hoje, acho que ela sentiu a sua falta...

— Logo o papai vai ficar em casa 24 horas por dia para dar total atenção as vidas dele... — Abraçou-a por trás sentindo o ventre com a ponta dos dedos a fazer um carinho. — Boa noite, te amo.

— Também te amamos, Boa noite. — Não demorou muito para ela dormir com o carinho dele.

*

Após uma noite tranquila de sono para ambos, o despertador de Claire começou a tocar. Mesmo ela não indo trabalhar, sempre acordava cedo e era ela quem acordava o marido.

— Amor... Já está na hora... — Virou para ele beijando-o no ombro. — Não pode se atrasar.

Owen resmungou e virou de lado.

— Mais 5 minutos...

— Não Owen, acorda. Você não pode se atrasar hoje. — passou a mão em suas costas. — ANDA. Então eu vou... — disse quase se levantando da cama.

Antes dela terminar, Owen saltou para fora da cama a cobrindo.

— Bons sonhos ruiva. Volto para almoçar.

Após beijá-la, fazer suas higienes e se vestir, Owen partiu para o escritório onde fez uma breve pauta sobre o que deveria ser feito aquela manhã e partiu em um translado do parque para o local da construção, ao leste da ilha.

Assim que Owen saiu, Claire levantou cuidadosamente e foi tomar um banho e logo em seguida seu café. Ela precisava ir nessa avaliação do paddock, colocou um vestido azul e uma sapatilha e foi rumo a obra.

Muita poeira e homens trabalhando, erguendo tábuas e com furadeiras. O barulho infernal de toda construção. Após tomarem um café coletivo com os investidores e profissionais especializados na segurança, Owen acompanhou o chefe da obra para ver se estava tudo como planejado.

*

E lá estava a senhora Grady, estacionou próximo ao local, assim evitaria andar muito. Ao sair do carro com óculos escuros, alguns dos homens que trabalhavam pararam o que estavam fazendo para observa-la. Ela olhou em volta e o padocck estava bem adiantado, Owen estava fazendo um ótimo trabalho.

O loiro passava por um dos paddocks, logo mais a da atração principal.

— Aqui será um dos animais em que estamos mantendo as apostas. Um Megaloceros com um Indri...

— Indricotério, senhor Grady. Ambos animais cenozóicos já extintos. — Doutor Wu tomou a palavra, ajeitando seu jaleco branco com seu ar convencido. — Nossos pesquisadores trabalharam muito, inclusive o senhor Grady ajudou muito em sua pesquisa sobre esses animais. Vamos torná-lo um só. Nosso segundo híbrido geneticamente modificado.

— Devo ressaltar que trabalhamos o dobro nesse novo projeto, para não cometermos o mesmo erro com a Indominus. O Megaloceros é um animal manso e de clima frio. Esse paddock será especialmente instalado para atender as necessidades de vida dele.

— Vão fazer nevar aí dentro? — Um dos investidores questiona, impressionado.

— Sim, senhor McHilton.

Claire os avistou de longe, respirou fundo e se aproximou escutando o final da conversa.

— Neve em Nublar? Será bem interessante. Podemos fazer qualquer coisa. — disse chamando a atenção para ela.

Owen pensou ter escutado a voz da esposa em meio à multidão e riu mentalmente de si mesmo. Quando o doutor Wu a cumprimentou e apresentou a todos, Owen teve certeza de que não era uma alucinação.

A ruiva cumprimentou cada um, e olhou para o marido. Conhecia bem aquele olhar, então desviou rapidamente.

— Devo parabenizar a todos. Estão mais adiantados do que eu imaginei.

— Sim, senhora Grady, pretendemos inaugurar antes do mês de férias.

O doutor Wu finaliza e logo Owen apareceu ao lado da ruiva com faíscas nos olhos.

— Eu estou mesmo te vendo aqui ou é algum tipo de droga que tomei hoje pela manhã?

— Calma Owen... Não estou fazendo nada demais, só vim ver como estavam as coisas por aqui. — tirou os óculos escuros o encarando.

Owen a levou até um canto isolado.

— Presta atenção no que você está fazendo. A doutora disse TRÊS SEMANAS de repouso absoluto. Não é só porque está acabando quer dizer que é pra fazer o que quer. Claire, meu Deus... você não tem noção... olha essa poeira, olha essa terra... Vai fazer mal para vocês duas!!

— Larga o meu braço. — o puxou. — Deixa de exagero Owen. Falta só três dias para esse período terminar, nós estamos muito bem. Não fiz nenhum esforço, só vim ver como estavam as coisas!!!

— Porque não me pediu foto, ou um vídeo. Vamos embora agora mesmo, veio de carro? Te acompanho até lá.

— Não! Já que estou aqui, quero terminar de ver.

— Mas você não vai, é perigoso. Você está sem equipamento de proteção individual, inalando essa poeira. — fez menção de pega-la no colo, mas ela recuou. — Claire, por favor...

— Não tem motivo para estar assim, Owen. Não vai acontecer nada demais, eu acabei de chegar. Não inalei nada, vou lá pegar os equipamentos necessários.

Quando ela virou de costas a pegou no colo, carregando até o carro.

— Me solta, Owen. — assim que ele a colocou no chão, ela se afastou. — Eu não estou doente, estou grávida! Pára com isso, eu não vou embora. Eu já estou aqui, não vou subir escadas nem fazer nenhum esforço, caramba.

— Você é inacreditável Claire Grady, INACREDITÁVEL. Vamos. Pensa na Clarisse, pensa na NOSSA filha! Vamos!

— Eu penso nela a toda hora, ela está bem! Para de gritar Owen! — olhou ao redor. — As pessoas estão olhando! Por que ao invés de reclamar, não me leva logo para conhecer o paddock?

Owen bufou, estava puto da vida. O que mais queria era deixá-la em casa, mas não ia fazer aquilo a força.

— Vai ficar aí parado? — o encarou cerrando os olhos. — Owen? — Se aproximou um pouco dele.

— Não pode entrar lá. — Respondeu seco.

— Por que? Somos donos, claro que eu posso entrar. — respirou fundo. — Eu vou sozinha então.

— Eu faço qualquer coisa, te dou qualquer coisa para você ir embora. Quer que eu implore? — O marido então fica de joelhos na frente dela.

— Owen... Pára com isso. — o segurou pela mão. — Pelo amor de Deus, levanta. PÁRA, você não acha que está exagerando?

Lauren surgiu do nada ali próximo e encarou a cena um tanto curiosa. Owen se deu por vencido e se levantou.

— Se eu te levar para dar uma volta, vai embora depois?

— Talvez. — revirou os olhos com o exagero do marido.

Owen providenciou os equipamentos de segurança e levou a ruiva em um passeio rápido pela dezenas de paddocks localizados ali. Cada um de acordo com a espécie destinada.

— Ali vai ficar um Archaeotherium. — Mostrou a imagem do animal no tablet. — Significa "fera antiga". Mas é um bom nome para um javali de presas grandes, não é?

Claire estava bem impressionada com tudo o que foi mostrado pelo marido.

— Não. Precisamos de um outro nome, as Crianças não vai conseguir falar "Archetherium".

— Claire, trazemos os animais de volta da extinção. Mas isso não quer dizer que vamos criar um nome para as espécies, elas já existiam antes e foram catalogadas ao longo da história até os dias de hoje.

— Sim, mas podemos criar um nome. — o encarou. — Os trouxemos de volta, a Clarisse não vai saber falar este nome, assim como nenhuma outra criança.

— Repete Archaeotherium de novo por favor. — Segurou o riso.

Ela revisou os olhos, mas o fez.

— Archetherium. — olhava para o tablet lendo os relatórios.

O marido começou a rir compulsivamente até ficar com o rosto vermelho tamanho esforço que fazia pra rir.

Claire o encarou sem entender aquilo.

— Qual é a graça? — sorriu de canto, com a imagem do loiro.

— Está bem... olha... — Owen fez duas falhas tentativas de pegar fôlego novamente. -Agora fala Archaeornithomimus...

— Archeorthomimus... — o encarou e percebeu que o marido estava rindo da cara dela. — O que foi Owen? Pára de rir.

— Desculpa, você é a coisa mais fofa falando o nome dos dinossauros errado... — a envolveu pelo quadril possessivamente.

— Eu não estou falando errado. Jamais faria isso. — sorriu e o deu um selinho. — Qual é o próximo passo? Vamos ver o que agora?

— Já te mostrei tudo. — Ele preferiu omitir a parte do híbrido geneticamente modificado. — Vamos almoçar...

O que ele não sabia era que Claire tinha recebido o relatório de todos os novos dinossauros.

— Ainda está cedo para almoçar. Tem certeza que não tem nada para me falar? Quero dar mais uma volta.

— Vamos dar uma volta sim, mas fora daqui. Da próxima vez escondo a chave do seu carro...

— Não Owen, quero ver algumas coisas... Não vou sair daqui. — o olhou nos olhos impaciente.

— Eu já te mostrei tudo, vamos embora.

— Não, vou ficar. Por que não me levou no paddock da atração principal?

Owen levou as mãos aos cabelos os puxando como se quisesse arrancá-los.

— O que eu faço contigo? — Owen pegou o tablet rudemente da mão dela. — Fizemos um trato, eu te apresentava os paddocks, você ia embora!

Claire sabia que Owen está a escondendo, se assustou com a reação dele.

— O problema sou eu? — o encarou irritada. — Todos os paddocks, falta um ainda. Por que não quer me mostrar esse Owen?

— É aquele do centro, você viu ele sim! Santo Deus. Olha só, eu cansei tá legal? Cansei de você e das suas teimosias. — Juntou as coisas e lhe deu as costas.

Aquelas palavras dele foi como um tapa. O observou em silêncio, não precisava dizer mais nada. Ao longe viu Lauren com um maldito sorriso no rosto. Claire se afastou retirando todo o equipamento e entregou para um dos homens. Em seguida foi para o carro, indo imediatamente embora dali.

*

Claire chegou em casa devastada, em prantos. Depois do almoço passou o dia todo deitada, imaginou que Owen não queria vê-la e provavelmente não iria ir jantar. Após um longo banho, fez um macarrão para ela. Assim que terminou, já era tarde, a ruiva também não queria vê-lo. Nem falar com ele.

O loiro havia prometido que iria almoçar em casa, mas não o fez. Preferiu comer fora, e assim fez também no jantar.

Por volta da uma da manhã, ele chegou na ponta dos pés sem sequer fazer um ruído, tirou os sapatos e deitou no sofá.

Claire o viu chegar indo para o sofá e bufou, estava esperando chegar. Por que chegou tão tarde? Queria matá-lo. Mas resolveu ir dormir. Ao vê-la, virou de costas e tentou dormir. E assim ambos dormiram, sem dizer uma palavra um com o outro.

*

O dia começou a nascer e como todas as manhãs, o celular de Claire despertou, ela apenas desligou, não iria acordá-lo como sempre fazia. Virou para o outro lado com dificuldade, e tentou dormir de novo.

Pelo contrário do que ela pensou, Owen não foi ao trabalho aquele dia e por volta das 9 e meia preparou o café da manhã dos dois. Esperou a esposa antes de começar, enquanto lia os relatórios.

Claire acordou e foi direto fazer suas higienes matinas. Assim que terminou foi até a cozinha, estava faminta. O que não esperava era encontrar Owen em casa, assim que o viu quase gritou de susto, levando a mão até o peito.

— Uau... estou tão feio assim? Bom dia.

— Bom dia. — disse apenas, viu o café pronto e se sentou à mesa sem olhá-lo.

O marido aguarda ela beliscar algumas coisas à mesa antes de começar.

— Se lembra daquele protótipo do nosso segundo híbrido geneticamente modificado?

Ela o encarou com os olhos cerrados.

— O que brigamos meses atrás quando me contou? Sim. O que tem? Por que ainda não foi trabalhar?

— Deixa eu falar. Bom... -Pausou apenas para morder uma fatia de queijo. — Seguimos adiante com o projeto. Temos um bebê híbrido já gerado. Daqui a algumas semanas começamos ao treinamento de adaptação...

Claire o encarou incrédula e de um segundo para o outro, ficou transtornada.

— V-você mentiu para mim, por todo esse tempo?...Eu não acredito que fez isso! — deu um tapa na mesa se levantando e andando de um lado para o outro, passando a mão no cabelo. — Mesmo eu sendo contra, você continuou com isso. Não é possível. — parou o encarando. -POR QUE FEZ ISSO? -gritou.

— Hey, não tem necessidade de gritos, amor. Eu não queria te preocupar, mas é o certo a se fazer. Seguir em frente com o parque, tomando as decisões depois de avaliá-las, é isso que você me confiou!

— Mas não devia ter aprovado isso! — começou a chorar. — E cometer o mesmo erro de um ano atrás. Você mentiu para mim, Owen.

— Não vai acontecer nada ruiva, se acalma por favor. Pensa bem... vou te mostrar minha pesquisa. — aproximou-se dela com cautela.

— Não. — se afastou. — Não quero ver nada. Como pode mentir para mim? Olhava nos meus olhos todos os dias, mesmo mentindo. — saiu indo para o quarto.

O marido foi logo atrás.

— Não menti, omiti a informação. Você não sabe de que animal estamos lidando e age desse jeito? Deixa eu te mostrar que é inofensivo...

Ela não disse nada, o encarou esperando ele mostrar de braços cruzados.

— O Megaloceros é um animal da era do gelo. Uma espécie de cervo, herbívoro obviamente. Fizemos uma fusão no laboratório... com o Indricotério, um dos maiores mamíferos que já existiu na face da terra. É como um familiar do gênero dos rinocerontes...

— Entendi. Parabéns senhor Grady. — disse ironicamente e levantou da cama. — Por que não foi trabalhar?

— Vai ficar desse jeito com seu maridão aqui?

— Não é você que está cansado de mim?

— Da sua birra e teimosia, sim.

— Por que não foi trabalhar? — disse seca.

— Quis ficar de olho em você.

— Engraçado que ontem quando chegou uma hora da manhã, não pensou em mim. Sabe-se sei lá onde você estava.

— Pensei em você o tempo todo. Quando olhava no relógio para ver se as horas passavam... quando jantei seu macarrão favorito, quando passei em frente a doceria e vi o bolo de abacaxi que você tanto gosta. Qualquer pequeno detalhe do dia eu me lembro da minha mulher... — Desabafou cansado pegando a ruiva de surpresa.

Notas finais
❤️❤️