His Name Is King

3 03- As histórias que ficam no Saloon


Notas iniciais
Entre 1850 e 1890, essa região dos Estados Unidos era cheia de pequenas cidades, em geral centros de comércio com lojas para abastecer rancheiros e agricultores. Os saloons, os bares da época, ofereciam bebidas, jogo (dados ou pôquer), mulheres e divertimento. Uma cidade podia ter vários bares, competindo pela freguesia com ofertas de charutos e refeições grátis. Boa parte dos famosos duelos vistos nos filmes ocorria exatamente nos saloons do Velho Oeste.

À noite, eles acampam e planejam como dividir o dinheiro.

-Um quarto pra cada um. Diz King

-Não vá nos enrolar como da última vez. Diz Bilie

-Senhores têm vocês como se fossem meus pais, devo a vida a vocês, nunca os enrolei, apenas tirei a porcentagem devida por fazer a divisão. Diz King

-Desgraçado esperto. Diz King

-É muito dinheiro. Diz Chefe

-Não vejo a hora de chegar à cidade e pegar uma potranca. Diz Bilie

-Há, eu também não vejo mulher a mais de uma semana. Diz Bronco

-King, o que fará com seu dinheiro? Pergunta O Chefe

-Acho que vou economizar. Diz King

-King é homem de uma mulher só. Isso é perigoso para quem leva nossa vida. Adverte O Chefe

-Caro Chefe, nós nem estamos nos cartazes de procurados, se eu me casar não haverá problema. Observa King

-É. Diz O Chefe

-É. Diz Bilie

-Pois é, rapaz. Diz Bronco

-E aí? O que temos para comer? Já sei, ratos silvestres. Diz King

-Sim, Bilie pegue os gravetos para fazer fogo. Diz O Chefe

-Claro, mande o crioulo fazer o serviço. Reclama Bilie

-Depois de anos ainda não superou isso? Pergunta O Chefe

-Jack, pelo amor de Deus. Diz King

-Sabem o que é levar chicotadas? Pergunta Bilie

-Chega! Eu pego os gravetos! Diz Bronco interrompendo Bilie

-Não, deixa comigo. Diz Bilie

Bilie busca os gravetos, assam os ratos e todos vão jantar.

-Nunca me canso desses ratos. Diz King

-Já não aguento mais. Diz O Chefe

-É fácil de pegar. Diz Bronco

-Como qualquer coisa, comi ração a vida toda. Diz Bilie

-Lá vem ele de novo. Reclama Bronco

-Deixe nosso amigo externar suas mágoas. Diz King

-Pelo menos já temos essa história decorada. Diz O Chefe

-Nunca perguntei como alforriaram o Billie Jack. Diz King

-Bem, estávamos no Tenessee e ele havia fugido de seus senhores. Diz O Chefe

-Enfrentei três cães furiosos. Diz Bilie

-Tá, acreditamos nisso. Diz Bronco ironicamente

-Bem, estávamos perdidos e Bilie nos ajudou, usamos um dinheiro que roubamos para alforria-lo. Diz O Chefe

-Vocês são os ladrões mais estranhos que já tive noticia. Diz King

-Não nasci pra ser ladrão, eu trabalhava numa fábrica de Nova York, quando apareceu o “Rumo ao Oeste, Jovem” e eu vim em busca de ouro ou terras, mas não achei nada. Ou roubava ou morria de fome. Diz O Chefe

-Perdi tudo que tinha num incêndio, me uni ao Chefe por que pedir esmola não dava lucro. Diz Bronco

-Bem, melhor dormir, amanhã vamos cedo para a cidade. Diz O Chefe

Todos deitam e com o tempo dormem. De repente King acorda suado e com um olhar assustado.

-Outro pesadelo. Pensa ele

Ele deita-se mais uma vez e tira um colar que está amarrado a uma bala, ele segura o colar com força.

-Eu não esqueci pai e mãe. Ainda vou vinga-los. Cochicha King

Amanhece e todos acordam e colocam as celas em seus cavalos. Eles montam e partem rumo a cidade, atravessando as planícies secas, sob o sol que racha a pele, um homem sem chapéu e sem cavalo estaria em maus lençóis nesse lugar. Depois de cavalgar por quase uma hora os quatro ladrões chegam à cidade.

-Finalmente, vamos para o Saloon. Diz Bronco animado

Eles descem de seus cavalos e entram no Saloon, chegando lá veem um grande salão repleto de homens bebendo nas mesas, música tocando e várias mulheres oferecidas. King vai para o balcão e os outros três vão procurar serviços de algumas mulheres. King senta-se numa das cadeiras do balcão.

-Uma cerveja. Pede ele deixando moedas no balcão

A cerveja chega e King passa a beber, até que um asqueroso homem se aproxima.

-Por que não veste roupas de homem? Pergunta ele

King se vira e olha para o homem.

-Refere-se a minha pessoa? Pergunta King

O Homem começa a rir e alguns sentados no balcão também riem.

-Senhor, gostaria de resolver isso fora do estabelecimento? Pergunta King

O Homem gargalha.

-Vou tirar suas penas, almofadinha. Diz ele

Todos no Saloon param e olham atenciosos para a hostil troca e olhares.

-Eu não enfrentaria o King. Diz o dono do Saloon

-Esse metido não durará nem um segundo. Diz O Homem

-O senhor primeiro. Convida King

Os dois saem do Saloon e vão para o lado de fora.

-Saque sua pistola, gazela. Diz O Homem

-Não precisa nem convidar-me a fazer isso. Afirma King

Ambos sacam as armas e começam a se encarar, King parece confiante e calmo, enquanto o desafiante tem uma expressão furiosa. O desafiante se prepara para puxar o gatilho, porém King é mais rápido e dispara na arma do homem, que voa de sua mão. O Homem tenta pegar a arma no chão, mas King atira mais uma vez de forma certeira, distanciando a arma ainda mais e isso se repete por umas três vezes. O Homem olha para King assustado esperando receber um tiro em cheio, o pessoal do bar testemunha apreensivamente o momento.

-Não se julga um homem pelas roupas que traja, lembre-se disso. Diz King

King guarda sua arma e caminha tranquilamente de volta para o bar, todos os que estavam na porta abrem caminho para ele, King volta a tomar sua cerveja enquanto todos olham para ele amedrontados por sua mira.

Horas depois os parceiros de bando de King descem as escadas caminhando até ele.

- King, não há nada melhor do que mulher. Afirma Bronco

-A que peguei gostou tanto que nem cobrou. Diz Billie

-Que conversa fiada, você deve sido o mais cobrado. Que gritos falsos aqueles vindos do seu quarto. Diz O Chefe

-Eu acho que ele pagou mais para que ela gritasse. Diz Bronco começando a gargalhar

King gargalha junto com Bronco.

-Perseguição. Sim, riam do negro! Diz Billie

King tira seu relógio de bolso e o abre para ver o horário.

-Camaradas, tenho negócios a resolver, estarei de volta em breve. Diz King

-Vai encontrar a pombinha? Pergunta Bronco

King apenas ri e sai do Saloon, há certa alegria em seus passos.

-Engraçado como mulheres deixam os homens mais felizes. Diz O Chefe

-Sim, mas uma cervejinha também contribui! Diz Bronco

Os três brindam.

-Não se esqueçam do dinheiro. Lembra Billie

Eles brindam mais uma vez. Enquanto isso, numa casa próxima, uma mulher de uns 30 e poucos anos está penteando seus longos cabelos cacheados e ruivos, que dão a ela uma aparência de realeza e imponência. King entra pela janela e caminha devagar até ela.

-Achei que não fosse mais voltar. Diz a mulher notando a presença de King

King para de caminhar.

-Minha angelical Sara o que te fez pensar isso?

Sara vira-se repentinamente e beija King ternamente.

-É que o tempo passa devagar quando está longe. Diz Sara

-Sério? Que coincidência. Diz King recuperando o fôlego

Sara ri e o beija novamente, passando suas mãos macias no rosto do seu amado.

Notas finais
A arma preferida do Velho Oeste era o revólver Colt 45, que tinha o apelido irônico de Peacemaker ("Fazedor da Paz"). Mas, para atingir alvos distantes, usavam-se os rifles de repetição. O mais famoso era o Winchester New Model of 1873, ou Winchester 73 — que até virou nome de filme de faroeste. Esse rifle era eficiente até uma distância de 150 metros.
Como o popular Colt 45 não tinha trava de segurança para evitar disparos acidentais, os pistoleiros inventaram algo curioso. Eles deixavam uma das seis câmaras do tambor da arma sem bala, justamente para evitar acidentes, e ainda enfiavam nela uma nota de 5 dólares enrolada. A nota podia ser usada para pagar o funeral em caso de derrota no duelo.
O "último pistoleiro do Oeste" foi morto pelo policial John Selman. O duelo ocorreu em 1895, época em que muitas cidades já tinham forças policiais, diminuindo a importância dos xerifes. Estes viveram seu auge até meados do século 19, quando usavam realmente distintivos em forma de estrela, cuidavam da cadeia local e ainda organizavam julgamentos.