His Lips
1 His lips
“Eu amo os lábios dele. Eu o amo”
E foi neste instante que eu soube que não tinha mais volta.
Com 24 anos eu estava no auge da minha carreira, no auge da minha vida e eu adorava o que fazia: Adorava apostar na bolsa e para além do mais adorava o meu património de empresas. Mas pela primeira vez decidi fazer algo mais arriscado porque acima de tudo eu gostava da adrenalina, gostava de saber o quanto poder eu tinha e quando eu podia controlar a vida das pessoas.
Era tudo um jogo e nesta jogada eu ia me apoderar do império Jeon.
Era de génio para ser sincero. Eu só não contava com a ameaça provocativa que era o filho mais novo de Jeon Taeho.
Jeon jungkook!
A primeira vez que o vi estávamos na empresa. Eu entrei para falar com Jeon Taeho e lá estava ele junto com o pai num terno preto que lhe assentava perfeitamente, mas que o fazia parecer mais velho. Tinha uma expressão séria e portava-se como um excelente homem de negócios.
— Este é o grande futuro das empresas, meu filho mais novo Jeon jungkook. — Taeho apresentou com orgulho no peito enquanto servia um copo de whiskey a mim.
Aceitei de bom grado observando cuidadosamente o pequeno Jeon tentando encontrar algo que fosse de aproveitar no menor. Vou confessar que na primeira vez não me chamou muito a atenção, já tinha conhecido e ficado com muitos rapazes e raparigas que eram para além de bonitos.
Ele parecia estar na média.
Logo fomos deixados sozinhos com o âmbito dele me fazer uma visita guiada pela empresa.
— Sr. min yoongi certo?
— Certo, mas sem senhor.
Jungkook assentiu ajeitando o fato e começando a andar pela empresa á espera que eu o seguisse.
— A nossa empresa é especialista em tecnologia fornecendo para as maiores marcas que existem e sendo a maior empresa e a que mais exporta em toda a ásia.
— Parece uma aposta promissora.
— O senhor não se arrependerá de vir trabalhar connosco.
A minha fama e o meu dom em fazer empresas crescer eram bem conhecidas e por isso o grupo de empresas Jeon não viu nenhum problema em aceitar-me. Mas mais importante que o sucesso dos outros era o meu sucesso e por isso eu ia-me apoderar do poder deles.
Achei o desafio ainda mais divertido quando me deparei com o filho mais novo do Jeon. Ele podia estar a usas fato e até parecer estritamente profissional, mas dava para ver em algumas das suas atitudes que ele estava muito desconfortável com aquela posição.
— Se é assim tão boa porque precisam da minha ajuda?
— É sempre bom crescer e conquistar ainda mais mercados.
A conversa não parecia verdadeira. Parecia automática.
A segunda vez que tive contato com ele foi em fevereiro, exatamente um mês depois, na sua casa.
Estava na sala e ele apareceu junto do irmão. A diferença entre eles era incrível: jungkook era mais baixo e encontrava-se com uma roupa descontraída ao contrário do irmão que era alto, musculado e vestia um terno.
O irmão de jungkook era maravilhosamente bonito e atraente, mas quem me chamou a atenção foi o mais novo.
Foi a primeira vez que reparei nele com interesse e achei que este lado mais descontraído lhe assentava melhor. Percorri o seu rosto com o olhar enquanto eles se sentavam comigo e o mais velho falava animadamente tentando chamar a minha atenção.
Observei os seus olhos castanhos e o seu sorriso singelo e fiquei com o olhar preso nos seus lábios e na sua cor. Eram os lábios mais bonitos que eu tinha visto e o gloss colocado delicadamente sobre eles os deixava irresistíveis.
Quem diria que lábios podiam ser tao encantadores?
—Então o que acha de irmos tomar um copo mais tarde, só nós os dois.
Sinto o seu braço encostar no meu e desvio o olhar por meros segundos para logo em seguida voltar a encarar jungkook. O mais velho parece reparar e dirige a sua mão para a boca do irmão limpando com a agressividade o gloss.
Jungkook olha para baixo e encolhe-se deixando o seu sorriso desaparecer e olha por um breve momento para mim pedindo em seguida desculpa e licença. O seu irmão, cujo nome não me interessa nada saber, continua com o flerte como se nada fosse servindo um copo de whiskey para nós os dois e tocando deliberadamente a minha mão.
— o que me diz de irmos para o meu quarto depois?
O rapaz era direto e sabia o que queria e eu adorava isso nas pessoas e estaria muito atentado em aceitar a sua proposta, mas havia um pequeno problema. Jeon jungkook.
Não o conseguia tirar do meu pensamento comparando a figura do Jeon de terno e com uma expressão fria com o Jeon descontraído, nervoso, alegre. A minha mente estava nublada pela sua beleza e de certo modo os meus pensamentos por ele estavam a mil. A ponto tão absurdo e de uma forma tão rápida que nem eu mesmo sei como aconteceu ou sei explicar.
Dei um último gole no copo.
— Não obrigada. Não tenho paciência para riquinhos mimados.
Sinto que ele toma o que eu disse como uma afronta, mas não me importo.
Quando dou por mim estou parado á frente da porta do quarto de jungkook. A mesma encontra-se entreaberta e eu entro sem nenhuma cerimónia observando o seu quarto em tons de branco e amarelo. Ele encontrava-se deitado na cama com os fones nos ouvidos balançando as pernas no ar até que dá por mim e de uma forma apressada retira os fones e coloca-se uma postura apresentável e de respeito.
Os seus olhos espelham medo e parece muito aflito com o que eu penso.
— Me desculpe senhor pelo que aconteceu á pouco, eu não devia…
Aproximo-me mais dele fazendo-o calar e seguro o seu braço aproximando-o de mim. Ele fica perplexo e olha para cima olhando diretamente nos meus olhos.
— já disse para não me tratar por senhor. Sou apenas uns anos mais velhos que tu.
Levo a minha mão ao seu queixo limpando o gloss que se tinha espalhado por lá e sorrio minimamente.
— Acho que não fomos devidamente apresentados, digo, sem todas as formalidades da empresa.
— Jeon jungkook, 20 anos. — Ele diz segurando a minha mão que tocava a sua cara e a afastando- e o senhor?
— Min yoongi, 24 anos. — digo dando uns passos atrás e encostando-me á parede. — Que tal irmos sair um dia desses? Só os dois.
—Acho que estaria mais bem acompanhado com o meu irmão. — o rapaz vira-me as costas e quase posso sentir uma ponta de ciúmes na sua voz.
—Certo. Até mais Jeon jungkook e a propósito ficas maravilhoso de gloss.
Saiu do seu quarto, mas antes consigo ver o seu olhar surpreendido perante o meu elogio.
Foi a partir daqui que o meu interesse pelo rapaz de 20 anos começou a crescer. Eu gostava de observar o seu sorriso, o seu ar descontraído, os seus lábios e o jeito carinhoso que ele agia perto de mim.
Ele era uma perdição. Mesmo quando não fazia nada eu o achava extremamente provocativo ao contrário do irmão que tentava a todo o custo atirar-se para cima de mim e diminuir o irmão.
Mas eu nunca dei muita importância. Claro que o achava extremamente provocativo e bonito, e claro que adorava os lábios dele, mas sempre pensei que fosse uma atração física.
Eu estava completamente enganado.
Era sexta feira. Já fazia algum tempo que eu estava com os jeons e eu já tinha ganhado mias afinidade com jungkook. Uma amizade tinha-se criado podia-se assim dizer. Tudo estava a ir bem, Jeon Taeho já me tinha dado tanto poder dentro da empresa e já confiava tanto em mim que em breve a empresa iria ser minha só me faltava achar um escanda-lo , ou inventar um, para destruir a imagem dele e fazer com que o mesmo não tivesse nenhuma alternativa.
Estaria tudo bem se eu não tivesse percebido, naquela mesma sexta feira, a importância que o pequeno Jeon tinha para mim.
O mesmo estava no quarto com Park jimin um amigo da família. Não tinha gostado dele, da maneira como se aproximava de jungkook e de como fazia piadas que deixavam o miais novo desconfortável e definitivamente não confiava nele sozinho num quarto com jungkook.
Subi até ao quarto como forma de me certificar de que tudo estava bem. Mais uma vez a porta está entreaberta e consigo ver Park jimin com o gloss na mão a atira-lo ao chão com força. Vejo jungkook abaixar a cabeça e encolher o corpo.
— Apenas menininhas usam isso. Tu não és nenhuma menininha jungkook, pois não? — jimin diz sorrindo de uma forma cruel.
Quem é que aquele idiota pensa que é?
Sinto raiva atravessar o meu corpo e uma vontade enorme de acabar com a raça de Park jimin ao mesmo tempo que quero proteger jungkook. É aqui que começo a suspeitar que não é só atração física.
Agarro a camisa de jimin que me olha assustado e sem dizer nada empurro-o até ao andar de baixo querendo expulsa-lo. Jungkook segue-nos e por isso controlo-me ao máximo para não lhe bater.
— Nem pense em voltar a falar com jungkook de novo. — empurro-o forte e fecho a porta na sua cara. Logo ouço alguns gritos de raiva do lado de fora, mas não me importa viro-me para jungkook que se encontra admirado com a atitude.
—hyung. — a sua voz saiu quase tímida, triste, com medo.
Sei que ele não tem medo de mim, mas também sei que está confuso com a minha atitude. Até eu estou. Vejo-me impulsivo perante ele como um louco apaixonado e não gosto disso, não estou habituado a este meu eu que se preocupa. Continuo em pé a digerir tudo o que se passa pela minha cabeça, pelo meu coração e percebo que é inevitável não pensar jungkook
É inevitável não me encantar por jungkook. É inevitável não o amar.
Seguro as suas mãos.
— Vamos comprar outro frasco de gloss ou quantos quiseres. O que me dizes?
Jungkook abraça-me e sorri contente.
—Obrigada yoonie.
Gosto quando ele me chama assim, gosto da forma como ele pronuncia o meu nome e gosto da forma como ele me toca e ri para mim. Percebo que ele também gosta pela proximidade, á vontade que adquiriu para comigo.
O menor dá-me um pequeno beijo na bochecha e depois afasta-se envergonhado dando um sorriso tímido. Não consigo resistir e sorrio. Pela primeira vez em muito tempo sorri genuinamente.
Jeon jungkook está a tornar tudo mais difícil. Está a tornar a tarefa de não ama-lo ainda mais difícil.
Não passo um dia sem pensar nele, na sua pele, nos seus olhos, nos seus lábios. Não passo um dia sem pensar o quanto o amo e o quanto ele parece retribuir. Odeio o fato de me sentir vulnerável, odeio o fato dele aflorar os meus sentimentos e odeio o fato de não o saber amar corretamente.
Eu precisava de decidir quem eu queria ser: Se o min yoongi frio, calculista e com uma empresa com milhões de dólares ou se o min yoongi apaixonado, protetor e sobretudo feliz.
Mas merda a resposta era muito fácil. Naquele momento eu tinha certeza que eu escolheria jungkook acima de qualquer coisa.
— quero que seja meu. — disse entrando de rompante no quarto de jungkook com o sangue a ferver de desejo e excitação.
O pequeno Jeon estava a frente do espelho do seu quarto experimentando o gloss que eu lhe tinha oferecido nos anos e virou-se surpreso. A camisola branca acentuava-lhe perfeitamente e as calças de ganga deixavam-no irresistível, mas eram os seus lábios carnudos que acabavam com a minha sanidade.
Nunca consegui entender como alguém poderia ter algo contra os seus tão preciosos lábios ou com o gloss que ele usava.
— yoongi-hyung.
— é isso jungkookie, quero que seja meu. Estou aqui a perdi-te em namoro.
As minhas palavras saíram como um rompante e o menor arregala os olhos surpreendido. Estamos de frente um para outro, a osa respiração é falha e os segundos parecem não passar. Sinto-me recuar perante o impacto do corpo de jungkook no meu, senti os seus braços rodearem o meu pescoço e a única reação que tive foi retribuir o abraço.
— Gosto quando me chama assim.- ele sussurra no meu ouvido sem me largar.
— jungkookie?
— Sim. — Aperta-me mais parecendo não querer que este momento acabe.
— Preciso de uma resposta. — Sussurra e controlo-me ao máximo porque o mais quero neste momento é beijá-lo.
Como se ele lesse a minha mente e como uma forma de resposta ele beija-me.
— Somos namorados agora certos?
— Certo. — digo segurando no seu braço e passando levemente a mão pelos seus lábios.
Ele era meu. Só meu. Irremediavelmente meu.
E assim foi por dias, meses…
Parecia que cada vez o amava mais. Parecia que a cada novo dia eu encontrava um novo motivo para o amar e a cada novo dia ele demonstrava-se digno desse amor.
Pela primeira vez em muito tempo seu estava feliz. Verdadeiramente feliz.
—jungkook?
—Sim?
Estávamos ambos na cama, jungkook mexia-se inquieto ao meu lado.
—O que se passa?
—Nada
Os lençóis voltaram a se mexer.
—Jeon?
—Por que voçê é assim tão controlador? — jungkook pergunta num rasgo de raiva afastando o seu corpo do meu e levantando-se da cama.
— Isso é porque eu não deixei voçê beber? Voçê é muito novo para isso e não quero voçê corrompido.
— voçê fala como se fosse um exemplo a seguir.
— Só eu posso-te corromper.
— Responde á minha pergunta. Porque é tao controlador?
— Nunca consegui controlar a minha vida tenho de pelo menos conseguir controlar alguma coisa. — Acabo por responder a verdade porque sinto que perto dele não consigo mentir.
Odeio isso. Odeio o fato de ele me deixar vulnerável.
Estou agora sentado do seu lado da cama a poucos centímetros dele e vejo que o mesmo pretende afastar-se ainda mais. Antes que consiga seguro o seu braço e puxo o meu corpo para perto de mim segurando em seguida a sua cintura e fazendo com que se sente no meu colo.
— Preciso que me digas o que se passa. Não sou nenhum adivinho.
As pernas dele estão abertas encontrando-se uma de cada lado das minhas, levo a minha mão até ao seu cabelo acariciando o mesmo e descendo em seguido para acariciar o seu pescoço.
Mais uma vez ele me olha com raiva e me encara.
— Não entendo porque andas a controlar o que eu faço já que andas envolvido com a secretária do meu pai.
Agora, para além da raiva é percetível um vislumbre de medo e tristeza nos seus olhos.
—ou será que é o meu irmão. — diz dando -me uma pequena palmada no peito e tenta se afastar.
Continuo com uma mão na cintura impedindo que ele fuja pois sei que é isso que ele quer e também sei que isso seria pior.
Não quero que ele pense que não gosto dele ou que ele não é o bem mais precioso para mim.
— Não ando envolvido com nenhuma mulher ou homem. Só quero voçê Jeon jungkook.
—Sei. – Teimoso.
Beijei-o levemente como uma forma de assegurar-lhe o que sentia.
—Não quero mais ninguém -volto a afirmar
Ele pareceu olhar para baixo como se a sua mente vagueasse e agarrou o meu pescoço dando a entender que havia mais alguma coisa. Encosto a sua cabeça em mim e dou-lhe um pequeno beijo na testa.
— Eu quero ser cantor. — Deixei uma risada leve escapar por ouvir isso. Não que eu fosse contra, eu achava que o meu menino deveria seguir o que quisesse. — Não quero assumir a empresa do meu pai.
Solto completamente a sua cintura e vejo-o afastar-se até ao espelho não querendo olhar na minha cara com medo da resposta ou da minha reação. Os seus passos são incertos e as suas mãos dirigem-se para o pequeno frasco de gloss de cereja.
—voçê pode ser o que quiser eu não me importo. — Acabo por dizer reparando que ele para o que está a fazer por um momento.
— Quero dizer que não me importo com o que faz porque sempre vou estar contigo. Não que não me importo contigo.
Digo novamente apercebendo-me que ele tinha percebido mal as minhas palavras e movo o meu corpo em sua direção.
—voçê tem uma voz linda. — Elogio e consigo ver as suas bochechas adquirem um leve tom de vermelho através do espelho.
Ele parece distraído a passar o gloss nos lábios, mas sabia que na verdade ele ainda estava inseguro. Eu sabia do que ele precisava.
—Eu adoro os seus lábios. E adora ainda mais quando põe gloss.
Jungkook guarda o pequeno frasco e vira totalmente o corpo na minha direção sorrindo e mostrando os seus dentes de coelho e riu. Atira-se para cima de mim apertando os braços no meu pescoço e amassando a minha camisa social.
—voçê deve ser o único. — Continua agarrado a mim e ambos nos encaramos agora.
—Mas sou o único que se importa certo?
—Certo. — jungkook responde e depois deposita um beijo molhado nos meus lábios.
Separa-se de mim de forma muito rápida mordendo em seguida os lábios, mas não aguento aquela amostra e volto a beija-lo com vontade. O sabor de cereja é incrível e os lábios de jungkook são de outro o mundo.
Como o menino todo carinhoso que o mesmo era, deita a cabeça no meu ombro e segura forte a minha mão.
—Gosto quando me trata bem e é carinhoso. Gosto de saber que me ama.
—Sempre vou te tratar assim, não mereces ser tratado de outra forma.
Apertei jungkook contra mim da melhor forma que conseguia aproveitando aquele momento ao máximo.
— Eu amo-te. – Digo agarrando forte a sua mão.
—voçê sabe que eu também te amo certo? — ele pergunta. A sua cabeça levanta-se do meu ombro e ele volta a sentar-se no meu colo parecendo satisfeito com o maior contato que estávamos a fazer.
— Eu sei.
Digo simples enquanto sinto os seus braços rodearem-me e o seu rosto se enterrar no meu pescoço numa espécie de abraço. Ele cheira a minha pele e o meu cabelo e eu arrepio, sinto a sua respiração contra mim.
— És perfeito.
Sussurro ao seu ouvido fazendo-o soltar uma pequena risada, mas sinto uma vontade enorme de o beijar, de o amar e por isso de uma forma repentina quebro o nosso abraço e junto os nossos lábios. E mais a vez os nossos lábios colidiram num beijo apaixonado.
É! Ele era mesmo a minha perdição.
O rapaz era perfeito.
E para mim nada era melhor que os seus lábios.
Os lábios de Jeon jungkook.
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