Hiroin No Shinyuu (Heroine's Best Friend)
1 Capítulo 1 - Amigos que ajudam.
Notas iniciais
Era ele de novo. “Quando você irá desistir?” — Era o que Kojima Mami pensava em responder quando vira o título daquela mensagem em seu celular.
Nunca fora das mais populares do colégio, e, sinceramente, não fazia nenhuma questão. Provavelmente garotas populares lidavam com aquele tipo de mensagens todos os dias, toda hora.
Pensou em não dar atenção, e nem chamar atenção por sua reação ao notar o quão insistente era o rapaz, porém foi uma tentativa falha para uma de suas amigas, Kikuchi Aki, que viu a mensagem por cima de seu ombro.
“É o Minoru-chan de novo? Mande um abraço pra ele, estou com saudades!”
A disposição para checar mensagens veio do fato de que, naquele momento, estava no meio do intervalo da manhã. A sala estava barulhenta, pois aparentemente muitos alunos começavam a se interessar mais em passar seu tempo livre na sala, ao invés da cafeteria ou do pátio. Isso não a incomodava muito, o pedido de Aki parecia mais irritante do que todas as vozes que ouvia paralelamente naquele momento.
“Você nem ao menos conhece o Minoru. E pelo menos mantenha a formalidade na forma de chamá-lo*”, Mami quase sussurrou a última frase, ao guardar o celular de volta no bolso da saia.
“Mas é como se eu já o conhecesse. Minoru-chan... Ops. Hehe. Saitou-san te manda mensagens há mais ou menos uns dois meses. Eu acho meio cruel da sua parte não respondê-lo”, suspirou.
“Eu acho que você devia arrumar um namorado logo e parar de se intrometer nos meus relacionamentos”
Os conselhos de Mami geralmente eram ignorados por Aki, por isso ela logo notou que não adiantava nada discutir com esta, que continuou opinando em sua vida.
“Se eu tivesse um ex-namorado, e ele fosse persistente que nem o Saitou-san, eu não hesitaria em aceitá-lo de volta. Você é muito fria, por isso não é popular, Mami. Eu acho que você é a única que não o merece. Você também não acha, Emi-chan?”, tornou seus olhos para a amiga das duas, Kudou Emiko, que parecia vidrada em outro ponto da sala.
Aki e Mami se obrigaram a olhar para a mesma direção para descobrir o que mantinha a amiga em silêncio. Não era um grande mistério, nem grande surpresa que Emiko estivesse com os olhos vidrados em Nomura Kakeru.
“Emi-chan realmente gosta do Kakeru, não é?”, Aki olhou para Mami, que parecia bem pouco interessada.
Emiko corou ao sair do transe e ouvir o comentário de Aki, e tentou imediatamente se explicar, mas nada saía de sua boca. Finalmente conseguiu falar algo, após raciocinar um pouco.
“N-Não é isso...! Eu só... admiro o Nomura-san... Ele sempre está animado, eu nunca o vi triste... e ele se torna resplandescente quando ri...”, ficou brincando com os dedos das duas mãos, enquanto olhava para o chão, envergonhada.
“Hummm...”, Aki colocou uma mão no queixo, enquanto estudava cuidadosamente Kakeru. “É verdade que ele é bem animado e um bom partido, mas não entra nem no top 10 dos mais populares ou bonitos do colégio... Não vejo toda essa luz que você vê. Mesmo assim, ele é gentil, tem bastante amigos e é bonitinho. Combina perfeitamente com você”
“P-Por favor, não fale assim, Aki-chan!! Estou ficando envergonhada...”, escondeu o rosto entre as mãos, agitada.
“Mas você é tímida, não acho que haja alguma forma de ir falar com ele sozinha”, Aki levou seu olhar em direção à Mami, que comia seu lanche. Era o que todas deveriam estar fazendo, visto que estavam no intervalo, e o tempo era curto. “Mami, você é a nossa experiente em amor! Ajude a Emi-chan a falar com o Kakeru!”
“Já falei pra você parar de chamar as pessoas que não conhece tão casualmente”, respondeu Mami, de boca cheia, depois tornou o olhar para sua amiga tímida. “Esqueça esse cara, Emiko. Vocês vão namorar, depois vão terminar e ele vai te perseguir até que voltem. Ou então vai espalhar mentiras sobre você. Esse é o preço de se entregar a um homem”
“Não, isso é o que aconteceu a você, Mami! Só porque seus namorados fizeram isso com você não significa que o Kakeru fará isso com a Emi-chan! O amor deles é inocente, inocente!”
“Por que você coloca o “amor deles” como se fosse algo mútuo?”, Mami suspirou e se levantou para ir lavar a caixa de seu bentou. “E está insinuando que meus amores não foram inocentes?”
“Não, é que a julgar pela sua personalidade e experiência, com certeza você já fez “isso” e “aquilo”...”
Emiko corou com a última fala de Aki, e começou a se arrepender de estar lá naquele momento, então pensou em se retirar, mas Aki segurou seu braço antes que pudesse fazer qualquer coisa.
Mami pensou em desistir novamente, uma vez que estava falando com a teimosa Aki, que quando decidia algo, não desistia.
Mami sabia que teria condições de ajudar sua amiga de infância, Emiko, caso ela se decepcionasse. Mas também que teria de viver uma situação para saber que ela só dizia aquilo que era real.
“Tudo bem. Quer que eu partilhe pouco da minha experiência? Simples, chame ele pra sair como quem não tem segundas intenções”
Não bastaram dois segundos para Aki, triunfantemente, juntar toda a sua animação e gritar por Kakeru, que, de boa vontade, seguiu até elas. Aki estava disposta a conversar com ele normalmente, como se fossem velhos amigos.
“Nomura”, era o máximo de formalidade que Aki podia ter com um estranho, pessoalmente. Ele não pareceu incomodado, então ela prosseguiu. “Você está no clube de tênis, não é?”
“Ah, sim”, ele disse, com um leve sorriso no rosto.
“Me deram dois ingressos pra ir assistir a um jogo nesse fim de semana, mas infelizmente não gosto de tênis. Mas a Emi-chan”, apontou para a amiga, que estava petrificada, enquanto pronunciava seu nome, “é bastante familiarizada, e eu resolvi dar pra ela. Como você é da nossa sala e está no clube de tênis, me perguntei se não gostaria de acompanhar ela! O que acha?”
Kakeru olhou de relance para Emiko, mas não demorou para voltar a fitar Aki, com um sorriso agradável.
“Não me importo. Apesar de eu ser um calouro no clube, esse ano, eu gostaria de conhecer melhor os jogos profissionais”, olhou para Emiko, com o mesmo sorriso. “Você não se importa de ir comigo, Kudou-san?”
Emiko corou totalmente, e não hesitou antes de respondê-lo com total certeza.
“N-Nem um pouco!”
“Tudo bem, então está combinado. Podemos trocar e-mails* pra combinarmos melhor?”, tirou o celular do bolso.
“A-A-A-Ah! Certo...”, Emiko respirou fundo antes de pegar o celular e desde então tentar falar com naturalidade com o rapaz.
De fato, ela estava apaixonada.
Aki riu baixinho enquanto assistia à situação, mas Mami manteve uma reação de tédio, e foi finalmente lavar sua caixinha.
✶
“Por que estamos aqui, afinal...?”
Mami e Aki estavam escondidas, observando calmamente Kakeru, que esperava por Emiko sentado na beira de um chafariz.
As duas estavam disfarçadas de forma que suas aparências chegavam até a ser duvidosas, e muitos que passavam olhavam torto para elas.
Aki tinha dificuldade para falar, pois usava uma máscara branca que cobria o nariz e boca, mas respondeu, mesmo que soubesse que se tratava de uma pergunta retórica, vinda da boca de Mami.
“Precisamos nos certificar que os dois ficarão bem nesse encontro! Você sabe que Emi-chan é tímida demais, ela provavelmente não conseguirá tomar uma iniciativa... Então daremos um empurrãozinho! Da~rará!”, Aki disse a última palavra num tom melódico.
“Eu vou embora”, Mami começou a andar para o lado contrário, mas Aki a puxou de volta.
“Não, você é a rainha dos relacionamentos, por isso tem que me ajudar!”
“Eu não sou rainha de nada! Vocês me interpretam mal só porque já tive namorados!”
“Mas isso significa que você conhece bem a mente masculina!!”
“Está insinuando que me aproximo de homens, com segundas intenções?”
“Não estou insinuando nada, só quero que você me ajude a juntar os dois! Você não gosta da Emi-chan? Vocês são amigas desde o primário!”
Aquele tipo de chantagem emocional era demais para Mami aguentar. Ela não pode evitar de concordar com o plano, totalmente derrotada, então voltou a observar com Aki o rapaz.
“Ele parece bastante natural... Não parece nervoso”, Aki disse, já calma, com um tom de preocupação.
“Talvez porque ele não goste dela”
“Se não gosta, só precisamos fazer gostar!”
“Sentimentos humanos não são facilmente manipulados assim, sabia...?”, Mami já não tinha mais dúvidas que Aki não tinha um coração, era completamente egoísta e estrategista, e sempre dependia da sorte para tomar suas decisões.
Por exemplo, convidou Kakeru para assistir ao jogo de tênis com Emiko sem nem ao menos ter ingressos, ou saber se havia um jogo naquele fim de semana. Se não fosse sua sorte, sua amiga passaria vergonha na frente do garoto, e a falta de semancol dela preocupava bastante Mami.
“Olha ela ali!”
Emiko estava muito bem vestida, e talvez a demora para escolher as roupas fosse o motivo de seu atraso.
Ela se curvou várias vezes, obviamente em pedido de desculpas pela demora.
Aki e Mami não podiam ouvir a conversa daquela distância, e aquilo era uma grande tortura para a primeira, que perguntava várias vezes, em voz alta: “O que estão falando? Você pode ouvir? O que farão agora?”.
A resposta da última pergunta surgiu rapidamente, quando os dois seguiram pelas ruas, em direção ao clube aonde haveria a disputa.
Mami, que estava com os cabelos presos dentro de uma boina, e Aki, que estava praticamente com o rosto todo coberto, mesmo naquele calor, seguiram alguns metros atrás do casal.
Aki riu baixinho.
“Ufufu~ Emi-chan é mesmo uma bobinha ingênua. Ela me contou todos os detalhes do que haviam planejado no encontro, e acreditou mesmo que eu e você iríamos sair por aí mesmo sendo o dia do primeiro encontro dela”
“Bem, é o que estava planejado para o meu dia, originalmente”, Mami suspirou, enquanto enfiava as mãos nos bolsos do shorts.
“Ah! Veja! Eles vão entrar!”
Os dois pagaram, passaram pela catraca e adentraram o local sem problemas. Mami e Aki também, logo depois. Os lugares comprados por Aki, por sorte, eram próximos dos assentos dos dois.
Elas podiam assisti-los sentados nos assentos pouco à frente das duas, mas o resultado não parecia muito satisfatório. Ambos pareciam envergonhados e não falavam um com o outro, exceto por Kakeru, que arriscava um ou outro comentário, mas as respostas de Emiko eram curtas, e ela logo voltava a assistir ao jogo, rígida.
“Isso é muito sério! Assim o Nomura vai perder completameeeente o interesse nela!”
“Como eu venho dizendo desde o princípio, ele não está interessado nela...”, Mami temeu não ser ouvida novamente, por isso pensou em se calar, mas Aki pareceu ter uma resposta na ponta da língua, na hora.
“Se não estivesse interessado, não tentaria puxar assunto!”
“Qualquer pessoa normal que está sozinha com outra se sente desconfortável no silêncio”
“Já sei!”, Mami reconheceu que Aki realmente não tinha intenções de a ouvir, então resolveu apenas ouvir à ideia. “Vai ser assim...”
As duas concordaram com a ideia, e assim saíram para concretizar o plano.
“O... ataque do da esquerda é realmente bom, não é, Kudou-san? Se jogássemos um contra o outro, ele com certeza venceria de mim nos dois sets...”, Kakeru tentou puxar assunto pela milésima vez.
“Ah... ele é realmente bom...”
Kakeru não se deu por vencida e insistiu.
“Kudou-san, há algum esporte em especial do qual você é boa?”
“Ahn...”, ela pensou bem, mas no final acabou soltando um sorriso um pouco triste, envergonhada. “Na verdade, eu sou péssima em esportes... Eu acho maravilhoso pessoas com coisas das quais são boas, mas eu, aparentemente, não sou boa em nada...”, voltou a olhar para o jogo, mas, sentindo-se um pouco mais à vontade, levou o assunto em diante. “É incrível que pessoas como você, Nomura-san, procurem ser boas em algo... e consigam ser boas em mais de uma faculdade. É por isso que eu te admiro. Eu sempre quis ser alguém como você...”
Kakeru corou levemente, e franziu a testa. Não era assim. Não era como ela pensava.
“Kudou-san, na verdade, eu...”, já estava se exaltando, quando uma de duas garotas que passavam e riam pelo corredor entre os assentos das pontas acabou esbarrando o braço no ombro de Emiko, que acabou tendo sua saia manchada por refrigerante.
“A-Ah! Me desculpe! Eu não tinha te visto! Me desculpe mesmo!”, a garota que esbarrou quase gritou, num exagero em sua reação.
Emiko continuou olhando para sua saia. Era uma saia branca e nova... havia escolhido com tanto carinho mais cedo, e ainda assim acabou manchando-a. Mesmo assim sorriu para a feitora do ato, com a mão em cima da parte manchada.
“E-Está tudo bem... Essa saia é velha, mesmo... Não foi sua culpa”, tentou não parecer incomodada com o fato da moça usar um óculos de sol, máscara e boné.
A outra garota pigarreou, e olhou para Kakeru.
“Você é o namorado dela? Nos desculpe mesmo. Por favor, não fique nervoso conosco, não foi de propósito...”, ela colocou uma mão sobre a boca, com uma expressão pouco mais espontânea que a da amiga.
Ambos, Emiko e Kakeru, coraram ao ouvir a pergunta, e a primeira ficou desconcertada, mas ele respondeu com sinceridade.
“Ah! Não somos namorados... E não se preocupem, sei que não foi de propósito, mas, por favor, tomem mais cuidado da próxima vez. Vem, Kudou-san”
Ele puxou a mão de sua acompanhante, e os dois saíram, provavelmente indo ao banheiro.
Aki tirou a máscara e soltou um grande sorriso após os dois sumirem de vista.
“Criamos algum clima! Estou tão feliz por ser útil!”
“Foi cruel da sua parte sujar a saia da Emiko. Parecia nova”, respondeu Mami, aparentemente brava com Aki.
“Mas foi por uma boa causa! Vem logo, temos que ver o que vai acontecer!”
As duas correram para fora e seguiram o casal, novamente metros atrás. Ao chegar no banheiro, diferente do que Aki pensou, Emiko e Kakeru só conversaram um pouquinho antes da garota adentrar o banheiro e por ali ficar durante aproximadamente quinze minutos.
“O que a Emi-chan está pensando?! Era pra ele pegar um pano e limpar a saia dela! A Emi-chan é toda desastrada, provavelmente já fez um furo na saia ou coisa do tipo!”, Aki resmungou, incrédula.
“Aki, o que te faz pensar que iria rolar algo caso ele limpasse a saia dela, sinceramente?”, Mami passou uma mão pelo rosto, já cansada de toda aquela palhaçada.
“Mm, por exemplo... ele podia ter... se oferecido para levá-la pra casa e emprestar uma saia da mãe dele...?”, ela parecia confusa com suas próprias palavras.
“Acho que essa seria a situação mais improvável possível...”, Mami murmurou.
“... Ah! Olha! Ela está saindo!”
Dessa vez, até Mami estava curiosa para saber como Emiko havia lidado com aquela situação, e ambas foram surpreendidas pela amiga saindo do banheiro vestindo... uma calça moletom.
Ela pôs-se a conversar com Kakeru (que nem parecia incomodado), enrubescida.
“Nããão! De todas as coisas do mundo, por que isso, Emi-chan?! De onde diabos ela tirou essa calça?!”, Aki, obviamente, foi aquela que reclamou, claramente surpresa e inconformada.
Mami forçou um pouco a visão, e finalmente conseguiu ver um logo na parte lateral da calça.
“Parece que é uma calça de funcionários aqui do clube. Alguém deu pra ela, provavelmente”
“Ahhhhh!! E agora?! Ela não está mais fofa! O Nomura não vai mais levá-la a sério!”
“Por que não levaria?”
“Vamos, eles voltaram a andar! Parece que vão sair do clube!”
“Mas a partida nem acabou...”
“Vem logo, Mami!”
✶
Mami e Aki já seguiam aqueles dois haviam aproximadamente vinte minutos. Eles apenas andavam e conversavam, e, ao menos, pareciam mais soltos, a ponto de parecerem pelo menos dois conhecidos.
“Fufu, parece que a calça não foi um obstáculo grande o bastante para impedir o amor dos dois”, Aki riu, se sentindo uma vitoriosa.
“Ignorando a parte do “amor”... eu não acho que Nomura-san pareça ser do tipo que se incomoda com a aparência”, Mami tirou a boina e passou a mão na testa suada. “Mas até aonde vão andar? Eu já estou cansada, meus pés devem estar cheios de bolhas... E eles não parecem nem um pouco cansados”
“É a força do amor!”
“Que amor?!”
“Ah, olhe! Uma coisa diferente, Mami!”, Aki se escondeu em um beco e puxou a amiga, então ficou bisbilhotando cada ação do casal a partir do momento em que Kakeru parou para conversar com duas garotas, que supostamente cruzariam o caminho com eles. “O Nomura está conversando casualmente com duas garotas... eles parecem se conhecer”
“E do que adianta possuir essa informação se não consegue identificar o que estão fazendo?”
“Pra isso, eu terei de fazer um esforço mental e físico!”, Aki posicionou as mãos em frente aos olhos, como se fosse um binóculo, e soltou um repentino “ZOOM!”, que assustou Mami. “Ajustando capacidade de leitura labial! Tudo O.K!”
“Se você tinha essa capacidade, por que não a usou nos momentos mais cruciais?”, Mami olhou exausta para Aki.
Aki a ignorou. Nada que não lhe fosse novidade.
“Olha só, Nomura está dizendo: “Há quanto tempo. Como têm estado?”... aí uma das garotas responde... “Estamos bem... Realmente... faz tempo. Arranjou uma namorada...?”. Ah! Ele riu! Que fofo!”
“Que tal você só recitar as partes realmente importantes...?”
“Ele está apresentando a Emi-chan à elas! Aww! Mas disse que não é sua namorada! Que maldade!”
“Mas eles não são namorados, mesmo”
“Ah... Acho que usei demais o meu poder”, Aki abaixou as mãos e respirou fundo, então sacudiu a cabeça. “Não posso usá-lo por muito tempo”
“Às vezes eu me pergunto o motivo de seus pais ainda não terem te internado...”
“Se pergunte isso depois! Vamos, eles estão andando juntos! It's a pinch!*”
E mais uma vez Mami foi arrastada contra sua vontade.
✶
“Carregando... 72%”
Aki estava de olhos fechados, sentada, esperando pelo seu pedido, enquanto supostamente recarregava seus poderes.
Após o grupo que ela e Mami seguiam entrarem numa lanchonete, elas não puderam evitar de entrar também, e escolher uma mesa distante. Até esse ponto, Mami se viu obrigada a colocar a boina novamente, uma vez que estavam mais propícias a serem reconhecidas num local fechado.
“Aki, você pode ser mais sutil? Você vai chamar atenção fazendo esse tipo de coisa... Parece estar fazendo fotossíntese”
“O que há com você, Mami? Pensei que nem ligasse... Você não estava envolvida no plano até agora há pouco...”, Aki manteve os olhos fechados, como se estivesse meditando.
“Sim, mas seria uma vergonha se fôssemos reconhecidas agora. Ficaria bem na cara que estamos a seguindo”
“Como eles parecem estar na outra mesa?”
“Nomura está conversando com as outras duas, mas a Emiko parece estar perdida, e brinca com um copo d'água...”
“O Kakeru é malvado por deixar a Emi-chan de lado... ele sabe que ela é tímida”
“Bem, mas ele não pode fazer nada, creio... Afinal, parece que foi ele quem convidou as duas a se juntarem. Provavelmente estava incomodado com o clima que a Emiko causa”
“A Emi-chan sempre precisou de pessoas pra cima, como eu, à sua volta! Hu-hun!”, fez uma expressão que geralmente um vitorioso fazia, apesar de não ser algo grande o bastante para se gabar.
“Você já pode usar seu poder de novo?”
“Huuuh, está interessada, né?” finalmente abriu os olhos, sorrindo maliciosamente.
“Vai logo. E faz um esforço menor dessa vez”
“Siiiim, senhora!”
Aki fez o mesmo processo de antes, e observou bem a outra mesa, que estava consideravelmente distante. As duas mocinhas sorriam, e Kakeru também.
“Parecem estar falando sobre os tempos antigos de escola... Uau, devem ser amigos há muito tempo, já que estamos apenas na escola secundária, ainda”
“Ah, então devem ter mudado de escola depois que entraram no secundário”
“Elas são bem bonitas, de fato... e parecem bem fúteis. Elas não falam com a Emi-chan. Ah! O Nomura se levantou! Disse que vai ao banheiro!”
“Ele vai deixá-la sozinha com elas?!”, Mami ficou preocupada, e não pode evitar de olhar naquela direção.
“Já deixou... Parece que o clima não mudou muito. Elas estão tirando fotos juntas. As duas estranhas”
Mami suspirou e voltou a se sentar normalmente.
“... Bem, parece que não é algo pra se preocupar... acho que não falarão com ela”
Tudo ficou quieto, o pedido de Mami chegou e, aparentemente, Aki não tinha mais nada a relatar. Aparentemente. Depois de um tempo, as duas garotas puseram-se a falar com Emiko, que parecia ficar cada vez mais desconfortável.
“Parecem estar pressionando a Emi-chan... Estão perguntando desde quando ela conhece o Nomura, e se ela gosta dele... Acho que a Emi-chan não é do tipo que responderia isso...”
“Bem, ela é assim, não há nada que possamos fazer”, Mami deu um gole em seu suco, despreocupada.
“Uma delas está sorrindo de forma meio assustadora... “Não há chances do Kakeru-kun gostar de você” e “Você é feia”... e agora não param de botar defeitos na Emi-chan... Por que? Qual é a necessidade disso? Estão com ciúmes? ... Mesmo assim... a Emi-chan não desfaz o sorriso”
Após ouvir aquelas frases recitadas por Aki, Mami não pôde evitar de se levantar imediatamente.
“Mami?”, Aki olhou preocupada para a amiga, e então segurou levemente seu braço. “Não! Acalme-se, a Emi-chan vai ficar brava se descobrir que estamos aqui! Ela vai sair dessa! Mami!”
Dessa vez, quem não foi ouvida foi Aki, pois a outra se soltou facilmente e, segurando seu copo de suco, seguiu até a outra mesa, e, por trás das garotas que não conhecia, despejou o conteúdo de seu copo na cabeça das duas.
Elas ficaram paralisadas por um momento, mas logo se viraram, de testa franzida. Emiko aproveitou o momento para desfazer o sorriso, e pôde olhar para o rosto aterrorizante de Mami, que agora se revelara até mesmo soltando o cabelo, que estava preso em um coque atrás da cabeça.
“As únicas feias aqui são vocês. Suas vadias fúteis”
Uma delas gaguejou, irritada.
“E-E quem é você?! Eu nem te conheço!”
Emiko soltou sua voz em tom baixo, ainda sem acreditar. Neste momento não pôde evitar de soltar as lágrimas que estavam acumuladas em seus olhos.
“... Mami-... chan...?”
As duas garotas olharam para a caipirona que intimidavam até o momento, e então para a agressiva que surgira de repente.
“Ah... Ah!”, a que ainda não havia se pronunciado pareceu entender algo. “Então você é a amiga da feiosa! Que ótimo! Parecem se merecer! Duas esquisitas!”
“Isso mesmo! O que te dá o direito de fazer isso?! Você é uma louca! Louca!”
Emiko se levantou, e olhou, aparentemente frustrada, para o rosto de Mami.
“Por que está aqui, Mami-chan? Por que? Pensei que sairia com a Aki-chan hoje!”
Mami não pôde dizer nada diante da atitude feroz de Emiko.
“Eu... Eu não gosto disso. Não gostei de ter feito isso, Mami-chan! Não estava tendo nenhum problema... então você não precisava ter feito isso!”
Até aquele ponto, todos da lanchonete olhavam apenas para uma mesa, e nem Aki foi capaz de se intrometer na situação com seu incrível excesso de bom humor.
Só houve uma pessoa capaz de intervir: Aquela que não fazia a menor ideia do que estava havendo.
“Kudou-san? Sunohara-san? Koizumi-san? ... O que está acontecendo?”
E esta era Kakeru.
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