Hiroin No Shinyuu (Heroine's Best Friend)

4 Capítulo 4 - Amigos que viajam.


Notas iniciais
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ATENÇÃO: TODAS AS ILUSTRAÇÕES DOS PERSONAGENS ESTÃO NESTE ARQUIVO. PARA AQUELES QUE QUEREM VER, E NÃO APENAS IMAGINAR, SUGIRO QUE CLIQUEM NO LINK ACIMA E VEJAM OS RASCUNHOS DOS PERSONAGENS.

“Que calor infernaaaaaal... Eu poderia arrancar a minha pele se isso me fizesse sentir menos calor...”

Mami e Aki estavam deitadas no piso da casa da primeira, enquanto três ventiladores ligados tentavam deixar o ambiente mais fresco. Mas era impossível. O verão havia chegado.

Elas estavam livres, por ora, do colégio. Porém o calor chegara para substituir o inferno das duas.

Aki era a única que queixava-se o tempo todo do calor, embora vestisse apenas uma camisa regata, um shorts super curto e estivesse com os pés nus. Além do mais, tomava sorvete.

Apesar de sentir o mesmo calor e estivesse vestindo tão poucas roupas quanto a amiga, Mami parecia mais controlada, e se contentava com os ventiladores e o sorvete.

“Você vem pra minha casa, deita no meu chão gelado em frente à uma das melhores varandas da rua, toma o sorvete que comprei com o meu dinheiro, gasta a energia com três ventiladores e ainda reclama? Eu não sei o porquê de eu ainda fazer tanta questão de ser sua amiga”

“Por que você está brigando comigo...? Deveria estar com raiva da Emi-chan...”, respondeu com uma voz cansada. “Enquanto estaremos derretendo aqui, ela vai estar na praia, se refrescando... com o namorado”

“Por que eu tinha certeza que teria a palavra “namorado” nessa frase...?”, suspirou. “De qualquer forma, é fato que estamos morrendo não só de calor, mas de tédio... a Emiko deve estar feliz...”

De repente Aki começou a se debater no chão, irritada.

“Droooooga! Como eu queria ter dinheiro pra pagar um hotel lá perto e poder vigiar eles!“

“Ainda bem que não tem. Senão a Emiko não conseguiria nem dormir direito, com esses seus olhos esbugalhados que sempre esperam que algo aconteça, e nos pressiona o tempo todo...”

“Não seja tão cruel, Maaaaamiiiiii!”

“Você é cruel quase o tempo todo, e nem por isso eu falo algo...”, suspirou e sentou-se, sentindo uma leve pontada na cabeça. “Vamos sair? Estou cansada de não fazer nada, quero distrair a mente”

Aki também sentou-se e fez um bico, olhando para a amiga.

“Mas está muito calor lá fora, nós vamos derreter!”

“Se a Emiko não estivesse com o Nomura-san, eu não dependeria de você pra sair...”, resmungou, enquanto levantava, arrumando o cabelo, que estava bagunçado.

“Pode ser que... Oh, meu deus!”, pôs a mão na boca, como se tivesse acabado de ver algo inacreditável. “Você está com ciúmes do Nomura com a Emi-chan!”

“E-Eu não estou!”, seu rosto ficou corado imediatamente, entregando-lhe.

“É claro que está! Está com medo do Nomura tirar a Emi-chan de você! Ohhh, eu nunca imaginei que você fosse tão sensível, Mami! Que fofa!”, ela entrelaçou os dedos das próprias mãos, maravilhada com a força de amizade entre as outras duas.

“Não é isso!”, estava exaltada, então se acalmou e desviou o olhar, diminuindo seu tom de voz. “Não é isso...”, repetiu, ainda corada, mas fez questão de continuar, sem ser capaz de olhar para o rosto da loira. “É só que... eu sempre fui a única a proteger a Emiko. Se ela tiver realmente um cara... eu não vou mais precisar ficar a seguindo e me preocupando com ela”, ela calou-se, e arriscou pôr um olho em Aki, que até então não havia dito mais nada. Esta olhava com expectativa para a envergonhada, provavelmente esperando ouvir mais alguma coisa. “É-É só isso”, Mami finalizou, fazendo a típica expressão que apenas uma tsundere faria.

Foi então, repentinamente, derrubada por um abraço forte, e bateu a cabeça violentamente no chão.

“Não se preocupe, Mami! Sei que nossa criança está crescendo, mas ainda somos duas encalhadas, eu vou estar com você para o que der e vier (enquanto não tiver um namorado)! Ahhhh, como é triste a sensação de ter sua criança crescendo!”

“Isso dói! Me solta! Aki!!”

Aki afrouxou o abraço e olhou para a amiga fixamente, assustada.

“... O que foi?”, Mami estranhou a repentina mudança de humor da outra.

“Isso aqui... é sangue?”, apontou para o chão manchado com algumas gotas de sangue, próximo aos cabelos de Mami.

“S-Sangue...?”, Mami se levantou imediatamente, jogando Aki no chão. “VOCÊ ABRIU UM BURACO NA MINHA CABEÇA!”, começou a fazer um escândalo, com os olhos lacrimejando.

“N-Não! Foi só uma batidinha! Espera, esse negócio branco na sua cabeça é seu crânio?”

“...!!! Meu Deus! Aki, eu vou cavar sua cova!”, saiu correndo para o banheiro desesperada.

“A-Acalme-se! Mami, foi só uma piada! O crânio não está de fora! Mami!”, ia atrás da amiga, mas o barulho de um tombo a interrompeu. Se a garota não havia deixado o crânio exposto antes, com certeza dessa vez não havia tido a mesma sorte.

✶

“É mesmo a praia!”

“Lugares desertos!”

“Mar!”

“Peitos balançando!”

Todos tornaram seus olhos para o quarto a comentar, de testa franzida. O clima pesado foi quebrado por um tapa forte que foi dado nas costas do pervertido, por uma das garotas do grupo.

“Ren-chan, seu tarado!”, ela deu uma risadinha, mas ele não sentia nada além de dor.

O grupo de oito pessoas havia acabado de chegar em frente à casa de praia dos pais de um deles, Yusuke. Em geral, todos os amigos mais próximos de Kakeru estavam presentes. Por isso, não tão surpreendentemente, Emiko estava perdida por não conhecer ninguém. Ela perseguia o colega como seu rabinho, e, na viagem, quando dentro da vã, sentara ao seu lado, pois mesmo que não estivesse incomodada com o excesso de energia dos outros (por ter se acostumado à força de espírito de Aki), ela ainda preferia ficar próxima de alguém mais tranquilo, e que conhecia.

Após breves comentários, todos adentraram a casa e se dispersaram pelos cômodos, largando suas malas nos quartos e sala. A casa era espaçosa, e Emiko pôde entender o porquê de tantas pessoas terem sido convidadas.

“Yu-chan, sua casa é linda!”, uma das garotas disse, enquanto rodopiava pela sala. “E é tão espaçosa!”

“Yu-chan com certeza deve convidar muitas garotas pra vir aqui... hehehe”

O último comentário havia sido de Chieko, a amiga de Kakeru do clube de tênis. Fora ela e Emiko, haviam mais duas garotas, e os outros quatro eram rapazes. Além dos jovens, apenas a tia de Yusuke foi para levá-los de vã, e tomar conta deles por ainda serem menores de idade.

Por observação, Emiko percebeu o quão diferente Chieko era dela: uma garota extrovertida, que divertia a todos, vaidosa e gentil. Não havia nem comparação entre as duas personalidades.

“Bem, mas já que viemos, vamos para a praia!”, uma das duas outras garotas fúteis presentes disse, já tirando a camiseta e mostrando seu biquíni novo. “Afinal, viemos para isso!”

“Sim, sim! Akiko-chan tem razão! Vamos nos divertir!”, Ren concordou, mas pensando em apenas uma coisa.

“Certo, quem chegar por último na praia terá que pagar sorvete para todos!”

“O quêêê?! Isso é ruim, o sorvete aqui é muito caro!”, Yusuke seguiu os outros logo depois.

“Es-Esperem...! As malas...”, Emiko ia pará-los, mas em um piscar de olhos, todos haviam saído, e apenas ela, a tia de Yusuke e... Kakeru haviam ficado.

“Bem, já que ficamos, vamos arrumar as malas”, Kakeru se espreguiçou e saiu andando. “Esse pessoal não tem mesmo jeito... eles só querem saber de diversão. Eu vou pedir pra oba-chan ajudar a gente com a comida...”, ele seguia em direção da cozinha, a fim de falar com a tia de Yusuke, mas esta saiu apressada, com uma bolsa na mão.

“Desculpe, Kakeru-chan!”, a mulher soltou um sorriso um pouco preocupado, e parecia já ter intimidade com o rapaz. “Eu vou fazer compras, e visitar o meu irmão mais velho, que vive aqui perto! Eu só devo voltar à noite...”

“Q-Que tia desnaturada!” — pensou Emiko, pasma com a mulher.

“Ah, tudo bem”, Kakeru parecia totalmente bem com a ideia, e isso surpreendeu ainda mais a jovem. “Vá com cuidado”

“Mas nós somos menores de idade!” — a garota pensou novamente, preocupada.

“Sim! Tenham juízo!”, ela se retirou em um piscar de olhos, e agora Emiko estava totalmente sozinha com Kakeru.

Emiko começou a tremer sem parar, sem saber o que fazer.

“S-Se você quiser, Nomura-san, pode ir se divertir com os outros...”, ela parecia temerosa de que ele se sentisse desconfortável com a sua companhia.

“Não quero”

“E-Eh...?”, ela pareceu muito surpresa.

“Vamos fazer o almoço e arrumar as malas, então nos outros dias poderemos nos divertir à vontade”, ele sorriu para ela. “Certo?”

“A-Ah... Sim...!”, ela pareceu determinada, e imediatamente ergueu as mangas.

Os dois começaram a trabalhar duro, começando pelas malas das garotas. As quatro dividiriam o mesmo quarto, mas havia espaço o bastante para quatro futons, e os armários também eram grandes. O mesmo para o quarto dos garotos.

Emiko se sentiu um pouco desconfortável por todas terem roupas bem mais na moda que as dela, e em perfeito estado.

Mesmo tendo mais coisas que os garotos, por estarem já organizados, os objetos e peças femininas foram mais fáceis de guardar. Já os do sexo oposto possuíam bagunças enormes, as roupas não estavam dobradas, haviam objetos sem relação juntos, e Emiko ficou cansada antes mesmo de começar o trabalho.

“Pode ser que haja uma passagem pra Nárnia aí dentro...?”, o tom foi de pergunta, e ela parecia surpresa com o quão desorganizados homens poderiam ser.

“Huh? Como assim? É bem mais prático dessa forma!”, Kakeru abriu sua mala, revelando sua bagunça, e foi mostrando peça por peça. “Aqui está uma camiseta para dormir, meus chinelos pra sair, aqui a bermuda que posso usar pra entrar na água, um shorts para dormir...”

“Aonde misturar peças aleatórias é bem mais prático?!” — Emiko pensou, ainda mais surpresa.

Quando a garota pensava que o excesso de bagunça dos jovens fosse a pior coisa que pudesse ver naquelas malas, percebeu que não era o bastante.

“A-A-A-A-A-A-Ahhhhhhh!!”, ela corou, lançando para longe as revistas que tinha achado em uma das malas.

“O-O que houve, Kudou-san?!”, Kakeru, que guardava as roupas já arrumadas no armário, correu imediatamente em sua direção.

“I-I-Isso...!”, ela apontou para as revistas jogadas ao chão com uma mão, e com a outra tampou seu rosto corado, incapaz de dizer o que acabara de ver.

Kakeru correu até as revistas e pegou-as, e não precisou olhar bem para as capas para perceber o que constrangera Emiko.

“... Aqueles idiotas... Por que trouxeram esse tipo de coisa pra cá?”, suspirou, também com o rosto um pouco corado. “Acalme-se, Kudou-san, isso é bem mais comum do que imagina...”

“E-Eu sei... Me desculpe pelo escândalo...”, ela também suspirou, e voltou às suas tarefas. Não passava de uma pirralha inocente, com certeza Chieko ou qualquer outra teria agido com um pouco mais de naturalidade, e talvez até feito piada com o que encontrariam. Emiko se achou ridícula.

Após terminar de esvaziar as malas, Emiko e Kakeru foram para a cozinha. A garota pegou um avental, e o rapaz ficou apenas assistindo, enquanto ela pegava os ingredientes que já tinham em casa (porque a tia de Yusuke constantemente ia para lá).

“Huuum, vou fazer sukiyaki. Tem bastante coisa aqui”, ela sorriu, parecendo animada para começar, então olhou para Kakeru, que parecia um pouco envergonhado. “Não encontrou um avental, Nomura-san?”

“Ahh”, ele coçou a nuca, dando uma risada sem graça. “Ahaha, é que eu não sei cozinhar... nem um pouco”

“Oh... Me diga, no missoshiru com udon, quantos ovos costuma-se usar?”, ela olhou séria para ele.

“É claro que três!“, ele disse, com a maior inocência e certeza do mundo. Nesse momento, Emiko sorriu levemente e logo pôs-se a rir baixinho. Mas não aguentou e intensificou a risada, tornando-a uma gargalhada. “Eh... Kudou-san?”, ele olhou surpreso para a jovem e sua reação exagerada.

“Hahahahahahaha! Três ovos? Você quer fazer um missoshiru ou um omelete*?! Ahahahahahaha!”

Kakeru percebeu qual era a grande piada e corou, então soltou uma risada forçada e fingiu uma expressão de confiança.

“Eu estava brincando! Eu sabia que são menos!”

“Hahaha, não sabia, não!”

“É claro que sabia!”, ele não pôde aguentar, e começou a rir junto a ela logo depois. Talvez as coisas não fossem tão ruins quanto Emiko pensou que seriam.

✶

No final das contas, Emiko ajudou Kakeru a fazer o sukiyaki, embora, a princípio, fosse ele a preparar o prato. O fato de cozinharem juntos deu grandes oportunidades à Emiko de conversar com o rapaz, e nessa situação, descobriu muitas coisas sobre ele, tais como os lugares que frequentava, comidas e filmes favoritos, e até mesmo um pouco sobre sua família.

No final, os dois esperavam a comida cozinhar. Kakeru mexia em seu celular, e Emiko apenas aguardava calada, lendo o rótulo de uma embalagem.

“N-Nomura-san...”, ela não tirou os olhos do rótulo, e finalmente criou coragem para perguntar de algo que a assombrava já havia algum tempo. “Por que não foi se divertir com os outros e ficou aqui...?”

“Huh? Não é óbvio? Porque eu não queria te deixar perdida. Você não conhece nenhum deles, e fui eu quem te convidou, acho que é o mínimo que posso fazer”

Emiko corou de leve. Era verdade. Não havia chances de ser um motivo além daquele. Mas mesmo assim, a preocupação de Kakeru a deixara feliz.

De repente ouviram um barulho vindo da porta da frente.

“Ah. Eles voltaram?”, Kakeru olhou para o corredor que havia em comum entre a sala de jantar e a de estar, a cozinha e o banheiro da empregada.

“Provavelmente...”, Emiko se sentiu um pouco desapontada, mas não demonstrou muito.

Pouco depois um dos garotos do grupo se aproximou da entrada da cozinha, com o corpo ensopado.

“Kakecchi, por que não veio com a gente? Estão pedindo pra você ir lá. Vamos fazer uma competição de natação”

“Ah. Eu não posso, estou cozinhando”, e fez uma expressão de orgulho, como a de uma criança após limpar o bumbum e dar descarga sozinha pela primeira vez.

“Hahahahahahaha!”, o garoto colocou uma mão na boca enquanto gargalhava, e depois apontou para Kakeru, com os olhos lacrimejando. “E você lá cozinha?!”

“Huuuh, quero ver se terá motivo pra rir da minha cara quando comer meu maravilhoso sukiyaki!”

“De qualquer forma, é rapidinho. Não desaponte o pessoal. Ou está com medo porque estamos no clube de natação?”, o rapaz olhou para Emiko. “Pode levar a garotinha também, não vamos demorar muito”

Emiko devolveu o olhar e finalmente conseguiu descobrir a quem pertencia aquele rosto. Era o tal garoto que a pressionara na noite do karaokê, perguntando-a o que achava a respeito dele. Os cílios longos, os cabelos escuros, aquela pele alva sem imperfeições... sem dúvida era aquela pessoa.

Mesmo assim ela não falou nada, até por não haver cabimento falar sobre aquilo depois de tantas horas que passaram juntos na mesma vã.

“Vamos, Nomura-san. Eu acho que vai demorar um pouco pra cozinhar, mesmo”, ela sorriu levemente.

“Ah, bem... se for assim... tudo bem”, ele coçou as costas da cabeça. “Vou me trocar, então”

Kakeru se retirou, subindo as escadas, em direção ao quarto dos garotos. O outro rapaz que vestia apenas uma bermuda molhada olhou para Emiko, que até então não conseguira tirar os olhos de seu rosto. Ele sorriu.

“Não vai se trocar também?”

“A-Ah... não... Eu não sei nadar”, ela saiu do transe, e tirou o avental. “Vou apenas observar...”

O jovem saiu da cozinha, e ela o seguiu até a parte exterior da casa, em silêncio. Aguardaram calados do lado de fora durante aproximadamente dois minutos, mas o rapaz sorridente não aguentou ficar calado por muito tempo.

“Seu nome é Kudou Emiko-chan, né? Kakecchi nos contou. Meu nome é Yano Motohiro”

“Ah... sim. Nos vimos na festa do karaokê, não é...?”

Ele colocou uma mão no queixo, observando-a cuidadosamente.

“Mesmo? Eu não lembro de você”

“Q-Quê...? Sério mesmo...?”, ela pareceu se sentir exausta, e bem menos culpada por não se lembrar dele antes. Ele não havia nem ao menos gravado o rosto da jovem.

“Mas, mesmo não te conhecendo, pode me chamar de Moto, todos me chamam assim”

“T-Tamanha intimidade... eu não posso...”, ela ficou confusa. Sua mãe sempre a ensinara a ser formal, então não sabia se estaria fazendo a coisa certa. “M-Moto-san, então...?”

“Hahaha, gostei! Uma mistura de intimidade de formalidade? Ah! Kakecchi, que demora!”

“Foi mal, eu tive que dobrar as roupas que estava usando, porque a Kudou-san teve trabalho para arrumar tudo...”, Kakeru trancou a porta da casa ao se revelar e seguiu até os outros.

“Haha, ela não viu as revistas que o Rencchi trouxe, né?”, pôs-se a andar, acompanhado do outro.

“Eram do Ren?”

“Ohhhhh!!! Então ela viu, mesmo?!”

“E-Eu não me importei tanto... afinal, é comum, não é?!”, Emiko interferiu, constrangida.

Os três seguiram até o ponto de encontro, conversando.

✶

“Por que eu tenho que ir tambéééém?”, uma das jovens, que até pouco tempo atrás estava a tomar banho de sol resmungou, olhando para Motohiro. “Nós nem somos do clube de natação...”

“Sim, e a Chi-chan não vai precisar nadar, também!”, a outra protestou, tirando o óculos escuro do rosto.

“É porque precisamos de mais competidores, e a Chieko vai anunciar partida. Vocês são muito preguiçosas, Akiko-chan!”, Motohiro se exercitava antes de entrar na água.

“A Kudou também não vai competir! Não é justo com a gente!”, a outra garota resmungou novamente.

“Hattori-chan, relaxa, é só pra aumentar o número de competidores! Todos sabem que nossas estrelas principais são o Kake-chan e o Moto!”, Yusuke comentou, antes de entrar na água.

“Certo, todos em seus lugares, antes que o tempo fique ruim!”, Chieko bateu palmas, brevemente.

“É impossível o tempo ficar ruim com tanto calor, Chi-chan...”, Ren foi o último a falar algo, antes de todos entrarem na água. Chieko e Emiko ficaram na beira.

“Certo! Todos a postos! Vocês vão nadar até aquela pedra”, apontou para uma pedra enorme não tão distante do local que se encontravam, “... e voltar! Qualquer tipo de nado é válido! Quem chegar primeiro vai ter a maior porção no almoço!”

“Ehhh, eu não quero isso, vai me deixar gorda...”, Hattori reclamou.

“Ei, eu ouvi dizer que o almoço é do Kakecchi!”, Motohiro soltou uma risada, e logo depois todos os outros riram também, fazendo comentários debochados sobre o amigo.

“Certo, certo. Chega de piadas! Preparem-se!”, Chieko retomou sua posição e fez a contagem regressiva, e, ao dizer “Já!”, todos saíram nadando desesperadamente.

“Wah, os garotos são muito rápidos!”, Emiko pensou em voz alta, ao notar a força de espírito de todos, exceto das garotas, que nadavam tranquilamente, sem a menor vontade, e desistiram antes mesmo da metade do trajeto.

“Ah, é porque todos ingressaram esse ano no clube de natação do colégio deles”, Chieko comentou.

“Sim... o Nomura-san...”

“Ele também fazia parte do clube da nossa escola. Mas preferiu optar por tênis, ano passado. Mesmo assim, pode ver que ele bate de frente com o Moto, que é um dos melhores do clube de natação do Colégio K, mesmo sendo apenas um calouro...”

“Está dizendo que o Moto-san só aprendeu a nadar esse ano...?”

“Ele já sabia, mas não tinha interesse pela natação. Eu acho que ele só entrou lá pra competir com o Kakeru. Ele detesta o Kakeru”

“Eh...?”, ela olhou surpresa para a outra, que mantinha uma expressão séria. “O Nomura-san sabe...?”

“Sabe. Mas a relação deles é de falsidade. Digo, eu acho que o Kakeru não tem nada contra o Moto. Mas a relação não é recíproca”

“P-Por que o Moto-san não gosta do Nomura-san...?”

“Ah, veja! O Kakeru passou na frente do Moto, e já está voltando!”, ela apontou para o mar, aparentemente animada, e fugindo totalmente do assunto anterior. “Incrível... Mesmo tendo parado de nadar, ele não enferrujou nada, hahaha!”

Emiko olhou preocupada para Chieko por um instante. Aqueles três escondiam algo, e ninguém mais parecia saber, nem mesmo aqueles presentes na viagem.

É claro que Kakeru ganhou, sem nenhuma disputa muito acirrada. Motohiro era rápido, mas não o bastante para superar todos os anos que Kakeru se dedicou à natação.

Logo depois de Motohiro, Ren e Yusuke (que também eram do clube que Motohiro participava, mas não eram tão bons nadadores) saíram.

“Droga! Cof cof! Se não tivesse me afogado, eu teria alcançado o Moto! Cof!”, Ren tossia sem parar.

“Desculpa de mau perdedor, hehe”, Yusuke zombou, e depois olhou para Kakeru. “Você vai ter a maior porção da sua própria comida! Nada mais emocionante que isso, Kake-chan!”, foi claramente irônico.

“Hahahahaha, então acho que eu irei degustá-lo com vigor!”, Kakeru respondeu com humor.

“O quêêê?! As meninas nem tentaram!”, Ren observou as outras duas tomando banho de sol próximas da beira.

“Isso porque não foi imposto nenhuma regra aos perdedores, duuh!”, Akiko rebateu, novamente com o óculos no rosto.

“Affe, não teve a menor graça!”, Ren respondeu, e depois olhou para Motohiro, que passava a mão no cabelo para tirar o excesso de água, e não parecia tão animado quanto os outros. “Vai precisar praticar mais, Moto!”

“Sim... eu acho que vou me dedicar um pouco mais. Quem sabe algum dia chego aos pés do Kakecchi. Certo?”, ele sorriu para Kakeru, que devolveu o sorriso, mas não de bom grado.

“Sim...”

“Ah!”, Emiko pestanejou, se lembrando de algo. “O almoço! Já passou do tempo!”

“... Ehhhhhhhhhhhh?!”, quase todos disseram ao mesmo tempo, incrédulos de terem esquecido completamente do almoço.

✶

“Eh... Queimou tudo... Não dá pra salvar nada...”, Emiko comentou, ao dar uma olhada na comida dentro da panela.

Alguns tossiam por causa do excesso de fumaça, e os outros abriam as portas e janelas.

“Que desperdício de comida! E agora?!”, Akiko reclamou. “Estou morrendo de fome!”

Kakeru deu uma olhada na comida da panela por cima do ombro de Emiko e depois olhou para os outros, de testa franzida.

“Eu acho melhor vocês irem comer em um restaurante. Eu não quero desperdiçar o trabalho que Kudou-san teve para me ensinar, então vou refazer a comida”

“O quê?! Você tá falando sério?”, Ren o olhou, sério. “Já é tarde! Você vai morrer de fome!”

“Acho melhor todos irmos comer fora”, Chieko comentou, após terminar de abrir as janelas e voltar à cozinha, aonde estava a maioria.

“Huuuh, isso é interessante. Se o Kakecchi ficar pra cozinhar, você ficará pra comer a comida dele, Emiko-chan?”, Motohiro olhou para Emiko, com um sorriso divertido. Todos também olharam pra ela.

“E-Eu acho que sim...”, ela olhou para o chão, embaraçada.

“Ótimo. Então eu acho que também ficarei”

Os olhos passaram de Emiko para Motohiro. Ninguém entendia o que estava havendo, mas os movimentos de Motohiro estavam estranhos para todos. Até mesmo para Kakeru.

✶

“Wahhh! Que jantar bonito! E o cheiro compensa toda aquela fumaça de antes! Foi você que fez, Kake-chan?!”, Yusuke olhava fixamente para os pratos em cima da mesa, quase babando.

Hattori, Ren, Yusuke, Chieko e Akiko haviam acabado de chegar. Já era tarde, mas haviam almoçado fazia muito tempo, e ficaram na rua apenas passeando e conversando. Quando chegaram, o jantar já estava na mesa, mas os três que ficaram ainda não haviam degustado-o. Ao que tudo apontava, a tia de Yusuke ainda não havia voltado.

“Não, eu só fiz o almoço, e não era muita comida. Quem fez o jantar foi a Kudou-san”, Kakeru e Motohiro assistiam à Emiko arrumando as coisas e guardando os ingredientes.

“Você é realmente habilidosa quando se trata de comida, Emiko-chan! Seu futuro marido ficará orgulhoso!”, Yusuke elogiou. “Acho que vou até tirar uma foto pra postar no Instagram!”

“Heheeh... Não está tão bom assim... é o que eu faço todas as noites pra minha família...”, ela esfregou as costas da cabeça com uma mão, envergonhada.

“Bem que eu queria ter jantares assim todas as noites”, Chieko suspirou.

Após lavarem as mãos, os jovens foram para a mesa de jantar. Todos estavam completamente animados, mesmo Motohiro, que parecera tão estranho aquela tarde. Logo todos relevaram os ocorridos da tarde, voltando ao humor que estavam durante a manhã.

“Mas eu realmente fiquei impressionada! Mesmo depois de tanto tempo, o Kake-chan não piorou em nada na natação!”, Akiko comentou.

“Boooba! É porque ele pratica desde criança! O que eu não entendo é que, mesmo sendo tão bom nadador, o Kake-chan nunca participou de nenhuma competição! Isso sim é um desperdício!”, Ren falou de boca cheia.

“Agh, você cuspiu na minha cara, Ren-chan! Seu nojento!”, Hattori limpou o rosto com um guardanapo, enojada.

Ren ignorou, e, diante dessa posição, Kakeru se sentiu à vontade para comentar.

“Eu não vejo a natação nada mais como um hobby, eu não quero levar tão à sério... E também, eu estou enjoado de fazer a mesma coisa por tantos anos, é por isso que faz tanto tempo que não nado”

“Mentiroso”, Chieko cochichou, mas apenas Emiko, que estava ao seu lado, pôde ouvir. Permaneceu um tempo olhando para o rosto da jovem, que ignorou-a, voltando a comer. Obrigou-se a fazer mesmo, ainda estranhando o que acabara de ouvir.

“Mas, o que mais me assustou hoje foi o fato do Moto preferir ficar a sair conosco! Isso nunca aconteceu desde que o conhecemos!”, Ren falou de boca cheia de novo. Dessa vez, Hattori protegeu seu rosto com o mesmo guardanapo que usara antes.

“Acontecia, quando ele deixava de sair com a gente pra sair com outra pessoa”, Chieko comentou logo depois.

“Talvez seja porque o Moto-chan tenha mudado de time e esteja realmente gostando do Kake-chan”, Hattori disse, provocando os dois.

“Hahaha, você me conhece, Hattoricchi. Sabe que eu sou mais másculo que qualquer outro dentro desse cômodo”, o jovem de cabelos negros pôs um pouco de sua porção na boca.

“E-Ei!”, Yusuke e Ren disseram ao mesmo tempo, se sentindo ofendidos. Mas Motohiro ignorou.

“Sendo assim, então por que descartam tão facilmente a ideia de eu estar interessado na Emiko-chan?”, soltou um sorriso amigável.

“Ei, está dizendo que está interessado na amiguinha do Kake-chan?!”, Hattori apontou para Emiko, fazendo uma careta. Definitivamente aquela jovem tímida não fazia o tipo do conquistador Motohiro.

“E se eu tiver? Qual é o problema?”, ele colocou seus hashi em cima da mesa e olhou diretamente para Emiko. “Na verdade, eu tenho certeza que, nesse momento, só tenho olhos para a Emiko-chan”

Após sua última sentença, Emiko ficou apenas olhando para o rosto do rapaz fixamente, sem acreditar. Cochichos podiam ser ouvidos em todos os lugares naquela sala de jantar, e absolutamente ninguém podia acreditar.

Havia alguém naquele mundo que realmente poderia se atrair por Emiko?

Notas finais
Termos para familiares:
oba-chan: Forma carinhosa de chamar alguém de tia.

Honoríficos:
chi/chin: Uma forma mais fofa do -chan. O c é dobrado em chi por estar junto ao nome do indivíduo, e não separado pelo hífen.

Futon: tipo de colchão usado na tradicional cama japonesa. Os futons são baixos, com cerca de 5cm de altura, e têm no interior algodão, lã ou material sintético.

Nárnia: um mundo fantástico criado pelo escritor irlandês Clive Staples Lewis como local narrativo para as Crônicas de Nárnia, uma série de sete livros. O mundo é chamado assim em homenagem ao país de Nárnia, onde acontece a maior parte da história.

Culinária japonesa
Sukiyaki: prato japonês tipicamente preparado à mesa conforme se vai comendo. As pessoas vão servindo a si mesmas à medida que os ingredientes são cozidos. Composto de carnes fatiadas bem finas, verduras, udon, cogumelos, konnyaku e ito konnyaku, kamaboku etc.
Missoshiru com udon: prato da culinária japonesa, consumido costumeiramente com frequência pelos japoneses. Normalmente é preparado com soja, hondashi, tofu e cebolinha; algumas vezes acrescenta-se outros legumes. O missoshiru é servido antes do prato principal e deve ser consumido quente. Udon é um macarrão grosso feito com farinha, feito para acompanhar sopa.

*Emiko zomba de Kakeru porque geralmente são utilizados um ou dois ovos no missoshiru com udon, e é considerado um prato simples de ser feito.

Instagram: aplicativo gratuito que permite aos usuários tirar uma foto, aplicar um filtro e depois compartilhá-la em uma variedade de redes sociais, incluindo o próprio Instagram.

Hashi: palitinhos utilizados para segurar a comida no lugar de talheres no Oriente, em países como a China, Coreia, Japão e Vietnã.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.