Hiroin No Shinyuu (Heroine's Best Friend)
3 Capítulo 3 - Amigos que desculpam.
Notas iniciais
Qualidade da imagem para leitura online: Aproximadamente 25%
Qualidade de imagem para arquivo baixado: Exatamente 86%
Há algumas alterações de escrita entre o .pdf e o postado aqui, há menos erros no texto postado neste site.
ATENÇÃO: TODAS AS ILUSTRAÇÕES DOS PERSONAGENS ESTÃO NESTE ARQUIVO. PARA AQUELES QUE QUEREM VER, E NÃO APENAS IMAGINAR, SUGIRO QUE CLIQUEM NO LINK ACIMA E VEJAM OS RASCUNHOS DOS PERSONAGENS.
Emiko, aos olhos de Mami, parecia um pequeno pedaço de bife, disputado entre muitos cachorros.
Até esse ponto, Kakeru já havia voltado para o grupo com o qual conversava, parecendo não dar a mínima para a situação. Aki foi a única a notar a atenção de Mami na amiga.
“Ah, isso?”, soltou a de olhos azuis e sorriu maliciosamente, como se visse muita graça na situação. “Eu também fiquei surpresa! Emi-chan nunca foi popular, mas eu acho que a acharam meio parecida com uma personagem de anime...”
“E você não fez nada...?”, Mami semicerrou seus olhos.
“Não! Na verdade, achei uma cena incomum e engraçada, então fiquei apenas assistindo pra ver no que dava!”
“... E com que direito você tem de me chamar de “demônio”, certas vezes?”
“Ahh, pare, Mami! Não é tão ruim assim! Ela está se divertindo!”
Na verdade, Emiko tremia, e parecia não saber para quem dar atenção. Ela claramente se sentia absolutamente perdida, e morrendo de vergonha por ser um dos centros de atenção.
“Ela está quase morrendo”, observou Mami.
“Corta essa, Mami! Deixe ela socializar um pouco, Emi-chan tem tanta dificuldade de fazer amigos...”
“Não sou desnaturada como você, Aki! Faça isso com seus futuros filhos, e não com os meus!”, apressou-se e correu até aonde Emiko estava, a fim de socorrê-la.
“... Ela considera mesmo a Emi-chan sua filha...?”, Aki falou para si mesma, parecendo e não parecendo surpresa.
Mami, após um pouco de esforço, conseguiu um espaço entre os rapazes e estendeu seu braço na frente do frágil e trêmulo corpo da amiga, então olhou raivosa para os assediadores.
“Por favor, poderiam falar com outras pessoas da sala? Muitos foram convidados, então deem um espaço para ela!”
Alguns reviraram os olhos e saíram, mas outros teimaram e permaneceram. Um deles devolveu o olhar para Mami.
“Ei, garotinha, vocês vieram à uma festa! É natural querer conversar, não é? Se ela não quer conversar, então por que veio?!”
“... Não sei. Mas tenho certeza que há motivos fortes, então, por favor, a deixem em paz”
“A~ah, que chatice!”, um deles disse, se retirando.
“Pensei que haveriam garotas mais interessantes por aqui, hoje!”, outro o seguiu. E logo ninguém mais restou.
Emiko já não tremia mais havia algum tempo, e olhou com a testa franzida para Mami, que não sabia o que dizer, e logo mais virou as costas, a fim de fazer qualquer coisa, menos conversar com a outra.
Mas mal virou as costas, e já pôde ouvir uma voz masculina se referindo à garota que acabara de abandonar.
“Deve ser realmente chato ter tantos caras à sua volta, não é?”, o rapaz falou.
Emiko olhou para o garoto extremamente atraente, e, pelo uniforme, pertencente ao Colégio K. Seus cílios eram longos, e o cabelo escuro parecia muito bem cuidado. Ela não entendia como ainda não havia notado sua presença na sala, mesmo ele chamando tanto a sua atenção.
“A-Ah...”, ela se encolheu, embora o rapaz não estivesse nem perto de encostar seu corpo ao dela. “Não que seja chato... Só não estou acostumada...”, olhou para o chão, ainda desconfortável.
“Algum deles parece atraente, pra você?”
Ela se assustou com a pergunta repentina, e criou coragem para olhar para o rosto do garoto, dessa vez fixamente. Não havia prestado atenção antes, mas ele bebia algum tipo de drink, e parecia bem à vontade. Felizmente, ele não devolvia olhar algum, e parecia olhar fixamente para algum outro ponto.
“E-Eu não sei... Não prestei atenção”, ela tornou a desviar o olhar.
Mas ele não desistiu: finalmente fez um movimento e curvou-se, apoiando os braços nas coxas. E então olhou penetrantemente para Emiko, a fim de provocá-la um pouco mais.
“E eu? Sou atraente, aos seus olhos?”
Nesse momento sua mente ficou em branco. O que responder para sair daquela situação? O garoto mantinha um sorriso no rosto, como se a confusão da menina o agradasse. Ela, na verdade, parecia muito estúpida.
“Com licença, mas creio que não fui clara, antes”, Mami puxou a amiga pelo braço, obrigando-a a se levantar. “Serei direta dessa vez: Não se aproxime dela, por gentileza”
Ele continuou a olhar com um sorriso, só que dessa vez para a jovem intrometida.
“Você está dizendo isso como se pudesse ler a mente dela. O que te garante que o que pede é o que ela quer? Ela é sua marionete?”
“B-Bem...”, para aquele garoto, Mami não tinha uma resposta na língua. Era verdade que ela não perguntara para Emiko se esta queria sair. Mas sua resposta veio com uma leve puxada na blusa. Emiko olhava-a dolorosamente, como um cão sem dono.
“Mami-chan, vamos”
“Ah... Certo”, até a própria garota se assustou com o ato, e não pôde evitar de mostrar a língua para o rapaz misterioso antes de se retirar.
“... Que infantil”, o estudante suspirou e voltou a tomar seu suco, indo para outro canto da sala.
Já estavam fora da sala, e o corredor do andar em que se encontravam estava vazio. Não se sabia qual das duas, Mami ou Emiko, havia puxado a outra pela mão, mas as duas concordaram em parar em um ponto qualquer onde não era mais possível ouvir os barulhos da sala que estavam antes. Soltaram as mãos uma da outra e ficaram sem jeito.
Mami encostou na parede e suspirou. Estava decidida a não dizer nada, e Emiko se mostrou determinada a soltar as primeiras palavras.
“Mami-chan... me desculpe”, ela fez um leve ojigi, e pôde sentir os olhos de Mami em sua direção. “Aki-chan falou comigo, e, depois de algum tempo, notei que ela tinha razão... Eu sei que você fez aquilo para me proteger, e também porque somos amigas de infância... mas eu fiquei um pouco brava, porque não queria que Nomura-san pensasse que eu sou uma má pessoa...”
Ficou durante alguns segundos na mesma posição, até sentir um leve peteleco na testa. Então voltou à postura normal, de testa franzida. Mami a fitava com olhos um pouco cansados, mas, ao mesmo tempo, aliviados.
“Boooooba. Eu vou te proteger enquanto ainda formos amigas. Se não desejar mais que me intrometa nas suas brigas, então terá que se esforçar muito para me manter afastada”
Nesse momento, os olhos da garota tímida encheram-se de lágrimas.
“Mami-chan... eu te adoro!”, não pôde evitar de abraçar a amiga, que, de boa vontade, retribuiu o gesto, feliz por finalmente ter feito as pazes com Emiko.
“Hehehe”, a risada pôde ser ouvida pelas duas, mas só Mami pôde localizar a dona dela, que estava bem à sua frente.
“Aki...”, suspirou e soltou Emiko, deixando toda a emoção do momento esvair-se. “O que está fazendo aqui?”
“Estava passando por aqui para ir ao banheiro, e, por acaso, vi essa bela cena, hehe”
“Sua mentirosa bisbilhoteira”
“É sério, estava indo direto pro banheiro, e nesse momento acabo de soltar um peido!”
“Agh, sua nojenta!”, Mami empurrou a loira, descrente do que acabara de ouvir.
Era verdade. Não importava o quanto brigassem, elas fariam as pazes quantas vezes fossem necessárias. As três precisavam estar juntas, pois cada uma fazia falta no grupo do seu próprio jeito. E era juntas, e apenas juntas, que elas conseguiam sorrir e se divertir.
✶
“Até mais!”
“Hoje foi divertido, vamos marcar mais festas assim!”
“De acordo!”
“Ah, minha casa é para essa direção”
Todos se despediam, uma vez que a festa havia acabado. O grupo de amigas tiveram a chance de conhecer alguns de seus senpais, que lhe pareciam justamente aquilo que imaginavam: apenas alunos do colégio secundário que acabaram de ingressar no ensino médio, e por isso possuíam a mesma cabeça que garotos da idade delas, de 14 anos.
Para os garotos mais velhos, foi um pouco desapontante não poder mais conversar com Emiko, uma vez que ela passou o resto da festa sendo vigiada por um monstro maligno de chifres (figuradamente falando). Já a tímida garota não teve tantas chances de falar com Kakeru, uma vez que ele passou o tempo todo rodeado por outras pessoas.
Por terem a casa na mesma direção, Mami e Emiko seguiram por um caminho diferente do de Aki, que parecia sonolenta, por isso alguns colegas de turma se ofereceram para acompanhá-la até um táxi.
No caminho para casa, Mami e Emiko trouxeram à tona muitos assuntos, e então a primeira lembrou-se de algo que uma certa fofoqueira havia lhe contado.
“Naquele dia da lanchonete, Nomura-san te acompanhou até a sua casa?”
“Eh? Quem te contou?!”, Emiko parecia surpresa.
Mami revirou os olhos antes de olhar para a outra.
“Adivinha”
“Ah...”, ficou sem graça, mas não havia mais escapatória, senão contar. “Sim... ele foi gentil comigo. Mas não conversamos muito no caminho... E ele também...”, seu rosto ficou quente, e não pôde terminar a frase.
A de olhos azuis notou o rubor da amiga, e logo tentou adivinhar o que acontecera, parando imediatamente de andar.
“Espera! Ele te bei-”
“Não! Não, definitivamente não!”, seu rosto ficou ainda mais vermelho, e, parando também, Emiko tentou reunir forças para se acalmar, em vão, então tentou continuar. “Na verdade, tudo o que aconteceu foi...”
*FLASHBACK*
Emiko corria, sem parar. Não acreditava no que acabara de acontecer. Na verdade, não queria acreditar. Ela sabia que, caso Mami estivesse junto a ela naquele momento, não deixaria aquilo barato. Mas não sabia que uma situação hipotética poderia se tornar realidade daquela forma, e ainda mais num momento tão inconveniente. Na frente de Kakeru.
“Nomura-san... Me desculpe...” — pensava, enquanto segurava a vontade de chorar.
“Kudou-san! ... Kudou-san!”, ela pôde ouvir uma voz ao longe, mas suas pernas não permitiam que parasse. Mesmo que soubesse a quem pertencia a voz. Logo ela foi impedida, puxada pelo pulso pela mão grande do rapaz. Não era mais rápida do que um garoto. Olhou para seu rosto, de testa franzida. Ele parecia preocupado. “Por favor... me deixe ao menos levá-la até a sua casa”
Ela, na verdade, não desejava que aquilo fosse feito. Mas concordou, num momento em que preferia não ficar sozinha.
Dessa forma, os dois foram andando em direção à casa da garota. Na verdade, o percurso pareceu ainda mais longo por nenhum dos dois falar algo.
“Kudou-san...”, Emiko se arrepiou com o chamado do garoto. Pensou em responder, mas nada saiu de sua boca. Mesmo assim, ele continuou. “Me desculpe por hoje à tarde. Eu sei que não foi culpa sua. Tenho certeza que não seria capaz de ser rude com alguém, ainda mais sem algum motivo. Se Kojima-san realmente fez isso, tenho certeza que houve uma boa razão. Então, por favor, não se sinta culpada. Eu não estou bravo com você”, e desviou o olhar, sem jeito.
Neste feito, acabou poupando seus olhos da imagem da garota batendo a testa num poste logo após soltar um baixo “Eh...?”, e caindo no chão.
“Ku-Kudou-san!”, ele correu para socorrê-la, mas a garota parecia estar prestes a desmaiar.
*FIM DO FLASHBACK*
“Foi só isso... Aparentemente eu desacordei, e ele me carregou até em casa... E minha mãe o convidou para ficar, mas depois de tomar um café, ele saiu. Eu ainda estava dormindo... Aí, quando acordei, minha mãe ficou falando sem parar sobre as boas maneiras dele, gentileza e que queria ter um genro como aquele”, e suspirou, ainda envergonhada. Finalmente conseguiu voltar a andar, seguida da amiga, que parecia mais aliviada.
“Huuuh, até que ele é uma boa pessoa. Pensei que, por ser popular, ele te diminuiria e seria cruel com você... Nesse caso, acho que eu teria de recorrer à métodos um pouco mais pesados...”, seus olhos brilharam, e Emiko pareceu assustada por um momento ao ver aquela expressão demoníaca no rosto da amiga.
“N-Não é necessário, Mami-chan!”, gesticulou e depois voltou a olhar para frente. “Na verdade, eu não esperava que o Nomura-san fosse me convidar para a festa... porque deve ter sido extremamente constrangedor pra ele me carregar no meio da rua”
“Naturalmente. Se eu estivesse no corpo do Nomura-san, teria te deixado na rua, mesmo”
“Que maldade!”, os olhos de Emiko encheram de lágrimas, mas após um baixo riso de sua amiga, percebeu que estava apenas sendo provocada. Encheu então as bochechas, e olhou para o outro lado, irritada. “Poxa, Mami-chan, eu estou sendo franca com você...”
“De qualquer forma, quando ele te convidou? Porque tenho certeza que, se fosse com antecedência, Aki teria me contado”
“Ah! Sobre isso... Na verdade, eu e a Aki-chan estávamos no caminho para casa após o clube hoje, quando ele nos convidou ao cruzar conosco por acaso no portão do colégio”
“Entendo... Então foi em cima da hora...”
As duas ficaram caladas por um bom tempo, mas havia uma pergunta da qual Emiko não conseguia tirar da cabeça.
“Mami-chan... você foi convidada pra festa, né?”
“Ah... Sim”
“Quando? Com certeza não foi no último momento...”
“A-Ahh... ahahahahaha...”, ao forçar a risada, Mami passou uma das mãos nas costas da cabeça. “Sobre isso...”
✶
“Mami-chan...”, Emiko olhava triste para a amiga, com o rosto quase escondido entre as mãos, em meio a um cenário escuro. “Não acredito que o Nomura-san te chamou para sair primeiro que a mim...”
“Não... Não, Emiko! Você entendeu errado! Não há nada entre nós dois!”, Mami tentava se aproximar de Emiko, mas a mesma dava passos para trás, sem acreditar.
“Mami-chan... Por favor, nunca mais fale comigo! Eu... Eu te odeio!!”, e saiu correndo, sumindo da vista da outra, que tentava segui-la, em vão.
“Emiko... Por favor, não vá embora...”, franziu a testa, finalmente desistindo da perseguição.
“Maaaaamiiiiii... você roubou o namorado da Emi-chaaaaan... Imperdoável...”, dessa vez era a voz de Aki que ecoava pelo ambiente escuro. A de olhos azuis procurava seu corpo, mas a voz parecia surgir do nada.
“Eu não roubei nada, Aki! (E eles não são namorados)”, ela sussurrou a última parte, desviando o olhar, exausta por ter de repetir aquilo o tempo todo.
“Por causa disso, Mami-chan... Você vai ter que jogar tênis até morrer!”
“O-O quê?!”, em um piscar de olhos (literalmente), vestia roupas de tênis, e suas mãos seguravam uma raquete. “E-Espera! Aki!”
Nesse momento, uma bola de tênis gigante atravessou uma rede de tamanho proporcional, quicando em sua direção.
“Sem chances! Não tem como eu rebater isso! AKIIIIIIIIIIII!”
Prevendo seu fim, Mami virou as costas, tentando fugir, e nesse exato momento acordou do pesadelo graças ao toque do seu celular.
Havia acordado em um pulo, e já estava sentada. Ela pôde ver pelas frestas da janela que ainda estava escuro. Isso significava que provavelmente seria madrugada. Confirmou o pensamento quando olhou para o despertador e viu que marcava 4:16 da madrugada.
“Ahh...”, esfregou o rosto com uma mão, e se perguntou quem estaria ligando para ela numa hora daquela. Não se preocupou em ver o número na tela, até porque mal enxergava de tanto sono. Ao mesmo tempo que desejava xingar o indivíduo, pensou em agradecê-lo por acordá-la daquele sonho bizarro. “Quem é?”, perguntou, logo após atender. Não deixou a pessoa responder antes de dar uma nota adicional. ”Se for a Aki, já vou avisando que te bloquearei por fazer esse tipo de coisa a essa hora da manhã...”
“Hnn...”, a voz era masculina, e meio sem jeito. Ele parecia envergonhado. “... É o telefone celular da Kojima Mami-san...?”
Mami, curiosa e incrédula, resolveu olhar na tela o número ou nome do indivíduo que a ligara, mas este era acusado como “Número Desconhecido”. Voltou a colocar o celular próximo do ouvido.
“Quem fala?”
“Mami, nós precisamos conversar! É o Minoru! Escuta, demorou bastante pra eu conseguir te li-”
Mami desligou imediatamente o celular, soltando um pequeno grito. Então deixou-o na beira da cama, e se encolheu do outro lado.
“Outro pesadelo?!” — pensou. “Eu pensei ter bloqueado e deletado ele no meu celular!”
Não demoraram nem dez segundos para o som do celular tocar novamente.
“Esse cara não desiste...?!” — pensou novamente.
Engatinhou até o celular e, respirando fundo, atendeu e respondeu rápido.
“Pare de me incomodar, stalker!”, e desligou, sem sequer esperar uma resposta.
Passaram-se vários minutos, e ele não retornou. Devia ter ficado chateado.
“Desocupado...” — Mami se jogou na cama, após o pensamento. Ultimamente ele estivera sendo mais insistente do que nos meses anteriores. Ela se perguntava o motivo. Mas, como pensava, Minoru, diferente de antes, não ocupava mais um grande espaço na sua mente. No momento, tinha coisas mais importantes a se preocupar.
Apesar de contar à Emiko que Kakeru lhe convidara haviam três dias, ela pareceu não se importar muito, e isso incomodou a amiga. Talvez não estivera assim tão apaixonada, como Aki dizia que estava? Chegou até a pensar que sua tristeza havia sido guardada para si mesma, e talvez isso que despertara aquele pesadelo terrível que Mami tivera. Mas Emiko também nunca afirmara que estava gostando de Kakeru... nem uma única vez. Se algo havia acontecido entre os dois, foi porque Aki havia forçado a barra. Embora o amor que Emiko tinha por Kakeru fosse tão óbvio quanto a amiga barulhenta tanto afirmava, ainda lhe restavam dúvidas se realmente se tratava daquele sentimento.
“Eu não entendo mais nada...”, sussurrou, novamente fechando os olhos, cansada de pensar.
✶
Já estava na hora da saída, e as três saíam a fim de ir para casa, uma vez que não haveria clube naquele dia.
“Waaaah...”, Mami bocejou, se esforçando para não fechar os olhos.
“Ultimamente você tem bocejado bastante, não é, Mami?”, Aki observou, parecendo surpresa.
“E dormido na aula também...”, Emiko completou a ideia.
As três atravessavam o pátio, indo em direção aos portões. Muitas outras pessoas iam embora, uma vez que o som do sino tinha soado havia pouco tempo.
“É que não tenho dormido muito bem essas noites... Muitos pesadelos...”
“Pesadelos?! Com o que?!”, Aki se interessou rapidamente.
“Se eu contar que elas estão incluídas no pesadelo, vou ter que dizer todo o resto...” — Mami raciocinou, antes de dizer qualquer coisa.
“Ah, tem a ver com o meu ex-namorado”, mentiu, embora as ligações dele de fato tivessem se tornado um segundo pesadelo que a incomodava todas as noites. Mesmo que ela tivesse bloqueasse os números utilizados, todo dia ele ligava com um novo.
“Eu já te aconselhei a voltar com ele!”, Aki teimou em sua ideia.
“Eu disse pesadelos, e não sonhos. Eu não quero vê-lo nem pintado de ouro!”
“Mas o Saitou-san é tão bonzinho... Eu ainda não acredito que ele tenha te traído, Mami-chan”, Emiko opinou, um pouco relutante no que diria.
“Eu nunca vou esquecer do que ele me fez passar. Nunca irei perdoá-lo!”
“Você é muito difícil, Mami! É por isso que ninguém quer te namorar”, Aki balançou a cabeça negativamente, em reprovação.
“Eu nunca disse que desejava um namorado!”, retrucou a de cabelos lisos e claros.
“Ano que vem você terá a mesma idade que heroínas de shoujo*, então quero ver se não vai mudar de ideia!”
“Você lê mangás demais, Aki...”, e suspirou, desistindo de discutir.
As duas discutiram tanto que não perceberam que a terceira havia parado de segui-las. Ao notar o sumiço de Emiko, as duas se viraram e a viram olhando fixamente para algo do outro lado da grade que cercava uma das extremidades do colégio, e então ficaram aliviadas em saber que a garota não havia sido sequestrada, ou outras coisas das quais a mascote do grupo poderia se submeter pela sua ingenuidade.
“Emi-chaaaaan, não pare assim tão de repente!”, Aki bronqueou a pequena, correndo até seu lado. Mas o olhar da amiga não se desprendeu da visão que tinha do outro lado da grade, e Aki se obrigou a olhar para a mesma direção. E então não pôde evitar de soltar um sorriso malicioso.
Desde então Mami se encheu de curiosidade, e arrastou-se até as duas.
“O que tanto olham?”, indagou, e, após não ser mais incomodada pela presença das árvores que tinham do outro lado da grade, conseguiu ver, ao alcançá-las, o que era o alvo de suas atenções. Kakeru jogava uma partida de tênis, parecendo extremamente concentrado. O ritmo do jogo não era agressivo, mas ninguém parecia fazer ponto.
“Nomura-san é forte... E ele parece extremamente legal quando está jogando”, Mami teve de admitir, sem malícia alguma em seu comentário.
“Eu ouvi dizer que ele fazia natação desde o início do ginasial, e pediu para mudar o clube na metade do ano passado. Me pergunto o motivo...”, Aki, como uma boa fonte de fofocas, contou o que sabia.
“Que estranho... Só tem uma garota no clube...”, Mami observou após olhar bem para a oponente de Kakeru e depois para os outros membros, que praticavam ou apenas assistiam sentados num banco.
Aki se agarrou na grade, enquanto gritava feito uma doida.
“KAKERU! KAK-”, sua gritaria foi imediatamente interrompida pelas outras duas amigas, que taparam sua boca ao mesmo tempo, e se esconderam em uma das partes que eram escondidas pelas árvores que circulavam a quadra.
“Qual é o seu problema?!”, Mami foi a primeira a destapar a boca de Aki, mas suava frio, temendo terem sido notadas pelos tenistas. Tão logo Emiko soltou Aki também, com o constrangimento estampado em seu rosto.
“É claro que eu só queria torcer por ele!”, Aki se defendeu, aparentemente sem o mínimo de arrependimento.
“Ele vai pensar que estamos o perseguindo! Além do mais, ele está concentrado no jogo. Sua tapada”, Mami esfregou uma mão no rosto.
“Aff, vocês não tem graça nenhuma!”
Após um tempo as três voltaram ao local aonde estavam antes. Felizmente, Kakeru pareceu não perceber nada. No entanto, o jogo havia acabado, e ele só conversava brevemente com sua oponente.
Apesar de soltar pequenos sorrisos convenientes, Emiko conseguiu perceber o quão desconfortável Kakeru parecia ao conversar com a garota.
Aki não conseguiu se manter calada por muito tempo ao lembrar de mais algo.
“Ahhhhhhhh!!”
“O-O que foi?”, Emiko se assustou, e pensou que algo houvesse acontecido.
“Lembrei! O nome dela é Yano Chieko! Ela também estava na festa do karaokê! Parece que ela e o Nomura eram muito próximos, mas ouvi dizer que eles já não são tão amigos... Eu lembro que antigamente os dois até iam embora juntos! Será que eles estavam saindo?!”
“Como você só lembra de coisas importantes assim depois de tanto tempo...?”, Mami semicerrou os olhos, incomodada.
“A Emi-chan deve saber mais do que eu, afinal, ela sempre observou o Nomura. Certo, Emi-chan? ... Emi-chan?”, a insistência no nome da amiga ocorreu depois de perceber a expressão dolorosa que a mesma fazia.
“N-Nomura-san!”, a tímida gritou com todas as suas forças, logo depois de Aki chamar por seu nome.
O garoto se virou, localizando a dona da voz. Chieko também se virou, falou algo rápido para Kakeru e virou as costas, se retirando. Já Kakeru voltou a olhar para Emiko e fez um sinal com a mão para que ela fosse até onde ele estava.
“E-Eh...?”, ela olhou para os dois lados e tentou encontrar uma entrada, mas não achou uma sequer. Estava totalmente perdida, mas Aki a empurrou para qualquer um dos lados.
“Vá, Emi-chan! Ele está te chamando!”
Emiko mordeu o lábio inferior e, por um momento, pareceu séria, gritando um “Sim!” e logo em seguida saindo correndo, sem antes tropeçar no seu próprio tornozelo e cair no chão.
✶
“Eu vou embora... Ela está demorando, e está muito calor”, Mami se levantou do chão, decidida. Já estavam no mesmo lugar havia mais de meia-hora, e precisava voltar para casa logo, antes que os trens ficassem lotados.
“Eu disse que devíamos ter ido espiar...”, Aki lamentou, também cansada, e encostada na grade.
“Não, devíamos ter voltado para casa, e depois ela ligaria nos contando. Todos os membros do clube de tênis já foram embora, não é possível que ela ainda esteja falando com o Kakeru”
“A Emi-chan deu a volta pelo portão da entrada, por isso deve estar demorando! Eu tenho certeza que nossa espera será recompensada, então, por favor, Mami, fique mais um pouco! Só mais um pouquinho!!”, juntou as mãos, parecendo desesperada.
Mami suspirou, sem saber o que dizer, e concordou em ficar mais alguns minutos.
Demoraram cerca de 8 minutos após o curto diálogo entre as duas para Emiko voltar, correndo.
“... Finalmente”, Mami estava cansada de andar de um lado para o outro e ficar checando o relógio do celular. “Você demorou demais!”
“Não dê ouvidos a ela, Emi-chan! Como foi?! O que ele queria?”
Após se aproximar das duas, Emiko quase não esperou para respirar direito. Com o rosto corado, ela franziu a testa e olhou desesperadamente para as duas.
“O Nomura-san me chamou para viajar com ele no início das férias de verão...! Mami-chan, Aki-chan, o que eu faço?! Eu estou tão feliz...”, quase escondeu o rosto entre as mãos, mas não pôde, pois Aki segurou-as quase imediatamente, igualmente sem acreditar.
“É sério, Emi-chan?! Isso é ótimo! Você ouviu isso, Mami?! Eles estão se aproximando! Vocês vão conseguir ficar juntos! Estou tão feliz! Tanto trabalho esforçado finalmente recompensado...”
As duas conversavam tão animadamente que não puderam olhar para Mami nem por um momento, e por isso não conseguiram ver o rosto desesperado dela. Então era verdade, mesmo... agora era inegável. Não haviam dúvidas...
Emiko estava, definitivamente, apaixonada por Kakeru.
Notas finais
*Em mangás shoujos, as protagonistas geralmente estão no primeiro ano do colegial, tendo de 15 a 16 anos. É um clichê muito utilizado.
Fale com o autor