Hiro - O Herói Renegado
6 Ato 6 - Infância
Meu pai costumava montar a cavalo na fazenda que tínhamos no interior do país. Minha mãe sempre cosendo e suspirando: “Por que hei de ter mais de um filho?”. Sempre fui um peso para a família. Aniversários, festas... Quais aniversários? Quais festas? O máximo que ganhei em toda minha vida foi um suéter no natal, devido uma queima de estoque. O único que se lembrava de mim era meu irmão mais velho, Jeff. Certa vez, em minha única festa de aniversário ( que de fato não foi tão grande, apenas um encontro entre familiares que muitos nem eu mesma conhecia) meu irmão surge da porta com um pequeno pacote.
–Nee-chan! Dei duro para achar algo que tivesse a sua cara. – ele me abraça e da o presente.
Ansiosa o fiz, abri na mesma hora para descobrir o que estava ali dentro. Era um cachecol preto. Por algum motivo que não soube explicar, começo a chorar, e as lagrimas a cair em cima do cachecol. Ele o tirou da minha mão e colocou-o em meu pescoço, limpou minhas lagrimas e sorriu.
–Bobinha – e bagunçou levemente meu cabelo. Não soube o quê dizer naquele momento, se sentia raiva ou mais vontade de abraça-lo.
Os dias se passam, e eu não tirava o cachecol para nada. Num desses dias chega ele, novamente, cansado, com uma cara triste. Vou falar com ele.
–O quê aconteceu com você? Está bem?
Ele não expressa nada, apenas mostra o papel da junta militar com o selo “Aprovado”. Chocada com a reação, começo a chorar. Não saia de meu quarto há 1 semana desde então. Logo o dia chegou, e ele ali, que esteve comigo todos os dias... Lá estava ele, parado na porta de meu quarto, com seu sorriso de sempre, e os olhos lacrimejando.
–Você vai se comportar? – diz ele, sentando ao meu lado.
–Vou – eu já chorando – farei isso por... Por você! – e pulo em cima dele, abraçando-o.
–Enquanto eu estiver longe, irei te escrever todos os dias, certo?
–Tudo bem.
A buzina ecoou na minha cabeça. Representava algo importante saindo de minha vida. Representava alguém indo embora. Representava o fim.
–Adeus, Nee-chan... – soltou minha mão e saiu de meu quarto. Pela janela pude vê-lo entrar no caminhão, como mais um que entra no caminhão...
Nosso país estava em guerra, e mesmo com todas as complicações respiratórias que meu irmão tinha, ele foi convocado. Eu tinha de voltar a viver minha vida. Depois de um tempo, voltei para a escola. Estava no segundo ano do colegial, estava pensando em fazer psicologia, iria tentar fazer a melhor faculdade do estado, até que certo dia, dois generais chegam à porta. Como um simples fato cotidiano, vou atender junto de minha mãe.
– Família Denver?
–Sim.
–Seu filho foi de grande utilidade, nos desculpe.
Foi isso, apenas isso que nos falaram. A sua medalha, cheirava a carvão, nem queria imaginar sua morte. Não pensei em nada, o choro foi mais que instintivo. Passaram mais três semanas, larguei a escola novamente. Meu pai chegava bêbado em casa, minha mãe tomava anti depressivos em excesso. Certo dia, um dia nublado, outro dia inútil, ouço um tiro vindo da sala. Desço correndo e vejo a figura de meu pai com um furo entre a barriga.
–MÃE! MÃE! CADÊ VO... – minhas perguntas se calaram quando olhei para a cozinha e a vi enforcada. A partir de então, não fui a mesma. Não sabia se o que estava pensando em fazer era o certo ( ou não) e liguei o fogão, fiz minhas malas, e deixei tudo acontecer...
A garota já em lagrimas estava segurando seu cachecol, lembrando da vez em que ganhara, e fitando o meteoro chegar mais e mais perto. Fechou os olhos e preparou-se para o pior, mas... Algo os parou, guiou-os para cima, e seu percurso voltou-se para a lua. Ela ali, perplexa, perguntando o que aconteceu... De repente, eis que cai alguém, e se estatela todo no chão. Hiro.
–HIRO! Você está bem? – ela o acolhe.
Ele sorri, passa a mão em seus cabelos.
–Sim – e retorna com um beijo.
–Então o casalzinho está feliz?
Ninguém havia notado, ninguém. O céu estava mais negro, mas por uma causa: Um zepelim gigante estava ali estacionado (como ninguém reparou?). Eis que dali uma formosa dama, vestida de general sexy, toma seu partido.
–Quem é você?! O que te devo?! – grita Hiro
–Você não me deve nada... Mas ela me deve – assim apontando para Atsuki.
–O que você faz aqui?! Não já estamos acertadas?
–Não não... Você fugiu! Ainda deve possuir isto! – e a general aponta para seu dedo indicador. Hiro abismado, encara as duas.
–V-você... Ela...
–Sim... Ela é minha ex-namorada...
–Ex-namorada? Ainda namoramos!
–Me desculpe Hiro – Atsuki se levanta e caminha até a general.
–Mas o quê? – se pergunta ele.
Ao subir, a general a cumprimenta com um profundo beijo, fazendo Hiro ter a incerteza se ficaria excitado ou mais abismado ainda.
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