Notas iniciais
escrevi faz uns 2 ou 3 anos, só resolvi postar pq, sei la, espero que gostem.

-Pare, por favor. Não faça isso. – Sussurrei, olhando em seus olhos, negros como a noite, e nesse instante ele fugiu.

Foi sábado passado nós quatro estávamos voltando para o acampamento; Mary ia na frente com os gêmeos Jonny e Gustave logo atrás, eu estava do lado dela quando tudo aconteceu. Eles chegaram com suas roupas pretas, sobretudos e cabelos espetados, eram moicanos eu acho. No máximo foram seis que vieram até nós começaram a provocar, especular e imitar. Mary sempre pagava de durona no acampamento, mas quando foi fazer isso ali, foi simplesmente desastroso: uma garota ruiva no chão, e logo foi a vez de Gustave e de Jonny.

Estranhamente o bando tinha uma espécie de líder que apontava quem ia brigar com quem. Chegou a minha vez, três já estavam no chão, sangrando, tentei me afastar mas o líder já havia apontado pra mim não havia mais escolha, pois não daria para correr com aquela saia e mesmo se conseguisse, eles me alcançariam rápido demais.

Um garoto com um moicano baixo e mal feito foi designado a “cuidar” de mim, enquanto se aproximava eu o examinava como uma zebra observando um leão. Usava uma camiseta cinza-escuro encoberta por um sobretudo até sua panturrilha, calças jeans escuras, suas botas com spikes, furos nas orelhas e no canto inferior esquerdo de sua boca havia uma argola.

Não conseguia ver seu rosto até a hora em que ele ficou exatamente em minha frente, escorreguei em meus próprios sentimentos quando o vi, “ele vai me bater, me deixar jogada no chão, sangrando” pensei. Não aguentei meu próprio peso e ajoelhei no chão de uma forma tão brusca que juro, eu pude sentir um pedregulho entrando em minha carne. Olhei-o de baixo para cima, enquanto ouvia os gritos ao fundo: dor, incentivo, cobrança.

Ele levantava sua mão para mim quando meus olhos encontraram-se nos seus. Seus olhos negros me fascinaram, pareciam confusos ou até oprimidos, desesperados ao tentar achar uma maneira de fugir da situação tanto quanto eu.

Foi quando uma sirene soou, todos fugiram inclusive ele, mas deixou cair de lembrança, uma pulseira que antes estava encoberta pelo sobretudo agora estava em minhas mãos, era de prata mas não fazia parte daquele seu estilo, era mais do tipo que se ganha e que não foi você quem escolheu, parecida com a que se ganha quando nasce. Enquanto examinava a pulseira, na sua parte inferior estava inscrito o seguinte:
Lukas

Alcancei Mary e os garotos rapidamente, depois de esconder a pulseira cuidadosamente dentro de minha bolsa de franjas e voltamos para o acampamento onde todos já estavam preocupados conosco.

Notas finais
:)