Hipnose
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Vale a pena reforçar que eu comecei a ver Bleach faz pouco tempo. Qualquer erro me avisem, como fez a linda Luluca200, obrigada.
Bleach não pertence e todo blah blah blah que vocês lerão em toda fic.
Obrigada para quem irá ler e obrigada.
Subcapitão do sexto esquadrão: Abarai Renji.
Por ordens superiores o senhor esta convidado a não comparecer á área de trabalho durante essa semana.
Kuchiki Byakuya:
Capitão.
Renji amaldiçoou cada linha e cada palavra elegantemente desenhada sobre o papel, aquela letra sempre o irritou, os Ts e os Ds sempre na mesma reta, o Os e os As sempre no mesmo ângulo perfeito de círculo. Ele poderia medir, e teria certeza, todos os Is teriam o mesmo tamanho.
Amassou o papel com raiva e jogou do outro lado do seu quarto, chutando junto no processo o lençol que cobria o seu corpo. O cabelo vermelho lhe fez cócegas e pela primeira vez na vida ele cogitou pegar a própria Zabimaru e cortar o cabelo tão curto que as pessoas poderiam ver as tatuagens na sua nuca. Estava irritado e tinha a impressão de que aquele dia iria ser um inferno.
Se levantou mais tarde naquele dia, já que não teria que trabalhar o resto da semana, lavou o rosto e prendeu o cabelo em um nó, passando os dedos sobre as tatuagens no rosto, cada traço, cada linha, aquelas seriam seu único conforto naquela casa, saber que aquilo seria a única coisa que não poderiam tirar de si.
Deixou o banheiro a passos lentos, levantando os braços se espreguiçando, pensou que uma semaninha do que o Taichou chamava de férias forçadas o faria bem.
Em duas horas já estava entediado.
Poderia sair, visitar algum colega, conversar um pouco com algum dos outros fukutaichous poderia lhe fazer bem. Mas a preguiça não deixava seu corpo sair do lugar. Então ele ficou se martirizando.
“Porra Renji, poderia ter escondido melhor, até parece que você não iria conseguir sair da hipnose se quisesse.”
“Oras! Mas eu topei fazer essa tal de hipnose para ver se eu conseguia escapar, se passaram três semanas e nada de evolução! Se eu conseguisse sair da porra da hipnose você acha que eu não o teria feito?”
Ele tinha completa noção de que se Zaraki não tivesse aparecido, as coisas na hipnose iriam ficar mais feias.
Ele agora estava deitado no sofá, uma revista em seu rosto, e ele queria poder dormir naquele momento.
Mas não conseguia, cada vez que fechava os olhos, os olhar cinzento e raivoso lhe vinha a mente. Ele nunca tinha visto aquele olhar em Byakuya, e aquilo lhe arrepiou. Suspirou profundamente e se sentou, aquilo era patético, até parecia uma colegial apaixonada, e ele não estava apaixonado.
Estava?
*********
-Renji, me entregue os papéis! – Falou Byakuya olhando para a caneta, a mão esticada atrás do corpo, em direção a mesa de seu tenente. – Renji, os papéis...
Ele se virou, pronto para dar uma bronca nele, foi quando seus olhos bateram na mesa vazia e ele se lembrou de que havia dado uma semana de “férias” para Renji. Apoiou a cabeça entre as mãos e massageou as têmporas devagar, querendo ou não o ruivo fazia falta naquela sala.
Se levantou e andou até a mesa bagunçada, tentando, em vão, achar o papel, somente o ruivo sabia entender aquilo. A raiva havia feito aquilo com Renji, a raiva de Byakuya, ele sabia que tinha que entender os sentimentos dos outros, mas é bem diferente na prática. Bufou e gritou o nome de um shinigami qualquer.
Um homem loiro apareceu na porta do escritório.
-Vá até a casa de Abarai Renji e diga para ele que requisito a sua presença aqui. – Ordenou Byakuya e em segundos o shinigami havia sumido da sua frente, sem dar um pio. Seria difícil olhar para o rosto de Renji, mas era preciso.
“Não misture assuntos pessoais com o trabalho, Byakuya.” Pensou ele sentando-se novamente em sua mesa.
“Não misture.”
*********
Renji arqueou as sobrancelhas quando escutou as batidas na porta de sua casa, seus olhos se cerraram com a luz que invadia o local e ele se levantou andando rapidamente até a porta, fazia muito tempo que alguém ia ali. Parado na soleira da porta estava um garoto, mais novo do que ele, o cabelo loiro grudado na testa pelo suor. Conhecia ele do esquadrão.
-Abarai fukutaichou. Byakuya-taichou requisita sua presença no sexto esquadrão...
Renji fechou a porta na cara do garoto. “Requisita sua presença?” Ele tinha uma semana de férias e não queria ser incomodado durante ela, ou requisitado.
Ele bateu na porta mais algumas vezes e então desistiu, Renji abriu a porta novamente somente para ter a certeza de que ele foi embora. Não queria ser grosso com o menino, mas queria ver a cara de Byakuya no momento em que o shinigami contasse para ele que Renji bateu com a porta em sua cara, nem escutando suas ordens.
O ruivo se sentou novamente no sofá e tentou se esquecer do mundo, mas foi impossível, já que agora seus pensamentos estavam voltados para Byakuya.
A reação do seu capitão já era a reação esperada por Renji, e ele tentava se colocar no lugar de Byakuya, sabia que teria reagido da mesma forma, senão pior.
“Argh.” Pensou Renji passando fortemente as mãos em punhos na frente dos olhos.
Então bateram na porta novamente.
-Vá embora! – Gritou o ruivo se levantando. As batidas na porta continuaram. – Já disse para você ir embora. – Gritou abrindo a porta. – Diga para aquele... Byakuya Taichou?
Byakuya estava parado a frente de sua porta, o rosto uma máscara de frieza porém seus braços cruzados demonstravam a indignação.
-Eu penso Abarai-fukutaichou que, quando lhe dou uma ordem, você deve ouvi-la até o final. – O ruivo tinha uma bela resposta na ponta da língua, mas se calou quando Byakuya forçou passagem para dentro de sua casa, ele cedeu e notou raivoso o olhar do capitão sobre o local modesto.
-Não é sua mansão, Taichou, não fui criado com a mesa índole. – Disse ele zombando da palavra Taichou. Sabia que aquilo só iria aumentar a raiva de Byakuya, mas quem disse que ele se importava?
-Não vim aqui para falar de sua casa, Renji. – Murmurou Byakuya desconfortável ali, não por causa da modestidade da casa, apreciava o modo como Renji havia dado um toque seu a pequena casa, formando em qualquer lugar uma pequena bagunça organizada. – Sua disciplina foi digna de expulsão, você por acaso sabia? Mal tratar um subordinado é a coisa mais imperdoável que poderias ter feito.
- E o que é que você está fazendo? – Perguntou Renji, sem usar o Taichou nem mesmo o Kuchiki-sama.
Byakuya olhou espantado para Renji, que estava encostado na parede atrás da porta os braços cruzados sobre o peito. O ruivo vestia um presente de Rukia, algo que lá no mundo real eles chamavam de calça jeans, a regata ele roubou de Ichigo em uma visita á sua casa.
- Não compreendi sua pergunta. – Disse Byakuya desviando o olhar de uma tatuagem que ele nunca tinha visto em Renji por causa da yukata, era uma combinação de três linhas grossas pretas que subia de seu peito e se estendiam até a nuca, que era escondida sempre pelos enormes cabelos vermelhos.
- Me dando uma semana de férias forçadas, não me olhando nos olhos, tudo isso por causa do que você viu. Isso não é me maltratar? – Perguntou Renji.
Byakuya sequer tinha notado que não o olhava nos olhos.
-Uma coisa não tem nada com a outra, você vai voltar para o esquadrão, preciso de seus trabalhos...
-Você me deu uma semana de férias!- Gritou Renji se movendo e sentando no sofá.
-Não me interrompa! – Disse Byakuya finalmente liberando sua raiva na voz. – Ainda sou seu superior. – Andou até estar mais perto de Renji e colocou os dedos sugestivamente na Zampakutou. – Você me deve respeito! Deve obedecer minhas ordens...
-Você está na minha casa, quem manda aqui sou eu...- Disse Renji se levantando, mostrando para o Taichou que era mais alto, mais forte. -...Byakuya.
O nome foi seguido de um silencio mortal pela casa, Renji sabia ter ido longe de mais, tinha noção de sua arrogância, mas a sua nunca seria maior do que a de Byakuya, e a do seu capitão era seguida de outras coisas ruins, como o orgulho e ainda mais fundo, o preconceito.
Byakuya queria, pela primeira vez na vida gritar de frustração, não estava acreditando que estava batendo boca com um reles subordinado. Queria bater nele, queria bater naquele rosto fino até que ele ficasse da cor dos cabelos. Queria fazer Renji se ajoelhar e pedir desculpas, como todos faziam. Mas de uma coisa Renji tinha razão, ele havia dado uma semana de férias para ele, afinal.
Os homens se encararam, a franja de Byakuya lhe caía diante do rosto, mas ele tinha a impressão de que se mexesse algum músculo seria para soltar um murro na cara de Renji. Pelo outro lado, aquela mexa de cabelo caindo sobre os olhos cinzentos provocavam o ruivo, que sentia os dedos coçarem para colocá-las atrás da orelha de Byakuya.
Por mais alguns segundos eles ficaram assim, os olhos frios nos olhos quentes, enquanto o mundo rodava lá fora eles se encararam milhões de coisas passando na mente de ambos, milhões de coisas rodeando aquele local cheio de tensão.
E os dois nunca poderiam dizer quem se mexeu primeiro, mas em segundos ambos os corpos foram jogados para trás.
Renji bateu contra a mesa, caindo sentado encima da perna, um filete de sangue escorrendo de sua boca.
Já Byakuya havia batido contra a porta, mas havia ficado em pé. Sentia uma enorme dor no estomago. Olhou para Renji de cima, e se moveu rápido, tirando a Zampakutou da bainha e a apontando para o ruivo.
- Semana que vem, quero você no escritório, seis em ponto da manhã. – Começou Byakuya olhando arrogantemente para Renji que havia se levantado. – Caso o contrário. Pode dar adeus ao seu posto de SubCapitão.
Renji riu, o que contribuiu para Byakuya formar uma carranca.
-E quem vai tomar o meu lugar? – Perguntou Renji retirando a poeira dos ombros. –Ou você acha que tem muita gente querendo trabalhar com você?
Aquilo atingiu o moreno como um dedo em uma ferida, já era desconfortável ele saber daquilo internamente, foi realmente doloroso ouvir outra pessoa falando.
-Podem não querer trabalhar comigo, mas tem muita gente que almeja seu cargo de Fukutaichou, Abarai Renji. – Disse ele guardando a espada.
Renji novamente riu, sabia que aquilo tinha doído no ego de seu capitão. E Byakuya sabia muito bem que o cargo não era tão almejado assim.
-Por favor... Quem iria querer olhar para essa sua cara de gelo todo dia? – Perguntou sarcasticamente, nem medindo suas palavras.
Dessa vez, foi Byakuya quem soltou uma risada amarga.
-Conheço alguém que quer, digo, olhar todo dia para essa minha “cara de gelo”. – Disse se aproximando devagar de Renji que se encostou na mesa, retirando o sangue dos lábios.
-Ah, quem é o idiota?
Byakuya se aproximava.
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4 passos, até que Renji decidiu levantar o rosto para ele.
-Você.
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6 milhões de vezes o ruivo piscou, esticando os braços e afastando Bykuaya de si.
Mais seis milhões para ele entender a frase dita com tanta complexidade. Não, aquilo nem era uma frase, era somente uma palavra, uma palavra bem feia.
-E-Eu? –Pergutou Renji tentando em vão absorver aquela palavra estranha.
Byakuya sorriu internamente, era jogo sujo e sabia daquilo, mas Renji estava brincando com a paciência dele, iria brincar com sua também.
Renji havia ficado genuinamente com raiva, seu corpo se projetou para frente e se amaldiçoou por ter deixado Zabimaru no quarto. O impacto contra o corpo de Byakuya foi mais forte do que o esperado e suas mãos foram rápidas ao arrancar Senbonzakura da bainha e jogá-la longe. Escutou um arfar e sorriu, seu querido Taichou não havia esperado por aquilo.
Eles rolaram pelo assoalho até que pararam. No meio disso o cachecol de Byakuya voou para algum canto. Renji sentado no peito de Byakuya, a mão direita levantada em punho, pronta para deixar sua marca no rosto pálido. Parou.
O que ele estava fazendo, aquilo era raiva, raiva pelo o que?
Por Byakuya não ter retribuído seus desejos? Não.
Antes daquilo nem um nem outro se recordava daquilo. Aquela briga havia sido dada pelo simples motivo de os dois no fundo se odiarem. Renji por toda a arrogância e classe que Byakuya tinha, e Byakuya por toda a coragem de mostrar seus sentimentos que Renji possuía.
O ruivo abaixou a mão junto com a cabeça. A apoiando no próprio peito. Sentia tanta raiva que poderia quebrar a cara de Byakuya em dois, poderia socar a cabeça dele até que o rosto dele se enchesse de cor. E aquele ódio crescia, e crescia cada vez mais no corpo dele. Crescia e crescia e ele sabia o que era aquilo. Tinha que ser homem o suficiente para admitir para si mesmo.
Todo o ódio.
Toda a gana.
Toda a vontade de quebrar o ser imóvel abaixo de si, tinha nome.
Byakuya escutava apenas a respiração de Renji sobre si. Suas mãos estavam jogadas ao lado do corpo, sem se mexer, novamente tinha aquela impressão de que se mexesse um músculo quebraria Renji em mil.
O ruivo respirou fundo e apoiou as mãos cerradas no peito de Byakuya, abaixando a cabeça e encostando a testa em sua clavícula. O moreno não queria aquela aproximação, mas também, não queria afastar o ruivo de cima de si. E aquilo o surpreendeu.
-Me perdoe. – Disse a voz sussurrada de Renji e Byakuya sentiu a respiração quente de Renji atravessar o tecido fino de suas vestes.
O ruivo se levantou e olhou para o corpo ainda imóvel de Byakuya no chão.
-Segunda-feira estarei as seis horas no esquadrão como me pediu. – Disse abrindo a porta de sua casa. Olhando com o canto dos olhos Byakuya se levantar e pegar a Zampakutou. – No mais, peço para que vá embora.
Byakuya limpou a poeira da roupa meio amassada e se dirigiu para a saída. Parando no batente da porta e olhando para Renji.
-Porque não bateu em mim, Renji? – Perguntou desviando o olhar, encarando o sol forte.
-Por que, senhor... – Começou Renji meio sem jeito seguindo o olhar do capitão para o céu. – Não posso machucar quem eu amo.
Novamente aquele silencio. Não adiantaria esconder, seria muito mais digno de um homem desejar com o coração e não somente com a carne.
Byakuya se sentiu sendo quebrado milhões de vezes e então reconstruído, pedaçinho por pedaçinho, dolorosamente. Aquelas palavras... Poderiam ferir seu frio coração, se não fosse a enorme capa de gelo que ele havia colocado em volta de todo o seu ser. Havia algo bem diferente entre Renji desejá-lo e amá-lo e ele esperava que o seu subcapitão não soubesse a diferença.
Porém, ele não conseguia se mexer, seus músculos simplesmente não o obedeciam, seu olhar ficou vagando pelo sol, passando pela soleira da porta e enfim no ruivo ao seu lado. Seus dedos inconscientes coçaram para arrumar um fio rubro que caia pelos olhos da face pálida e ele se repreendeu. Se queria?
Queria. Mas e depois, depois de provar dos lábios de Renji, ambas as opções eram terríveis. Se tomasse o ruivo para si, iria se arrepender depois, se não tomasse o ruivo para si, se arrependeria depois também.
Por isso suspirou, fechando a porta com o pé e se encostando nela. Faria uma proposta um tanto quanto indecente para si mesmo, mas seria a solução. Tanto para os dedos coçando de Byakuya quanto para os desejos do outro. Se sentia completamente envergonhado.
-Renji. Aquilo tudo. – Começou ele olhando para os olhos castanhos do ruivo que se encolheu na parede, com vergonha de ter atacado seu Taichou. – Toda aquela coisa na sala, aquilo era realmente verdade?
-Não minto senhor. – Disse Renji fechando os olhos, querendo encerrar aquela conversa de uma vez.
-E isso que acabou de dizer? – Perguntou Byakuya se virando para Renji que ainda estava de olhos fechados.
-Como eu disse. Não minto. – Abriu os olhos, se deparando com Byakuya logo a sua frente.
O moreno deixou que seus dedos fizessem o caminho pelas roupas de Renji chegando ao cabelo bagunçado. Pegou o fio solto de cabelo e o colocou atrás da orelha de Renji, deixando o nó de seus dedos roçarem nas bochechas coradas. Internamente achou aquilo uma graça, internamente se repreendeu. Prometeu a si mesmo. Um beijo, Apenas um beijo.
Sua mão se abriu no rosto de Renji e Byakuya se aproximou um pouco, sentindo o cheiro do cabelo vermelho, sua boca roçou o nariz de Renji, e depois se abaixou um pouco mais.
*****
Renji as vezes se pegava perguntando se alguém já perguntou para o elástico se ele gostava de ser um elástico. Renji e seus pensamentos fúteis.
Na realidade ele se perguntava se o elástico gostava de ser esticado e amarrado a coisas, sem que elas se importassem com ele.
Era como ele se sentia naquele momento, puxado, esticado, amarrado... Sendo usado.
Sim, ele sabia que estava sendo usado, então porque raios ele estava deitado com Byakuya por cima de si, gemendo como uma moçinha?
Ah, sim, porque ele era um idiota. Um idiota de marca maior.
Era só um beijo, porém no momento em que Byakuya forçou sua língua pelos lábios bem fechados do ruivo ele se entregou, passou os braços pelo pescoço alvo e retribuiu o beijo, fechando bem os olhos.
Byakuya abriu a Yukata e jogou Senbonzakura no chão, retirando o tecido pelos ombros, perdido nas próprias emoções e de como fazia tempo que ele não beijava alguém.
Renji não perdeu tempo e ele dedilhou o peito de Byakuya até alcançar o abdômen, passou a mão no local e depois as unhas. Byakuya rosnou a cima dele. A língua dele passou pelo rosto suado.
Aquilo não poderia estar acontecendo e Byakuya tinha noção disso, mas, se alguém lhe dissesse como resistir a tentação, ele o faria.
Depois de tanta raiva que sentiu ao saber da hipnose, porque mesmo que ele estava ali?
Ah, sim. Porque não era forte o suficiente para resistir. Ao corpo de um homem. Um homem! Ainda mais Renji.
Renji!
Jogou o cabelo para trás e fez o mesmo com os fios rubros, os segurando com força, o beijando em seguida. Fazia tanto tempo que não beijava alguém por vontade, que não tocava alguém daquela maneira. Mesmo com Hisana, as coisas nunca foram tão intensas ao ponto de suas unhas marcarem a pele. Ou de seus beijos terem problemas em serem correspondidos, de tão afoitos.
Renji responde ao beijo com tanta vontade quanto lhe era imposto, longe dele reclamar. Suas mãos abandonaram o abdome de Byakuya e arranharam toda a extensão das costas dele. Fazendo o moreno interromper o beijo para se esticar e gemer. Desceu as mãos novamente passando pelos montes duros do corpo de Byakuya, arranhando sua barriga, queria sentir mais. Muito mais. Por isso ele tirou a camiseta preta pela cabeça e a jogou longe.
Afastou as pernas em volta de cintura de Byakuya e puxou o tecido da Yukata para cima, o retirando por completo. O deixando tão a mostra como ninguém antes havia visto. Byakuya se inclinou e encarou os olhos de Renji, serpenteando a língua para fora e lambendo os próprios lábios. Movimento que fez Renji parar e pensar.
Aquela criatura a cima de si, não poderia ser o mesmo Byakuya que ele conhecia. A sinuosidade dos movimentos, e a força com o qual demonstrava seu desejo, assim como o membro duro que toca as nádegas de Renji por sobre as calças, aquilo não era o Byakuya Taichou. Não poderia ser.
O ruivo ficou encarando os lábios meio abertos de Byakuya e então arfou quando esse passou as mãos pelo seu abdômen e abriu a braguilha de sua calça. Tocando com dois dedos o sexo desperto de Renji que levou a cabeça para trás e gemeu. Byakuya lambeu a extensão exposta do pescoço de Renji, arrancando mais um suspiro. Feito isso, rasgou o zíper da calça preta e adentrou a mão por completo, envolvendo o membro de Renji e lhe dando prazer.
Byakuya não se reconhecia, sentia a pele de Renji contra a sua tão suada e quente, e tudo o que ele queria era suar mais e ficar mais quente. Era disso que as pessoas tanto falavam que ele precisava? Desse suor, desse calor, dessa coisa que ele considerava nojento. E que agora se saboreava com o gosto do suor de Renji, e aquilo o excitava a ponto de ele poder ter um orgasmo somente olhando para o corpo duro, cheio de tatuagens, músculos definidos, pernas compridas. Olhando para a pele exposta, para as mãos grandes de Renji, por sobre a sua em seu membro, fazendo-o ir mais rápido.
Se era daquilo que as pessoas falavam sobre o contato humano, Byakuya poderia dizer que achava aquilo tudo extremamente selvagem.
Selvagem de uma forma que o moreno queria provar e provar de novo e não importava quanto ele tivesse ele sempre iria querer mais. E novamente ele não se reconhecia, e pelo o olhar do ruivo, ele também.
Os dedos de Renji buscaram o caminho pela pele pálida de Byakuya e encontraram o que ele tanto queria. Envolveu o membro de Byakuya com a mão e o empurrou para ficar de pé. Byakuya o obedeceu.
Aquilo tudo era muito doentio para os dois. Já que nesse instante ambos pensavam do que seria a vida deles depois disso. Era muito, muito, muito doentio. Mas era uma doença tão boa, que ambos não queriam que passasse.
Doentio ou não, Byakuya não queria desviar os olhos do que veria a seguir. De pé, com Renji sentado no sofá a sua frente, um braço segurando suas pernas, a outra mão, acariciando sua virilha, suas pernas, beliscando aqui e ali, lugares que Byakuya sentia queimar. O moreno segurou o cabelo de Renji e o puxou com força. Trazendo o rosto de Renji para cima, as bochechas meio coradas. Petulantemente gracioso. Ficou olhando para os olhos castanhos por um bom tempo, tentando desvendar o que Renji havia visto nele. Abaixou o rosto dele de novo, e recebeu o que almejava.
O gosto forte, a carne dura. O modo como se encaixava em sua boca, os dentes arranhando um pouco, a forma como Byakuya se mexia devagar, entrando e saindo da boca de Renji. Aquilo estava inteiramente ensandecido. Renji sentia o gosto do prazer de Byakuya com vontade, deixando sua cabeça parada, esperando que Byakuya entendesse o que era para ele fazer. Internamente Renji riu. Sabia que Byakuya só havia tocado em Hisana, e tinha certeza que aquela delicada moça, aparentemente, não havia feito nada parecido. Para isso o braço envolta das pernas do moreno. Renji empurrou as pernas de Byakuya para frente com força, fazendo o moreno entender á força.
E ele entendeu. Byakuya se desfez do abraço de Renji empurrando seu corpo contra ele.
-Ahh... – Gemeu Byakuya fazendo o movimento ir mais rápido. E mais fundo. Assustando Renji que moveu a cabeça para trás.
-Calma aí... – Disse Renji olhando sorridente para a coloração rubra das bochechas de seu capitão. – Você pode fazer isso em outro lugar. Se não quiser me matar.
-Quem disse... – O moreno pegou o queixo de Renji aproximando o seu rosto, até que sentisse a respiração pesada dele em sua língua. – Que eu não quero te matar?
Renji levantou as sobrancelhas, sabendo na hora que acordaria durante a manhã completamente dolorido. Já que Byakuya não tinha cara de quem faria preliminares mais distantes para que Renji não sentisse tanta dor. Cogitou usar os próprios dedos, mas seria broxante demais isso. Mesmo assim, se ele não usasse algum tipo de lubrificante não daria certo.
-Você escolhe, você vai me castigar dos dois jeitos. – Disse Renji, maliciosamente pegando o membro de Byakuya com uma das mãos e passando a língua por toda a sua extensão.
Byakuya empurrou a cabeça de Renji para trás, e se colocou no meio de suas pernas, passando os dedos pelas coxas grossas. A expressão do seu rosto, fazia Renji se excitar cada vez mais.
O ruivo se encostou, o mais confortável que pode e fechou os olhos, esperando pela dor.
Mas, ao invés da dorzinha básica, ele sentiu outra coisa. Abriu os olhos em surpresa.
-Puta que pariu! – Gritou Renji fechando os olhos lacrimejantes. Aquilo doía muito, mas muito mesmo.
Respirou com dificuldade, a cada estocada que Byakuya tentava dar para se encaixar em seu interior, uma nova onda de dor percorria seu corpo. Quando Byakuya estava inteiro dentro de si. As pernas dele, encostando-se às suas, Renji decidiu abrir os olhos.
Byakuya estava com as mãos apoiadas no braço do sofá, o rosto escondido na dobra do braço esquerdo, Renji via somente a boca, dele, aberta, gemendo apenas por estar dentro dele. Renji iria se amaldiçoar quando acordasse, mas levou seu quadril para trás, e retirou o membro de Byakuya de dentro de si, sentindo algo escorrer pelas sua pernas, sentiu o cheiro forte e metálico e o ignorou. Empurrou novamente Byakuya que ainda respirava com dificuldade, e o fez sentar no sofá, andando até ele, apoiando as mãos nos ombros dele, e posicionou as pernas em torno da cintura de Byakuya, para então, respirar fundo e se sentar sobre o membro dele.
-Argh... – Soltou Renji em resposta ao gemido abafado de Byakuya. Encostou a cabeça no peito do moreno e então se mexeu, indo para cima, e então para baixo. Sentido as mãos do Taichou em sua cintura, o levantando e o abaixando com mais rapidez e força.
Aos poucos os gemidos de Renji viraram gritos. Mas não de dor, e sim de prazer.
-Isso... Assim... – Gemia ele jogando a cabeça para trás.
Na mente de Byakuya rodava apenas uma coisa:
-Anda Renji, cavalga gostoso.
E aquele pensamento o apavorou a tal ponto que ele nem cogitou falar aquelas palavras obscenas. Apenas mandou indiretamente Renji fazer aquilo, forçando o ruivo para baixo com força, fazendo-o dar um tipo diferente de gemido.
Beijaram-se novamente, e foi durante o beijo que Byakuya atingiu o orgasmo, abafando mordendo o lábio de Renji, que esticou as mãos e se tocou, mas Byakuya o impediu, fazendo ele mesmo aquilo.
Segurou o rosto de Renji virado para si.olhando-o nos olhos enquanto o masturbava, sentindo Renji tremer e fechar os olhos com força, gemendo o nome dele enquanto gozava.
Depois disso. Para ambos, escuridão.
*****
Byakuya deu o nó na faixa envolta da sua cintura e ajeitou a Zampakutou em sua cintura, desculpando-se internamente á espada, por tê-la jogado no chão. Jogou o cabelo preto para trás, olhando para as costas do ruivo dormindo tranquilamente na cama.
Havia acordado bem mais cedo que Renji, pateticamente o pegando no colo e o levando para a cama de solteiro no quarto pequeno.
Sentia-se a pior pessoa do mundo naquele instante, tanto pelo sangue que manchava o lençol, tanto pelo o que estava prestes a fazer.
Andou até o rosto de Renji e o acordou. Balançando o corpo musculoso com a mão direita. Renji acordou, cerrando os olhos devagar, e o peito de Byakuya se apertou, por um motivo que ele varreu para o fundo da mente.
-Você está com sono. – Ele sussurrou tapando os olhos castanhos com a palma das mãos, colocando novamente a cabeça de Renji no travesseiro, sem sofrer resistência. – Está sentindo seu corpo leve. Os olhos se fecham devagar e você cai. – Byakuya fechou os próprios olhos, ignorando novamente uma coisinha chata que berrava para ele parar. – Quando você acordar, vai achar que todo o dia anterior foi somente mais um dos seus sonhos, Toda vez que se lembrar das sessões de hipnoses a imagem de uma de suas batalhas lhe virá a mente. – Byakuya parou para pensar, e como uma vingança interna sussurrou. – Zaraki Kenpachi é somente um colega e você não se lembra de nada prazeroso relacionado a ele. – Retirou a mão de seus olhos e suspirou, acariciando inconsciente o cabelo vermelho, retirando os dedos na hora.
Olhou para o corpo parcialmente desnudo de Renji e pegou uma bolinha de papel amassada, já sabendo do que se tratava, o bilhete de férias foi posto dentro de sua Yukata e se direcionou para fora da casa. Fechando a porta com delicadeza.
*****
Renji acordou em um pulo, se sentando na cama e respirando fundo. Encarou as próprias mãos, mais um sonho daquele e ele jurava que iria ficar louco de vez.
O relógio apontava três horas da manhã, mas por algum motivo ele se sentia sujo, se levantou e tentou andar, mas uma enorme dor em seu quadril o fez se sentar. Abriu as pernas e olhou confuso entre elas. Suas sobrancelhas se juntaram olhando para o líquido escorrendo em suas coxas. Fechou os olhos e tentou se lembrar da noite passada, mas nada lhe vinha na memória, a ultima coisa que se lembrava era dos olhos cinzentos de Byakuya o encarando raivosos, e então o rosto de Zaraki, mais nada.
Se levantou novamente, andou até o banheiro, catando suas roupas pelo caminho, foi quando seus olhos bateram em algo interessante. O pano branco se estendia estranho perto da porta, todo retorcido, Renji andou até ele e pegou-o na mão. Aquilo, aquilo era o cachecol de Byakuya-Taichou. Levou o tecido até o rosto e respirou fundo o perfume. O depositando na estante. Teria que devolver aquilo para o Taichou...
-O que o cachecol de Byakuya-Taichou está fazendo aqui? – Perguntou Renji em voz alta. Pegando novamente o tecido. Deixando que seu nariz se acostumasse com o perfume de cerejas. Feito isso ele foi até sua cama, fungando no lugar ao lado do seu. Não sentindo o cheiro dele ali.
Se culpou por imaginar que Byakuya faria algo como dormir com ele. Pegou o cachecol e o levou até a sala. Parando na porta e olhando a bagunça estranhamente familiar, foi até o sofá e então paralisou, sentia aquele perfume pela sala inteira, sentia aquele cheiro em seu corpo, no seu cabelo, olhou para as marcas pelo o seu corpo e sorriu bobamente.
Byakuya andava solitário entre as cerejeiras do jardim de sua casa, passeando entre elas e passando os dedos pelo cachecol fino...
Oh droga.
Notas finais
OBRIGADA!
Ficou horrível eu sei, mas obrigada por ler até o fim.
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Kissus.
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