Notas iniciais
" A princesa amava um sapo, mas acabou dando de cara com um príncipe...Infelizmente"

Certas pessoas sonham alto. Não estou me referindo a ninguém em particular, nem lançando uma indireta a você, caro leitor. No entanto, fatos são fatos, as pessoas sonham alto demais. Desejam fama, fortuna, poder e um pouco de luxúria, coisa que a maioria delas jamais obterá por mais que tente. Poucas são as pessoas que percebem a inutilidade dessa ganância desmedida e Matsuri era uma delas.

Ela não sonhava com fama, ao contrário, ser famosa para ser perseguida e conhecida por todo mundo parecia ser algo muito incômodo a seu ver. Fortuna? Ela não dispensava dinheiro, mas não acreditava que a importância dele fosse tão grande quanto às pessoas davam a entender. Haviam pessoas que passavam a vida trabalhando para no fim, não aproveitarem nada do dinheiro porque tinha que trabalhar para ganhar mais dinheiro...Sem sentido, não? Poder também era algo desnecessário e até um pouco assustador, para ser sincero. Os que tem poder demais acabam sendo mortos, odiados ou os dois.

Nesse caso, quais seriam os sonhos da menina? Sim, ela tinha sonhos. Sonhos são uma necessidade física do ser humano. E o que ela desejava verdadeiramente de todo o seu coração era ter uma carreira sólida, uma boa vida independente, além de notas altas nos exames da faculdade. Se bem que esse último estava mais próximo de acontecer.

Matsuri Hino era o tipo de garota que passa por você na rua, ou que senta ao seu lado no ônibus...bem comum. Nem mesmo muito bonita ela era. Até ela achava seu rosto esquisito e seu nariz muito pontudo. Apesar dos pesares, não se pode negar que ela também possuía suas qualidades: um belo cabelo castanho-cobre que se tornava ondulado nas pontas, além de um sorriso capaz de derreter qualquer geleira, mas esses eram pontos que você só reparava se passasse muito tempo com ela.

Contudo, seu melhor amigo de infância, Ryuu, ainda não tinha reparado e isso era algo que a irritava muito.

Ela era apaixonada por ele. E mais, isso era algo tão óbvio que toda a família(dos dois) já tinha reparado, os vizinhos tinham reparado, os colegas de classe tinham reparado e o quitandeiro também. Era a coisa mais humilhante do mundo dar a entender que gosta de um garoto sem se relacionar com ele, especialmente quando você já tem vinte e um anos.

Ela tinha uma carreira a seguir e uma faculdade para fazer, logo, não podia perder tempo investindo em um garoto, portanto, a coisa sempre ficou nessa enrolação medonha. Matsuri esperava por Ryuu que esperava...ele ao menos esperava alguma coisa? Ninguém nunca sabe ou saberá se ele se fazia de bobo, ou se realmente era tapado a ponto de não reparar nos sentimentos de Matsuri. Ela não lhe mandava flores, comida e até blusões tricotados a mão??? Isso lá é coisa que amigos façam???? Amigos pagam pizzas ou os trocados que faltam para o busão e olhe lá! Além disso, é uma regra no mundo dos apaixonados que nada pode ser comprado durante um relacionamento, tudo deve ser feito e caso seja comprado o outro nunca pode saber e aquela será a mentira de suas vidas até o dia do juízo final.

Mesmo assim, ela até que se empenhava. Toda manhã, ela esperava por ele no metrô, sempre o recebendo com um...

- Bom dia, Ryuu-kun!- Acenou alegremente, a garota de cabelos cobre.

- Nossa! Quanto ânimo logo de manhã, Hino-san!

- Não seja bobo! Eu estou sempre animada! Até porque hoje tem prova e sei que tirarei uma nota alta!- Ela comentou isso tão sorridente que quase foi assassinada por vários universitários invejosos.

- Bem, como não tirar uma nota alta??? Você vive para estudar!- Criticou o garoto também com uma certa invejinha.

- Podemos sair se você me chamar.

“ Seria como um encontro”- Foi o que ela pensou na realidade.

- Isso seria divertido! Depois das provas???

- Claro!

“ Um encontro...Uma saída séria, só nós dois...Hum...Eu preciso comprar uma revista de noivas...”

Ninguém nunca adivinharia os pensamentos daquela garota, muito menos Ryuu que apenas disse com um sorriso inocente:

- Ótimo! Ah! Você poderia levar uma amiga, assim...bonita? É que faz tempo que eu não saio com ninguém!

- Nós já saímos juntos...- Disse ela, ressentida.

- Não conta! Você é como um menino, Hino-san!

Essa foi uma chicotada direto na cara da coitada. Se ela fosse uma masoquista aquilo teria sido mais agradável.

“ Como um menino...Como um menino...Como um menino...”- Pensou ela, sentindo seu cérebro mergulhar em um estado catatônico.

- Ei, Hino! Está se sentindo bem??? Sua cara está tão estranha!

- A minha cara sempre é estranha...- Ela inventou. Porém, a resposta não foi bem o que ela esperava.

- É, tem razão!

Depois disso algumas garotas se jogariam de um abismo, no entanto, infelizmente não havia nenhum por perto de Matsuri naquela hora. A hora da grande decepção de sua vida. E um dos vários momentos importantes que ocorreriam naquele dia.

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As provas costumavam ser um fácil desafio para Matsuri. Com concentração, foco e mais de 72 horas de estudo, ela colecionava dez em seus testes. Infelizmente, aquele dia não era um dia comum. Após ser rejeitada pelo garoto que supostamente era seu futuro marido e o pior, ser dispensada de um jeito tão simplório que o próprio garoto não percebesse que estava dispensando alguém era algo triste. A mente de Matsuri rodava, cheia de pensamentos e dúvidas até a tampa.

“ E agora??? Com quem me casarei??? E os meus planos??? Meu Deus! Eu nem conheço meus futuros sogros! Céus! Talvez eu não conheça nem meu futuro marido!!! Como isso é complicado!!Vou ter que mudar todo o meu planejamento familiar!!! Com quem casarei, então??? Que filhos terei???? Como será minha futura família???? Principalmente, eu preciso de uma nova família???? Eu já me humilhei e me sacrifiquei tanto pelo bobo do Ryuu! Foram doze anos jogados no lixo! Carinho, atenção, dedicação e sacrifício, eu dei tudo isso para ser rejeitada de um jeito tão idiota??? Será que ele nem notou o que eu pensei???? É ridículo me empurrar para o papel de macho da relação! Ah! Eu estou tão cansada! Eu tenho que parar de pensar em família e me concentrar na minha felicidade! Isso aí! Chega de amores! Chega de família feliz! Eu não me casarei nem terei filhos! Todo meu dinheiro será investido em mim e na caridade! Isso, isso!”

- Senhorita Hino, a prova, por favor...-Pediu o supervisor estendendo a mão com visível impaciência.

“ Ah, não!!! A prova!!! Eu não respondi nada!!! Será que consigo enrolá-lo a tempo de marcar algumas questões????”

- Olá, senhor...

- Hiro Sohma.

- Isso! É engraçado como a gente nunca fala com os supervisores, não??? Quer dizer, vocês nos visitam todo ano, de dois em dois meses, passam horas ao nosso lado, nos dando apoio...!

- A nossa intenção é fazer com que vocês não colem.

- Ahahaha! Isso! Ótimo! É uma função nobre!- Riu constrangida, depois tentou voltar a um assunto a tempo de assinalar a questão que valia mais pontos- Então? O salário de vocês é bom o suficiente, ou isso é tipo um bico adicional? Eu acho que todos os supervisores deveriam ser mais valorizados, sem eles não haveria justiça e a questão das notas se tornaria complica...

- Senhorita Hino, será que pode me entregar a prova ou terei de tomá-la de suas mãos?

“ Droga.”

- Ah, me desculpe! Pode pegar!

Dessa vez, ao invés de bombar na prova, Matsuri levou bomba. E olhem que nem era sexta-feira 13.

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Após chegar em casa, absolutamente cansada com todos os acontecimentos, Matsuri só queria dormir e passar algumas horas no chuveiro, não obrigatoriamente nessa seqüência. Ela não estava com paciência para futuro, sonhos, homens ou geografia política. Precisava desanuviar um pouco, tentar tornar sua vida mais simples...E como ela desejava isso, agora vai entrar a parte complicada da história.

Ao chegar na sala, ela logo sentiu o clima estranho no ar. Havia algo de suspeito que talvez tivesse algo haver com os balões, o confete e a serpentina que apareceram mesmo que ela morasse sozinha.

- Que diabos é isso?

- Surpresa!!!!- Exclamaram alegremente o senhor e a senhora Hino. Eles estavam com cara de criança após ganhar o presente que pediu durante toda a véspera de Natal.

- Pai, mãe! O que estão fazendo na minha casa??? Eu não dei a chave para vocês organizarem festinhas aqui!

- Matsuri! Hoje é um dia muito especial! Não fique assim!- Tentou animá-la, a senhora Hino.

“ Dia especial? Ela está se referindo a prova?”

- Mãe, não há nada que comemorar. Eu sou péssima, tudo deu errado.

- Não, minha filha! Tudo vai começar a dar certo AGORA!- Exclamou ainda mais feliz, o senhor Hino.

- Agora eu estou ficando assustada...O que vocês fizeram?

- Bem, filhinha...Eu pensei muitas vezes em como lhe contar isso, mas o fato é simples...Você vai casar!

Línguas de cobra e apitos foram usados após o pronunciamento desta frase/sentença.

- Pai, vocês vieram na minha casa só para fazerem piada?

- Claro que não! Hoje é uma data especial! Eu nunca brincaria a respeito disso!

- Pai, mãe, vocês são muito brincalhões! Credo! Isso não faz bem na idade de vocês!- Disse ela, começando a rir.

- Mas você sequer quer conhecer seu noivo?- Perguntou a mãe dela, já com os olhos marejados. A coisa era séria.

-...AHHHHH! Vocês estão falando sério!?! Não acredito que fizeram miai comigo!!! Eu sou tão jovem!!! E quem disse que eu quero casar??? Eu quero me dedicar a minha carreira e ser feliz! O amor é um saco!

- Mas querida, ele é rico!- O pai tentou argumentar e quase levou um soco por sua atitude.

- A questão não é essa, papai! Que coisa ofensiva! Mas não mudem de assunto! Vocês fizeram miai, não fizeram????

- Claro que não! Você está prometida desde que nasceu!

- COMO ASSIM!?!

- Querida, não se estresse! Você vai o amar! Ele é um verdadeiro príncipe!

- Eu não ligo se ele é bonito ou não! Não é esse o ponto!!!

- Querida, você não está entendendo...ele É um príncipe. Não estou falando no sentido figurado.

- Han?

- Nós achamos melhor esperar até o dia para lhe contar e agora é chegada essa hora...A família Hino possui mais segredos do que você imagina. Nós não somos desse mundo.

- Eu sempre soube disso!- Exclamou ela irritada.

- Nós não estamos falando no sentido figurado! Somos de um universo paralelo e vivemos até os nossos vinte e poucos anos em um mundo chamado ION. É um mundo muito bonito e mágico, um tanto parecido com a Idade Média deste planeta. Eu e sua mãe vivíamos por lá. Eu era um serviçal e ela era uma bela princesa, tão bela que conquistou o príncipe de meu reino, o senhor Tam.

- Tam? A companhia aérea?

- Claro que não! Não pergunte as coisas como se eu fosse um velho caduco! Continuando, sua mãe estava noiva desse rei, extremamente importante e rico, mas nós tínhamos nos apaixonado um pelo o outro...

- Nunca poderíamos ser aceitos juntos naquele planeta conservador, então decidimos pedir a Gandalf para nos levar a Terra.- A senhora Hino assumiu a narrativa- É claro que como um servo fiel ao rei, Gandalf não pôde fazer nada sem a autorização dele. Eu tive que ir direto ao ponto, falei para o rei que não o amava, que nunca formaríamos um belo casal e que eu iria para a Terra tentar ser feliz...Ele concordou em todos os pontos, mas antes de me deixar partir, pediu-me uma última coisa...

- “ Nós iremos casar nossos filhos, assim você poderá voltar aqui com honra, querida amiga. E nossos reinos poderão ter um enlace matrimonial irrompível.” Foi isso que ele disse.

- Você completou vinte e um anos, então já pode casar com o príncipe herdeiro! Ele veio lhe visitar e nós queremos celebrar a ocasião!

Após ouvir essa narrativa desconexa, que mais pareceria uma fábula dos Irmãos Griim se eles tivessem escrito fábulas, Matsuri ficou sem reação. Seus pais estariam tão velhos a ponto de caducarem assim? Ou tudo isso, seria apenas uma grande brincadeira?

“ Ah, já sei. Isso tudo é saudade. Eles fizeram isso para chamar minha atenção. Como são carentes!”

- Pai, mãe, vamos deixar de fantasias, certo? Que tal comer logo esse bolo e...!

Antes que ela cortasse o primeiro pedaço, algo pesado esmagou sua mão. E ela se surpreendeu ao perceber que tinha sido uma outra mão. A mão de um homem bem alto que ela nunca tinha visto na vida.

- O primeiro pedaço sempre deve pertencer ao príncipe, meu senhor.- O homem falou com autoridade.

“ Êh!?!”

- Largue a minha mão, seu louco! Pai, mãe, quem é esse doido??? Mande ele me largar!!!

Ambos os pais não responderam nada, até abaixaram um pouco as cabeças.

- Que diabos vocês estão fazendo!?! Alguém pode me responder quem é esse doido!?!

- Ele é meu chefe de segurança. E somente eu o ordeno...garota insolente.- Pronunciou uma voz masculina, vinda de algum lugar.

Abaixando um pouco a cabeça, Matsuri finalmente pôde encontrar o autor da frase esnobe. Um pequeno garoto de cabelos pretos, trajes elegantes, embora estranhos e olhos prateados que insistiam em encará-la com uma certa raiva.

Quando reparou nas roupas nos dois e no jeito do menino, ela começou a perceber que aquilo não se tratava de uma brincadeira, muito menos uma armação. Mas precisava ter certeza.

- Quem é você?

- Eu? Eu sou o príncipe Alan de Bourbon Cristone Lacroix San Tam III. O herdeiro do trono de Aslía. Você é minha futura esposa?

- Sim...Eu acho!- Exclamou a garota ainda assustada, afinal o peso monumental ainda estava esmagando sua mão e a presença do menino, embora ele fosse pequeno, era bem intimidante.

- Nossa...Senhora Hino, isso foi o máximo que você conseguiu fazer pra mim? Tem certeza que se empenhou o suficiente? A cara dela é essa mesmo ou ela tá do avesso?

- QUÊ!?! Vá se danar, seu pentelho malcriado! Se está tão insatisfeito case com outra, ora bolas! Como se eu fizesse questão de casar com um pirralho arrogante! Humpf!

- Pirralho arrogante???? Como ousas se dirigir a mim de tal maneira??? Jamais recebi tamanha ofensa!

- Então nunca foram sinceros com você.

- Bah, você só está dizendo isso porque não tem argumentos para rebater o fato que é uma feiosa.

- Feiosa!?!

- Feiosa! Horrível! Bruxa nojenta!

E assim se deu início, essa linda(caham) história de...amor?

Notas finais
NOTAS:
Essa história original teve como INSPIRAÇÃO MeruPuri, mas não é uma fanfiction. Não se enganem.

Miai: É o casamento arranjado entre dois jovens solteiros por vontade deles. É bastante comum no Japão.