Hime, Hime, Suki Suki Daisuki!
1 Conquistando um Coração de Donzela
Notas iniciais
Comprou por pura impulsividade, era isso que alegou ao imprimir os convites, e agora tinha que arcar com as consequências dessa impulsividade, pegou o celular, e iria ligar, iria mesmo, só que lembrara naquele momento que não tinha o número, nem o e-mail. Agora teria que arcar com as consequências da sua impulsividade da pior maneira possível: teria que convida-lo pessoalmente. Já imaginava a expressão que ele faria, aquele sorriso bobo, aqueles olhos marejados atrás dos óculos, como se tudo a sua volta ficasse colorido e brilhante. Na sua opinião Onoda era um personagem de anime e não uma pessoa real, e se parecia muito com a Kotori chan do anime Love Hime, anime este que fora basicamente obrigado a assistir pelo baixinho de óculos com olhos tão grandes e brilhantes, não existe pessoa no mundo que diria não àqueles olhos, e se fizesse era porque não tinha coração! Anime esse que estrearia um filme em dez dias, filme este que acabara de comprar os ingressos e agora precisava arrumar um jeito de chamar o Onoda pra ir com ele.
Afinal, pra que tinha comprado aqueles ingressos? Por que queria ir no filme daquele anime? Só tinha assistido o blueray que lhe fora emprestado por obrigação, só assistia agora o segundo por pura obrigação também. Não havia motivo nenhum para querer ir no cinema, gastar seu dinheiro, se aventurar em Akihabara pra então ficar numa fila esperando o filme começar e então entrar naquela sala escura, com pipocas e refrigerante e assistir aquele filme, e junto com o Onoda. Teria que ficar sem o seu precioso domingo que poderia ser muito bem aproveitado num treino pela cidade, mais 90km corridos, subidas e retas, suar a camisa agora com o Intercolegial se aproximando, mas não, passaria o domingo todo passeando em Akihabara pra depois ir num cinema com o Onoda, por que diabos tinha feito aquilo?
Não dormiu, nem um pouquinho, ficava virando na cama de um lado para o outro, ensaiando como chamaria o baixinho pra ir com ele assistir o filme. Seria melhor chamar antes das aulas começarem, na hora do almoço, antes do treino, depois do treino? Estava tão acabado pela manhã que capotou assim que o sol nasceu e acordou atrasado, não fizera seu treino matinal de sempre, o motorista já estava preocupado quando correu pro carro, quase esquecendo sua mochila com as coisas do clube, e mais importante de pegar sua bicicleta, era o sono, só podia ser o sono que estava atrapalhando sua cabeça assim, e o sono que perdera por ficar pensando de mais. Quase não conseguiu entrar na primeira aula, então um dos momentos chaves do seu plano se perdera, pra piorar dormiu alem das primeiras aulas boa parte da hora do almoço, quando finalmente chegou na lanchonete não tinha mais nada a venda, a parte boa é que não passou fome, já que algumas garotas se apiedaram dele e lhe deram bentos, era muito mais do que poderia comer, mas prometeu guardar pra depois. Elas pareciam muito felizes e ele não entendeu muito bem o por que. Mais um momento chave perdido, agora seria antes ou depois do treino.
Antes do treino já não ia dar, porque o mala sem alça do Naruko tinha que aparecer todo escandaloso como sempre e resolver acompanha-lo até a sala do clube, lá os dois encontraram Makishima e o próprio Onoda, assim que entraram cumprimentaram seu senpai que parecia um tanto nervoso:
“Por que demoraram tanto pra chegar aqui? Você esqueceram do treino?”
Enquanto Onoda guardava as pressas alguma coisa na mochila, ficaram os dois sem entender nada, não estavam atrasados nem nada, mas se apressaram em se trocar.
Estava difícil para Imaizumi olhar para o Onoda, aquela sensação estranha que sentia desde a noite anterior não passava, precisava chama-lo pra ir no cinema assistir a estreia do filme da Love Hime logo ou iria pirar de vez, mas não podia fazer ali na sala do clube com o Naruko e o Makishima presentes, os dois achariam que ele era um otaku assim como o Onoda. Se os dois acabassem pedalando junto durante o treino seria uma boa hora para o convite, os outros estariam pedalando e ninguém prestaria atenção.
Nem bem terminaram o aquecimento e o capitão já pedira que os segundanistas saíssem para fazer o trecho do treino de hoje, que focava no ritmo, no controle e monitoração das frequências respiratórias e cardíacas, com o Intercolegial chegando era imprescindível treinar bastante, mas tomando cuidado para não exagerar, pois os três dias de competição seria intensos. Perto da saída dos primeiranistas claro que o Naruko tinha que soltar um:
“Eu não vou perder!”
Imaizumi não estava preocupado com isso, na verdade alem de ainda ter que convidar o Onoda, o baixinho parecia inquieto com alguma coisa, primeiro escondendo coisas assim que entraram na sala, depois parecendo apreensivo com alguma coisa, tinha algo errado e isso incomodava muito Imaizumi.
“Isso não é uma corrida.”
E mesmo respondendo seco o ruivo retrucou:
“O que? Cadê aquela confiança de sempre? Então tá, vai na frente que eu te alcanço.”
O Naruko tinha a petulância necessária que sempre inflamava o espírito competitivo do Imaizumi e antes que percebesse os dois já estavam pedalando lado a lado, com Onoda um tantinho atrás, e cada vez mais atrás, o que fazia sentido já que estavam no percurso plano e ele era muito melhor nas subidas, sendo um escalador ele nunca conseguiria acompanhar os velocistas em um ritmo tão intenso, minutos depois Tadokoro passou por ele a milhão e logo alcançou os dois velocistas do primeiro ano e ultrapassando-os sem perder o ritmo, dançando com sua Road racer. Onoda ficou bem para trás, a disputa lá na frente entre os dois velocistas do primeiro ano pra ainda alcançar o do terceiro tirou totalmente da mente de Imaizumi que fazia parte de seu plano chamar o Onoda durante o treino.
Onoda lá atrás tentava alcançar o resto do grupo, a van da loja Kanzaki passou por ele, o antigo capitão do time abriu a janela para tentar incentivar o pequeno escalador, a mesma coisa fizeram a gerente do time e sua amiga Aya, mas ele parou, virou a bicicleta e continuou pedalando na direção oposta. Quando passou pelo Makishima e pelo capitão os dois acharam estranho, estaria Onoda passando mal? Não, ele estava apreensivo, pois perdera algo importante e que precisava encontrar a todo custo, um adesivo do Oritsugun, que ele ficara três horas na fila para comprar, e que ele queria muito colar na sua bicicleta, e como ele era muito raro, seria quase impossível conseguir outro, não conseguiria terminar o treino em paz se não conseguisse encontra-lo. E claro que Makishima não entendia o espirito otaku de Onoda nem porque aquele adesivo era tão importante, mas por acaso ele tinha encontrado o adesivo no chão da sala do clube e na pressa tinha colocado no bolso. A expressão de felicidade de Onoda fora cheia de brilho e com fundo cor de rosa, agora até o Makishima achava que Onoda se parecia muito com um personagem de anime. E com um sorriso enorme no rosto o baixinho de óculos e segundo escalador do time voltou ao treino deixando pra trás um capitão muito confuso e um senpai muito envergonhado. E em minutos Onoda alcançou os três velocistas aproveitando a subida que começava, ultrapassando-os na descida. Quando finalmente chegaram no trecho das montanhas os dois escaladores Onoda e Makishima deixaram os outros do time para trás.
Os dois segundanistas que já aguardavam os colegas no topo da montanha vibraram ao ver o grupo todo chegando e lado a lado estavam os escaladores seguidos do resto do grupo, quem seria o primeiro a chegar no topo? E por centímetros de diferença, Maikishima chega primeiro, deixando um Naruko urrando de insatisfação por não ter sido o primeiro a chegar e gozar de toda a atenção que o primeiro lugar sempre merecia. A van logo chegou e todos pararam para descansar e tomar água depois desse treino que acabara se tornando sem querem uma corrida entre o primeiro e o terceiro ano.
E foi aí que a ficha de Imaizumi caiu, esquecera completamente seu plano de convidar Onoda durante o treino, não dava pra fazer agora, com todo mundo ali, chamar de canto também não dava, seria muito chamativo, nem percebeu quando Makishima pediu pra trocar de garrafa de água com ele, e nem imaginou o por que, só trocou, foi aí então que viu que tinha algum tipo de brinde pendurado nela. E pra sua surpresa o seu senpai entregou a garrafa pro Onoda, o brinde era de um Black Manyu, Imaizumi sabia que aquilo era algo que Onoda gostava, por que não percebeu antes, por que não fora ele a entregar a garrafa com o brinde? Como pudera ser tão estúpido? Agora Onoda estava com aquela cara de alegria brilhante e era para o Makishima. Isso deixara Imaizumi puto da vida, e ele não sabia muito bem por que.
O treino terminara, todos voltavam para a sala do clube e guardavam suas bicicletas, Imaizumi ainda estava se martirizando pelo erro que cometera lá no topo da montanha, mas ele não iria perder para o Makishima, ele tinha algo muito melhor que o brinde do Black Manyu, ele tinha ingressos para a estreia do filme da Love Hime. Onoda nem imaginava, ele estava feliz e contente olhando para o adesivo colado em sua bicicleta.
Do nada Naruko diz:
“Eu com certeza vou ser o maior destaque na corrida do Intercolegial!”
No embalo Imaizumi acabou dizendo:
“Eu vou ser o vencedor!”
Mas ele não estava falando da corrida do Intercolegial e sim da atenção do Onoda, iria ser perfeito, o por do sol, num fim de tarde de verão com as cigarras cantando, era o tempo perfeito, quando todos se fossem e só os dois restassem ali na sala do clube. Os mais velhos já se trocaram, o Naruko nunca fechava a sala mesmo, era sempre o Onoda que levava a chave, dessa vez iria junto, chamaria ele e veria a mais suprema das expressões de felicidade.
“Onoda...”
Era a hora, o momento, não dormira por causa daquele momento, daquela hora, o pedido, sim o pedido que ensaiara depois do banho pro espelho milhares de vezes.
“O que foi Imaizumi kun?”
Era difícil, mais difícil do que esperava, por que ele precisava mostrar aquele sorriso enquanto falava? Ficava difícil dizer alguma coisa.
“Então, é que eu consegui isso aqui sabe... e achei que, talvez, você quisesse ir, são dois e dá pra nós dois então. Bom, é isso.”
Não imaginava que seria tão difícil, mas valeu a pena, valeu muito a pena. Primeiro Onoda pegou o papel da mão de Imaizumi, olhou pra ele, ficou olhando e então o rosto dele foi se abrindo num sorriso, e os olhos brilharam e soltou uma expressão de alegria e sem tirar os olhos do papel.
“O filme! Da Love Hime! Na estreia! Fiquei na fila em Akiba cinco horas e não consegui! E o Imaizumi kun....ahhhhhhhhhhh....! Vamos ver Love Hime, o filme! Disseram que vai ser SUPER emocionante e que têm uma surpresa especial nesse filme! Ah, os cinco primeiros a chegar ganham um brinde especial! Mas pra isso precisaríamos ficar na fila desde a noite anterior, será que eu aguento? Ah, mas é pela Kotori chan então eu preciso me empenhar. Ah! Mas e o Imaizumi, será que deixam eu guardar seu lugar na fila?”
Ele falava sem parar como sempre e deixava Imaizumi desnorteado, mas quando comprara os ingressos vira que teria um brinde especial e sabia que o Onoda acabaria querendo passar o dia, quem sabe a noite na fila por ele, e isso atrapalharia os planos de passar o dia em Akiba, logo:
“O ingresso VIP dá o brinde mesmo se não for um dos cinco primeiros a chegar.”
E mais uma vez Onoda parou e ficou olhando para o papel e viu a impressão VIP nos dois ingressos, tremeu de emoção.
“Então eu já ganhei o brinde! Ah! Quanta emoção! O brinde especial da estreia do filme! O que será? Será que é igual pra todo mundo? Será que é diferente? Será que vai ser um adesivo? Uma camiseta? Um figure? Um card? Eu não me aguento de tanta alegria! Imaizumi kun dez dias parecem tão distantes não é? Não vou dormir esses dez dias, ah, mas se eu não dormir vou ir mal nos treinos, não posso fazer isso. Vou dormir e vou sonhar com a Kotori chan, e com o Arimaru kun e com o Mage!”
Era impossível não sorrir vendo toda a alegria que Onoda trasbordava agora, tinha sido a melhor ideia do mundo, comprar os ingressos.
“No dia do filme, a gente se encontra na estação de Akihabara? Meio dia? Está bom assim?”
Então Onoda parou de olhar finalmente o ingresso e olhou para o Imaizumi que tinha no rosto seu sorriso enigmático que o fazia parecer tanto com o Arimaru kun.
“Mas o filme não é só mais tarde?”
Não, ele não precisava fazer pausa dramática, não precisava levar o dedo ao queixo, não precisava fazer aquela cara exagerada de duvida, mas ele era assim, um anime em forma de pessoa, ou uma pessoa em forma de anime? E mais uma vez foi difícil para o Imaizumi responder essa.
“Sim, claro, mas é domingo certo, e tem um restaurante legal em Akihabara, e podíamos deixar as bicicletas na estação e passear, quem sabe, mas se não der tudo bem a gente se encontra de noite mesmo.”
A boca de Onoda virou um O perfeito e ele ficara rodeado de flores cor de rosa e muito glitter (pelo menos foi assim que Imaizumi viu) e mais uma vez começou a treme de excitação.
“Um dia em Akiba com o Imaizumi kun...”
Onoda parecia perdido em pensamentos, as duas mãos foram às bochechas os olhos se fecharam e sentia que estava flutuando. Não era verdade, não parecia ser verdade, seu maior sonho no mundo, ir a Akiba com um amigo, estava se realizando!
“Ou sei lá, a gente podia ir junto quem sabe, de bicicleta até lá...só uma ideia já pra não perder a manhã de domingo, treinar um pouco, mas é você quem decide...”
Antes que Imaizumi pudesse dizer mais alguma coisa Onoda volta de seu mundinho brilhante gritando:
“E a gente pode ir escutando a trilha de Love Hime?”
Pego de surpresa acabou dando um passo pra trás e encostando contra a parede.
“Heim? Ah, claro, pode sim.”
E mais uma vez Onoda se envolveu numa nuvem rosa de purpurina e voou aos céus, Imaizumi não conseguiu dizer mais nada e mesmo se conseguisse não conseguiria tirar o pequeno otaku de óculos de seu mundinho da alegria. Ele ia cantando a abertura de Love Hime e segurando a folha com os ingressos do filme como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
Finalmente a chave fora entregue e os dois voltaram ao bicicletário em frente à sala do clube pegar as bicicletas. Onoda iria pra casa na sua usual bicicleta de cestinho e Imaizumi iria se encontrar com o motorista e voltar pra casa. Com um sorriso enorme e um “Até amanhã Imaizumi kun!” Onoda se foi e Imaizumi ficou vendo ele ir embora com sua bicicleta e um sorriso brotou em seus lábios, tudo que ele mais queria agora era que esses dez dias passassem logo.
O combinado era se encontrar as 10h30 na casa do Onoda, mas eram seis da manhã e o Imaizumi já estava acordado, vestido e na bicicleta, normalmente era assim em todos os domingos, acordava cedo, treinava bastante, voltava pra casa e treinava em casa no seu roller, então seu domingo terminava assistindo vídeos de corridas (ultimamente andava assistindo os bluerays que o Onoda lhe emprestava também). Esse domingo seria diferente, iria até a casa do baixinho de óculos e de lá os dois pedalariam até Akihabara e então passariam o dia lá pra então assistirem o filme da Love Hime. Um dia inteiro com o Onoda em Akihabara, não parecia ser nada de mais, então por que estava tão nervoso? Pedalou em círculos pela vizinhança, subiu e desceu ladeiras, já perto da casa do Onoda, e não eram nem nove horas, teve que continuar enrolando e enrolando até que às dez horas, passando na frente da casa ele viu o Onoda sair, pegar a bicicleta (a Road Racer, não a de cestinha, que ele tinha emprestado do clube só pra usar nesse fim de semana com o Imaizumi kun) e ficar parado na frente do portão. Imaizumi estava longe, mas pode notar que Onoda estava nervoso, ajeitava os óculos, via se o banco da bicicleta estava na altura certa (umas três vezes seguidas), colocava e tirava as luvas, apertava o capacete entre as mãos. Não aguentou ver ele assim e se aproximou. O outro só foi perceber a aproximação quando Imaizumi já estava bem perto.
“Bo...Bom dia Imaizumi kun, você....chegou cedo.”
Era impressão sua ou Onoda não conseguia encara-lo?
“Bem eu, sai cedo de casa sem perceber.”
Não, não era, Onoda estava tão nervoso por ir pela primeira vez pra Akihabara com o Imaizumi kun que não sabia como agir, como pensar, era um sonho se realizando. Teria ficado ali tremendo nas bases se o outro não tivesse falado de novo:
“Tudo bem a gente ir...bom...indo? Ir com calma, afinal, temos muito tempo pela frente.”
O jeito sério que Imaizumi tinha acalmou Onoda um pouco, que subiu na bicicleta. Sério sim, calmo, só se fosse por fora, porque por dentro Imaizumi continuava inquieto, e o silencio que se instaurou nos dois pelos próximos dez minutos pedalando lado a lado piorava muito essa sua condição.
“Nós não íamos escutando música?”
Lembrou, um escape pra esse silencio constrangedor e sempre que o assunto era Love Hime, ou qualquer anime/manga que Onoda gostasse, brotava no otaku uma alegria radiante.
“Nossa! Eu quase esqueço. Sim, sim, sim! Um dia especial como hoje pede uma trilha sonora!”
Colocando seu aparelho no guidão da bicicleta (antes disso parando no acostamento, segurança primeiro, sempre!) ligou na abertura de Love Hime. E claro que ele não conseguiu ficar quieto e escutar enquanto pedalava, ele precisava cantar junto. Até Imaizumi cantava, sim bem baixinho, e ele mesmo nem percebia, mas cantava. O clima ficara bem mais descontraído e aquela insegurança que ambos sentiam foi se esvaindo.
Almoçados e felizes, começaram o passeio por Akiba, Onoda num pique que chegava a assustar o Imaizumi, entrava nas lojas numa alegria sem fim, mostrava as coisas para o outro, DVD’s que queria comprar, figures que queria ter, mostrara os gashapons, comprara um para Imaizumi que gaguejara muito ao receber o presente, lojas de mangas, seus lugares favoritos, cada momento parecia melhor e mais colorido pra Onoda porque estava junto do Imaizumi, estranhara até, quando ele e o Naruko passearam por Akiba não tinha sido assim tão maravilhoso como estava sendo agora, seria porque não era amigo do Naruko ainda? Talvez por que Imaizumi gostava de Love Hime também? Ou porque Imaizumi falava bem menos que o Naruko e escutava mais o que Onoda tinha a dizer? Eram muitas incógnitas, mas uma única certeza: esse era o melhor dia da sua vida.
Imaizumi estava tentando sair de seu tsundere mode (não que ele soubesse disso) ao invés de fazer a cara de “não estou nem aí” de sempre ele tentava mostrar interesse em tudo que Onoda dizia, mesmo que ele não entendesse, isso parecia deixar Onoda muito mais feliz e radiante, se isso foi assustador no começo? Até foi, mas deixar o outro cada vez mais feliz estava tendo um reflexo positivo em Imaizumi, ele também se sentia feliz. Os sorrisos de Onoda estavam ainda mais brilhantes, e Imaizumi achava que ele estava cada vez mais parecido com a Kotori, na verdade ele estava ultrapassando-a, e a única palavra que tinha para designar Onoda nesse dia era adorável, totalmente fofo. E a cada sorriso brilhante de Onoda o Imaizumi também sorria seu sorriso “a lá Arimaru kun” que deixava o otaku baixinho todo feliz por estarem os dois se divertindo em Akiba. Só uma coisa incomodava Imaizumi: os pulos que seu coração dava toda santa vez que Onoda sorria ou parecia adorável e fofo, aquilo já estava ficando desconfortável.
Numa loja de mangás (a quinta ou sexta que passaram no dia) Imaizumi acabou dizendo algo que o incomodara desde a primeira loja que passaram: Por que não subiam os degraus que davam para outros andares, a loja não parecia acabar só no primeiro andar, saiam pessoas com sacolas de lá de cima. O rosto do baixinho ficou um tanto vermelho.
“É lá que ficam os doujinshis...uma vez eu li um da Love Hime, Arimaru e Kotori na internet. Daí vim comprar, mas não lembrava o nome do doujinshi, só do círculo que tinha feito...quando fui procurar...bem...achei outros...e...desisti...”
Imaizumi não entendeu muito bem qual era o problema, afinal, se ele queria ler o tal doujinshi (que diabos era isso?) que fosse lá e comprasse, não acreditava num Onoda que desistia (sério, Onoda era assustadoramente empenhado em basicamente tudo que gostava de fazer) precisava de mais explicações.
“Por que?”
A pergunta fez Onoda ficar ainda mais vermelho, começar a encolher os ombros e entrelaçar os dedos, seus tiques mais comuns que indicavam que ele estava ficando nervoso.
“Porque....porque eles eram...doujinshis...doujinhis...H...”
“O que é H?”
E quase num sussurro, que fez Imaizumi chegar bem, bem pertinho pra ouvir, o que fez Onoda ter de repetir umas três vezes.
“Hentai.”
E escondera o rosto atrás de um manga que ele segurava.
“Ah...e daí?”
Onoda saiu de trás de seu esconderijo de cara e ficou confuso, era hentai! Pornô! Da Kotori com o Arimaru kun! Como isso não afetava o Imaizumi de algum jeito?
“É...é...foi...foi...meio assustador...eu não sabia como reagir...e não consegui continuar procurando.”
Imaizumi soltou um longo suspiro, Onoda era mesmo um tipinho estranho, pensava, pegou ele pela mão e subiu para o segundo andar. Tinha bem menos gente ali, mas eram só garotas, não imaginava que meninas liam esse tipo de coisa, até perceber que teria que subir mais um lance já que aquele andar até podia ter coisas mais eróticas, mas não as que Onoda falara. Agora sim, lugar mais vazio e só homens. Achou uma estante inteira com os doujinshis de Love Hime, e céus, eram muitos. Alguns tinham capas normais, já outros mostravam direto do que se tratava.
“Onde está o...como era mesmo? Circulo?”
Um vermelho e nervoso Onoda apontou pra uma prateleira.
“Ora vamos, pra que esse nervosismo todo? Isso nem é de verdade!”
Onoda ainda olhava pro chão e de vez em quando para os lados, provavelmente pra ver se ninguém olhava pra ele.
“Veja este aqui.”
Abrindo um doujinshi aleatoriamente, bem na parte do “rala e rola” entre a pobre o Kotori que estava sendo bem maltratada por um Arimaru kun, fez questão de que Onoda visse o que estava acontecendo, e com muita ressalva ele olhou.
“Você tem um desse não tem? Por acaso ele é desse tamanho? Tem esse formato? É peladinho desse jeito? Se isso que é tão comum pra gente já não tá certo, você acha que o que a Kotori tem tá certo? Isso é falso, errado. A pessoa que desenhou isso fez tudo errado! Essa não é a Kotori, esse não é o Arimaru kun. Agora larga de frescura e vamos achar o que você está procurando, como é que se parece?”
Provavelmente Imaizumi deixou a maior parte das pessoas que estavam ali comprando seus doujinshis muitos bravas, mas Onoda sabia que nenhum deles diria nada, Imaizumi tinha mais um metro e oitenta e cara de poucos amigos, eles estavam assustados só com a presença dele. Mas o que Imaizumi dissera fazia muito sentido, não podia achar que aquilo era real, tinha que encarar como péssimo doujinshi feito de seu anime favorito e não desistir de achar aquele que ele gostara.
“Ele começa com a Kotori na cama, pensando no Arimaru kun....depois acontecem coisas, os dois vão num encontro juntos, mas as coisas meio que dão errado e eles acabam brigando, daí a Kotori fica triste e chora, então vai embora, é quando o Arimaru kun vê que fez besteira e vai atrás dela....”
Ele falava sobre o doujinshi enquanto folheava alguns, Imaizumi escutava atentamente enquanto fazia o mesmo. Dissera aquilo tudo, sim, até tinha razão, mas alguns doujinshis que via até eram anatomicamente normais e tinha que admitir que era meio vergonhoso ver aquilo, mas não podia vacilar, iriam achar o doujinshi que Onoda queria. Acharam, e Imaizumi achou dois outros que não tinha pornô, viu que o baixinho olhava a carteira e contava mentalmente o dinheiro que ali havia e parecia meio desapontado. Não aguentando aquilo pegou os mangas que Onoda carregava mais os doujinshis e foi até o caixa pagar. Saíram de lá com uma sacola cheia e um Onoda com o rosto vermelho e que agradecia sem parar.
“Chega disso, você já me deu coisas e me viu nessa de agradecendo sem parar? Comprei porque quis, porque você queria e pronto!”
Não adiantou nada falar pro otaku de óculos parar de agradecer, porque agora ele não parava de se desculpar por não parar de agradecer. Suspirou, esse era o Onoda, não dava pra argumentar muito com ele. Não é que irritava o Imaizumi o Onoda ficar agradecendo, o que acontecia é que ele não sabia muito bem como lidar com aquilo, ficara muito mais constrangido do que imaginara, mais uma vez agira num impulso de deixar Onoda feliz comprando alguma coisa pra ele, e não entendia muito bem o motivo. Não que sentia que estava fazendo algo errado, parecia muito certo alias, mas não tinha uma razão pra fazer aquilo que não fosse ver o Onoda feliz, e por mais que fazer o Onoda feliz tinha sentido, já que isso também o deixava feliz, algo parecia estar faltando ali.
Passaram por uma loja que tinha um display em tamanho real feito de papelão da Kotori, por causa da estreia do filme e da venda dos ingressos, Onoda estava muito interessado em tirar uma foto, mas não sabia se devia pedir ao Imaizumi que fizesse isso por ele. Bom, o Imaizumi já tinha notado o display e na hora viu a cara do Onoda implorando pra tirar uma foto, estendeu a mão e pediu o celular, quem via até poderia ter tomado aquilo com uma tentativa de assalto, mas Onoda entregou o celular ao Imaizumi e já se posicionava ao lado de sua amada Kotori chan. Depois de tirar algumas fotos ele pegou seu próprio celular.
“Você quer que eu tire pra você Imaizumi kun?”
O rosto de Imaizumi ficou ligeiramente vermelho.
“Heim? Não, é pra você ficar lá...e...bom...minha câmera é melhor que a sua...achei que...talvez...ficaria melhor.”
Onoda voltou para o lado da Kotori e Imazumi tirou várias fotos, depois ficou encarando a ultima que tirara, estava com uma vontade muito grande de colocar ela como background e isso chegava a ser ridículo, foi aí que percebeu que o rosto de Onoda estava muito próximo de seu celular, obviamente ele queria ver a foto.
“Ahhhh! Ficou muito boa mesmo! Depois você me manda elas Imaizumi kun? Imaizumi kun?”
Imaizumi o encarava, com uma intensidade que chegava a ser desconfortável, o coração de Onoda deu um pulo, o que acontecera com Imaizumi?
“Você... Você parece a Kotori...”
E o rosto do Onoda ficara vermelho escarlate, dá onde aquilo viera? Como assim? Do nada e o Imaizumi vem e fala uma coisa assim? Ele, o Onoda Sakamichi, otaku baixinho de óculos, parecido com a super fofa Kotori chan? Como?
“Ehhhhhh??? Eu? A Kotori?”
Não, não precisava fazer aquela cara de espanto, não precisava agir como se o Imaizumi tivesse dito algo surreal, era o que ele achava, oras. Mas esse era o Onoda, rei do Over Reaction Anime Style. E por que o Imaizumi achava isso completamente fofo? Não tinha mais força mental pra aquilo.
“Eu acho que você parece a Kotori....porque vocês sempre dão tudo de si...e...e...tem esse ar fofo...que...ah...deixa pra lá! Olha a hora! Vamos logo pra esse cinema maldito.”
Onoda seguiu Imaizumi, e estava se sentindo péssimo agora, por que tinha de reagir daquele modo? Agora deixara o Imaizumi bravo, ele tinha feito um elogio, por que não o aceitara e pronto, fim de historia. Não queria deixar a atmosfera desagradável, estava sendo um dia tão maravilhoso, por que tinha de estragar tudo? Imaizumi percebeu que Onoda agora estava, provavelmente se culpando pelo ocorrido. Mais um suspiro (como estava suspirando hoje!) saiu de seus lábios. Parou, virou e encarou Onoda, que não esperava por essa e não teve tempo de evitar o contato visual.
“Eu não estou bravo, sério. Vamos assistir o filme, esperamos dez dias, ansiosos por isso. Não vamos deixar qualquer coisinha estragar esse dia! Certo?”
E o coração de Imaizumi bateu muito rápido quando Onoda sorriu lindamente seu sorriso de anime shoujo com flores ao fundo.
“Certo!”
Pipoca, refrigerante e o filme mais empolgante da historia, um jeito epicamente perfeito de encerrar o melhor dia de sua vida. Ainda havia o brinde surpresa, na sacola decorada do filme. Saiu cantando, pulando e rodopiando. Imaizumi se sentia da mesma forma, mas não expressava da mesma maneira. Só ficou na dele vendo os olhos de Onoda brilhando por detrás dos óculos. Mas não pôde evitar um comentário:
“Depois desse filme acho que vão fazer um outro tipo de doujinshi...”
Onoda não entendeu muito bem o que Imaizumi dizia, como assim outro tipo? Por causa do filme iriam ter mais doujinshis românticos da Kotori e do Arimaru kun? Ou seria outra coisa.
“Sabe...Talvez...Mage e Kotori...ou até...quem sabe, Mage e Arimaru.”
Lembrou-se do segundo andar da loja, talvez algumas meninas pensassem assim e fizessem algum doujinshi MagexArimaru, fazia até sentindo, ou os doujinshis do terceiro andar, agora com o casal Mage x Kotori.
“Não! E mesmo se tivesse eu passaria longe! Não pode! A Kotori e o Arimaru são o casal mais perfeito do mundo!”
Primeiro Imaizumi pensou que Onoda era bem obsessivo com seu casal favorito, qual o problema em ter doujinshis de outros casais, eles não eram relacionados a historia principal mesmo. Mas daí tudo parou e a frase ‘A Kotori e o Arimaru são o casal mais perfeito do mundo!’ que Onoda acabara de dizer começara a ecoar em sua mente. Então ele pensou, se o Onoda era a Kotori e ele era o Arimaru kun, logo os dois era o casal perfeito? O casal? Ele e Onoda? Foi como uma peça de quebra cabeça se encaixando, era isso! Por isso estava tão nervoso com esse passeio em Akiba, por isso comprou os ingressos, os mangas, por isso queria fazer o Onoda feliz. Por isso Onoda era adorável e fofo, porque agora Imaizumi gostava dele! Essa revelação fora chocante, nunca tivera interesse nenhum que não fosse relacionado ao ciclismo e então vinha Onoda (que era meio que relacionado ao ciclismo) e abria um novo mundo pra ele, um mundo onde ele podia gostar de alguém! Ele gostava do Onoda. Agora que finalmente percebera esse sentimento precisava expressa-lo da maneira correta.
O Imaizumi estava assustando Onoda, do nada, enquanto caminhavam até as bicicletas pra voltar pra casa ele simplesmente parara. Estava ali, parado, parecia perdido em pensamentos. O que será que tinha acontecido? Teria se machucado? Estaria duvidando da supremacia do casal Arimaru e Kotori? As pessoas passavam, algumas olhavam os dois parados no meio da calçada. Onoda já ia chamar Imaizumi quando este diz:
“Tem uma coisa que eu preciso te dizer.”
O que seria? Pensou Onoda, ele realmente achava melhor que a Kotori ficasse com o Mage? Como conseguiria convence-lo de que a Kotori fora feita para o Arimaru kun, será que o filme deixara uma impressão ruim do Arimaru no Imaizumi? Mas ele só fizera as coisas ruins por ter sido controlado pelo poder maligno, ele não era assim. Sim, o Arimaru era meio Tsudere as vezes e podia deixar a Kotori irritada outras tantas, mas ela amava ele, mesmo sabendo que não podia perder tempo com assuntos mundanos enquanto treinava seus poderes...seria melhor os dois marcarem um dia para assistir os especiais onde o Arimaru era o personagem foco para que o Imaizumi entendesse a personalidade dele? Estava em pânico, não sabia o que viria, nunca iria imaginar que o Imaizumi não estava pensando nada disso.
“O...o que foi? Imaizumi kun?”
E era a hora da verdade, ele iria dizer, precisava dizer, não era daqueles que guardaria esse tipo de coisa dentro dele, seria direto e reto. Levaria um fora? O primeiro fora de sua vida? Talvez, mas jamais saberia se não tentasse.
“Eu...eu...eu gosto de você Onoda!”
E disse com toda a seriedade possível, dando ênfase no nome pra que não pudesse ser interpretado de outra maneira.
“Eu também gosto de você Imaizumi kun.”
Mas é claro que foi interpretado errado, Onoda era puro, doce e inocente amante dos animes shoujos, ele não entenderia logo de cara uma confissão, ainda mais de outro garoto, mas Imaizumi não iria desistir, conseguira reunir toda sua coragem para se confessar e não estava pensando em desistir por conta de um mau entendido.
“Eu gosto de você Onoda, e eu quero que namore comigo!”
Essa não dava pra interpretar errado de jeito nenhum! E não foi, primeiro Onoda ficou chocado, a expressão no seu rosto dizia isso claramente, os olhos esbugalhados e a boca entreaberta, então ficou vermelho igual a um tomate e inúmeras coisas passavam pela sua cabeça e deixavam ele ainda mais confuso, simplesmente não acreditava no que havia acontecido.
“Ehhhhhhhhhhhhhh???? O Imaizumi kun? E eu? Eu e o Imaizumi kun?”
Depois dessa era o rosto do próprio Imaizumi que ficou vermelhinho, ele não esperava essa reação tão inocente, e também não sabia o que pensar, o Onoda não dissera não, mas também não dissera sim.
“O que eu faço? O Imaizumi kun disse....ele pediu...e eu....e o Imaizumi kun...e o Imaizumi kun...e eu!!! O que eu faço?”
Onoda nem olhava para o Imaizumi, estava perdido em pensamentos e também muito constrangido pra isso, mas o Imaizumi olhava para o Onoda, e ele ia ficando cada vez mais adorável, ele não aguentaria, precisava saber.
“Você......”
Respirou fundo e continuou:
“Você tem duas opções, sim, ou não. É isso que você faz quando recebe uma confissão, você responde.”
Então Onoda fez um esforço e olhou para o rosto do Imaizumi, estava tão vermelho, ele estava falando sério, e mesmo assim estava tão vermelho, não podia vacilar agora, precisava dar uma resposta, mas o que iria dizer? Namorar o Imaizumi kun parecia uma coisa surreal, ele era o Aimaru kun, ele combinava com alguém como a Kotori, fofa, especial, e o que era o Onoda, só um otaku qualquer. Mas e se dissesse não só por causa disso, seria porque não tinha confiança em si mesmo, e a Kotori sempre dizia que precisávamos ter autoconfiança para alcançar nossos objetivos. Então sua mente fez um looping e lembrou das palavras do Imaizumi mais cedo.
“Eu acho que você parece a Kotori....porque vocês sempre dão tudo de si...e...e...tem esse ar fofo...que...ah...deixa pra lá!”
O Imaizumi kun achava que o Onoda parecia a Kotori e o Onoda achava que o Imaizumi kun parecia o Aimaru kun. Esse era o OTP definitivo da vida do Onoda e negar a confissão do Imaizumi kun seria negar esse OTP! Isso seria imperdoável. Mas, aceitar só porque os dois eram o OTP supremo também seria ruim, afinal estaria ignorando os seus sentimentos que...e qual eram os seus sentimentos? O que sentia pelo Imaizumi kun? Fora ele que lhe apresentara o mundo do ciclismo, sem ele nunca saberia o quão divertido era escalar morros, ou pedalar junto com seu time. Foi contra ele que disputara sua primeira corrida, e mesmo tendo perdido e não conseguido fazer o outro entrar no Aniken, Imaizumi kun fora gentil com ele, tentou ajuda-lo a conseguir membros (não deu certo, mas ele ajudou). Graças ao clube de ciclismo conseguira amigos, um time, iriam participar de uma corrida juntos, e tudo graças ao Imaizumi kun. Sem falar que ele era alto, bonito, e também gostava de Love Hime. Era o homem perfeito, como dizer alguma coisa alem de...
“Sim!!! Sim! Sim! Sim! Sim!!! Eu agradeço de coração a confissão, e a partir de agora, por favor, cuide de mim!”
Respondeu curvando seu corpo quase 90° e com os braços grudados ao lado do corpo. O coração explodindo de tão rápido que batia, era a primeira confissão que recebia em toda sua vida, foi ainda mais emocionante que nos animes, e tinha dito sim. E agora?
E agora? Pensou Imaizumi, tinha que dizer alguma coisa? Não pensou em receber um sim, que dirá cinco deles, e ele todo sério e nervosinho assim, ficava ainda mais adorável, como isso era possível?
“O...Onoda...”
Ao ouvir seu nome levantou a cabeça e viu um Imaizumi ainda mais vermelho que antes e podia jurar que via as mãos dele tremendo, mas não sabia se era impressão, pois ele mesmo tremia também. E foi envolto num abraço, apertado e quase que desesperado. Então, ali pertinho do peito do Imaizumi, Onoda escutou as batidas daquele coração, tão fortes e rápidas, percebeu que faziam uma sinfonia junto com o seu, seus braços enlaçaram aquele que lhe abraçava forte e retribui aquela força.
“Imaizumi kun.”
Era o Imaizumi kun que o abraçava, sentia seu cheiro, suor, desodorante esportivo, pipoca com manteiga, aquele abraço era quente e reconfortante, podia ficar ali pra sempre! Então lembraram que estavam no meio da calçada e que todos que entravam e saiam das lojas próximas podiam vê-los. A contragosto se separaram, e os dois com o rosto em chamas.
Imaizumi estava confuso sobre o que fazer, o que dizer, ainda estavam parados na calçada, as portas das lojas abriam e fechavam, otakus saiam e entravam, estava escuro, mas Akihabara ainda estava a pleno vapor. Deveriam ir embora? Haveria aula amanhã, e com o intercolegial chegando, treino pesado depois, precisavam ir pra casa e descansar. Mas e como iriam agora? Logo depois de tudo aquilo se separar, Imaizumi não queria aquilo.
“Tudo bem não é?”
Onoda disse num rompante e pegando na mão de Imaizumi, entrelaçando seus dedos com os seus.
“Digo, amanhã a gente vai se ver logo cedo, e tem o clube, e logo vamos para o Intercolegial juntos!”
Era como se Onoda tivesse lido os pensamentos de Imaizumi, ou que eles pensavam a mesma coisa, apertou aqueles dedinhos gelados, e viu um sorriso brotar lindamente no rosto de Onoda, sorriu também. Um sorriso diferente dos enigmáticos que o faziam parecer o Aimaru kun, um sorriso aberto e cheio de dentes, um sorriso que ele nunca abrira antes, era um sentimento que nunca tivera antes, um sentimento quente e que apertava seu peito, uma dor gostosa, como aquela que sentia depois de cada corrida ganha. Conquistara sua maior vitoria, ganhara o maior dos prêmios: o coração de Onoda!
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