Hikari
3 Rejeição
Estava tudo tão perfeito,poderia acreditar que o mundo tinha conspirado ao meu favor. O vento gelado passava por mim fazendo com que meu cabelo ficasse mais bagunçado do que estava e já podia sentir o cheiro das rosas ao redor. Meu sorriso era tão grande que mostrava todos os dentes que tinha,estiquei a minha mão para Kuro e já estava me imaginando sentado em uma velha cadeira, em frente a uma lareira, contando aos meus netos de como aquele momento foi importante, a história de um garoto "zé ninguém" que após conhecer seu heroi pode se aventurar pelo mundo e fazer história. Estava lá parado, braço esticado, mãe aberta e o sorriso na cara, entretanto, Kuro me olhava estranho, suas sobrancelhas se juntaram para depois virar-se de costas e falar um...
–Não! Vá embora!
Fiquei paralisado, senti esse "não" como uma pancada no estômago, todo os segundos gastos para ter a melhor imaginação que tive na minha vida foram perdidos. Ele começou a andar para o desconhecido largando o mapa no chão, olhei para o mapa e pisei em cima.
–Ops, pisei no mapa, você não teria outro?
Fui ignorado completamente, estava com os olhos fixos nele, como um gato com os olhos fixos em sua presa, não podia deixar ele ir embora e estragar com meu futuro, não queria me tornar novamente um zé ninguém e além do mais, eu nem sabia como me localizar no mapa, afinal, nunca sai daquele bar. Percebi então que não tinha jeito, teria que usar meus métodos. Respirei fundo e sai correndo, quando Kuro olhou para trás, suas pupilas dilataram de uma forma incrível,pulei para cima dele e agarrei a cintura e segurei forte em volta do seu corpo, não pretendia larga-lo tão facilmente.
–POR FAVOR, NÃO ME DEIXE!
As lágrimas já escorriam por todo o rosto e minha voz aguda começou a fazer efeito, pois os pássaros que no começo estavam alegres agora partiam para outros lugares. Kuro colocou a mão na minha cara e empurrou para trás com um certo cuidado, porém, não conseguia tirar meus braços da sua cintura.
–GAROTO ME LARGA, SAIA! EU SOU O DEMÔNIO DESSE MUNDO, NÃO ACEITO CRIANÇAS NA MINHA JORNADA!!
–ACEITA PACTO ENTÃO? POR FAVOR, EU ESTOU PERDIDO!!
No meio da gritaria, uma voz calma e agradável de escutar fez com que nós dois tirássemos toda a atenção da discussão para vermos quem era. Uma jovem garota, provavelmente da mesma ideia que Kuro sorria para nós, olhando atentamente percebi que era a mulher que tinha aparentemente morrido.
–Não pensei encontra-lo aqui, muito menos com esse lindo garoto.
Minhas bochechas acabaram corando, ela se tornou após isso muito mais linda. Tinha cabelos ondulados longos com um loiro claro até o meio das costas, olhos castanhos escuros, um nariz um pouco arredondado, bochechas com sardas, uma boca grossa e um rosto um pouco arredondado. Ela foi aproximando cada vez mais e Kuro foi para trás me arrastando junto.
–Qual o problema Kuro, ele é inofensivo.
–Ele é uma criança, odeio crianças!
Aquilo me ofendeu,logo em seguida tive noção que ela era para estar morta e me caiu mil e uma perguntas de uma vez só enquanto a encarava. Acabei apertando mais forte em Kuro porque a bela jovem moça estava me dando medo, muito medo.
–Você....você...era para estar MORTA!
Girei meu braço na cintura de Kuro até posicionar meu corpo atrás dele e ficar com os joelhos no chão já que de tanto empurrar meu rosto para trás acabei ficando tonto e caindo.Ouve sua risada e escondi o rosto atrás de Kuro, vai que se eu olhar mais ela pode jogar um feitiço. Sobre esse mundo de magia, não sei quase nada sobre os feitiços,Arata apenas me disse que são varios eles e que possuem certos limites e regras.
–Calma garoto, aquilo foi apenas um teatro, eu e Kuro apenas estávamos cumprindo nossas pequenas tarefas não é?
Um silêncio se fez, não pensei que Kuro fosse tão quieto,sempre pensei ele carinhoso e cuidadoso, não frio.
–E então jovem garoto, sei que Kuro é...frio além da conta, mas não seria legal larga-lo em um orfanato, e então jovem, quer...se juntar a família Kuromatsu?
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