Hikari
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Acordo naquela manhã de sábado com uma dor de cabeça extrema. Sabia que deveria ter bebido menos, mas a insistência de meus amigos e a vontade de fazer aquela noite ser mais prazerosa me levaram a beber além da conta.
A luz que entra pela janela me cega, mas ao fechar os olhos tenho vislumbres da noite anterior.
Não aprontei nada que iria me arrepender depois, mas não conseguia parar de observar aquela garota que se divertia tão solta naquele lugar. A alegria dela era tão contagiante que me senti bem, jovem...
Balanço a cabeça para espantar o sono e me levanto a contra gosto da cama.
Meu quarto está em completo silêncio, refletindo a solidão que eu sinto todas as manhãs desde que Itachi se foi. Ele conseguia preencher o lugar que minha mãe deixou, mas agora tenho que lidar com dois buracos no peito, dois buracos que se juntaram com o tempo e se transformaram em um, grande o bastante pra pensar inúmeras vezes em desistir de tudo e ir atrás deles.
De novo esses pensamentos mórbidos?
Tomo um banho gelado e saio assim que escuto meu celular tocando. Naruto...
– Fala.
– Bom dia, teme!
– Bom dia, o que você quer.
– Ressaca hein amigão! Tenho certeza que já tinha esquecido o que era beber hahahaha — idiota.
– Fala logo o que quer.
– Percebi que você gostou do barzinho e queria saber se você quer voltar lá hoje...
– Nã... — eu ia negar automaticamente, mas... — Que horas?
A linha fica muda por um momento. O que aconteceu com aquele idiota?
– Naruto?
– Ah, er... a gente se encontra às 9. Pode ser?
– Certo.
– Até mais então !
– Até.
Faz muito tempo que não me sinto tão animado pra sair. Na verdade quero ver ela novamente. Aquela figura curiosa, interessante, intensa...
Meu dia passou com extrema rapidez. Trabalhei o dia todo em meu escritório e a única companhia que tinha era de minha empregada.
– Pode ir embora mais cedo, não vou jantar em casa. — digo assim que ela me leva a xícara de café.
– Claro senhor. Bom fim de semana.
E estou sozinho novamente.
Agora, mais do que nunca, olho para o relógio com ansiedade. Ainda faltam 3 horas...
Me concentro nos papeis em minha frente e espero que o tempo voe com isso...
***
Me olho no espelho mais uma vez. A camisa cinza está dobrada até o cotovelo e a calça jeans — há muito guardada na gaveta — me deixa com aparência mais jovem. Bagunço mais meu cabelo.
Será que ela vai gostar?
O que eu estou pensando? Talvez nem a veja lá.
Apesar de estar ansiando por isso o dia todo...
Quando chego ao barzinho, meus olhos vão direto ao pequeno palco, mas não há nenhum garota de cabelos rosas dançando.
Confesso que senti vontade dar meia volta e rumar para casa, mas sempre tem aquele amigo inconveniente...
– SASUKEEE!! AQUIIII!!!!
Olha para a direção dos berros do Naruto e não consigo acreditar no que vejo. Sentada na mesa de meus amigos está ela. Sakura.
Talvez ele não seja tão inconveniente assim.
– Sasuke esta é a...
– Já nos conhecemos Naruto. — diz a garota me olhando com um sorriso travesso.
Involuntariamente sorrio também.
Quando olho para o lado vejo Naruto me encarando curioso e fecho a cara em seguida.
– Vocês se conhecem? — pergunto me sentando em frente a ela.
– Ela é amiga da Hinata.
Agora que percebo que a namorada de Naruto — que só vi uma vez — está na mesa e mais uma garota loira que troca olhares com o Sai.
– Mas como vocês se conhecem se o teme não sai do escritório? — pergunta Naruto enquanto eu cumprimento as outras moças na mesa.
– Ah eu conheci ele no banheiro masculino. — escuto a voz dela em meio a risos.
– Aff, é bem a sua cara entrar no banheiro masculino... — comenta a loira que se chama Ino.
– Quer beber algo? — Sai a convida e os dois saem para o balcão.
Sinto alguém me olhando e quando ergo os olhos me deparo com aquelas profundidas verdes.
Ela me hipnotiza.
Logo ela desvia o olhar e vejo seu rosto corado. Naruto berra alguma coisa ao meu lado, mas de uma forma estranha não consigo desviar meu olhar da garota que conversa sorridente com Hinata.
– Quer beber alguma coisa? — pergunto impulsivamente cortando o monólogo de Naruto. Ela me olha surpresa por um momento e me dá um sorriso estranho, mas levanta-se me chamando com a mão.
– Acho que o teme gostou da Sakura-chan.... — escuto o cochicho nada baixo de Naruto com a namorada.
Me sinto nervoso como se fosse a primeira vez que conversasse com uma mulher e quando vejo já estamos no balcão e ela me olha curiosa.
– Uma dose de whisky para mim e...
– Suco de abacaxi com menta. — ela completa com aquele sorriso maroto.
– Suco de abacaxi com menta então. — digo ao barman soltando um sorriso com a imprevisibilidade daquela garota.
Olho novamente para ela e por um momento vejo certa preocupação em seu semblante, mas quando percebe que a olho, seus olhos brilham e seu sorriso volta a se iluminar.
– Então, amigo do banheiro. Hoje você acertou na roupa, hein!
Sorrio olhando para as mangas dobradas da camisa e volto a minha atenção a ela. Hoje usa uma calça preta com uma blusa bem colorida, seus cabelo estão soltos dessa vez e não estão desgrenhados como ontem. Está mais linda ainda.
Não lembro de uma mulher me chamar tanta atenção e deixar tão intrigado assim...
Nossas bebidas chegaram e ficamos conversando — ela falou muito mais do que eu — sobre música, cinema, hobbies...
– Então você colecionava carros? Quanta ostentação! — ela revira os olhos rindo. — O mais perto de ostentação que eu cheguei, foi quando meus coelhos procriaram, tem noção de quantos coelhos eu tive??
Nunca alguém me fez rir tanto. E os lábios dela se abriam em um sorriso único que me hipnotizava e me puxava pra mais perto dela...
– Eu vou dançar. — ela diz abruptamente se levantando do banquinho e tirando os saltos dos pés. — Eu amo essa música!
No lugar onde está ela começa a mexer o corpo ao ritmo da música.
Fico ali, segurando o copo paralisado com a visão de seu corpo se mexendo daquela forma.
Logo algumas garotas se juntam a ela, junto com sua amiga Ino puxando Sai para dançarem juntos.
Mas não existe mais ninguém ali para mim, só consigo enxergar o jeito como se diverte e se entrega para a música sem saber o próximo movimento que seu corpo vai fazer... Imprevisível.
– Fecha a boca teme. — diz Naruto ao meu lado.
Respiro fundo desviando meus olhos para o copo em minhas mão e viro tudo.
– Ela tem namorado? — pergunto direto fazendo Naruto arregalar os olhos e depois se escancarar em sorriso.
– Tá afim da Sakura, hein... — ele me empurra com o ombro e minha atenção se volta para ela. — Acho que não. A conheci hoje, ela não é daqui.
Não tenho como esconder que ela me atrai. E quando me perco nela esqueço tudo a minha volta.
Sem escutar o que Naruto está falando, me aproxima dela lentamente. Paro em suas costas enquanto ela continua dançando animada com Hinata a sua frente. A namorada de meu amigo olha para mim e dá um sorriso me encorajando a chegar mais perto.
Antes que Sakura olhasse para trás, eu passo uma mão pela barriga dela e começo a tentar seguir o mesmo ritmo que ela. Difícil, nunca soube dançar.
Sinto seu corpo estremecer ao meu toque e ela se vira com a boca entreaberta e me encarando profundamente. Eu a olho com a mesma intensidade e a música parece morrer ao longe.
Ela sorri quando vê que não consigo seguir o mesmo ritmo. Coloca os braços em meu pescoço e logo coloco a outra mão em sua cintura.
– É só me seguir Sasuke. — leio os lábios dela e recebo uma piscada.
Logo o corpo dela começa a se mover ao ritmo da música e seu sorriso se alarga encarando divertida as minhas tentativas falhas em segui-la.
Continuo encarando-a e vejo um leve rubor preencher suas bochechas.
– Você é linda. — sussurro mas ela consegue ler meus lábios. Fica acanhada e hesita um pouco antes de me olhar novamente — e foi aí que cometeu seu erro — ela umedece os lábios e me lança um olhar inocente e tímido.
Sem pensar a puxo pra mais perto e pouso meus lábios sobre os dela. Logo ela mordisca meu lábio inferior e isso me dá liberdade para beijá-la como a muito não fazia.
O gosto de abacaxi com menta toma minha boca enquanto sua língua explora todo o lugar com intensidade. A aperto mais forte e sinto uma atração fora de comum. Todo meu interior queima de vontade por mais, mas ela me empurra de leve tomando fôlego.
Passo uma mão por seu rosto observando cada detalhe dele. Ela fecha os olhos acompanhando minha mão e se aproxima apertando o abraço em meu pescoço. Com os lábios próximos aos meus ela sussurra abrindo os olhos.
– Você é rápido. Gosto disso.
Só tenho tempo de sorrir e ela me beija mais uma vez agora segurando os meu cabelos. O toque dela me arrepia e a puxo com mais força.
Mordo seus lábios carnudos e aquela vontade de quero mais me aperta.
Eu a desejo.
– Vamos pra minha casa? — sussurro em seu ouvido depois de dar uma mordida nele. Vejo os pelos de sua nuca se arrepiarem...
Ela abaixa a cabeça soltando seus braços e me arrependo na mesma hora por ter aberto a boca. Ela fica pensativa por um momento e quando abro a boca para me desculpa, ela me puxa pela mão em direção ao seus sapatos.
– HINA, NÃO ME ESPERE! — ela grita quando passamos pela mesa de meus amigos.
Ela olha para mim e dá uma piscada sacana enquanto escuto os gritos de aprovação de meus amigos ao fundo.
Quando chegamos do lado de fora a conduzo para o meu carro.
– Uau, que carrão! É rápido? — pergunta com os olhos brilhando passando a mão pele painel.
– Tenho mais rápidos. Depois eu te mostro. — digo dando partida e lhe mandando um sorriso.
Ela parece inquieta ao me lado, mexe as pernas toda hora batendo as mãos no colo.
– Algum problema? — pergunto assustando-a.
– Nã-não. Er... na verdade é a primeira vez que faço isso. — ela responde desviando os olhos.
– Isso o quê?
– Ir para a casa de alguém que mal conheço. — ela responde uma vez.
– Se não estiver confortável eu...
– Não. — ela responde rápido sorrindo em seguida. — Quero te conhecer.
Chego na garagem de casa e abro a porta do carro para ela. Seguro sua mão e a puxo para perto de mim. Seus olhos verdes brilham com ainda mais intensidade eu não consigo pensar direito em mais nada.
– Eu não sei o que você faz comigo... — confesso puxando-a para mais perto e sentindo o cheiro de seu perfume doce em seu pescoço. Bom.
– E isso é bom? — ela pergunta num sussurro rouco arfando quando dou uma leve mordida perto de seu maxilar.
– Maravilhoso.
Seus beijos. Seus toques. Eles se tornaram minha anestesia. A luz na escuridão que virou minha vida. Naquele dia eu não descobri o que você fazia comigo, como conseguia me atrair com tanta intensidade e me fazer esquecer de tudo no meio de seus braços. Como, sem te conhecer, já sabia que te queria comigo, por que só você conseguia me fazer verdadeiramente feliz.
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