Hiiro no Kaminari

1 Capítulo 1 - Dilema


Era uma manhã ensolarada na província de Eldor. Os pássaros cantavam e voavam por meio ás árvores que cercavam os arredores desse belo lugar que atrai visitantes todos os dias. Eles, claro, vêm de longe para ouvir as histórias de antigos guerreiros daquela região e também conhecer de perto os hábitos dos moradores.

Eldor foi por muitos anos apelidada como "A Cidade do Amanhecer", justamente porque ela está situada ao Leste do continente Kinchyuu. Kinchyuu, com seu nome que significa "terra do ouro", é um berço de civilizações variadas, com culturas únicas e suas singularidades, tendo um total de 21 províncias. O desenvolvimento de toda a região é graças a extração de ouro em seus tempos remotos, muito maior que em qualquer um dos outros três continentes.

Ray é apenas um típico garoto de sua província, desde a infância viveu em união com a floresta e com os animais, respeitando-os e sendo respeitado por eles. De alguma forma, se sentia conectado com tudo que a natureza oferecia.

Esse era um dia especial pro garoto. 5 de Junho é a data que seu irmão falara que voltaria, confirmando através de cartas recentes. Tudo o que o menino mais queria era ouvir todas as aventuras que o seu irmão viveu longe de casa com a vida de Tsuri.

Tsuri é o nome de todo aquele que consegue controlar o Nae da forma que desejar. Nae significa semente e Tsuri justamente significa árvore, ou seja, você só poderá ser considerado uma árvore sólida após conseguir germinar a semente que há dentro de você. Há diversas formas de manifestar e canalizar sua energia, dependendo apenas da aptidão e do esforço do Tsuri.

— Ei, ei, Ray! Ray, acorda! — Ray abria os olhos com um pouco de preguiça, captando de primeira instância a visão da luz da janela ao lado da sua cama indo em direção de seu rosto e sua mãe que, aos poucos, vai ficando mais nítida em sua visão. — Você não quer receber o seu irmão em bom estilo? O que está fazendo aí na cama?

Isso já é o suficiente para que o rapaz pule da cama em bom ânimo, ficando de pé rapidamente. O quarto de Ray era todo de madeira, desde o piso, parede, teto e até seus móveis. Um longo tapete vermelho fica no meio, ao lado da cama.

— Aaaah! Ele já chegou? Eu nem tomei banho... cadê minha espada de treino? Aaah! — A mãe dele percebia que ele estava um pouco neurótico e decide acalmá-lo, soltando algumas risadas.

— Não meu filho, ele não chegou, mas acho que você ficaria chateado se eu não te acordasse antes, não é? — A mãe se abaixa, a modo de ficar numa altura próximo do filho. Olhando em suas pupilas vermelhas e colocando seus dedos entre os cabelos brancos de Ray, ela volta a falar: — Você cresceu muito, meu filho. Você é impressionante até mesmo para alguém da sua idade, você é inteligente e corajoso. Você é exatamente como ele.

Ray sabia que dessa vez ela não se referia ao seu irmão e sim a seu pai, qual ele nunca viu na vida. Segundo sua mãe, ele morreu semanas antes de seu nascimento.

— Sim, mãe, e eu devo tudo isso a você. Eu quero que meu irmão tenha orgulho de mim quando ele chegar, então eu vou desafiá-lo para uma luta! — ele dizia e Asuka via em seus olhos o mesmo fogo que via em seu irmão quando mais novo.

O que antes era uma empolgação mútua, virou aflição para a mulher. Ela coloca então as mãos sobre seu coração, enquanto seus olhos tremem em preocupação, sua postura se fecha. Ray percebe isso, mas entende o porquê. Ela não quer que o seu filho caçula siga o caminho de seu primeiro filho e, possivelmente, o de seu pai.

— Mãe... eu... — antes de terminar, sua mãe o interrompe.

— Não precisa dizer mais nada. — ela abre um sorriso com os olhos fechados, depois coloca pra trás seu cabelo castanho(que vai até o meio das suas costas) e sai do cômodo.

Isso é um assunto que já foi tocado e discutido entre os dois muitas vezes. Além dos perigos da vida de Tsuri, Asuka aparenta ter um receio que ultrapassa esse fato, embora tente não mostrar. Ela sente que ele pode ser morto pelas mesmas pessoas que caçaram o pai dele.

Alguns instantes depois, Ray desce para tomar o café com sua mãe na sala. Como seu quarto, todo o resto da casa era estruturado em madeira pura. Na mesa, ambos começam a comer sem soltar uma palavra para o outro. Asuka é a primeira a quebrar o gelo.

— Depois que terminar de comer, preciso que vá até a Floresta Nobugawa pra mim. Vou precisar de lenha para o grande almoço. Pode fazer isso por mim?

— Posso sim, mãe...

Alguns minutos depois e terminam de comer, o clima ainda está tenso. O menino então se dirige até a tal floresta, que fica ao sul de Eldor. Não é muito longe para ele, já que o mesmo mora próximo á entrada da província.

A tal floresta é singular por diversos motivos, primeiramente pelos seus animais, já que são todos maiores que o normal. Um texugo de Nobugawa tem dois metros de altura, os outros animais são ainda maiores. Uns vinte minutos andando pela estrada de terra exterior a Eldor já é o suficiente para que Ray entre na tal.

Andando um pouco já dentro, ele consegue ouvir alguns gritos de criança, aparentemente sendo surrada. Quase que instantaneamente, Ray corre em direção da origem do som. Ao chegar perto, consegue ver três dos garotos mais valentões de sua vizinhança: Narbor, Arug e Merú. Ambos são três anos mais velhos.

— Essa é por você ter desafiado a gente! — Arug, o mais forte, dá mais um soco no rosto do garoto que já está completamente machucado, sendo segurado pelos outros dois.

Ray entra em choque. Enquanto se esconde atrás de uma árvore, assiste a toda tortura cerrando seus punhos, irado. Ao mesmo tempo, ele conhece os três garotos e já teve problema com os mesmos antes. Ele sabe que o que pode acontecer se intervir é exatamente nada, pois ele não é forte o suficiente pra confrontar um deles, quem dirá três.

Um conflito paira sobre sua mente: seguir a coragem, independente do resultado ou ignorar a cena e evitar ser visto, para não acabar no mesmo fim. Mesmo corajoso, ele treme perante o que sabe que não pode enfrentar.

Notas finais
A dúvida entre a razão e a emoção. Que lado o jovem decidirá? Se quer saber, não deixe de acompanhar. O próximo capítulo será postado no sábado(4 de Março). Não perca!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.