Hihijo

2 Capítulo 2


Os dois lobos assistiam ao pôr do sol. Um era grande e colorido, com uma mistura de cores que se fundiam ao longo das suas costas e cauda, tão diversificadas quanto um arco-íris, e a outra loba, um pouco menor e mais bela, com pelos prateados que se tornavam vermelhos em suas pontas. Sentados numa colina, estavam absortos em seus próprios pensamentos e razões. A luz que recaía sobre eles de forma morna e relaxante, contribuindo ainda mais para a plenitude do momento. O vento era constante ali, sempre junto a eles.

O lobo colorido, após ponderar por um momento, decidiu que era seguro falar o que tanto queria já fazia algum tempo:

– Hihijo, acho que estou apaixonado.

A loba encarou-o, um pouco surpresa.

– É mesmo?

– Sim.

– Por quem?

– Pelo vento.

Ela riu.

– Não me surpreendo. Por quê?

Ele hesitou um pouco, remoendo as palavras dentro de si antes de ordená-las para fora.

– Sabe... – Começou. – É porque o vento é tudo o que não é. É o toque de alguém ausente, o abraço de quem está longe, o beijo quente do sol. Cada brisa é um lembrete de que não estou sozinho. Cada movimento no vento é a reminiscência de um passado que ainda dura. Cada toque do vento é a presença da ausência.

Voltaram a ficar em silêncio, apenas o sol se pondo entre eles. O olhar da loba percorreu o vale ao redor deles, repleto de verde e de vida. Alguns pássaros cantavam ao longe, e o som irritante dos insetos começava a ganhar mais força. Ela notou um par de lebres correndo entre duas árvores, e pensou em caça-las mais tarde. Isso sempre a animava.

– Você é muito poético em tudo o que faz e diz, Rubião. Acho isso uma qualidade muito única, só sua. E isso é muito lindo.

As cores do lobo se agitaram, enrubescendo. Ela riu mais uma vez, e então, a noite finalmente caiu. Não disseram mais nada. Os três se sentiram muito bem naquele silêncio; Rubião, Hihijo e o vento.