Higure Kaminari

14 O Exame Chuunin. Eu vou ser Shinobi!


Notas iniciais
A primeiríssima fase do exame chuunin! >.

Eu arrumava minhas coisas dentro do quarto para irmos para Konoha. Como Tsuki disse, no mês seguinte as inscrições para o exame chuunin abriram. Eu corri para me inscrever, e fui na casa de Gamira e Mitsuri para buscá-los e irem comigo. O time de Tsuki estava lá. Ela ficou corada quando viu Gamira. Como ela tinha dito, ao se inscreveram, ela ficou receosa com o exame. Nos avisaram que deveríamos ir para Konoha entregar as inscrições.

Temari entrou no quarto.

– Yuki, sua sensei já está lá embaixo.

– Hai! – Sorri pondo a mochila nas costas.

Fomos para a sala.

– Ne, ne minna? Vocês vão me ver na fase final ne?

– Você está muito confiante. – Kankuro disse rindo.

– Ué? É difícil?

Eles se entreolharam. Já me contaram uma vez que quando foi a vez deles, houve um ataque a Konoha e que eles participaram desse ataque. Bati tanto na cabeça que Kankuro que quase o machuquei. Eles disseram que depois se aliaram a Konoha.

– Ano... – Temari pensava – Não é muito fácil.

– Hum... Como é?

– Não sei se vai adiantar a gente contar, eles mudam algumas coisas de vez em quando. – Kankuro disse.

– Ah...

Ouvimos um assobio. Olhei pela janela, era Yomi-sensei. Corri para a porta, mas Gaara me chamou saindo e fechando a porta atrás dele.

– Nani Gaara? – Sorri.

– Tome cuidado. – Ele disse olhando nos meus olhos.

– Nande?

Ele pôs a mão na minha bochecha e a acariciou. Corei.

– Só tome cuidado. Fique de olho em tudo e em todos na segunda fase.

Ele me puxou e me abraçou com o braço em volta da minha cintura.

– Ne, Gaara?

– Hum?

– Eu estou com vergonha.

Ele sorriu e encaixou seu rosto no meu pescoço. Corei mais e apertei os olhos.

– Gomen. – Ele disse.

Quando levantou o rosto, ficou bem próximo do meu. Senti sua respiração quente.

– Ganbatte. – Ele disse suavemente.

– Hai... – Eu disse, encolhida.

...

Três dias depois estávamos em Konoha. Nos hospedamos e nos preparamos. Gamira estava calmo como sempre, Mitsuri se preparava mentalmente, ele estava nervoso. Eu não sabia o que pensar e nem como classificar o que estava sentindo. Eu parecia estar calma, confiante. E nem sei por quê!

No dia seguinte Yomi-sensei não nos acompanhou, ela disse que deveríamos entregar nossas inscrições na academia. Fomos sozinhos e nos deparamos com uma pequena briga para entrar na sala onde deveria ser entregue as inscrições.

Dois garotos discutindo, um impedindo o outro de entrar. Pus as mãos nos bolsos e caminhei em direção à porta.

– Oe, Yuki. – Mitsuri chamou.

– Nani? – Disse séria. Ele ficou surpreso com minha expressão.

– O que vai fazer?

– Você vai ver.

Fui até os garotos e passei por eles, indo até a porta. Quando toquei na maçaneta o que começou a briga me impediu, pondo a mão no meu ombro.

– O que você pensa que está fazendo?

– Entregando minha inscrição.

– Eu disse que não vão entrar. Está surda? Vocês são fracos pra esse exame.

– Eu não estava aqui quando falou.

– Mas agora já sabe. Saia. – Ele me puxou pelo ombro.

Firmei o pé no chão e apertei a maçaneta, quase a quebrando. Olhei nos olhos do garoto. Minhas pupilas se contraíram ao máximo e se via claramente a cor dos meus olhos.

– Sumimasen, – Eu disse – tire a mão do meu ombro.

Mitsuri arregalou os olhos, nunca me vira daquele jeito. Gamira por incrível que pareça, também ficou surpreso. O garoto que me segurava me largou assustado e me deixou entrar. Abri a porta e entrei, olhei para trás e os dois vieram comigo. Todos ficaram nos olhando, se perguntando quem eu era.

Eu não sabia, mas o garoto era um instrutor disfarçado. Outro, também disfarçado, se aproximou dele.

– Quem é aquela garota?

– Não faço ideia, mas ela me deixou assustado.

O outro riu.

– A bandana dela é de Sunagakure.

– Então ela deve tornar esse exame interessante. – Ele sorriu nos fitando sair da sala.

Pouquíssimos dias depois voltamos para a academia. Yomi-sensei nos deixou na porta da sala depois de uma breve conversa dizendo que era escolha de cada um decidir se iria fazer o exame ou não. Mitsuri logo a cortou dizendo que se estávamos lá era porque os três queriam fazer o exame. Ela sorriu para nós e nos deu boa sorte. Yomi-sensei ficou me fitando, ela sabia que eu me sairia bem. Aperfeiçoei bastante minha técnica e melhorei ainda mais minhas habilidades durante o mês passado. Além de ter descoberto outra coisa sobre mim. Poder virar lobo não seria em vão. Ela sorriu em minha direção, mesmo eu estando de costas.

Entramos na grande sala e me deparei com dezenas de times. Arregalamos os olhos, surpresos. Quantos genins estavam ali!

– Oe, Yuki-chan! – Tsuki se aproximou.

– Oh, Tsuki! – Sorri.

Ela me abraçou.

– Todos estão aqui?

– Hai! – Ela sorriu – Turi deve estar com o time no meio das pessoas, e Matsuri está logo ali com o time dela.

– Que bom! – Sorri.

– Ne, ne. Tem muita gente. O que você acha?

– Vai ser mole.

Mitsuri revirou os olhos e fez bico.

– Mas tem alguns que são mais velhos. – Ela disse.

– Mesmo sendo mais velhos – Gamira chegou perto – há uma boa porcentagem de cometerem os mesmos erros dos seus exames anteriores, já que tem uma razão para eles serem mais velhos e estarem prestando o exame.

Tsuki corou. Olhou para o lado sorrindo gentilmente, Gamira olhou para ela, curioso.

– Arigatou, Gamira-kun.

– Hum? – Ele a fitou – Gamira.

Ela o olhou, admirada.

– Hai! – Sorriu.

– OE!

Alguém gritou na frente da sala, surgindo no meio de uma grande fumaça.

– Fiquem calados.

Um homem com cicatriz no rosto apareceu, com mais alguns jounins atrás dele.

– Ne... – Sua voz era grave e intimidadora – Eu sou Morino Ibiki. O inspetor da primeira fase do exame chuunin.

Todos o encararam, tensos.

...

Morino-san nos mandou pegar números na frente da sala e sentar nos lugares que os números indicavam, pois o teste escrito começaria. Fiquei pasma, por que um teste escrito?! Mitsuri ficou ainda pior. Gamira não demonstrou emoção. Por que o trio não me contou dessa emboscada?!

Nos sentamos, os papéis com lápis e borracha já estavam a nossa frente. Nós três ficamos longe uns dos outros. Eu estava quase no fundo, Mitsuri há quatro lugares a minha frente e Gamira na outra fileira do outro lado da sala.

O instrutor disse que começaríamos a prova com um total de dez pontos, sendo o número das questões dez também. A cada pergunta que errássemos os pontos diminuiriam. Além de ter inspetores espalhados pela sala, nos vigiando para que não colássemos. Se eles nos pegassem nós perderíamos dois pontos a cada tentativa. Ele também disse que a decisão de serem aprovados seria pela pontuação total do time. Naquele momento Mitsuri enlouqueceu em seu lugar. Ele era péssimo! Abaixou a cabeça, com as mãos nela. E piorou quando Morino-san disse que o time seria eliminado se um tirasse zero. Eu me desesperei naquele momento!

– Então... – Ibiki-san disse – Se colarem descuidadamente se machucarão. Se for um shiboni, seja o melhor. Vocês tem uma hora. Comecem!

“Hai, hai... Estou ferrada...!”, pensava.

Peguei a prova pondo o lápis na boca. Arregalei os olhos, o nível das questões era absurdo! Eu não sabia nada! Olhei para Gamira, ele parecia estar se dando bem. Mitsuri estava parado, também não fazia nada. Olhei para as regras no quadro. Que absurdo! Não havia como fazer aquilo sem colar!

Olhei para os instrutores, um deles sorriu debochadamente pra mim. O fitei pelo canto do olho.

“Se colar perde dois pontos a cada tentativa”, pensava, “Por quê? Por quê?”. Mordi o lápis. Arregalei os olhos, tentando disfarçar o mais rápido que pude. Era para colar! Na hora que percebi, vi uma garota fazendo selos com as mãos no outro lado da sala. Olhei para o lado e vi um dos instrutores a olhando e anotando na prancheta. Ele a pegou!

“É isso!”, entendi! “... Se colarem descuidadamente... Seja o melhor.”, pensava. “É isso, bakayuki! Colar!”, sorri maliciosamente e confiante.

Um dos instrutores, o que estava disfarçado no dia da inscrição na academia me fitou sorrindo. “Então... Ela descobriu... Hum... Garota esperta. Ganbatte, então.”, ele pensou.

Eu não tinha os olhos de Neji-kun e nem outro jutsu discreto, só me restava o que eu descobri. Fechei os olhos por uns instantes e quando os abri, deixei-os meio abertos para que ninguém percebesse. Minhas pupilas se contraíram de novo. Abaixei levemente a cabeça, olhando para a prova. Se eles queriam que colássemos, alguém estaria com as respostas no meio dos genins. Me concentrei na pessoa atrás de mim, no som do lápis enquanto ela escrevia.

Já fizera esse teste antes em casa. Independente de estar com minhas orelhas de lobo, eu tinha uma audição bem sensível quando queria. Olhava para a folha fixamente e escrevia de acordo com os sons que capitava. O ritmo, o tempo enquanto ela escrevia e o número de toques que fazia.

– Hum... Arigatou, ne. – Murmurei.

“O que ela está fazendo?”, o instrutor de antes pensava, “Interessante mesmo...”, ele sorriu.

Faltava apenas uma pergunta, olhei para Gamira, ele pensava. Já devia ter terminado. Mitsuri ainda estava parado, faltava apenas 15 minutos.

“Baka!”, pensei, “Se ele falhar, a gente se ferra. Yomi-sensei disse que devíamos trabalhar em equipe. Só me resta isso!”.

Continuei a escrever e abaixei um dos braços. Ele estava há quatro lugares a minha frente. Bom... Ativei o raiton na mão e fiz com que os raios fossem até ele. Subiram discretamente sua cadeira, em uma linha quase imperceptível e chegaram até a folha dele. Ele parou de se tremer, vi que percebeu o que eu planejava quando virou discretamente a cabeça para me olhar. Fiquei séria, ele se endireitou. Olhava para minhas respostas e fazia os raios tomarem a forma das palavras. Mitsuri copiava. Respirei aliviada quando ele acabou. Pronto...

– Então... – Morino-san disse – Esqueci de dizer algo. Haverá uma questão extra que deverão responder.

Todos o olharam, paralisados.

– Uma questão oral para todos.

– Nani?! – Alguém gritou – Não estava nas regras! Ninguém avisou isso!

– Calado! Eu decido! – Ele disse – A questão será respondida agora. Oral e surpresa. – Ele sorriu.

Todos arregalaram os olhos.

– A questão é “o quanto estão dispostos a se tornar shinobi”, e por quê?

“Hum... Não deve ser difícil.”, pensei.

– Porém... Eu decidirei se a resposta será aprovada ou não.

“Nani...? Nande...?”, pensava. Eu tremia e suava frio. Gamira olhou para mim, estávamos perdidos.

– Se quiserem desistir agora, saiam pela porta. Porém todo o time será desclassificado. Mas tenham em mente... Que se ficarem, e eu reprovar a resposta, o time deixará de ser genin e não poderão se tornar shinobi. Nunca.

Deixei escapar o ar, nervosa. Abaixei a cabeça com raiva e apertei as mãos, acabei quebrando o lápis. Naquele momento várias pessoas desistiram. Tentariam na próxima vez. A sala ficou quase vazia.

– Bakay... arô. – Rangi os dentes.

– Hã! O que você disse? – Morino-san disse – Você! Cabelo branco!

Mitsuri e Gamira olharam para mim.

“Não fala nada, idiota...”, Mitsuri suava.

– Quem...

Morino-san me fitava.

– Quem você pensa que é! – O fuzilei.

Ele cruzou os braços.

– As regras são essas.

– Não interessa! – Levantei batendo as mãos na mesa – Quem você pensa que é para determinar as nossas respostas! Cada um tem um motivo aqui! Seja pra lutar, virar um kage ou simplesmente por não saber fazer outra coisa!

Tsuki olhou para trás, surpresa. Ela ainda estava lá, assim como Matsuri e Turi. Ibiki-san ainda me fitava.

– Eu vou me tornar shinobi! Não importa sua aprovação! – Gritei.

Morino-san me olhou, sem expressão. Todos os instrutores me fitavam com os olhos arregalados. Eu rangia os dentes e tentava me controlar para não deixar os dentes de lobo aparecer. Ibiki-san começou a rir. Cada vez mais alto. Parei e o olhei, sem entender nada.

– Bakayarô! – Ele disse olhando por toda a sala. Sorriu – Vocês aqui presentes. Estão aprovados!

– Nani??? – Todos disseram.

Caí sentada na cadeira, não acreditava naquilo. O que aquele maluco pensou? Respirava tentando me acalmar, tentando acreditar naquilo. E no que eu havia feito!

Morino-san ria sem parar. Ninguém entendia.

– Não era pra valer a questão oral. As questões escritas eram para coleta de informações. Testar suas habilidades, se preferirem. A questão oral era para pressão psicológica.

Eu estava pasma, olhando para ele. De repente uma mulher entrou pela janela gritando.

– Arrá! Não comemorem, pivetes! Eu sou Mitarashi Anko, a segunda instrutora! E agora começaremos a segunda fase do exame chuunin!

Todos a olharam. Ela parecia ser pior que Yomi-sensei. Abaixei a cabeça, batendo-a na mesa. Comecei a sorrir. Os meninos sorriram ao me olhar.

– Ne, Ibiki. 84? Você facilita a cada ano... – Ela resmungou.

Morino-san fez cara de tédio. Mitarashi-san nos dispensou e mandou que voltássemos amanhã para irmos para o local da segunda fase.

Quando voltávamos Mitsure me encarava indiscretamente.

– Nani? – Perguntei.

– Você é retardada.

– Que?

– Está surda? Você podia ter ferrado todo mundo! – Ele reclamou.

– Mas a gente passou. – Dei de ombros.

– Você é tão impulsiva! – Ele reclamava.

Gamira não dizia nada, apenas ouvia.

– Cala a boca, Mitsuri! – Me irritei – Falei aquilo porque estou cansada de me perguntarem meus motivos para querer ser shinobi. E eu não ia deixar, ainda por cima, um ninja desconhecido decidir se o meu motivo era válido ou não!

Ele me olhou, surpreso. Logo entendeu. Gamira sorriu, com as mãos juntas na cabeça.

– Baka... – Reclamei.

– Run... – Ele resmungou.