Higure Kaminari

19 Higure Kaminari 1.6!


Notas iniciais
Aqui está meus lindos! Eles cresceram e vão rolar muitas e muitas tretas a partir de agora. Amor, amizade, lealdade, o que é certo, escolhas, desejos e muitas coisas! Espero que gostem desse primeiro capítulo deles com 16/17 anos. É nessa fase que todas as respostas serão respondidas! >.< Beijos, beijos e até o próximo capítulo! s2s2s2s2

Nee, em três anos muitas coisas podem mudar. Então ne... Todos cresceram!

Temarinee-chan se tornou embaixadora da vila e guarda-costas do Kazekage. Ela ficou bem mais alta e bonita. Kankuro também se tornou guarda-costas do Kazekage, além de ser Capitação da divisão de ataque surpresa. Ele também ficou mais alto e mesmo as meninas dizendo que ele ficara bonito, eu ainda o achava o mesmo bakanii-san de sempre. E... Gaara. Hihi. Gaara ficou bonito e alto, seu cabelo cresceu um pouco. Ele se tornou o Kazegake! Isso depois de estabelecer aliança com Konoha de fato. Minha vergonha por ele cresceu mais ainda quando as garotas começaram a reparar no “Kazekage-sama”. Sempre que ele falava comigo, logo depois que se afastava, eu suspirava profundamente. Eu acho que... Não. É óbvio que eu gosto dele!

Eu também mudei! E ainda estranho isso um pouco, principalmente pela parte dos seios. Temari disse que é normal, o que me deixou aliviada. Eles estão maiores do que antes e eu fiquei um pouco mais alta, porém ainda mais baixa que Gaara. O que também era estranho, já que sempre fomos do mesmo tamanho. Agora ele me enxergava de cima, o que é um pouco frustrante, e eu de frente para ele enxergo sua boca. Minha cintura afinou, meu quadril aumentou um pouco, assim como minhas coxas. Além de eu ter deixado o cabelo crescer e conseguir trançar a fita vermelha na mecha até minha cintura.

Mas foi realmente estranho as coisas mudarem. E continuarem mudando sempre... Hum... Chato!

...

Eu estava no meu quarto. Ganhei meu próprio quarto não havia muito tempo, fiquei muito feliz pelo presente! Tinha acabado de voltar de uma missão e acabara de tomar banho, ainda suspirando por estar um pouco cansada. Peguei uma roupa limpa e pus na cama. Larguei a toalha em que estava enrolada e vesti a calcinha. Quando colocava o sutiã e o prendia atrás, a porta do quarto se abriu. Era Gaara.

– Ano, Yuki, você entregou o relatório, cer... To? – Ele me viu.

– Hum!

Paralisei de lado com as mãos para trás. Ele estava com os olhos arregalados, corado e eu de boca tremendo e o rosto completamente vermelho. Não acreditava que aquilo estava acontecendo! Ficamos parados nos encarando, paralisados.

– Hum! – Despertei e gaguejava.

– Ahm... – Ele não sabia o que dizer.

– I... IÁÁÁÁÁ!!!! – Gritei pegando um travesseiro e jogando nele.

Gaara caiu pra trás, fora do quarto. Tranquei a porta enquanto ele estava paralisado, sentado no corredor.

– Baka, baka Gaara! – Gritava de dentro do quarto – Só porque é Kazegake não significa que pode entrar assim no quarto!

Ele olhava estático para a porta. Temari apareceu no corredor por causa dos gritos.

– Hã? Nani?

Ele virou lentamente a cabeça. Ainda estava corado. Temari bufou, porém rindo.

– Aiai, ela cresceu, Gaara. – Ela sorria balançando a cabeça.

Ele a olhava e depois olhava para a porta.

Eu estava agachada e traumatizada ao lado da cama com as mãos na cabeça. “Não acredito que ele me viu assim...”, gemia balançando a cabeça.

No jantar eu sentei de frente para ele. Não o olhava nos olhos, não conseguia! Kankuro nos olhava consecutivamente e começou a rir cada vez mais alto. O baka sabia!

– Ele te viu de sutiã! – Ele gargalhava.

– Oe, Kankuro! – Temari o recriminou.

Eu me encolhi com a tigela e os hashis na mão, emburrada e vermelha. Abaixei a cabeça, minha franja tampou meus olhos. Kankuro ria do meu lado. Estiquei o braço em sua direção, empurrando-o. Ele caiu no chão num estrondo.

– Oe, baka!

O encarei com raiva. Fiz alguns raios estalarem enquanto o fitava, furiosa.

– Hum! – Ele tremeu pondo a mão na frente de si.

Levantou e se sentou à mesa novamente, comendo em silêncio. Voltei a comer de cabeça baixa. Temari me olhava e olhava para Gaara, abaixou a cabeça dando um sorriso discreto. De relance olhei para Gaara e ele estava me olhando. Engoli em seco, fiquei o fitando sem parar. Aquela expressão de nada e ao mesmo tempo de curiosidade me deixava nervosa. Eu nunca sabia o que ele pensava! Corei de repente e comecei a comer rápido, quase enfiando o rosto dentro da tigela.

– Terminei! – Exclamei nervosa levantando e correndo para a cozinha.

Eles me fitaram, confusos. Mas Temari sabia o que era. Gaara apoiou o rosto na mão, olhando a tigela.

– Nani? – Kankuro perguntou.

– Hum, nada. – Ele disse se levantando – Terminei.

Foi para a cozinha com a tigela. Kankuro o fitava até sumir de vista.

– Hum... – Resmungou – O que esses dois têm?

Ele virou para Temari, que estava com cara de tédio.

– Baaaka.

Uma gota de suor desceu de sua cabeça, ele não entendeu mesmo!

Eu lavava a tigela na cozinha. Quando a sequei e pus ao lado na pia uma mão pôs outra próxima a mim.

– O que houve? – Gaara perguntou.

Virei assustada, ele estava muito perto de mim.

– Gomen... Por hoje mais cedo. – Ele disse calmamente me olhando com aqueles olhos.

– H-Hai... – Disse de cabeça baixa.

Ele pôs a mão gentilmente em minha bochecha e levantou meu rosto. Arregalei os olhos e corei levemente ao perceber que ele aproximava o rosto do meu. Meus olhos estavam meio abertos, quase se fechando assim como os dele. Eu estava extasiada, mas minha vergonha foi maior.

Recuei para o lado e andei apressada para o corredor.

– Ano! Hum... Melhor eu dormir ne? Boa noite. – Disse já correndo.

Ele me fitou. Fechei a porta do quarto e apoiei as costas nela escorregando devagar, pondo as mãos na cabeça.

“Nan...de? Nande?”, pensava corada. Ele tentou mesmo me beijar?

...

Eu passeava pela vila quando Mitsuri apareceu na minha frente do nada.

– Oe, baka! Entregou o relatório?

– Hai. – Disse com cara de tédio.

– Hum? O que foi?

O encarava irritada. Não sei por que, mas Mitsuri começou a me irritar cada vez mais enquanto crescíamos. Ele ficou mais alto, o cabelo cresceu e seu ego também! Começou com perguntas e comentários estranhos. “Ne, quer sair comigo?”, “Você está bonita.”, “Você gosta do Gaara?”, “Ele gosta de você?”, “Se ele não quiser ficar com você, eu fico. Vou te tratar bem.”. E eu lá sou alguma “coisa” pra eles “ficaram” comigo?!

– Baka. – Eu disse no nada com cara de tédio.

– Hã?! Nani?! Você está doida? Falando essas coisas do nada! – Ele me deu um peteleco no meu nariz.

– Nyah! BAKA! – Deu um soco nele com a mão no nariz.

Ele parou longe levantando poeira. Gamira apareceu lendo um livro. Olhou para a situação.

– Hum. Baka. – Ele disse a Mitsuri – Ela ficou mais forte. Não devia fazer isso.

– Runn... – Mitsuri resmungava levantando – Eu não fiz nada.

Eu ri para Gamira, ele sorriu. Mitsuri e ele, devo admitir, ficaram bonitos. Mitsuri com seu ego bem inflado e Gamira com sua inteligência. O cabelo dele cresceu mais, mas ele o cortou curto. Todas as garotas ficariam atrás de Gamira se Tsuki não estivesse namorando ele. É! Eles acabaram ficando juntos mesmo. Ela deixou o cabelo crescer um pouco e usava uma presilha vermelha para prender a franja. Tsuki ficou bem bonita, principalmente com os olhos de gato dela.

– Ela é maluca! – Mitsuri disse.

– Mas também! Esqueceu o que você faz sempre?

– Hum?

Gamira o olhou com cara de tédio.

– Baka.

– Gamira! – Tsuki corria em nossa direção sorrindo.

Parou do lado de Gamira e beijou sua bochecha.

– Ohayô.

– Ohayô. – Gamira sorriu.

Só do lado dela mesmo ele sorri! Eu ri baixinho.

– Yuki-chan.

– Hai. – Sorri.

– Gaara-sama está procurando você.

– Hã? – Corei. Imaginei que seria para falar da noite anterior.

– Acho que é sobre uma missão. Ele está na sala dele.

– Ah... – Dei risada aliviada.

Mitsuri me olhou desconfiado.

– Run!

– Que? – Olhei para ele, emburrada.

– Você ficou vermelha. – Ele disse emburrado.

– Não fiquei não. – Disse virando o rosto e cruzando os braços.

– Ficou sim.

– Não fiquei! – Exclamei de costas pra ele.

Ele se aproximou de mim.

– Ficou. – Disse calmo.

– Não...! – Disse virando e dando de cara com ele perto de mim.

Levantei a cabeça lentamente. Ele me olhava de cima, sério. Corei por estar tão perto. Mitsuri pôs o dedo na minha testa.

– Fica bonita quando cora.

Engasguei com as palavras, não sabia o que dizer. Ele me olhava como se me deslumbrasse. Baaaka!!!

– Pare com isso, baka! – O empurrei e saí correndo.

Os três viam eu me distanciar.

– Ahhh, Mitsuri. – Tsuki reprovou – Não devia fazer isso. Você sabe que ela gosta do Gaara-sama.

– Mas eles não estão juntos. Ela nem disse que gosta dele. – Ele disse com as mãos nos bolsos olhando para a direção que eu fui.

– Mas você sabe. Todo mundo sabe.

– Eu gosto dela. E ela não confirma que gosta dele.

– Mas não nega. – Gamira disse – E você é um abusado.

Mitsuri o olhou com cara de tédio.

– Só vou desistir dela se ela disser que gosta mesmo dele ou se aparecer alguém que eu goste mais que ela. – Ele dizia, confiante.

– Baaaaka. – Os dois disseram em coro.

...

Fui para o prédio do Kazekage e andava pelo corredor. Os Jounins do Conselho passavam por mim. Fiz uma pequena reverência para eles. Baki-san agora fazia parte do conselho e passou logo a frente de Dakura-san. Ele esbarrou propositalmente em mim. O fuzilei, ele ainda me odiava. Assim como eu em relação a ele!

Bati levemente na porta da sala do Kazekage e esperei. Ele me deixou entrar. Fechei a porta e me virei devagar para Gaara. Ele estava sentado na cadeira com a roupa de Kazekage.

– Hum... Hai. Tsuki disse que estava me procurando.

– Hum. – Ele assentiu.

Gaara ficava ainda mais sério como Kazekage, mas mesmo assim aquilo me deixava extasiada.

Ele pegou alguns papéis.

– É sobre uma missão no País do Trovão.

– Do Trovão? – Me lembrei dos lobos.

– Hai. Mas não se preocupe.

– Hum, hai.

Soka! Ele havia mandado tempos atrás vários shinobis investigarem os arredores de onde me atacaram. Não acharam os lobos e nem rastros deles.

– Leve seu time. Rank B. Uma escolta de uma princesa para a cidade do futuro marido.

– Hai.

– Precisa ir hoje. Seus pontos das missões estão ótimos. Só essa e você pode se tornar uma Jounin.

Abri um sorriso e me inclinei um pouco para frente.

– Sério?!

Ele assentiu com a cabeça, sorrindo pra mim. Olhei para aquele sorriso gentil e me lembrei da noite anterior, corando levemente.

– Ano...! – Me endireitei – Gaara-sama...

– Gaara.

– Hum?

– Não precisa ser tão formal.

– Mas... Você está como Kazekage.

Ele olhou nos meus olhos.

– Pra você eu sou eu. – Sorriu.

– Hum... – Corei e olhei para baixo. Juntei as mãos – Eu queria saber... Ano... Hum...

Ele prestava atenção. Quando surgiu coragem e eu abri a boca, bateram na porta. Ele olhou.

– Hai.

Um Jounin entrou.

– Kazekage-sama, é sobre a divisão de defesa.

– Hum. – Ele assentiu e voltou a olhar para mim – O que ia falar?

– Hum... – Gaguejei nas palavras, perdi a coragem – Nada não! – Forcei uma risada pondo a mão atrás da cabeça – Nee, – Li o papel – Em duas semanas eu volto. – Sorri, tombando a cabeça.

– Hum. – Ele assentiu.

– Ja ne.

Fiz uma reverência rápida e me virei fazendo o mesmo para o jounin. Saí. Gaara me observava. Saí do prédio do Kazekage e corri para encontrar os meninos.

...

Depois de falar com Gamira e Mitsuri, fui para casa arrumar minhas coisas. Me despedi dos três, voltaria em duas semanas.

Chegando na saída da vila, vi Tsuki se despedindo de Gamira, e Mitsuri estava com cara de tédio.

– Ah! Finalmente! – Ele disse – Se demorasse mais eu teria que assistir a esses dois se beijando.

Gamira fez cara de tédio.

– Você que faria isso na frente dos outros. Cara de pau.

Tsuki e eu rimos. Nos despedimos dela e saímos da vila.

A missão era: ir para o País da Chuva e escoltar a princesa até o País do Trovão para seu casamento. No total uma semana até o País do Trovão. Nossa viagem até a princesa foi calma. O problema foi enquanto a escoltávamos. Ladrões, sequestradores, rivais. O pai dela era muito rico e achavam que a sequestrando iriam tirar muito dinheiro dele. Foi fácil derrota-los!

O casamento seria arranjado. Fiquei meio triste por ela, não saberia se conseguiria fazer algo desse tipo se estivesse em seu lugar.

Mitsuri estava atrás dos guardas, Gamira à frente e eu ao lado dela, que estava na carruagem. Uma jovem bonita de cabelo e olhos escuros.

– Ano... Yuki-san? – Ela me chamou. Sua voz era boa de ouvir, gentil e suave.

– Hai. – Sorri.

– Hum, como é Sunagakure?

– Bem... Tem muita areia. – Eu ri.

Ela riu fraco, acho que pela educação que teve.

– Mas... – Continuei – Eu gosto de ver o pôr do sol às vezes em cima do muro da cidade. É maravilhoso vê-lo desaparecer no horizonte, logo atrás das dunas de areia.

Ela me olhava sorrindo, devia estar imaginando como era.

– Deve ser bonito. – Ela abaixou a cabeça sorrindo levemente.

– Mas...! Hime-sama...

– Hana.

– Hum?

– Meu nome é Hana. – Ela sorriu para mim – Não precisa ser tão formal.

– Hum. – Assenti – No País do Trovão também deve ser maravilhoso o pôr do sol.

– Também acho.

– Hime-sa... Hana-san nunca foi lá?

– Não.

– Não conhece seu futuro marido? – Me espantei.

– Conheço. Ele foi me visitar uma vez para não ser tão... Estranho. – Ela disse dando uma leve risada – Ele é bem bonito. Mas...

– “Mas”?

Ela ficou cabisbaixa.

– Tenho receio de não nos darmos bem.

Vi seus olhos, ela parecia bem triste.

– Hana-san está preocupada com... Amor?

– Devo dizer que sim. – Ela disse ainda de cabeça baixa.

– Hime-sama.

Ela me olhou.

– Não se preocupe. – Eu disse – O amor não surge do nada. Eu acho que ele é construído.

– Construído?

– Hai. – Sorri.

Comecei a fazer pequenas imagens com os raios em minhas mãos.

– A gente conhece a pessoa, – Fiz duas silhuetas – convive com ela, se afeiçoa a ela. – Fiz as silhuetas se abraçarem – Depois se apaixona e logo depois disso acontece o amor. – Fiz as silhuetas se beijarem – Como o desabrochar de uma flor. – Fiz uma flor no fim.

Ela olhava deslumbrada. Sorriu e deu uma leve risada.

– Hum? – Não entendi.

– Yuki-san parece estar apaixonada.

– Etto... – Cocei a bochecha, corada.

Ela sorriu.

– Yuki-san tem sorte.

– Hum? Nande?

– Soka... – Ela pensava – Amar deve ser bom. Pelo que Okaasan disse: amar é querer estar com a pessoa, apreciar seu abraço e até sua respiração. É você desejar o bem da pessoa e querer sua proteção.

Prestava atenção naquelas palavras, admirada.

– Nee... – Sorri com a cabeça baixa – Então eu acho que estou mesmo apaixonada.

Ela olhou para mim e sorriu, alegre. Olhei para o céu e ri gentilmente. Naquele momento quis estar com Gaara.

Mitsuri me observava sem que eu percebesse. Abaixou a cabeça, chateado.

...

O restante da viagem foi seguro e chegamos à cidade do príncipe. Hana-san estava nervosa, mas acho que era algo positivo. Já que ela suspirava sorrindo.

Nós a acompanhamos até o palácio. Nos ajoelhamos na frente do príncipe ao chegarmos ao grande salão. Continuamos ajoelhados enquanto Hana-san se levantava depois sua reverência delicada. O príncipe se levantou e os empregados pareciam ter ficado surpresos. Ele foi até ela e beijou sua mão carinhosamente.

Se aproximou de nós três com ela ao seu lado, sorrindo alegre.

– Se levantem, por favor. – Sua voz era gentil, mas firme.

Nos levantamos. Ele fez uma reverência para nós, o que me deixou surpresa. Se endireitou em seguida.

– Arigatou. Trouxeram minha princesa em segura e eu serei grato pelo resto da vida.

– Foi uma honra. – Gamira disse.

– Hai. – Mitsuri e eu dissemos em coro. Eu sorria.

O jeito como o príncipe se referia a princesa para nós, enquanto agradecia, e o modo que a olhava, parecia demonstrar que ele gostava dela de verdade. Fiquei muito feliz por ela. Não precisava mais se preocupar.

Descansamos e fomos embora no dia seguinte. Me despedi de Hana-san com um largo sorriso e ela com um sorriso gentil.

Estávamos na estrada, voltando para casa.

– Ne, Yuki. – Mitsuri disse.

– Hum.

– Você ama do Gaara...-sama?

– HÃ?! – Arregalei os olhos para ele.

Até Gamira ficou nervosa e confuso com aquela pergunta vinda do nada.

– De onde veio essa pergunta?!

– Responde. Eu perguntei primeiro.

Corei.

– Não importa quem perguntou primeiro! Isso não é pergunta que se faça!

– Baka! – Ele me deu língua.

– Hum! Baka é você! – Apontei para ele.

Paramos. Gamira olhava aquela cena, querendo muito sair dali. Mitsuri agarrou meu braço e me puxou para perto dele de repente. Nossos corpos quase se chocaram. Olhei para ele e corei, nervosa. Ele abaixou um pouco, até minha orelha. A franja tampava seus olhos.

– Só... Me diga. Diga que gosta dele, que ama ele. Eu te deixo em paz. Eu desisto de você. Onegai...

Abaixei a cabeça. Pus a mão no peito e a fechei, nervosa. Ele pôs a mão no meu rosto e o levantou. Olhava para mim, sério. Se aproximou devagar. Abria a boca lentamente em direção aos meus lábios. Arregalei os olhos, ele ia me beijar! Queria sair dali, mas estava paralisada. Faltavam centímetros!

– Oe! – Gamira exclamou empurrando Mitsuri.

Ele caiu no chão. Olhou para Gamira com raiva.

– Não faça essas coisas. Não deve tratar uma menina assim, imbecil!

Mitsuri levantou com raiva.

– Isso não é da sua conta! – Ele empurrou Gamira de volta.

Os dois iam brigar! Mas me pus entre eles e os afastei um do outro com os braços.

– Oe, matte! Não façam isso! Nós somos um time! – Olhava para cada um.

Eles se encararam e por fim se acalmaram. Se endireitaram. Gamira segurou a alça da sua mochila, ainda sério. Mitsuri pôs as mãos nos bolsos e virou o rosto.

– Mitsuri. – O chamei, séria.

Ele me encarou.

– Gomen! Mas... Você é meu amigo. – Olhava para ele querendo chorar. Não queria magoá-lo – Espero que não fique com raiva de mim, mas não posso ser mais que isso pra você.

Ele prestava atenção sem demonstrar expressão.

– Eu gosto muito do Gaara. Mas...! Eu tenho medo disso. Só... Medo. – Meus olhos estavam marejados. Tampei o rosto com as mãos.

Eu tinha medo pelo fato de sempre ter amado Gaara! Sempre quis ficar no mesmo lugar onde ele estava, sempre queria ver seu sorriso, me preocupava com ele mesmo quando eu que estava nas missões, gostava demais quando ele esfregava minha cabeça por qualquer que fosse o motivo! E amei aquele beijo que ele me deu! Amei, amei mesmo. E como queria beijá-lo de novo! Pensei que esse sentimento fosse algo bobo, idiota só porque morávamos juntos, mas... Mas...! Eu o amo mesmo!

A expressão de Mitsuri parecia chateada. Se aproximou de mim, Gamira estava pronto para empurrá-lo de novo. Mitsuri pôs o braço ao meu redor e me abraçou. Gamira ficou surpreso, relaxou a postura.

– Daijoubu. – Ele disse calmo – Não estou com raiva de você. Nunca vou ficar. Eu que queria saber ne? – Ele deu uma risada fraca – Só não queria continuar gostando de você desse jeito sem saber se a teria de verdade um dia. Gomen... Por tentar te beijar. Está com raiva de mim?

Balancei a cabeça, negando. Ainda tampava meus olhos. Ele me abraçou com os dois braços e encostou a cabeça em meu ombro.

– Hum. Arigatou.

Me tremia um pouco por estar chorando. Fungava tentando emitir o mínimo possível do som. Ele me abraçou forte por alguns segundos e me soltou, voltando a andar. Fiquei parada. Ele se distanciava mais, estava com as mãos nos bolsos. Virei o rosto em sua direção e Gamira viu meus olhos cheios de água. Abaixou o olhar.

Olhamos para ele, estava de cabeça baixa e não sabíamos que seus olhos estavam marejados e uma lágrima escorria por um deles.

...

Andávamos em silêncio enquanto chegávamos à fronteira do País do Trovão. Percebi que era o mesmo lugar que parei naquela vez. Olhei para a mesma direção, mas estava concentrada dessa vez.

– Nani? – Gamira perguntou.

– Vocês... Podem vir comigo um minuto? – Disse olhando para dentro da floresta.

Os dois se entreolharam, mas foram comigo. Pulamos quilômetros de floresta até eu chegar no mesmo lugar daquela vez. Olhei para os lados e deixei minha audição e olfato sensíveis para ter certeza de que não seriamos surpreendidos. Nada.

– Daijoubu. – Eu disse – Vamos.

Passei pelas árvores, nervosa e ansiosa por ver finalmente o que era aquele lugar que me atraiu tanto. Quando vimos, fiquei mais confusa ainda. Era uma aldeia destruída!

– O que é isso? – Mitsuri perguntou assustado e confuso.

Olhei para aquele lugar, apavorada. Suava frio. E o que eu imaginava só piorava tudo. Dei passos lentos. andando por aquele lugar. Os dois me seguiram. Andamos por um tempo. Havia vários lugares queimados, e se não estavam, estavam completamente destruídos.

Chegamos numa rua que dava para uma casa. Ela não estava queimada e nem destruída, sua estrutura estava um pouco danificada por estar abandonada. Ela devia ter sido bonita um dia. Tinha um grande quintal e um balanço numa árvore. Moraram crianças ali e eu fiquei mais nervosa.

Entrei na casa passando a mão por um vidro embaçado, vi que tinha um desenho bonito esculpido. A casa estava totalmente destruída por dentro, pareciam que tinham ataco ela. Olhei para o batente de uma porta e me agachei passando a mão no que estava entalhado. Eram marcações de altura de duas crianças. “Kaminari 3 anos”, “Kyrira 2 anos”, “Kaminari 4 anos”, “Kyrira 3 anos”. Assim por diante, até os 11 e 10 anos dos dois. Claro que não era eu, Gaara me encontrou quando eu tinha 13 anos! Não me preocupei.

Os dois entraram logo em seguida. Eu havia sumido.

– Yuki?

– Yuki?!

Pararam quando me viram Eu estava parada em frente a uma parede que continha alguns retratos. Arregalaram os olhos quando os viram. Eles estavam embaçados pela poeira, mas podíamos ver. Um homem num retrato, uma mulher em outro, duas crianças em mais um. O que eu não parava de olhar era o da família, todos eles reunidos.

Peguei o retrato da família e o limpei com a mão. Aquilo me assustou. Era o homem segurando uma menina nas costas com um dos braços. Ambos com cabelos brancos. Ele tinha olhos amarelos vibrantes e ela azuis, como os meus. No outro braço segurava um menino com cabelo branco, havia uma mecha rosa em seu cabelo e seus olhos eram iguais aos do homem. Ao lado dele havia uma mulher muito bonita de cabelo rosa e os olhos azuis. Como os meus! Todos eles sorriam.

Comecei a respirar, nervosa. Ofegante. Era aquela mulher! Eles viram a foto e se entreolharam.

– Yuki... É você?! – Olharam para a menina.

Meus olhos estavam marejados, eu chorava.

“O que é tudo isso?!”, gritava em minha mente.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem *-------*