Higure Kaminari
17 As Finais do Exame Chuunin: O fim de uma fase!
Notas iniciais
Durante o mês que ficamos treinando para as finais, Tsuki e eu treinávamos uma com a outra. Eu enfrentaria um garoto que usava Doton, ela estava me ajudando a achar brechas nos ataques. Eu a ajudava a ficar mais resistente em relação à força. Minha força era realmente bruta e consegui quebrar o escudo de doton dela durante os treinos. No final desse período, seu escudo estava mais resistente e eu mal conseguia rachá-lo.
Ela estava ofegante, como eu.
– Sugoii... – Eu disse enquanto recuperava o ar – Está bem resistente.
– Ahhh... – Ela respirou aliviada – Ainda bem!
Eu ri.
– Bem a tempo.
Rimos. Bebíamos água e descansávamos um pouco.
– Ne, Yuki. Você gosta do Mitsuri?
– Nani?! – Engasguei com a água.
– Depois da luta dele, vocês... Ficaram um pouco mais próximos.
– Ano... Tsuki, só porque você e o Gamira estão juntos não quer dizer que Mitsuri e eu estejamos também.
– Hum! – Ela corou – Como sabe disso?
Fiz cara de tédio.
– É óbvio.
– Hum... – Ela abaixou a cabeça envergonhada.
– Eu nunca pensei que ele fosse gostar de alguém. É tão estranho. – Eu ri – Ele gosta mesmo de você. Chega até ser fofo como ele se preocupa.
– É... – Ela deu uma risadinha abobada – Mas... Nee?
– Hum?
– De quem você gosta? Ano... Exatamente.
– Hum? Hum... – Pensava.
Mitsuri era meu amigo, eu gostava dele e me preocupava também, mas era só meu amigo. Desde que me lembro, sempre gostei de Gaara. Ele cuidou de mim, sempre que eu ficava triste ele fazia carinho na minha cabeça e até já me beijou! E eu gostei! Ele foi gentil, carinhoso e o beijo foi tão bom. Quente e macio. Ahhh, que confuso...
– Argh! Que confuso!!! – Gritei.
– Nani?! – Tsuki se assustou.
– Hum! Nada! – Sacudi os braços.
– Por que esse ataque? – Ela exclamava com os olhos arregalados.
Suspirei confusa, passando a mão na testa.
– Hum... Eu... Gosto do Gaara. – Murmurei.
– E precisava gritar? Eu já sabia disso.
– Então por que perguntou?!
– Porque também pensei que você gostava de Mitsuri. Eu já sabia que você gostava do Gaara. Todo mundo sabe. – Ela riu.
Corei, virando o rosto. Suspirei de olhos fechados.
– Yuki?
Olhei para ela.
– Você... Tem vergonha dele? Sabe, de falar essas coisas.
– É complicado.
– Ou tem ou não tem. – Ela deu de ombros.
– Mais ou menos. – Corei – Agora eu estou mais é com saudade dele. Sabe, éramos bem próximos, mas aconteceu... Uma coisa e... Eu meio que me afastei um pouco dele.
– Nani?
Olhei para ela. A curiosidade estava estampada em seu rosto. De repente Turi apareceu, descendo do leque. Até fiquei aliviada.
– Yuki! – Ela sorria, correndo até nós – Adivinha quem chegou na vila?
– Quem?
– Os irmãos da areia. Vi Shikamaru-san conversando com Temari-san.
Abri um largo sorriso e saí correndo, pulando em direção aos telhados.
– Oe...! – Turi me chamou, mas eu desapareci. Ela virou para Tsuki – Ela nem sabe onde eles estão.
Tsuki riu.
– Ela acha os três rapidinho.
– Hum... – Turi pensava.
Tsuki olhou para o céu azul. “Aiai, baka. Pare de se enganar. Você gosta do Gaara.”, ela pensou e riu. Turi a olhou sem entender.
...
Pulei em metade dos telhados de Konoha. Os achei caminhando. Pulei em direção a eles.
– Gaara!
Gaara olhou para cima e arregalou os olhos ao me ver caindo em cima dele. A poeira levantou e Temari e Kankuro arregalaram os olhos ao ver minha entrada.
– Ela não é nada discreta, ne. – Shikamaru comentou, e Temari assentiu com a cabeça rindo.
Eu abraçava Gaara, ainda caído no chão.
– Yuki... Ano...
– Hum! – Levantei vendo que o sufocava.
Ele se sentou com a mão na cabeça. Eu sorria largamente pra ele. Quando me olhou, eu pulei em cima dele de novo e o abracei esfregando minha bochecha na dele.
– Que saudade!
– Oe, Yuki. – Temari chamou minha atenção rindo – Um tempão que eu não te vejo assim.
Eu parei de repente e percebi o que estava fazendo. Dei uma risada sem graça e levantei, ajudando-o.
– Gomen. – Corei olhando para baixo, nervosa.
Gaara pôs a mão na minha cabeça e a esfregou. Olhei para ele e sorri, envergonhada.
– Ne, ne Bakayuki. Vai perder ou vai ganhar? – Kankuro me perturbou.
Virei para ele, indignada.
– Oe, você acha que eu estou aqui por quê? Vou derrotar aquele idiota! Você vai ver!
Ele riu com minha reação. Gaara ficou surpreso com minha determinação.
– Baaaaka nii-san! – Dei língua pra ele.
Kankuro fez cara de tédio. Olhou para cima e viu Turi no leque, vindo em direção a nós. Tsuki pulou do leque e Turi logo depois.
– Oe, baka! – Turi disse fechando o leque e pondo-o nas costas – Você nem deixou eu terminar de falar! Baka, baka! – Ela puxou minha orelha.
– Nyah! Isso dói!
– Ne, Yuki. Vamos terminar de treinar. As finais são amanhã! – Tsuki disse nervosa.
– Soka! Ne, Gaara?
– Hum?
– Vai me ver amanhã? – Perguntei sorrindo.
– Hai.
– “Ne, Gaara? Vai me ver amanhã?” – Turi me imitou rindo em seguida.
Tsuki pôs a mão na boca, rindo. Temari e Kankuro riram. Gaara os fitou, confuso. Fiz cara de tédio e as fuzilei.
– Ne, Minna? – Disse calmamente, mas maleficamente – Querem levar um choquezinho?
– Hum! – As duas exclamaram de medo ao ver minha aura densa e negra.
Temari arregalou os olhos. Os choques começaram a estalar pelos meus braços.
– A-Ano! Yuki-chan?
– “Yuki-chan” nada! Não queria treinar? Vamos treinar. – Cantarolei pulando em cima dela.
– Iáááá! – As duas correram, comigo atrás delas.
Os quatro me viam correr atrás delas, assustados. Turi tentou escapar com o leque, mas eu o puxei e ela caiu.
– Ne...? – Shikamaru cantarolou tenso – Ela é um pouco nervosinha...
– Só quando a imitam falar com Gaara. – Temari disse com medo.
– Hum! Será que ela gos... – Shikamaru pensou.
– Ah! Quer comer alguma coisa? – Temari o interrompeu, puxando-o pela mão.
Gaara ia ouvir, mas Kankuro o chamou também.
...
Não vi mais o Gaara até depois das Finais. Todos nós fomos para a grande arena chuunin. Um lugar grande e redondo com lugares no alto para a plateia. O Jounin que seria o juiz esperava dar a hora para começar. Como todos já estavam presentes, fecharam os portões.
Eu estava preparada para a luta naquele dia. Decidida! Mudei até um pouco de visual. Meu short, que chegava até a coxa, era roxo. Minha blusa era preta e comprida até onde o short chegava. Tinha o símbolo de Sunagakure na frente em dourado. Quando chegava no quadril ela se abria dos lados das pernas ficando como se fosse pendurada na frente das minhas pernas. Ela não tinha manga e se unia em direção ao meu pescoço como se fosse gola alta. Amarrei um cinto vermelho na cintura. E minha fita vermelha trançada na mecha do cabelo.
Eu estava ansiosa. A primeira a lutar foi Turi. Eu estava impaciente pela minha vez, principalmente porque aquele garoto não parava de me encarar. Da plateia, os irmãos da areia me observavam, de onde estávamos vendo a luta.
– Yuki está ficando irritada. – Kankuro riu.
– Não é à toa. Aquele garoto também está me irritando com aquele olhar.
Gaara apenas observava o garoto, estava se irritando também. Houve um grande barulho.
– Sugoii! Aquela amiga dela é boa! – Kankuro disse olhando Turi em posição com seu leque.
Turi acabara de ganhar a luta, além de ter acabado com a garota. Apenas com o leque, ela jogou a oponente longe e de brinde a deixou bem ferida. Ela realmente não gostou da garota!
– Ela usou mesmo a Técnica da Foice da Doninha?! – Temari disse surpreendida – Ela é tão nova!
– Inveja? – Kankuro perguntou rindo.
Ela o olhou com cara de tédio.
Gamira foi o próximo. Ele lutou com Yoko. Fiquei triste por Yoko, mas feliz por Gamira. Ele venceu tão facilmente que eu até fiquei orgulhosa por ele, mas triste por Tsuki ficar indecisa entre consolar o amigo ou parabenizar o garoto de quem gostava. Quando Mitsuri lutou e ganhou também e logo depois Tsuki foi lutar, comecei a me tremer de nervoso, ansiedade e raiva!
“Que demora!”, pensava.
– Ela está impaciente. – Gaara comentou me fitando.
– Hum... – Temari suspirou – Mas é chato mesmo ficar esperando a vez.
– Hum... – Ele disse.
Tsuki venceu tão bem que eu fiquei orgulhosa! O bloqueio dela era perfeito e praticamente indestrutível. O garoto não conseguiu passar. Ela fez um domo de doton e, escondida, pegou ele de surpresa agarrando-o debaixo da terra. Modéstia parte, ou não, eu a ajudei a ficar mais forte. Hihi. Ela me abraçou e mais dois garotos lutaram. Eu já estava vermelha de raiva!
– Acho que agora é nossa vez “Yuki”. – O garoto do Doton disse.
– Hum? – Olhei para ele.
Verdade. Fiquei distraída com minha raiva e nem prestei atenção na luta. Ele deu um meio sorriso em minha direção, o que me deixou furiosa. Ele desceu as escadas, e de raiva eu pulei a grade de contenção e fui direto para a arena.
– Run... – Kankuro sorriu – Acho que ela vai usar aquilo.
Temari sorriu maliciosamente.
– Aquele garoto vai perder feio.
Gaara me fitava, ele percebeu que eu estava com raiva. O garoto desceu e ficou frente a frente comigo. Minha franja cobria meus olhos, mas quando levantei a cabeça ele viu meus olhos azuis com as pupilas totalmente contraídas. Sorriu pondo as mãos nos bolsos.
– Ne? Prontos?
Nos encaramos.
– Hai. – Dissemos em coro.
...
Estávamos frente a frente. Ele sorria de deboche, eu estava com a mão na cintura esperando. Todos esperavam para ver como seria a luta.
– Não vai começar baixinha?
– Hum. – Apertei os olhos em sua direção, séria – Primeiro as damas.
– Run. – Ele riu – Hai. – Cantarolou.
O garoto fez selos com as mãos rapidamente. Pôs a mão no chão sorrindo vitorioso e as estacas surgiram. Dezenas em minha direção. Cruzei os braços. “Isso de novo?”, pensei desanimada. Suspirei abaixando os braços. O fitei com os olhos meio abertos.
– Entediante...
– Run. – Ele sorriu.
O fitei e os raios começaram a estalar pelo meu corpo. Arregalei os olhos, minhas pupilas contraíram. Desapareci do nada.
– Hum! – Ele arregalou os olhos – Como...!
As estacas atingiram o nada. Ele não entendeu. De repente eu surgi atrás dele e girei para dando um soco em sua direção. O garoto pulou para trás desviando, eu quebrei o chão e o fitei lentamente. Abri um leve sorriso.
– Rápido, hum?
Ele me olhava surpreso. Agarrei o chão com força, quebrando-o mais um pouco, e girei para chutá-lo, mas ele desviou de novo. Impulsionei meu corpo e o empurrei para cima, virando para acertá-lo com o calcanhar. Acabei quebrando o chão por ele pular mais para longe. Ele me fitava de longe, ofegante por desviar várias vezes. Levantei lentamente, o fitando.
– Vai ficar desviando pirralho? – Dei um meio sorriso de raiva.
Kankuro bufou.
– Até quando ela vai ficar brincando?
– Brincando? – Alguém disse do lado.
Os três o olharam. Era Neji ao lado de Shikamaru. Ele os encarou querendo saber a razão do comentário. Gaara estava de braços cruzados, olhava para mim.
– Yuki...
Neji prestava atenção.
– Conseguiu controlar os raios.
– Hum?! – Neji arregalou os olhos. Ele estava presente na sala quando me descontrolei e joguei contra parede Kutsokeru com os raios enquanto ele tentava descobrir alguma coisa sobre meu passado. Neji me fitou.
Eu encarava o garoto. Ele fez selos com as mãos de novo e as pôs no chão. As estacas surgiram novamente, porém eram pilastras mais grossas e sem pontas, eram lisas. Eram apenas para me derrubar. Surgiram por todos os lados e mudaram a paisagem da arena.
Eu fiquei parada enquanto elas vinham em minha direção. O garoto mordeu o lábio inferior, nervoso. Uma pilastra surgiu à minha direita e veio em minha direção com violência. Ele me olhava, mais nervoso. “Ela não vai fazer nada?!”, ele suava frio.
Olhei para a pilastra pelo canto do olho. Há meio metro de mim, ela se chocou e quebrou em pedaços. Eu havia feito uma parede sólida de raios.
– Hum! Como...?!
Olhei para ele. Sorri com os olhos meio abertos.
– Hum...? – Cantarolei – Você não prestou mesmo atenção na minha luta... Nee? Baka.
– Cala a boca!
Ele pôs a mão no chão e pilastras gigantes vieram em minha direção. Recuei o braço e soquei uma, quebrando-a. Corri para cima dele e as pilastras se formavam. Eu as acertava com o calcanhar ou com socos, e as quebrava chegando mais perto dele. O garoto fez outra logo abaixo dos meus pés para eu me afastar dele, ficando há metros de altura. Eu pulei e arrastei meus pés por ela para descer. “Hum... Interessante.”, pensei. Mais pilastras de ramificaram daquela e eu girei quebrando-as com chutes e socos. Quando cheguei perto dele, há centímetros de seu rosto, outra pilastra surgiu e acertou meu abdômen me jogando bruscamente para o alto.
Kankuro sorriu.
– Hum! – Shikamaru exclamou. O golpe foi violento – Como conseguem ficar calmos assim?
Kankuro e Temari riram para ele. Gaara me fitava, que cada vez mais eu estava mais alto.
– O detalhe... É prestar atenção. – Gaara disse.
– Hum?
Shikamaru olhou para mim. Meu abdômen estava com uma pequena proteção sólida feita de raios. Do alto, sorri para o garoto.
– Tsc. Nada mal... Nee?
Do céu, um brilho surgiu do nada.
– KAMINARI!
Um barulho de trovão surgiu e um gigante raio atingiu o garoto, que iluminou toda a arena. O garoto gritou. Todos ficaram boquiabertos. A grande luz desapareceu e eu aterrissei em pé numa pilastra. Ele se tremia um pouco com alguns raios ainda estalando pelo seu corpo. Eu sorri por ele ser resistente.
Pus a mão na cintura e suspirei olhando para os lados. Eu estava brilhando, completamente iluminada pelo raio. Meus cabelos estavam mais brancos, brilhantes e espetados. Todos estavam boquiabertos ainda. Eu procurava pelo Jounin que era o juiz.
– O que... O que é essa garota?! – Neji exclamou.
Gaara o fitou.
– Yuki de Sunagakure.
Neji o olhou, ainda sem entender o que se passou.
Desativei o raiton e voltei ao normal, pulando levemente da pilastra e descendo. Me aproximei do garoto vendo se ele estava bem. Apenas desmaiou. Ninjas médicos o retiraram da arena. O Jounin se aproximou.
– Hum... – Ele engoliu a seco – Vencedor: Yuki de Sunagakure!
Fitei a plateia, sorrindo. Não sabia exatamente onde os três estavam, mas estiquei o braço para frente e fiz um sinal positivo com um largo sorriso do rosto.
Kankuro riu.
– Exibida.
– Ne, ela melhora a cada dia. – Temari disse, orgulhosa.
Gaara me olhava. Sorriu.
De onde os Kages estavam, Tsunade-sama me olhava. “Hum... Yuki de Sunagakure. Parabéns.”, ela pensou e sorriu, apoiando o rosto na mão.
...
No final, quase todos nós viramos chuunins. Eu não parava de sorrir. Tiramos uma foto juntos. Turi sorria assim como Mitsuri. Gamira estava com a mesma cara de nada, como sempre. Tsuki estava nas minhas costas rindo e eu dava um sorriso largo.
Andávamos de volta para a hospedagem.
– Conseguimos! – Turi pulava sorrindo.
Tsuki deu risadinhas.
– Ne, ne Yuki?
– Hum? – Cantarolei.
– Aquela técnica é incrível, mas por que trovão?
– Hum... Por causa do barulho que vem antes. – Disse rindo como se fosse óbvio – E eu gosto desse nome. Não sei por quê – Dei de ombros sorrindo.
Gaara pôs a mão na minha cabeça de repente, esfregando-a.
– Hum?
Ele sorriu.
– Parabéns.
Dei uma risadinha pra ele. Turi me imitou, e eu a fuzilei. Ela se tremeu toda.
– Hihi. Gomen, gomen. – Ela sacudiu a mão.
– Run.
Kankuro puxou minha orelha.
– Nyah! – Soltei, fazendo carinho nela – Qual o seu problema?
– Hum. Você quer o que?
– Hã?
– A gente vai te dar um presente por passar no exame. – Temari disse – E vê se escolhe direito!
– Hum... – Pus o dedo nos lábios, pensando.
Olhei para Gaara e dei um sorriso maroto. Temari tremeu.
– Yuki!
– Ah! Não é nada disso baka nee-san! – Exclamei, corando.
– Run. Então o que é?
– Também não vou falar! – Cruzei os braços emburrada.
– Hum?!
– Não importa, só tem como me dar esse presente quando formos embora mesmo.
– Hum... – Ela pensava.
– Yuki! – Alguém me chamou.
Parei e olhei para trás. O garoto do Doton.
– Yo. – Ele sorriu.
Não entendi.
– Hum? Nani?
Ele esfregou a cabeça, frustrado.
– Eu... Queria te dar os parabéns. – Ele esticou a mão em minha direção.
Olhei para a mão sem entender e olhei para ele. Ele deu uma risada sem graça pela vergonha. Apertei a mão dele.
– Mas... Eu derrotei você.
– Hum? Ah, e daí? Foi incrível. Eu realmente não esperava aquilo. – Ele riu abobado.
– Ah...
– Ne. Quando você voltar algum dia, quem sabe... Hum... Quer sair comigo?
– Hum?! – Corei. Tão de repente. Garoto doido!
Temari e Kankuro arregalaram os olhos. Turi riu com as mãos na boca. Mitsuri fez cara de tédio. Gaara me olhava surpreso, mesmo sem expressão. Ele também queria saber minha resposta.
– Ano...! – Não sabia o que dizer.
Ele esperava a resposta.
– Ah, é! Gomen, gomen. Meu nome é Ren Seiji. Prazer. – Ele fez uma pequena revência com a cabeça, sorrindo.
Desde quando aquele garoto sorria tanto?
– Hum... Nande...?
– Hum. Você luta bem. Prestei atenção em você nas preliminares, mas realmente não na sua luta em si. – Ele riu esfregando a cabeça – Você é bonita.
– Etto... – Piscava nervosa e corada, sem entender nada.
Temari se aproximou.
– Yo. Gomen, gomen. Mas é muito raro nós virmos aqui. – Ela sorriu gentilmente.
– Ah, soka... – Ele ficou um pouco frustrado, mesmo assim sorriu.
– Mas quem sabe? – Ela sorriu – Ne, Yuki?
– Hum?!
“Ne, Yuki nada! Quero sair daqui!”, pensei olhando para ela com os olhos arregalados.
– Ne, ne. Já ne. – Temari disse, me levanto junto com ela.
– Ja... – Ele disse, indo embora.
Turi não parava de rir. Apertei meus olhos e abri uma pequena fresta para olhar Gaara. Ele não me olhava. Os apertei de novo, frustrada. Que confuso...
– Aiai, Yuki e seus pretendentes. – Tsuki pensou alto, rindo.
Eu a fuzilei. Ela correu quando percebeu.
...
No dia seguinte fomos embora. Yomi-sensei levou Gamira e Mitsuri, além de Tsuki que quis voltar com Gamira. Eu quis voltar com o trio. Andávamos na estrada. Gaara não dizia nada. Isso era normal, mas por causa do dia anterior, estava me incomodando.
– Yuki? – Temari me chamou – O que você queria de presente?
– Hum? Nada.
– Hã?! Fale.
– Esquece... Deixa pra lá. – Apertei a alça da mochila.
Gaara me fitou sem que eu percebesse. Olhou para frente e suspirou.
– Kankuro.
– Hum. Nani?
– Leva pra mim? – Ele disse tirando a cabaça das costas.
– Hai. – Kankuro disse sem entender.
Gaara se virou pra mim.
– Yuki.
– Hum?
– Suba. – Ele disse abaixando e pondo as mãos para trás.
Arregalei os olhos, admirada. Era isso que eu queria de presente! Meus olhos marejaram. Subi cuidadosamente. Ele levantou segurando minhas pernas. Temari e Kankuro se entreolharam, sorrindo. Voltamos a andar.
Deitei nas costas dele, segurando levemente em seus ombros. Eu sorria, feliz. Não sei se ele sabia o que eu queria, mas eu estava feliz por ter acontecido. Meu sorriso foi desaparecendo pouco a pouco ao me lembrar de Seiji. Ele me chamou pra sair. Isso me fez lembrar de Mitsuri. Ele gosta de mim. Desde quando os garotos gostam de mim? O único que eu acho que gosto de verdade, nem sei se gosta de mim. Analisando a situação, eu não sei se Gaara me beijou porque ele quis, porque eu pedi ou pra me fazer sentir melhor por ter assustado Temari quando descobri o raio. Que confuso mesmo...
– Ne, Gaara.
– Hum?
– As coisas vão continuar mudando assim?
– Como assim?
– Hum... Tudo. – Deitei a cabeça levemente em seu pescoço. Senti seu cheiro, era bom.
– Hum... Vão sim.
Fiquei triste.
– Mas... Elas sempre acabam bem de alguma forma. – Ele disse calmamente – É só... Tentar ver os detalhes pequenos que tornam tudo melhor.
– Hum, soka. Então... Daijoubu?
– Hai. – Ele sorriu gentilmente.
Suspirei feliz. Abracei levemente Gaara e comecei a cantar calmamente.
“Ookami, ookami; um homem tão incrível. Doce, surpreendente e suave. Um tempo bom o tempo todo. O céu está pintado de vermelho escuro. Como ele me disse, o meu amor, daijoubu. Daijoubu.”
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