Higure Kaminari
12 A esperança de lembrar: Visita à Konoha
Notas iniciais
Alguns dias depois o trio me avisou que iríamos para Konoha. Disseram que a Quinta Hokage nos ajudaria em relação a mim. Não compreendi direito, eles disseram que conversaríamos a meu respeito com ela pessoalmente. Então, como eu estava curiosa a respeito da última missão, concordei.
Corria pela vila em direção à saída da vila. Me atrasei e eles já me esperavam. Desci para o chão e esbarrei em Matsuri.
– Oh, oi Yuki. – Ela disse.
– Oi! – Sorri.
– Vai sair numa missão de novo?
– Não. Vou para Konoha com Gaara e os outros.
– Com ele? – Ela perguntou surpresa e logo ficou cabisbaixa. Me perguntava sempre a razão.
– É... Você está bem?
– Estou! – Ela exclamou nervosa, se pegou fazendo aquela expressão triste – É que... Bem...
– Nani? – Perguntei tombando a cabeça.
– Ano...
– Oe! – Mitsuri apareceu – Yuki, os irmãos da areia estão te esperando. E Kankuro-san já está ficando irritado.
– É mesmo! Arigatou! – Disse saindo correndo.
Os dois me viam eu me afastar. Mitsuri olhou para Matsuri, ela estava cabisbaixa.
– O que você tem?
– Nada.
– Usotsuki. – Ele disse chegando bem perto dela, dando um sorriso malicioso – Você está incomodada. Ne, ne?
– Por quê? – Ela cruzou os braços.
– Porque Yuki vai viajar com Gaara-san.
– E com Temari-san e Kankuro-san!
– Mas o que incomoda você é que Gaara-san vai estar junto. – Ele tampou a boca com a mão para rir.
Ela bufou e fez bico.
– Até parece que você não está também.
– Como assim? – Ele parou de rir e a olhou.
– Você gosta da Yuki.
– QUE? – Ele arregalou os olhos – Está doida? Ela é do mesmo time que o meu!
– E isso ajuda na sua paixão platônica. – Ela resmungou.
– Ela é só uma colega de time. – Ele persistiu.
– Sei... – Ela disse olhando pelo canto do olho para ele.
Os dois se encaravam até que Matsuri foi embora, de braços cruzados. Misture foi para casa, resmungando.
...
Depois de levar um puxão de orelha de Kankuro, começamos a viagem. Saímos do deserto sem problemas. Começou a floresta e eu fiquei de novo maravilhada olhando para todos os lados, vendo as árvores ao redor da estrada. Meus olhos brilharam quando vi borboletas. Corri pela estrada tentando pegá-las.
– Oe, sossega. – Kankuro disse.
Resmunguei.
– Você é incomodado, Bakanii-san.
– Você que não pára quieta.
Cruzei os braços e fiz bico. Temari riu.
Quando perguntei se estávamos muito longe, disseram que era metade do caminho. Gaara parou repentinamente e olhou para o lado. Vimos que ele parou e olhamos para trás. Me aproximei dele.
– Nani, Gaara?
– Foi aqui. – Ele disse de cabeça baixa.
– Hum?
– Que te achamos.
Olhei para a direção, tentando me lembrar daquele dia. Nada.
– Você... Pode vir comigo?
– Hum... Hai.
Entramos na floresta e os outros nos seguiram calmamente. Gaara e eu paramos em frente a uma árvore. Arregalei os olhos, a árvore estava rachada.
– O que é isso?
Ele olhou para o lado.
– Gaara...?
– Nós voltávamos de Konoha. Senti alguém nos olhando. Mandei sair, mas a pessoa me atacou. Me defendi com a areia e a joguei longe. Fui até ela, estava acordando e a cabeça sangrava. Perguntei o que queria, mas ela não sabia falar, apenas emitia ruídos. Começou a gritar quando viu o sangue.
Olhava para ele, estática. Ele não olhava nos meus olhos.
– A pessoa era você.
Arregalei os olhos.
– Você... Que me fez perder a memória?
Ele balançou a cabeça, confirmando.
– Por que... Eu te ataquei?
– Não sei.
Não podia acreditar naquilo. O garoto que sempre me protegia foi quem me fez perder a memória. Me aproximei da árvore e pus a mão onde estava rachado, tentando acreditar naquilo. Ainda não fazia ideia do que ocorrera naquele dia.
– Eu disse que eu era um monstro.
Virei e olhei para ele, que ainda estava de cabeça baixa.
– Gomen. – Ele disse.
O encarei. Me aproximei dele, ele parecia se preparar para levar um tapa. Mas eu o abracei forte. Ele ficou estático, com os olhos arregalados.
– Baka Gaara. Eu disse que você não é um monstro. Eu não lembro porque te ataquei, mas eu que tinha que pedir desculpas ne.
Ele abaixou a cabeça, encaixando-a no meu pescoço e me abraçou, pondo a mão na minha cabeça.
– Arigatou... – Eu disse sorrindo – Se você não fizesse isso, acho que eu não ia te conhecer.
Ele me abraçou mais forte. Temari e Kankuro chegaram e nos viram, e onde estávamos. Sorriram.
...
Caminhávamos em silêncio já fazia dois dias. Eu segurava as alças da minha mochila, que estava nas costas. Eles olhavam para frente, comecei a olhar para o céu sorrindo. Não sei de onde veio, mas comecei a cantar com uma voz doce e suave que eu nem sabia que tinha.
“Ookami, ookami; um homem tão incrível. Doce, surpreendente e suave. Um tempo bom o tempo todo. O céu está pintado de vermelho escuro. Como ele me disse, o meu amor, daijoubu. Daijoubu.”
Gaara me olhou, parecia gostar da minha voz. Temari e Kankuro me olharam, curiosos.
– Quem te disse? – Temari perguntou.
– Hum? – Olhei para ela, despertando.
– A música. “Como ele me disse, o meu amor, daijoubu.”
Gaara me olhava, curioso com a resposta. Encostei o dedo nos lábios, pensando.
– Não sei. Ela apareceu na minha cabeça.
Eles compreenderam, já que como sempre algumas coisas sobre mim “apareciam”. Era exatamente por isso que íamos para Konoha.
Quando chegamos, parei na frente daquele grande portão, boquiaberta. Duas portas grandes e verdes com um símbolo no topo do batente do grande portão.
– Vamos. – Gaara disse, me despertando.
Eu passava pelo portão quase quebrando meu pescoço de tanto tentar olhar para cima.
– Irmãos da areia. Como vão? – Um shinobi perguntou dentro de uma pequena cabana ao lado do portão.
Ele tinha o mesmo símbolo do batente do portão na sua bandana. Deveria ser o símbolo da vila. Ele me olhou curioso, assim como eu olhava para todos os lados. Um garoto loiro se aproximou de nós correndo com um largo sorriso.
– GAARA!
Ele parou na frente do Gaara com aquele sorriso. Sua voz era alta e ligeiramente irritante.
– Ne, ne? Tsunade ba-chan disse que viriam.
– Hum... Oe, Naruto.
Ele me viu logo atrás do trio e me encarou. Chegou bem perto do meu rosto de maneira inconveniente, me analisando.
– Ne, ne ttebayo? Quem é você?
– Etto...
– É a Yuki. – Temari disse – É por causa dela que viemos aqui.
– Hã? Nande?
– Isso a gente vai ver com a Godaime.
Ele cruzou os braços emburrado e virou para Gaara.
– Ne, ne Gaara. Por que por causa dela?
– É pra descobrir o passado dela. Ela não lembra.
– Hããã? Como assim?
Temari arregalou os olhos, indignada.
– Oe, Gaara! Por que está contando pro camarãozinho?
– “Camarãozinho”?! – Ele gritou, indignado.
– Ele vai descobrir de qualquer jeito. – Gaara disse.
Ela fez cara de tédio.
– Hai, hai. Naruto, a Godaime está ocupada?
– Acho que sim. Quando invadi a sala dela, ela estava mexendo numa papelada lá.
– Soka... – Temari pensava.
– Vamos avisar que chegamos. – Kankuro disse.
– É. – Ela disse – Oe, Gaara. Mostre a cidade com o Naruto pra ela. A gente vai na Godaime.
Ele balançou a cabeça, concordando.
Temari e Kankuro foram até a Hokage e nós três andávamos pela cidade. Naruto contava para Gaara sobre o treino que faria, eu nem prestava atenção. Andávamos por uma rua, que logo abaixo dela havia um parque. A grama era bem verde e havia uma grade baixa na calçada. Olhei para lá, maravilhada. Dei um salto e subi em cima da grade, parando com as mãos para trás. Eu nem olhava muito para o parque, mas para a paisagem.
– Sugoii...
Eles me olharam.
– Ne, qual o problema dela?
– Hum? – Gaara disse – Nenhum.
Olhei para o lado e comecei a correr em cima da grade. Quando ela terminava eu dava um salto e continuava a correr em cima dela.
– Onde ela vai?
– Não sei... – Gaara disse. Ele sabia que eu não parava quieta.
Eles me seguiram. Parei no meio da cidade e vi pessoas andando de um lado para o outro. O lugar era bonito e colorido. Nunca vi nada parecido. Andei de costas, olhando para as casas e lojas, acabei esbarrando numa menina e caímos juntas no chão.
– Ano! Gomen nasai! – Fiz uma reverência, ainda no chão.
– Hum... Não tem problema.
A menina tinha o cabelo curto e preto, a voz doce e quase inaudível, seus olhos brancos me deixaram intrigada.
– Sugoii!
– Hum?
– Seus olhos são bonitos.
Ela corou.
– Oeee! Hinata! – Naruto gritou se aproximando. Gaara vinha logo atrás dele – O que houve?
– Esbarrei nela. – Disse, levantando e ajudando a menina a levantar.
Ela fez uma reverência pra mim.
– Hyuuga Hinata.
– Hum... Yuki. – Sorri.
– Ano... Yuki-chan não é daqui ne?
– Yuki.
– Hã?
– Só Yuki. – Sorri.
– Mas... Acabamos de nos conhecer.
– Oe, que confusão é essa?
– Hum?
Virei e vi um garoto com olhos puxados e com cara de cansado.
– Naruto, está aprontando de novo?
– Ahh, não enche, Shikamaru! Não fui eu dessa vez.
O garoto me olhou e viu na hora que eu não era de lá. Olhou para Gaara.
– Oe Gaara.
Gaara o cumprimentou inclinando a cabeça levemente.
– O que fazem aqui?
– Nós viemos ver se a Godaime consegue ajudar Yuki.
– “Nós”? Seus irmãos vieram?
– Hai.
– Hum...
Temari e Kankuro andavam pela rua. Nos viram e se aproximaram.
– Bem, bem. A Godaime está ocupada hoje com a papelada, mas amanhã nós vamos para lá. Adiantamos a história para ela. Até amanhã ela vai analisar a situação. – Temari disse, fitando em seguida Shikamaru. Ambos coraram.
Olhei para os dois e ri.
– Vamos nos hospedar logo. – Kankuro disse.
Nos hospedamos e guardamos as coisas. Conversávamos no quarto. Eu estava sentada na janela, que estava aberta, quando Naruto apareceu gritando e me assustou, fazendo eu cair no chão.
– Ano-san, ano-san! Vamos sair!
– Hum? – Gaara perguntou.
Naruto nos levou para um lugar chamado “Ichiraku Ramen”. Comi três tigelas de ramen. Era ótimo, delicioso!
– Ohhh, Yuki-chan gosta de ramen! – Ichiraku-san disse.
Balancei a cabeça, com a boca cheia.
– Ela gosta de tudo que é de comer. – Kankuro disse, ele ainda estava na primeira tigela.
Peguei um hashi e joguei nele. Uma menina de cabelo rosa chegou e nos viu.
– Ahhhh, Sakura-chan. – Naruto disse com a voz manhosa.
Ela fez cara de tédio.
– Hum, Naruto. Você está aqui.
Ela bufou e se sentou.
Comemos todos juntos. Naruto me apresentou a Sakura, ela parecia ser legal, e ele parecia ser apaixonado por ela. Depois do ramen passeamos pela cidade. Temari se separou de nós. Andamos pela cidade e eu comecei a correr. Kankuro me gritou, mas eu ignorei. Pulei pelos telhados e parei em um, perto do parque. Vi Temari e Shikamaru caminhando juntos. Eles desceram as escadarias que dava para o parque e se sentaram num banco.
Me esgueirei pelo telhado tentando descobrir o que conversavam. Desci discretamente e cheguei mais perto.
– Então ela não se lembra de nada?
– Não. Às vezes ela diz algo ou faz algo que nem ela sabe de onde veio.
– Soka... Que estranho.
Levantei minha cabeça, logo atrás do banco.
– Temarinee-chan, é ele que você quer beijar?! – Gritei atrás deles.
Eles chegaram para trás. Temari estava vermelha de vergonha, e Shikamaru com os olhos arregalados. Ela bateu na minha cabeça e eu caí.
– Ahhh... Por que fez isso?
– Por que você fica falando essas coisas?! – Ela perguntava, indignada.
– Etto... Vocês se olharam e seus rostos ficaram vermelhos. – Eu disse, calmamente – Você me disse que não sabia como era um “beijo”.
– E o que isso tem a ver? – Ela perguntou, quase gritando.
Eu ri.
– Eu às vezes fico assim com o Gaara. – Eu disse inocentemente, sem pensar.
Ela me olhou confusa, mas estava mais preocupada com Shikamaru que a olhava, confuso com aquela conversa.
– Argh...! Não fique inventando história. – Ela ia me pegar pelo braço, mas eu corri – Yuki!
– Bye, bye. – Disse rindo.
Fugi dela correndo por toda a vila. Ela e Shikamaru correram atrás de mim. Ele tentou me pegar alguma espécie de jutsu de sombra ou sei lá, mas eu pulei tão alto que escapei.
– Como ela consegue pular assim? – Ele perguntou, espantado.
– Não me pergunte.
Corria pelas ruas. Temari estava sobrevoando os céus a minha procura e Shikamaru por terra. Eu corri e passei por Kankuro, Gaara e Naruto. Dei um oi e voltei a correr.
– Oe, peguem ela! – Shikamaru gritou para eles – Que saco! Correr atrás de uma garota que eu nem conheço. – Ele resmungou.
Pronto! Agora todos estavam atrás de mim. Temari dava as coordenadas do céu, Shikamaru e Kankuro corriam, Gaara desapareceu e Naruto fez um monte de bunshins. Me perguntei como ele conseguia fazer aquela quantidade. Um monte de Narutos corria pela Vila.
Dei de novo um salto e pude ver os rostos dos Hokages na montanha da Vila. Dois Narutos me encurralaram num dos telhados e eu desviei deles indo para o chão. Fui parar num campo aberto, parecia um campo de treinamento. Três Narutos me encurralaram, assim como Shikamaru e Kankuro. Temari aterrissou logo em seguida.
– Pegamos você! – Ela disse.
Eu ia pular de novo, mas quando estava no ar a areia me pegou pelo pé e me deixou pendurada. Era Gaara. De onde ele surgiu?!
– Oi, Gaara! – Sorri.
– O que você está fazendo? – Ele perguntou.
– Brincando. – Disse como se fosse óbvio.
– Brincando?! – Temari disse, indignada.
– De pega-pega! – Abri os braços, ainda pendurada pelo pé.
Todos arregalaram os olhos.
– Ahh, minna! Vai dizer que não foi legal? – Cruzei os braços. A cena era engraçada.
Todos se entreolharam. Abri um grande sorriso. Queria brincar, mas sabia que ninguém brincaria. Então, que melhor jeito de fazer todos brincarem ne?
Gaara me virou rápido, me jogando para cima e fazendo a areia me pegar de novo. Me pôs no chão calmamente.
– Por que não pediu? Seria mais fácil. – Ele perguntou.
– Porque eu sabia que ninguém aceitaria. – Disse pondo os braços para trás e sorrindo para ele.
– E como você sabe? – Kankuro perguntou.
Olhei com cara de tédio para ele.
– Ne... – Cantarolei – Querem brincar?
Ele cruzou os braços.
– Oe, mas não devia ter feito aquilo no parque! – Temari protestou.
– O que ela fez? – Naruto perguntou.
Pus a mão na boca, rindo. Era brincalhona, não burra.
– Nada!
– Hihi. Eu...
– Não se atreva. – Temari levantou o punho em minha direção.
Olhei com um sorriso maroto para ela e para os outros.
– Temarinee-chan quer beijar Shikamaru! – Gritei apontando para ela.
Temari parecia ter perdido a cor de tão pasma que ficou. Kankuro arregalou os olhos assim como Shikamaru, Naruto caiu no chão de tanto rir e Gaara me olhou sair correndo, pulando a cerca.
– YUKIIIII!!!!!!!!! – Temari gritou.
Todos voltaram a correr atrás de mim pela Vila. Como Temari queria me bater, Gaara, que me pegou de novo, se escondeu comigo dentro de uma loja até tudo se acalmar.
...
No dia seguinte fomos para o prédio da Hokage. Um prédio vermelho com o símbolo do fogo, bem grande. Entramos e algumas escadas depois, com o corredor, chegamos à sala dela. Uma mulher loira, bonita e peituda. Peituda até mais que a Yomi-sensei! Ao lado dela estava uma mulher com um porquinho nos braços. Havia outro garoto na sala, ele tinha os mesmos olhos que Hinata-chan, e ao lado dele um shinobi de óculos esculos.
Fiquei a frente de sua mesa, o trio estava próximo da mulher com o porquinho.
– Ahh! – A Hokage disse – Com certeza você não é do País do Vento. Yuki né?
– Hai.
– Hum... Bateu a cabeça.
– Hai...
– Bem, infelizmente tenho que dizer que não há muito que eu possa fazer. A área da memória, assim como o cérebro em si, é sensível e muito difícil de prever. Mesmo com minhas habilidades, se eu mexesse no cérebro dela, principalmente a área da memória, talvez piorasse seu estado. O cérebro é muito imprevisível para se lidar dessa maneira. – Ela disse com os dedos cruzados.
Me desanimei um pouco.
– Em relação ao seu Raiton... Talvez possamos descobrir algo.
Olhei para ela.
– Ela não faz os selos, certo?
– Hai. – Temari disse.
– Hum... Yuki...
– Só Yuki – Eu disse, gentilmente.
– Yuki-chan, esse é Hyuuga Neji. Seu Byakugan irá ver seu corpo internamente para descobrir a razão de não usar os selos das mãos. Ao seu lado Midoki Kutsokeru. Ele tentará se infiltrar em sua mente com a técnica de interrogatório para descobrir algo.
Balancei a cabeça, assentindo. O trio me olhava com certa esperança.
– Por favor... – Ela indicou minha mão.
Suspendi levemente a mão e deixei fluir os raios.
– Neji. – Ela disse.
Neji ativou seu byakugan e começou a me analisar. Os olhos dele me assustaram um pouco.
– Não há nada de errado com ela. O chakra está fluindo normalmente pelo corpo em direção à mão. – Ele desfez o byakugan – Ela parece normal.
– Soka... – A Hokage disse, encostando as mãos nos lábios – Nunca vi algo assim. Ainda mais em uma genin.
Olhei para ela apreensiva. O que eu era?!
Como não houve resultados com Neji, era a vez de Kutsokeru. Ele pediu para eu me sentar em uma cadeira. Quando sentei, ele disse para eu me acalmar e relaxar. Ele pôs a mão em minha cabeça e a outra em sua própria cabeça. Senti um desconforto, ele estava dentro da minha mente!
Depois de minutos comecei a sentir um incômodo. Fiquei tensa, comecei a me mexer.
– Por favor, não se mexa tanto. Acho que estou descobrindo algo... – Ele parecia estar surpreso.
– Dói... – Gemi de dor. Comecei a suar frio.
– Mais um momento.
Tentei relaxar, me manter calma, mas minha cabeça começou a doer com tanta intensidade que não pude conter. Comecei a ver algo dentro da minha cabeça, uma coisa que me assustou e que doía demais.
– Pare... Pare.
– Por favor. Acho que encontrei algo.
– PÁRA!
Naquele momento os raios fluíram por todo meu corpo com tanta brutalidade que jogaram Kutsokeru contra a parede. Eu parecia ser o próprio raio, brilhava e meus cabelos estavam espetados, mais brancos e brilhantes. Caí da cadeira ajoelhada e com as mãos na cabeça depois que o joguei longe. Não havia só jogado Kutsokeru contra a parede. A mesa da Hokage estava imprensada contra outra parede e todos estavam no chão com os olhos arregalados. Os raios percorreram por toda a sala.
Comecei a chorar, desesperada. Gaara se levantou e tentou me ajudar, mas ele pôs a mão no meu ombro. Estava com medo de aquilo acontecer com ele e machucá-lo.
– Yuki...
– Não me toca! – Disse recuando violentamente – Por favor...
Ele olhava para mim, com os olhos arregalados. Levantei e saí da sala correndo. Queria sair dali, precisava sair dali! Eu chorava e as lágrimas caíam enquanto eu corria. Passei por um homem com roupa verde no corredor. Ele me olhou confuso, vendo eu me afastar.
– Kutsokeru-san, o que você viu? – A Hokage perguntou ajudando-o a se levantar.
– Uma mulher sendo morta por lobos. Acho que Yuki-chan via tudo dentro de algum lugar. Ela era pequena, uma criança.
Temari pôs as mãos na boca com os olhos marejados. Kankuro abaixou a cabeça. Gaara saiu da sala quase correndo.
– Quem é essa garota? – Neji perguntou assustado.
Eu corria, mas a dor era tanta que parei numa parte do corredor e me ajoelhei no chão. Não podia suportar aquela dor, aquela imagem que eu nem sabia o que era, aquele sentimento doloroso que possuía meu coração e que eu não compreendia. Pus a mão na cabeça, pedindo para a dor parar. Chorava incessantemente.
Gaara chegou e se aproximou de mim. Levei um susto quando ele tentou pôr a mão em meu ombro de novo.
– Não...!
– Você não vai me machucar! – Ele disse pondo as mãos em meus ombros – Está tudo bem agora. Os raios sumiram.
Eu chorava o olhando.
– Gaara... – Perdi o ar – O que eu sou?
O abracei com força. Ele me abraçava, tentando me acalmar.
Quando me acalmei por completo, Gaara me levou de volta para a sala da Hokage. Me desculpei com Kutsokeru-san e com a Hokage. Ela compreendeu perfeitamente, visto que Kutsokeru explicou a ela que como minhas lembranças estavam completamente suprimidas dentro da minha mente, mesmo com aquela cena eu não poderia explicar ou mesmo compreender o que se passava. E o pior, ele não poderia me dizer de onde aquela explosão de raios veio. Estava ainda mais perdida!
Ficamos mais um dia, mas eu não saí do quarto da hospedagem. Naruto aparecia constantemente nos chamando para sair, fazer algo. Ninguém do trio queria sair. Na última vez que ele veio, pedi a todos para irem com ele. Se distraírem um pouco, parecia que se sentiam obrigados a ficar comigo. Mas eu precisava mesmo era ficar sozinha. Gaara não queria ir, mas como eu pedi ele foi, compreendendo o que eu queria.
No dia seguinte, logo de manhã, fomos embora. Nos despedimos de Naruto e Shikamaru, que foram para o portão da vila se despedir de nós. Eu fiquei cabisbaixa o tempo todo. Eles disseram para voltarmos mais vezes e que a brincadeira foi até divertida, mas eu apenas assenti com a cabeça.
No caminho, ninguém falava e eu fitava o chão que caminhava. Temari me olhava, preocupada.
– Nee, Yuki... O que quer fazer agora?
Aquela pergunta me causou um vazio. Eu não sabia mais o que faria ou o que queria fazer. Depois do que fiz, não queria mais nada do meu passado, mais nada que vinha antes de Gaara e os outros. Minha vida era aquela agora e se, para eu descobrir meu passado, precisava sempre enfrentar dor e medo, eu preferia optar por ficar sem passado.
– Nada.
– Nada? – Ela perguntou surpresa – Não quer tentar de novo? Descobrir mais alguma coisa?
– Não.
Ela ficou pasma. Levantei a cabeça e a olhei, sorrindo.
– Eu sou uma shinobi da Vila Oculta da Areia. Não tenho passado, sou apenas Yuki. Yuki de Sunagakure.
Ela me olhou surpresa, assim como os outros. Sorriu ao perceber minha decisão. Gaara me fitava, sorrindo.
Parei de me preocupar com meu passado. Se tivesse que vir, que viesse! Mas naquele momento eu começaria a me ocupar com meu presente e esperar pelo meu futuro.
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