Higure Kaminari

3 A Missão não Oficial


Por alguns meses foi difícil para o trio cuidar de mim. Aos poucos eu estava aprendendo a falar. Pouquíssimas palavras, mas contava e qualquer forma. Eu vivia desenhando, porém não mais aqueles desenhos assustadores. Eu desenhava todos eles, e tinha certa implicância com Kankuro. Ele parecia me detestar, e eu comecei a detestá-lo. Quando ele me olhava com cara de tédio eu jogava nele qualquer coisa que estivesse em minha mão, ou mesmo se não tivesse nada na mão!

Temari me ensinava tudo o que uma menina precisava saber. Ela me arrumava, conseguiu roupas para mim, basicamente, era minha nee-chan. Eu me divertia com ela. Ela me levava pra passear pela cidade, raramente. Eu virava lobo às vezes e ela tinha que correr comigo para dentro de casa. Por isso não passávamos da rua de casa.

Gaara vivia saindo de casa. Eu agarrava em sua roupa pedindo apenas com os olhos pidões para ele ficar. Ele adquiriu a habilidade de me acalmar esfregando minha cabeça, fazendo carinho. Eu descobri que o objetivo era esse mesmo e depois quando ele fazia o gesto, eu fazia cara de tédio. Mas eu não o fazia parar. Eu gostava!

Não tinha nada para fazer em casa, mas eu havia parado de roer os móveis. Como desenhava todo o dia e o tempo todo, pois não tinha outra coisa pra fazer, desenvolvi essa habilidade e comecei a desenhar muito bem.

Gaara chegou em casa. Apareci na porta e corri até ele.

– Gaara! — Pulei em cima dele — Vamos brincar!

– Aprendeu uma palavra nova?

– Brincar. Brincar. — Eu gemia.

– Não... Está tarde.

– Hum... — Choraminguei.

– Tá... — Ele reclamou.

Saímos e fomos caminhar um pouco. Eu pulava do lado dele, ele caminhava calmamente. Paramos num parque, eu sentei no balanço e comecei a balançar. Gaara me chamou e agachamos no chão. Ele começou a fazer brinquedos de areia pra mim. Um cavalinho, um ursinho e um coelhinho. Bem pequenos. Me disse os nomes deles e eu logo aprendi. Era fácil aprender com ele. Temari ficava de cabelos em pé comigo. Eu trocava o nome da mesa e confundia com a pia, quando não dizia que o sofá era calcinha.

Um homem moreno com o pano no olho se aproximou. Aquele que nos esperava na saída da fenda quando chegamos na vila.

– Baki-san. — Gaara o cumprimentou.

– Hã? Ela parece bem.

– Sim. — Gaara assentiu.

– Preciso falar com você de uma missão.

– Sim. — Gaara se virou para mim — Yuki.

– Hum? — Gemi.

– Estamos ali.

– Hai! — Assenti mesmo não tendo entendido o que ele disse.

Gaara e o homem se afastaram. Eu fiquei brincando sozinha. Outro homem apareceu, se aproximando de mim.

– Oe.

Olhei para cima.

– Você é garotinha que está com o Gaara?

– Gaara. Hai! — Eu disse. Não entendi o que ele disse, mas concordei apenas em ouvir o nome do Gaara.

Ele se aproximou e agachou do meu lado. Seu sorriso era malicioso.

– Qual o seu nome?

– Hum? — Tombei a cabeça.

– Nome. — Ele disse apontando pra mim.

– Yuki.

– Ah. Bonito. — Ele disse pegando uma mexa do meu cabelo e acariciando.

Eu fiquei com medo e recuei.

– Ne, o que ele fez? Aquele monstro. O que ele fez com você?

– Mons... tro?

– O Gaara.

– Ia...

Eu negava. Acho que já sabia o significado de monstro, mas não sabia de onde eu sabia.

O homem chegou perto de mim e cheirou meu cabelo curto. Recuei de novo.

– Você é até bonitinha. Quantos anos tem?

– Hum...

– "Hum..." — Ele me imitou.

Levantei e olhei para a direção que Gaara fora. Quando olhei para o homem de novo, ele agarrou meu braço.

– Hum!

– Cala a boca. Você é uma prova excelente que aquele garoto tem que sumir.

– Hum!

Ele bufou. Olhou pra mim e me jogou no chão. Tentei levantar, mas ele me segurou e tentou me tocar pondo a mão debaixo da minha blusa. Gritei e me desesperei. Uma das minhas mãos virou pata e as garras apareceram. Eu arranhei seu rosto. Ele gritou e me largou. Eu saí correndo gritando por Gaara.

Ele e o homem vieram em minha direção. Eu estava chorando e abaixei quando finalmente cheguei perto dele. Ele se abaixou e tentou me acalmar.

– O que houve?

Eu chorava. Olhei para ele.

– Mons..tro. — Me encolhi segurando a mão, que já havia voltado ao normal.

Ele arregalou os olhos assim como o outro homem. O homem que apareceu no parque veio correndo com a mão no rosto.

– Dakura-san? — O homem com o pano no rosto disse espantado — O que houve com seu rosto?

– Esse monstro me arranhou. — Ele disse tirando a mão do rosto.

Eu quase acertara seu olho, ele estava com quatro marcas bem grandes e ensanguentadas na bochecha, bem perto do olho.

– Yuki-chan não faria isso. — Gaara me defendeu. Eu estava nos seus braços chorando — Você deve ter feito alguma coisa.

Ele pegou minha mão enquanto o homem negava, a que eu escondia. Viu o sangue nela e ficou nervoso. Ele perguntou baixinho o que o homem fez. Eu estava nervosa, mas olhei pra ele chorando e peguei sua mão, pondo-a no meu seio. Gaara arregalou os olhos e abaixou a cabeça em seguida. Uma aura negra e amedrontadora surgiu. A areia começou a se mover a nossa volta. Apertei sua roupa, com medo.

– Dakura-san... — Gaara disse — O que você fez...?

O homem ficou claramente com medo. Percebeu que eu havia mostrado o que ele fizera comigo. Abracei Gaara e fechei os olhos enquanto a areia se movia a nossa volta. Ela parecia ter tentáculos naquele momento.

– Gaara. — O homem com o pano no rosto reprovou a ação.

– Você está escondendo algo sobre esse monstro. — O homem acusou.

Gaara estava com um olhar assassino, sanguinário. Encarava o homem constantemente.

– Eu também sou um monstro... Não sou?

A areia recuou milímetros e atacou. O homem fechou os olhos e tentou se proteger. Quando abriu os olhos os tentáculos de areia, que agora eram extremamente afiados, estavam parados há centímetros do seu rosto, além do resto de seu corpo. Ele estava estático.

– Nunca... Toque nela. — Gaara disse olhando para o homem.

A areia voltou ao normal, caindo no chão. Gaara me pegou no colo, comigo ainda de olhos fechados, e fomos para casa.

Quando Temari me viu se assustou. Gaara me pôs na cama e Temari ficou comigo. O homem com o pano no rosto veio conosco. Ele chamou Gaara e ficaram conversando na sala. Gaara voltou a ficar sem expressão.

– Gaara.

Ele olhava para o homem.

– Aqueles arranhões... Foi aquela menina que fez?

– Ele tentou tocar nela. — Gaara disse.

– Eu sei. Vou resolver isso depois. Mas como ela conseguiu fazer aqueles arranhões com as mãos?

Gaara não respondeu.

– Gaara... O que está escondendo de mim?

– É melhor contar. — Kankuro apareceu na porta.

Gaara abaixou a cabeça.

– Contar o que?

– Ela...

Todos se calaram e escutaram o barulho estrondoso que vinha do quarto onde Temari e eu estávamos.

– Fique aqui!– Temari gritava.

A porta do quarto voou contra a parede com violência e eu aparecia em seguida correndo. Corri até Gaara e me sentei no sofá ao seu lado, abraçando-o. Temari apareceu, ofegante.

– Ela... — Ela tentava respirar — Arrancou a porta.

O homem com o pano no rosto a olhou assustado. Temari percebeu que ele ainda estava ali. Não havia outra saída, eles contaram tudo.

– Um lobo. — Ele repetia tentando acreditar — Tem certeza?

– Temos. — Kankuro riu se lembrando quando eu virava lobo.

– Vocês esconderam isso de mim durante esses dois meses? — O homem os reprovou.

– Estávamos ensinando Yuki a se comportar.

– Não importa! — Ele engrossou a voz.

Apertei a roupa de Gaara, me assustei.

– Ela arranhou o rosto de Dakura-san. É perigosa.

– Ela é como uma criança. E Dakura-san passou a mão nela, o que acha que ela deveria fazer? Deixar? Ela apenas se defendeu. — Temari me defendia.

O homem bufou.

– Descobriram algo? Sobre o passado dela.

– Não. — Temari mentiu.

Kankuro olhou para Temari, lembrando dos desenhos, mas não disse nada.

– Descubram logo e a mandem para casa.

Eles se calaram. Quando o homem foi embora, ficamos na sala. Eu estava escorada no ombro de Gaara. Temari me olhava.

– Ela precisa aprender a se defender. — Kankuro disse com os braços cruzados.

– O que? — Temari perguntou.

Gaara olhou para ele.

– Como assim?

– Ela deve ter uns treze anos... Ela pode participar do treinamento dos genins.

– O que? — Temari se espantou — Quer matá-la? Aquilo é treinamento pra quem quer se tornar um shinobe.

– Precisamos ir para as missões Temari. Ela vai ter que ficar sozinha. Ela pode fugir, ir para a rua. O que acha que pode acontecer?

Ela ficou olhando para ele, vendo que tinha razão.

– Nós somos os instrutores, então não terá problema.

– E Baki-san?

– Ele com certeza irá reprovar. — Kankuro riu.

– Yuki... — Gaara disse. Olhei para ele — Quer aprender a lutar?

– Hum?

– Lutar.

– Lu... Tar...?

Eu o abracei.

– Isso foi um "sim"? — Kankuro perguntou.

– Sei lá... — Temari fez cara de tédio — Ela vive abraçando ele.

– Vamos começar em três dias. — Kankuro disse.

– Certo. — Temari disse, confiante.

Em três dias começaríamos meu treinamento.

Notas finais
Ai gente, espero que gostem. Esse foi um episódio meio pesado, mas tem objetivo. Estou amando escrever essa história >.