Higo Sai
1 Prólogo
Higo Sai
“E mais uma fez trazemos noticias da gangue de assassinos que tem atormentado Tokyo, conhecida como Masked Evil.” A voz do apresentador do telejornal era o único som na sala do pequeno apartamento. “A organização Anti-Masked nos deu a informações que o número de membros da gangue não para de aumentar.”
“Len, desligue a televisão, isso está me irritando.” Resmungou Rin, que ouviu o noticiário da cozinha.
“Aparentemente, na semana passada haviam 81 membros e agora são 93. Não se sabe o objetivo da gangue ou o que acontece com as pessoas que-” Len trocou de canal, passando para uma canal de clipes, que no momento tocava um de uma bela moça de cabelos rosados e olhos azuis, Megurine Luka.
“Bem melhor...” murmurou Rin. “Bem, de qualquer forma, não é como se não soubéssemos o que está acontecendo.” Disse, se espreguiçando e saindo da cozinha com um copo de água.
“Uhum...” murmurou Len, mirando fixamente a televisão. “Eu adoro a Luka!” disse com um sorriso. Assim que o clipe acabou, o loiro se levantou e foi em direção a cozinha, para começar a fazer o jantar.
Rin se deitou no sofá, pensando na situação que a cidade se encontrava. Há mais ou menos um mês, começaram a surgir assassinos que usavam máscaras estranhas. Começou com dois um três mascarados e logo o número foi crescendo. Tudo que a população sabia era que eles atacavam apenas durante a noite e que existia um grupo chamado Anti-Masked que tentava acabar com eles.
Mas, na verdade, o problema era maior. Não eram simples humanos criminosos que participavam da gangue, as pessoas eram possuídas. O demônio só tomava conta do corpo durante a noite ou quando era atacado e podia pegar em qualquer pessoa, com um simples olhar, não havia mais nada a se fazer. Uma vez que essa pessoa virasse uma máscara não havia mais volta.
Um grupo de exorcistas percebeu o que acontecia e fez algumas correntes para a proteção deles e de um grupo de jovens que já havia entendido a real situação e estavam prontos para lutar. Esse grupo era o Anti-Masked. Rin e Len, irmão gêmeos que nasceram e foram criados em Tokyo eram um dos membros do grupo de extermínio das máscaras. Tinham apenas 16 anos, mas isso não incomodava os exorcistas.
O grupo em era formado por poucas pessoas: Kamui Gakupo, apresentador de um noticiário, 25 anos; Shion Kaito, trabalhava em uma tenda de lamen, 20 anos; Kagamine Rin, estudante do segundo ano da secundaria, 16 anos; Kagamine Len, estudante do segundo ano da secundaria e ajudante de Kaito nas sextas e sábados; Sakine Meiko, dona de uma das boates mais badaladas de Tokyo, 23 anos; Hatsune Miku, estudante do terceiro ano da secundaria, 17 anos.
Todos usavam uma corrente com uma cruz, que os protegia de se tornarem máscaras. Se tirassem aquelas pulseiras correriam risco de se tornarem máscaras. Suspirou. O pôr-do-sol estava se fazendo presente. Havia um tempo que ela e Len começaram a jantar antes do normal, para saírem de casa assim que escurecesse. As vezes era difícil estudar e trabalhar como Anti-Masked ao mesmo tempo, mas não havia escolha, não podia simplesmente abandonar a missão.
“Rin! Venha jantar!!” chamou Len, aparecendo na porta da cozinha. Rin sorriu e se levantou, rindo. “O que foi?” perguntou o loiro, curioso.
“Não, nada não!” respondeu. “É só que o mais normal é a irmã cozinhar pro irmão, não o contrario!” zombou a garota, vendo Len rir um pouco.
“Fazer o que? Você não sabe cozinhar!” falou, voltando para dentro da cozinha. Rin se levantou e correu até ele.
“Ah, mas é claro que não! Não trabalho em uma tenda de lamen!” resmungou, fingindo irritação.
“Já sabia cozinhar antes.” Retrucou Len, fazendo uma careta. “Vamos comer de uma vez!” sentou-se a mesa, onde havia dois pratos.
~o~
Os gêmeos entraram pelo prédio apressadamente. O sol já havia se posto. Estavam atrasados. Entraram no elevador e esperaram, sem paciência, até ele parar no quarto andar. Correram rapidamente para a porta número 33. Tocaram a campainha e esperaram um tempo até que Meiko abriu a porta, sorrindo para eles.
“Beeeeeeem vindos!” gritou, com uma garrafa de cerveja na mão.
Kiyoteru, o dono do apartamento e um dos exorcistas que fizeram as correntes, estava sentando em seu sofá, levantou os olhos rapidamente para os gêmeos, mas logo depois voltou ao que fazia antes. Ele estava vestido formalmente, como sempre, com uma cara séria, olhando alguns papeis. Meiko estava com um terninho feminino vinho, com uma gravata vermelha e a blusa de dentro branca, salto alto vermelho. Mesmo estando bêbada, não estava fora de si e por isso ainda poderia lutar naquela noite.
Gakupo estava sentado em um canto, mexendo em um tablet. Vestia um quimono samurai, totalmente preto, os cabelos estavam presos em um rabo-de-cavalo, preso pela corrente de prata feita pelos exorcistas. Kaito estava tomando um sorvete, sentado no sofá. Suas roupas eram uma calça preta, uma blusa social branca, uma gravata negra e um sobretudo por cima, ah, e, claro, seu inseparável cachecol azul.
Rin vestia um terninho feminino, também, mas o casaco estava aberto, e ela não usava gravata. Também usava uma bota sem salto, que quase chegava aos joelhos, preta e confortável. Len usava uma calça jeans cinza e ma blusa social preta, de mangas compridas. Nos pés, tênis branco, com detalhes em preto. Por fim, Miku usava uma saia negra, uma blusa social de manga comprida, verde-clara, um casado negro por cima e uma gravata verde-escura, pra completar, botas marrons de cano curto, simples.
“Rin, Len!” exclamou Miku, correndo até eles. “Como estão?” perguntou, parando na frente dos gêmeos.
“Estamos bem, Miku-chan!” quem respondeu foi Len, com um sorriso. Miku também sorriu. Eram bons amigos.
“Kaito, está tomando sorvete?!” exclamou Rin, em tom brincalhão, fingindo surpresa.
“É claro! Vai saber se essa é minha última chance de tomar um delicioso sorvete!” respondeu sorridente. Todos na sala riram, menos Kiyoteru.
“Não temos tempo para conversa.” Kiyoteru cortou a conversa antes que o grupo pudesse deixá-la mais animada.
Kiyoteru e Gakupo dividiram as partes da cidade para os membros do Anti-Masked. Rin havia ficado com a zona leste. Estavam já na saída do prédio, olhando para todos os lados, se preparando mentalmente para mais uma noite de luta. Depois que Masked Evil começou a agir, a cidade ficou bem mais calma e silenciosa durante a noite. Olhou bem para Len e Miku, eram as duas pessoas que ela mais pedia pra não acontecer nada, seu querido irmão e sua melhor amiga.
“Então... vamos!” exclamou Gakupo, decidido. “Tomem cuidado, nos encontramos aqui ao amanhecer.” Miku foi até Kaito.
“Por favor, tome muito cuidado!” pediu, sorrindo para ele. Kaito também sorriu e colocou a mão no topo da cabeça de Miku, fazendo uma leve caricia.
“Você também, Miku-chan, não vá se machucar.” Disse calmamente. Meiko pulou no pescoço dele.
“Isso mesmo! Não deixe sua idiotice te atrapalhar, Bakaito!” exclamou alto, com um largo sorriso.
“Hei!” reclamou o de cabelos azuis.
“Gakupo, não fique pensando em trabalho!” Gakupo desviou os olhos, um pouco emburrado. “Len ficar o tempo todo preocupado com a Rin e com a Miku vai acabar se machucando.” Len ficou vermelho no mesmo instante. “Rin, nem pense em desviar seu caminho para ver se seu irmão está bem!”
“Eu não faço isso!” reclamou a loira, embaraçada e corada. Só havia feito uma vez, como Meiko sabia?
“Sei...” Meiko sorriu sacana para ela. “E, por último, Miku, se você ficar com pena das máscaras, elas vão te matar.” Miku riu, sem jeito.
“E você, Meiko-san, tente não beber mais nada até o fim da noite.” Disse Gakupo, com um leve sorriso. Meiko resmungou algo coisa, mas logo soltou Kaito. “Agora sim, podemos ir, não é?” todos assentiram e começaram a caminhar para a direção que já havia sido designada antes.
Assim que virou uma esquina, Rin começou a correr, segurou a cruz de sua corrente, que carregava no pescoço, e a levou ate os lábios, dando um beijo rápido e depois a soltou outra vez, aumentando a velocidade. Pegou a pistola que levava presa na saia. Respirou fundo, sem parar de correr.
Olhando ao redor, podia ver algumas poucas pessoas nas ruas, alguns carros passando. Mas nada como o movimento normal de Tokyo, durante a noite. Foi para uma área mais afastada, entrou em um shopping fechado, naquele horário. É claro que aquele não era o horário normal para o lugar fechar, mas muita coisa havia mudado.
Correndo pelos corredores vazios e escuros, não via nada de especial, até que a luz de uma lanterna atingiu seu rosto. Piscou algumas vezes, até olhar para o lugar de onde vinha a luz. Um homem que, pelas roupas, devia ser o segurança do shopping.
“O que faz aqui, mocinha?” perguntou o homem, indo até ela lentamente.
“Ah... eu... er...” não sabia bem o que dizer, coçou a cabeça. “Eu fiquei curiosa para saber porque o shopping já estava fechado.” Foi o melhor que pode dizer.
“Hmmmmm... você não é de Tokyo?” perguntou o homem, com o cenho franzido. Rin negou com a cabeça, mentindo. “Não é mais seguro andar pelas ruas de noite, querida. Vá para casa.” Falou, sorrindo um pouco.
“Ah... tá...” murmurou, escondendo a pistola entre as roupas e virando-se para sair do shopping. Estava quase na porta de saída quando ouviu um grito, identificando por pouco a voz do segurança.
Correu para o lugar onde havia o visto, deparando-se com o homem caído no chão, com, manchando o piso do shopping de vermelho. A garota arregalou os olhos, surpresa. Olhando melhor, pode ver um homem de terno e gravata com a estranha máscara que caracterizava a Masked Evil no rosto. Não hesitou, pegou a pistola outra vez, e antes que o homem tivesse a chance de correr para atacá-la, atirou em seu peito, na altura do coração.
Abaixou a arma, com a respiração agitada. Voltou a correr pelo shopping, a procura de mais máscaras. Era apenas o inicio de mais uma noite de insegurança e medo.
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