High School Manual

3 Professor que odeia ser a porra de um professor


No dia seguinte, tudo aconteceu exatamente como imaginei. Jason disse que queria carona e pediu desculpas por ontem. Não disse nada, apenas assenti. Hera dispensou seus gritos hoje, e isso me deixou extremamente aliviada, porque eu simplesmente não estava com paciência pra nada hoje.

Dirigi até a escola e quando saímos, Jason me deu um beijo na bochecha me desejando uma boa aula.

Não vi Luke, Annabeth ou Percy. E também não os procurei. Somente fui até a sala para começar a primeira aula e me sentei. Os alunos começavam a chegar e finalmente, o professor.

Ele se sentou e folheou seu plano de aula, resmungando alguma coisa.

— Ok, que seja. Temos que nos levantar e dizer nossos nomes. E dizer um fato único sobre nós mesmos. Certo, eu começo. Meu nome é Keiran e eu odeio ser a porra de uma professor. Sua vez. – Apontou para alguém.

Não prestei tanta atenção nos nomes de meus colegas e muito menos em seus fatos.

— Sua vez. – Keiran apontou para Percy que se levantou e disse:

— Meu nome é Percy. Pessoas que eu amo dizem mentiras para mim. – Me olhou discretamente e eu me afundei um pouco na cadeira.

O professor que odeia ser professor continuou apontando os alunos, quando chegou minha vez.

— E quanto a você? Aí a atrás?

Levantei.

— Eu me chamo Thalia e... – Pensei. – Eu ajudei alguém que eu odiava. E me senti bem com isso.

Olhei para Percy, sem ser nem um pouco discreta, fuzilando ele com o olhar e me sentei novamente.

Keiran apontou para Luke, que estava a poucas cadeiras depois de mim e eu nem sequer notei. Ele coçou a nuca, bagunçando um pouco os cabelos e se levantou.

— Sou Luke, e....

— Meu nome é Percy e eu nunca deixei amigos na mão para ajudar pessoas que eu admito não gostar.

Olhei mortalmente para Percy quando ele atrapalhou a apresentação de Luke. Se ele queria guerra, bom, se é pra tombar, eu tombei. Levantei.

— Eu me chamo Thalia e percebi que as pessoas que eu não gosto podem ser melhores do que os meus amigos. — Fiz aspas com os dedos e olhei para Percy que me encarava também.

— Melhores que seus amigos?! Pessoas que você não gosta não devem ser melhores que os seus amigos porque afinal VOCÊ NÃO GOSTA DELAS.

— EU POSSO COMEÇAR A GOSTAR DEPOIS QUE VOCÊ FOI UM TOTAL BABACA COMIGO E ME DEIXOU SOZINHA QUANDO EU MAIS PRECISAVA! – Gritei.

— TALVEZ EU NÃO TIVESSE TE DEIXADO SOZINHA E TIVESSE ACREDITADO EM VOCÊ SE PARASSE DE MENTIR TANTO PRA MIM! – Berrou.

— NÃO ME CULPE PELOS SEUS ERROS PERCY, VOCÊ JÁ É GRANDINHO DEMAIS PARA LIDAR COM ELES!

Quando vi a boca de Percy se articulando para outra resposta, escutamos aplausos. Keiran estava de pé aplaudindo e não demorou muito para eu me tocar que eu simplesmente estava aos berros com Percy na aula.

Me senti patética no exato momento que o vi aplaudindo, e abaixei a cabeça esperando ouvir ele nos mandar para a...

— Vocês dois. Diretoria. Agora.

— Merda. – Xingamos em uníssono.

[...]

Caminhamos até a sala do Sr. D em total silêncio e nos jogamos nas cadeiras como dois sacos de batatas. Eu fui tão infantil por ligar para as provocações de Percy e fui mais infantil ainda em revidá-lo.

Sr. D estava com uma blusa estampa leopardo e uma taça com forte cheiro de vinho. Ótimo. Não basta ser castigada, tem que ser por um bêbado.

– Aos berros na aula do professor Keiran, hein? – Ele folheou alguns papéis em sua mesa. – A bibliotecária está precisando de uma ajuda enorme porque alguns livros novos chegaram. Acho que vocês poderiam fazer esse favor a ela, não é crianças?

Nenhum de nós respondeu.

— Ótimo, está decidido. Hoje ás... – Estalou a língua e olhou em seu relógio. – 16:30.

Saímos de lá e o sinal tocou. Estava com tanta raiva dele.

— Thalia... – Ele tentou.

Apenas dei passos apresados para longe dele, fingindo que não tinha escutado. Eu definitivamente precisava de um cigarro.

Os corredores estavam começando a ficar cheios novamente, e eu senti duas mãos me segurando os ombros. Olhei para cima e vi Luke com um sorriso travesso.

— Se eu não tivesse te segurado, você haveria tombado em mim. – Riu. – De novo.

Estava tudo tão sufocante, e com um rosto amigo, consegui me sentir melhor.

Consegui sorri e falar:

— Poucos tem esse meu talento.

Ele me soltou e riu um pouco caminhando ao meu lado no corredor.

— Sr. D pegou muito pesado? – Perguntou casualmente.

— Arrumar uns livros na biblioteca depois da aula.

— Não foi tão ruim. – Ele se calou e de repente, pareceu se lembrar de algo. – Ei! Uma galera vai dar uma festa hoje a noite. Não entendi direto, mas Annabeth disse que vai ser um tipo de luau. Posso ir te pegar às 19:00?

Abri meu armário e peguei os livros da minha próxima aula.

— Claro, estava mesmo precisando de uma festa. Vou tentar terminar na biblioteca o mais cedo possível. – Peguei um papel anotando meu endereço e meu número e entreguei para ele. – Qualquer coisa, se eu estiver atrasada, me liga.

Ele assentiu guardando o papel na mochila.

— Que aula você tem agora? – Perguntei.

— Pré-cálculo. – Fez uma careta fofa. – E você?

— História, nos vemos depois?

— Sim. – Me deu um abraço e foi embora.

[...]

O sinal da última aula tocou e eu saí da sala. Coloquei minha mochila no armário e fui em direção a biblioteca. Vi Percy falando com Ammy, a bibliotecária e cheguei perto deles.

— Alguns livros novos chegaram ontem, e fiquei sabendo que os dois aprontaram. Ótima oportunidade, crianças. Me sigam. – Ela nos guiou por algumas prateleiras até que... – Vocês irão arrumar esses hoje.

A pilha de livros era enorme e eu quase peguei o telefone ali mesmo para desmarcar o luau com Luke, mas aí eu lembrei que não tinha o número dele e bufei.

Fiz um coque no cabelo e me sentei diante da pilha de livros, separando eles para colocar na estante. Olhei para Percy, que nem tinha se mexido ainda.

— Vai ficar só vendo, é?! – Ele se sentou do meu lado e começou a separar os livros também.

Regra número dois, pensei mais uma vez: em hipótese alguma, brigue com alguém na sala de aula.

Notas finais
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