High School Manual
25 O Starbucks que me desculpe, mas não há nada como um café caseiro
Notas iniciais

— Bem... E agora? – Jason me encarou.
Pensei por um instante antes de lhe responder.
— Você vai fazer sua tarefa de casa... – O olhei autoritária. – E eu vou comprar comida, o que quer para o jantar?
— Pizza. – Respondeu quase de imediato. – Acho que morar só com você não vai ser tão ruim assim.
Ele riu e eu dei um soquinho em seu braço.
— Vou passar na casa do Luke e depois trago a nossa pizza. O sabor é calabresa e...
— Catupiry. – Ele completou e nós sorrimos.
— É acho que vamos nos dar bem sozinhos. Mas não podemos comer pizza todos os dias e parece que os dotes culinários foram todos para você... – Peguei a chave do carro em cima da mesa de centro.
— Eu só vou cozinhar para você se você limpar meu banheiro. – Ele subiu as escadas.
— JÁ SABEMOS QUEM VAI MORRER DE FOME PRIMEIRO.
Fechei a porta de casa e fui até a garagem. Por mais que eu e Jason estivéssemos rindo e fazendo piadas da situação, nós dois sabíamos que não havia motivos para sorrir. Beryl estava de volta, e mais cedo ou mais tarde, ela viria atrás de seus filhos. Eu, particularmente, estava louca para vê-la. Eu não sou de ferro, aguentei dezesseis anos sem minha mãe. Queria ver se ela ainda se parecia com as fotos que eu tinha, queria contar-lhe sobre Luke, perguntar sua opinião sobre meu futuro. Eu queria ter uma mãe.
Mas mesmo assim, havia Jason. O filho que ela abandonou após o nascimento. Ela nunca esteve presente em nenhum dos momentos da vida dele. Quando ele teve o seu primeiro dia de aula, quando aprendeu a andar de bicicleta e quando tentou comer aquele grampeador. Ela nunca ligou realmente para Jay, então por que voltou?
Minha curiosidade sempre me metia nas maiores confusões, mas eu precisava encontrar Beryl e acabar com isso de uma vez por todas, porque ela não pode simplesmente aparecer e desaparecer da nossa vida como bem entender. Somos humanos e não brinquedos, que você tira da caixa quando está com vontade de brincar.
E com esses pensamentos, cheguei até a casa de Luke, estacionei próximo e toquei a campainha. Quem abriu a porta foi uma mulher baixinha com cabelos cor de areia e olhos verdes. Ela sorriu para mim, assim como sorrimos para biscoitos que acabaram de sair do forno.
— Não acredito que finalmente conhecerei você, Thalia. – Ela disse docemente.
— Nem eu Senhora Castellan. – Disse. – Tinha muita curiosidade de lhe conhecer.
— Ah por favor querida, me chame de May. – Ela sorriu. – Luke está dormindo lá em cima, quer voltar mais tarde ou...
— Ou...? – Perguntei.
— Ou você quer vir tomar uma xícara de café quentinho comigo enquanto aquele dorminhoco acorda? – Eu dei um risinho.
— Eu aceito o convite. – Sorriu docemente mais uma vez e me deu passagem para entrar.
Eu conhecia a casa de Luke muito bem, tive tempo para isso quando eu e ele decidíamos matar as últimas aulas e ficar junto o resto do dia, mas claro que não deixei isso transparecer e permitir que ela tivesse o orgulho de apresentar a casa muito bem arrumada.
— Lá em cima ficam os quartos. – Ela concluiu. – E atrás de você fica a cozinha, a parte que eu mais gosto.
Eu ri e ela me guiou até lá. O cheiro de café estava suave e o Starbucks que me desculpe, mas não há nada como um café caseiro.
— Como você quer o seu café? – Ela pegou duas xícaras e caminhou até o fogão onde estava o bule.
— Puro. – Sorri ao ver fumaça saindo da xícara que ela colocou na minha frente.
— Sabe – Ela deu um gole no café. – Luke não me contou sobre o namoro de vocês de primeira. Tive que insistir bastante para ele se abrir, e quando ele se abriu...
Quase engasguei em meio a um gole.
— O que ele disse? – Perguntei.
— Você é bastante curiosa, Thalia. Eu gosto disso em você. – Sorriu. – Ele me contou cada detalhe seu, detalhes que eu pensei que nenhuma pessoa poderia observar em outra. Me disse a cor de seu cabelo, o tom exato de azul em seus olhos e comparou sua pele à neve. Me contou que você era a única que entendia o seu senso de humor, que apesar dessa máscara de menina má, era uma romântica incorrigível.
Ela riu.
— Ok, essa parte foi uma mentirinha.
Eu sorri pensativa e senti minhas bochechas queimarem.
— Uma mentira muito verdadeira. – Encarei ela e bebi mais um gole.
— Não seja tão dura consigo mesma, as vezes todos nós precisamos de uma máscara, só para conservar a inocência dos sentimentos em nós mesmos. – Ela segurou minha mão e sorriu docemente.
Escutamos passos vindo da escadas, e sorri ao encarar Luke de pijama e com os cabelos bagunçados. Ele foi até sua mãe, beijou-lhe a testa e depois veio até mim, me dando um beijo.
— A quem devo essa maravilhosa surpresa? – Me perguntou.
— Eu precisava te contar uma... coisa. – Coloquei uma mecha do meu cabelo para atrás da orelha.
— Bem, acho que vou deixar vocês dois sozinhos. – May se levantou. – Luke, pode limpar tudo depois que acabar? Vou passar o resto do dia trabalhando.
— Claro mãe, até mais tarde.
Luke colocou café para ele em uma caneca e sentou de frente para mim.
— O que aconteceu?
— Meu pai se mudou. – Dei um gole em minha xícara.
Ele se engasgou.
— Mas...
— Calma Luke. – Sorri. – Eu não fui com ele.
— Então... – Me interrompeu.
— Se parar de me interromper eu te conto a história toda.
Quando terminei, ele me encarou sorrindo e fez carinho em meu joelho descoberto pelo short.
— Isso é incrível, Thals.
— Eu sei, mas e agora? Como se faz quando está virando adulta? Sinceramente, meus dedos tremem toda hora e eu estou apavorada, pressentindo o estrago que coisas de verdade podem causar. Não sei se toda essa responsabilidade vai caber nesse corpo magrelo de dezessete anos. – Desabafei e levantei da cadeira, levando minha xícara até a pia.
O encarei.
— Não vai falar nada? – Ele se levantou.
— Você fica linda toda descabelada e preocupada. – Me beijou, e seu beijo tinha o gosto de café, que me acalmou de imediato.
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